[ Vox populi vox Dei ]

2019-08-16

«DÓLMEN DO ESPÍRITO SANTO DE ARCA»

A Pedra de Arca 


Também conhecida localmente por Pedra d’Arca, o Dólmen de Arca foi cristianizado até no nome, onde lhe impuseram um Espírito Santo eclesiástico como apelido. É o mais importante monumento megalítico da Serra do Caramulo e seguramente um dos mais famosos da Beira Alta.

Uma anta onde todas as noites de São João se senta uma moira encantada, e que dali brinca com o destino dos homens que lá passam.

O Dólmen

O tempo fez com que hoje fosse composto de apenas três esteios verticais – os restantes, quebrados, ainda por lá deixaram vestígios. No total, deveriam ser sete, o número mágico e aquele que é mais usado na construção da câmara de muitas antas.

A distingui-la, observamos que uma das pedras que funciona como pilar está visivelmente inclinada. Mais do que é normal. Em cima, a pedra que serve de tampa, que conta com quatro metros de comprimento.

Do corredor já quase nada se nota. E a mamoa desapareceu com a dureza dos elementos. Ficou assim escancarada aos olhos de quem lá passa, bem altiva, fazendo mais de duas pessoas em altura, tornando-se fácil a passagem pelo seu interior, como se se tratasse de um simples túnel de granito.
Há quem saliente as parecenças do Dólmen de Arca com outros mais a nordeste, na província de Trás-os-Montes.

A Lenda do Dólmen de Arca

Dizem que quem construiu o Dólmen foi uma moira encantada – não confundir com uma moura sarracena, normalmente adoptada posteriormente em algumas lendas como forma de absorver este ser mitológico num novo contexto histórico. Segundo a lenda, a laje que passa por telhado foi transportada na cabeça dela, enquanto fiava uma roca com uma mão e transportava um bebé com outra.

A roca, é o elemento que mais é associado às moiras, tendo como tradução as voltas da vida, e colocando assim estas mulheres místicas como Deusas do destino. Já o recém-nascido que carrega é uma adição estranha, que não acontece tão frequentemente, e adensa um pouco a neblina sobre os significados ocultos deste activo da tradição oral.

Os locais acreditavam que todas as noites de S. João isto é, todas as noites de solstício de Verão, essa mesma moira encantada se sentava no topo do Dólmen a fiar, tendo à sua volta vários objectos de ouro. À passagem de cada homem, a moira perguntava de que gostava o passageiro mais, dos seus olhos ou do seu ouro. Ávida, a maioria escolhia o ouro, transformando-se em cinza por vingança da moira assim que a escolha era feita. Novamente, o duelo entre alma e matéria, com representação nos olhos e no oiro, respectivamente.




Moiras encantadas



O nome moira é enganador porque uma moira encantada não é uma moura no sentido histórico que recriamos na cabeça. Estamos no campo místico e, como tal, há dezenas de teorias que podemos atirar, não estando nenhuma delas exactamente correcta, porque não existe tal coisa como certo ou errado na imaginação humana. Verdade é que as moiras encantadas são um ser quase exclusivo de Portugal, e dizemos quase porque na Galiza também fazem parte do saber popular.

Origem das Moiras Encantadas

A sua origem, muito provavelmente, reside nas tribos indo-europeias, tendo sido fundidas posteriormente com o contexto cultural de várias épocas pelas quais este território ibérico passou. Mas parece existir uma afinidade entre as nossas moiras encantadas e outros seres místicos europeus, sempre femininos, sempre associados à água (tal como as Tágides que Camões lembrou, embora estas últimas se concentrem na zona da foz do Tejo), habitualmente encantadores e por vezes vingativos.

Hoje em dia, contam-se lendas que andam quase sempre à volta do mesmo: reis mouros que partiram, em fuga das espadas cristãs, e que cá deixaram filhas e sobrinhas. Estas, sozinhas, refugiaram-se em pontos inóspitos, quase sempre marcados por correntes de água, como grutas, fontes, ribeiros, lagos, poços, aguardando por alguém que as socorresse e acudisse os seus cantos hipnóticos. É também comum ouvirmos contar que estas fadas guardam tesouros deixados pelos sarracenos. Esta versão actual das moiras deve, contudo, ser vista com um certo distanciamento, dado tratar-se de um possível novo verniz atribuído a seres místicos mais antigos, divindades pagãs que sobreviveram à cristianização.

