[ Vox populi vox Dei ]

2013-03-27

« MEDITAR E PENSAR »



Um dos maiores prazeres que posso usufruir, é poder estar no cimo de uma montanha, estando em sintonia de corpo e alma com a Natureza, contemplando a beleza daquilo que nos foi dado, e poder meditar.

Costumo pensar na Filosofia como arte de pensar, saber encadear toda e uma série de raciocínios lógicos, ou análises críticas, a nós mesmos ou àquilo que nos rodeia, para que tudo faça sentido, e que seja possível haver uma opinião ponderada.

Não é à toa que as pessoas que oram com frequência, não aquela oração de repetição, que mais não é do que despejar um rol de palavras muitas vezes sem sentido - nem sentidas - mas aquela oração em que entramos dentro de nós mesmos fazendo uma meditação ou oração, sempre com a certeza de que alguém superior a nós nos ouve, conseguem ser pessoas de espírito crítico muito apurado, não indo em conversas fáceis ou como diz o povo " Vai como as ovelhas", quando alguém faz ou diz conforme todos os outros fazem ou dizem.

A Filosofia é um caminho para a felicidade baseada na razão, em complemento com a religião como caminho para a felicidade baseada no amor.

Acho estes dois caminhos indissociáveis um do outro, e não um complemento, basearmo-nos somente na razão (pensamento científico) sem termos a capacidade de amar nunca se poderá atingir a verdadeira felicidade, continuo a pensar que não é por sermos mais sábios que saberemos melhor amar, mas sim o contrário.





Há uma crise de valores na nossa sociedade, há uma crise de convicções, o que move a sociedade hoje em dia é a imagem daquilo que os outros fazem de nós mesmos, vivemos para parecer aos outros aquilo que não somos, talvez com o intuito de sermos aceites, estamos a ficar vazios de nós mesmos, qual sociedade zombie, que se move só porque o faz todos os dias.

Noto que nos tempos que correm, e na generalidade, que a juventude tem pouca noção do que é ser responsável, e tudo derivará da educação transmitida pelos pais, cada vez com menos conteúdo, sem diálogo, superprotegendo mas não educando!

A responsabilidade obriga-nos a pensar, a utilizarmos o espírito crítico para formularmos opiniões e fazer escolhas, e a Filosofia dá-nos a elasticidade mental para que isso seja possível, sempre coma humildade de admitir que nada sabemos, mas que fazemos tudo para aperfeiçoar o nosso conhecimento.

Peço desculpa por este paleio pouco interessante, mas inspirei-me no pensamento da minha querida Clarice Lispector - a irmã que nunca tive e gostaria de ter tido - que usei como elemento ilustrativo do cabeçalho do post.

Para concluir, aproveito para vos desejar uma boa Páscoa!





2013-03-20

« AMBIÇÃO: DEFEITO OU VIRTUDE? »

Acontece algo de curioso com a ambição: é uma palavra ambivalente, uma vez que gera sensações tanto positivas como negativas. Socialmente, diríamos que a ambição proporciona um certo prestígio, dado que está entre as atitudes que se esperam de pessoas dinâmicas e inteligentes. O filósofo Aldous Huxley escreveu o seguinte:

"Nas nossas sociedades, os homens são paranoicamente ambiciosos, porque a ambição paranoica é admirada como uma virtude e os ambiciosos e bem sucedidos são idolatrados como deuses. Escreveram-se mais livros sobre Napoleão do que a respeito de qualquer outro ser humano. Este facto é profunda e alarmantemente significativo".

A ambição é definida nos dicionários como o desejo ardente de conseguir poder, riquezas, dignidades ou fama. Existe nesta definição um espírito e uma letra: por um lado, desejo ardente; por outro, o objeto desejado. Tanto desejo, tanto ardor, tanta obsessão acaba, frequentemente, em danos para terceiros.




Então, por que se mantém a ambição como um valor positivo? Por que chega a ser lamentável que alguém não tenha ambição alguma? Desde logo, porque a partir da infância que nos predispõem a "ser alguém na vida". E para sê-lo, há que ter a ambição necessária!

Nos dias de hoje é quase obrigatório procurar um "status", algo que se alcança através do dinheiro, dado que tudo o resto pode ser adquirido. É desta forma que surge o grande dilema, tão debatido por académicos e pensadores: é preferível ser ou ter?

