[ Vox populi vox Dei ]

2015-02-06

« O VEREDICTO DO POVO GREGO »

ALEXIS TSIPRAS escreveu HISTÓRIA


O filósofo grego ARISTÓTELES  (384 a.C - 322 a.C.)  legou-nos esta citação: "A esperança é o sonho do homem acordado".  É preciso que o mundo acorde. Penso eu, e, felizmente, muitos mais...

Deixem-me botar faladura sobre as eleições gregas, assunto que anda aí nas bocas do mundo, uns à espera que estoire a Grécia, outros que rebente a Europa.

Querem que estoire a Grécia os que, revendo-se na política europeia, não se querem confrontar com a inutilidade de uma austeridade de anos que nos foi imposta, sobretudo aos países do sul e muito particularmente à Grécia e a Portugal.

Tanto sacrifício,  para esta corrente de opinião, tem que fazer sentido, sob pena de abalar as convicções políticas e ideológicas de muita gente. Defendem o abalo da Europa os que nunca acreditaram nos benefícios de tamanha austeridade, os que nunca concordaram com esta orientação e ainda os que não suportam a habitual arrogância da Alemanha que, apesar de ser a padroeira da asneira, sai sempre a ganhar das porcarias em que se mete e provoca. [Agora... anda de braço dado com o P.R. franciú - o Hollande - a mexer no barril de pólvora da Ucrânia]

Seja-me permitida uma declaração de interesse, de imediato: não tenho grande consideração por um país que determina (e por um povo que o consente) a morte de milhares de judeus nas condições em que a Alemanha o fez na II Guerra Mundial.

Guerra é uma coisa, extermínio de uma raça é outra. Perdoe-se-me, pois, alguma pitada de falta de isenção que me esforçarei para minorar. Mas a memória tem este defeito: está  sempre a colocar-nos estas coisas à frente dos olhos.

Dito isto, deixem-me dizer que achei fantásticos os resultados das eleições gregas. Delas só podem resultar benefícios. Para a Grécia, se conseguir amansar a ferocidade europeia. Para a Europa, se conseguir reforçar a sua tese de que quem tem dinheiro é que manda e o resto é conversa. Não estou certo do resultado final deste choque de convicções e orientações políticas, embora não me pareça que a Grécia possa fazer grande coisa. Antes pudesse, e, ainda que pudesse, também não devia ir além do que deve. Pediu, gastou (e algum muito mal gasto - como cá), comeu, abotoou-se, então que pague.

Não venham com essa estória de que tanto dinheiro foi para alimentar o povo. É falso. Grande parte desse dinheiro, lá como cá - repito -, foi para os bolsos dos ricos, foi para manter a tropa fandanga governante, foi desviado do fim a que se destinava.

Assim sendo, a Grécia só ganha autoridade se à coragem demonstrada acrescentar a dignidade comportamental dos países de bem.

Pediu, gastou, pague. Nas melhores condições que conseguir, é certo, mas não à custa do sacrifício que pretende dos outros e não aos seus.

Mas a Europa tem pouca moral nesta matéria (e noutras) e a Alemanha não tem nenhuma, já que se fez rica e poderosa sobre os escombros dos países que destruiu. A Europa é liderada hoje por uma elite de burocratas que, de bolsos cheios, não têm a mínima sensibilidade para os problemas dos países pobres nem para quem precisa de pão para matar a fome dos filhos.

Esta Europa, parida sob bons auspícios e depois apropriada pela tal elite, não pode ter grande futuro. É má, insensível, sem alma. Só vê cifrões e sempre que um povo é martirizado (Kosovo, Ucrânia e outros mais) olha para o lado e faz que não vê. Esta Europa passeia-se nos tapetes aveludados da arrogância, distribui entre as suas elites benesses atrás de benesses, come-lhe do bom e do caro, arrota a meio da tarde e está-se nas tintas para quem tem fome. Gente desta não presta!

Reside aí, nesse aspecto, a parte lúdica, interessante e vingativa das eleições gregas. Dá um certo gozo ver um jovem político bater o pé aos grandes, sempre habituados a que os países pobres amouxem e comam pela sua mão.

O Primeiro Ministro grego pode ter 'tiques de irresponsabilidade' ou até ser muito pouco ponderado. Não sei nem quero saber! Mas mostrou tê-los no sítio, desculpem-me a grosseria da expressão...

E para tanta arrogância europeia não sei se essa não seria mesmo a melhor resposta!

Mais houvesse, e muitos galos baixariam a crista!