Podemos, com efeito, falar de seres milenares, de raiz indo-europeia, que se foram adaptando às novas realidades históricas. Como forma de o provar, podemos expor, logo à cabeça, os elos de ligação das moiras com as fadas celtas do folclore irlandês, que existem, sobretudo no lendário popular. Na verdade, é até mais frequente ouvirmos falar delas no norte do país (onde a cultura árabe praticamente não teve tempo de se difundir) do que no sul, o que vem igualmente comprovar que o ano zero destas fadas portuguesas pode estar bem para lá do período em que os mouros invadiram a península. Outro detalhe que contraria a sua origem árabe reside na cor dos seus cabelos que, na sua maioria das vezes, é relatado pelo povo como louro, tão louro que parece ouro, contrastando com os cabelos negros das árabes verdadeiramente ditas. 

Adiante-se também que a própria palavra moira é apresentada por alguns estudiosos como derivada do celta e não do latim, tratando-se de uma transformação do termo original marwo, estando desta forma conectada directamente com a espiritualidade céltica.

É possível, assim, que estejamos perante uma entidade que vai bem além da nacionalidade, e talvez seja preciso recuarmos até ao pensar das tribos lusitanas e galaicas, ou até antes dessas, para encontrarmos a semente de tudo isto.

Crenças acerca das Moiras Encantadas

São tidas como guardiãs dos mundos subterrâneos, sendo frequente estarem ligadas a superstições relacionadas com o interior da terra, as entranhas do solo, e de onde saem raras vezes, mas em datas simbólicas, como o são as de solstício – a noite de São João é alimentada por dezenas de lendas de moiras. É normal, portanto, que alguns investigadores as ponham como representações da terra-mãe, divindades indígenas que marcam os ciclos da terra onde se escondem. Têm, por vezes, uma face maligna, amaldiçoando quem as tenta desencantar ou quem sucumbe aos seus cantos.

Na imaginação popular, o acto mais marcante da moira encantada é o da fiação, ligado à roca, objecto que está intimamente ligado ao destino. A fiação simboliza, portanto, o escrever do destino (o seu, o da terra, e talvez o daqueles que se deixam encantar por ela). Um outro, de forte poder de sedução, é o pentear do seu cabelo longo e dourado, armadilha fácil para o homem desprevenido. E há mais: dádivas que se transformam em ouro, vindas de objectos como o pente, ou de frutos como o figo.

As moiras encantadas são tão parte de Portugal que não as conseguimos figurar em nenhum concelho, ou distrito, ou província.
 


2019-08-01

«O JORNALISMO, A NOTÍCIA E A REALIDADE»

O QUARTO PODER


.Ler uma notícia requer algum distanciamento, uma notícia não é toda a verdade, mas antes uma construção da realidade.
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A notícia sofre vários constrangimentos desde que é seleccionada, entre muitos outros assuntos é sempre um ângulo de análise de um acontecimento, não esquecendo que o jornalista por mais que tente ser objectivo, apresenta sempre um ponto de vista: o seu.
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A comunicação social assume um compromisso com o público ao apresentar os factos, em procurar a verdade. Construir a notícia pressupõe o acesso às fontes, a confirmação da informação, o direito de liberdade de imprensa, inalienável em qualquer Estado de Direito que se preze.
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O jornalismo cada vez mais assume um papel fortíssimo nas democracias, ao acompanhar assuntos tão delicados nas áreas da política, justiça e economia, surge como um contra poder necessário, tendo em conta os excessos, que muitas vezes as instituições sofrem e que decorrem do mau exercício do poder dos seus dirigentes.
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Mas o direito da liberdade de imprensa tem que cuidar os seus limites, no que respeita às liberdades e garantias de todos. Construir uma notícia contém uma responsabilidade social enorme, pois ao enviá-la para o espaço público será acolhida por muitos milhares de pessoas que tomarão contacto pela primeira vez com o acontecimento.
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Os media são a melhor forma de transmissão de cultura nos tempos modernos. Uma notícia mal fundamentada que não questione as fontes certas dos dois lados do assunto, corre o risco de apresentar falsos argumentos e, faltando à verdade, pode causar graves problemas a instituições e pessoas de bem.
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Cabe aos cidadãos participar na comunicação social com o seu olhar crítico, com voz activa nos espaços de opinião pública escrevendo cartas aos directores dos jornais, televisão e rádio, como forma de aferir sempre o sentir da situação por parte da sociedade civil sobre a informação que nos assiste.
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Assim, podemos contribuir para um jornalismo que sirva cada vez melhor o bem comum

Ser Jornalista é saber persuadir, seduzir. É hipnotizar informando e informar hipnotizando. É não ter
medo de nada nem de ninguém. É aventurar-se no desconhecido, sem saber que caminho irá levar.
É desafiar o destino, zombar dos paradigmas e questionar os dogmas. É confiar desconfiando, é ter um pé sempre atrás e a pulga atrás da orelha. É abrir caminho sem pedir permissão, é desbravar mares nunca antes navegados.

É nunca esmorecer diante do primeiro não. Nem do segundo, nem do terceiro… nem de nenhum. É saber a hora certa de abrir a boca, e também a hora de ficar calado. É ter o dom da palavra e o dom do silêncio. É procurar onde ninguém pensou, é pensar no que ninguém procurou. É transformar uma simples caneta em uma arma letal.

Ser jornalista não é desconhecer o perigo; é fazer dele um componente a mais para alcançar o objectivo. É estar no Quarto Poder, sabendo que ele pode ser mais importante do que todos os outros três juntos.

Ser jornalista é enfrentar reis, papas, presidentes, líderes, guerrilheiros, terroristas, e até outros jornalistas. É não baixar a cabeça para cara feia, dedo em riste, ameaça de morte. Aliás, ignorar o perigo de morte é a primeira coisa que um jornalista tem que fazer. É um risco iminente, que pode surgir em infinitas situações. É o despertar do ódio e da compaixão. É incendiar uma sociedade inteira, um planeta inteiro.

Jornalismo é profissão de perigo. É coisa de doido, de sem juízo. É olhar para a linha ténue entre o bom senso e a loucura e ultrapassar os limites sorrindo, sem pestanejar. É saber que entre um furo e outro de reportagem, haverá muitas coisas no caminho. Quanto mais chato, melhor o jornalista.

Ser jornalista é ser até meio agressivo. É fazer das tripas coração para conseguir uma mísera declaraçãozinha. É apurar, pesquisar, confrontar, cruzar dados. É perseguir as respostas implacavelmente. É lidar com pressão de todos os lados. É saber que o inimigo de hoje pode ser o aliado de amanhã. E a recíproca é verdadeira. É deixar sentimentos de lado, colocar o cérebro na frente do coração.

É matar um leão por dia, e ainda sair ileso. É ter o sexto sentido mais apurado do que os outros, e saber que é ele quem o vai tirar das confusões. Ou colocá-lo nelas!

Ser jornalista é ser meio actor, meio médico, meio advogado, meio atleta, meio tudo. É até meio jornalista, às vezes.

Mas, acima de tudo, é orgulhar-se da profissão e saber que, de uma forma ou de outra, toda a gente também gostaria de ser um pouquinho jornalista.
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2019-07-07

« HISTÓRIA DA HONDA »

Primeiro automóvel construído pela HONDA



O grande passo de Soichiro ocorreu com o fabrico daquele que viria a ser o primeiro automóvel da Honda. Contudo, por infortúnio, o governo japonês criou uma lei que forçava a fabricante Honda a cingir-se apenas às motorizadas.

Sem ceder à opressão, o irreverente Soichiro Honda prosseguiu com o seu projecto, do qual nasceu o S500 Roadster, em 1963, o primeiro automóvel da Honda.

Actualmente, e fazendo uma retrospectiva, pode afirmar-se que os modelos da Honda sempre foram equipados com motores muito fiáveis e os carros em si, obedeceram sempre a um princípio bastante típico de uma construtora japonesa tradicional, ou seja, carros muito bem dotados de uma boa qualidade de construção.

A utilização de materiais nobres ou mais sofisticados nunca entraram particularmente na lista de opções prioritárias. De facto, todos os modelos Honda obedeceram – dentro um ponto de vista de construtivo – a um modelo padrão bastante técnico e simplista. Mas esta não é de todo uma referência que descredibiliza a boa qualidade generalista aplicada em todos os modelos da marca.

Percurso e ligação com o desporto automóvel

Embora a Honda tenha ligação com várias modalidades no desporto automóvel, a ligação mais marcante foi com a Fórmula 1 juntamente com a equipa McLaren, nomeadamente nos meados dos anos 80 e início dos anos 90.

A época dos anos 80 foi caracterizada pelos motores turbo V6, capazes de alcançar mais de 1000 cv de potência. Esta época ficou marcada pela interessante parceria entre a construtora japonesa e inglesa, especialmente quando a McLaren teve na sua posse dois pilotos de excelência, o francês Alain Prost e o brasileiro Ayrton Senna.

Para os mais apaixonados e que seguiram de perto a Fórmula 1 nestas décadas, relembramos que Honda foi relevante para atribuir 3 campeonatos do mundo ao piloto brasileiro e ter conquistado 15 dos 16 Grande Prémios, assim como o mesmo número de pole-positions, na temporada de 1988.

A Honda simpatizava muito com Senna, pela sua forma de ser e o contacto directo e constante que este prestava  com os mecânicos. De facto, os engenheiros viam-no como um “samurai”, uma pessoa devota, trabalhadora e que se sacrificava em pista. A sua ligação com a Honda foi muito boa assim como com o povo japonês.


                                                                         
Alain Prost e Ayrton Senna







2019-07-06

« O RELÓGIO DE BOLSO »