Não existem pais  neste mundo que não ambicionem o melhor para os seus filhos. Para tal, procuram estimulá-los, motivá-los e exortá-los a serem ambiciosos na vida. "Sê forte, sê trabalhador, sê perfeito": a intenção é positiva e costuma funcionar como estímulo para o crescimento da criatura. Porém, também acontece que alguns pais exijam tanto dos filhos, criando expetativas tão elevadas, que acabam por ultrapassar os limites do ótimo, para adensarem-se na exigência, no perfecionismo e na ambição desmesurada.



Ambição desmedida


Chega, então, a ansiedade, o stress e a frustração, e todos os objetivos educacionais acabam por sair gorados. Como disse o grande William Shakespeare, "Quem se eleva demasiado em direção ao sol, com asas de ouro, acaba por derretê-las".

Será que existe uma ambição positiva e uma negativa? E, se existe, onde está a fronteira entre as duas? Para alguns pensadores, a ambição é única. Ardemos de desejo ou não. Nada neste mundo é mais desejável do que aquilo que não temos ou aquilo que julgamos difícil de alcançar. Perante este repto, apenas há o prémio da possessão, ou seja, o "ter".




Em contrapartida, quem ambiciona pouco, centra mais a sua atenção no "ser". Já o dizia o filósofo e escritor francês Voltaire: "No desprezo da ambição, encontra-se um dos princípios essenciais da felicidade sobre a terra".

A isso podemos chamar viver sem tantas expetativas, porque, sem dúvida, as grandes expetativas geram grandes fracassos.

Onde cabe, afinal, a ambição das nossas vidas? Pensemos, por um momento, em tudo aquilo que conseguimos alcançar graças à nossa determinação. Quando conseguimos ultrapassar adversidades, quando somos bem sucedidos a eliminar condutas limitantes, quando recebemos o prémio dos nossos esforços continuados e disciplinados, que forças impulsionadoras nos permitiram alcançar esse sucesso? A ambição? O perfecionismo? As exigências? As expetativas elevadas?




Desde um ponto de vista psicológico, a ambição consiste numa "construção", isto é, num conjunto de condutas, crenças e emoçõs que descrevem uma atitude ou caráter.

A ambição pode desdobrar-se em vários níveis:

- Um nível elevado de motivação face a um determinado objetivo;
- Convencimento de que "os fins justificam os meios, acompanhado da crença de que é possível alcançar tudo o que deseja;
- Uma certa ciclotimia emocional, ou seja, a combinação de estados emocionais de euforia com outras fases mais depressivas;

O pensamento pode tornar-se obsessivo e a conduta agressiva (o que não significa violenta) e de extrema exigência em relação a si mesmo e aos outros. Também pode tender para uma manipulação calculista.

Parando um pouco para recapitular:

É saudável ser ambicioso? É a ambição que nos impele a alcançar objetivos vitais? Ou é apenas uma emoção negativa, que nos desequilibra, nos angustia e nos pões em conflito com o mundo?

Eis... um grande dilema! ... Ou não?!

2013-03-15

« POBREZA na VELHICE: UMA VERDADE INCÓMODA! »


A pobreza é um estado de privação por carência, ou dificuldades na aquisição de serviços como habitação e saneamento básico, acesso aos cuidados de saúde, ensino, alimentação adequada e de meios económicos, que permitam a sobrevivência de indivíduos, famílias e populações.

A indigência atinge principalmente os idosos, por deixarem a vida profissional ativa e estarem dependentes de uma pensão atribuída pelo Estado, cujo valor é muitas vezes insuficiente para os bens de primeira necessidade e aos problemas de saúde físicos e psíquicos, associados ao envelhecimento, sendo necessário uma maior apoio médico (terapia medicamentosa) e de cuidados assistenciais.



Velhos empobrecidos de um futuro próximo



As múltiplas carências específicas deste grupo etário levam também a um aumento das despesas  por parte do Estado em infraestruturas e serviços  de apoio domiciliário, unidades  de cuidados continuados, entre outros.

Neste contexto a diminuição dos subsídios sociais atribuídos aos idosos por parte dos estados, nos países desenvolvidos e à degradação das condições sócio económicas, que têm levado muitos idosos a viverem em situações de miséria, a que se juntam os filhos desempregados, ou divorciados, contribuindo para o agravar das já difíceis condições de vida em que se encontra uma enorme percentagem da população idosa. 






Assiste-se atualmente a um reavivar das solidariedades entre as famílias, a um reforço da importância dada ao idosos e a uma maior interajuda entre os seus membros, para poderem sobreviver às condições adversas da crise global em que nós vivemos que ultrapassam o domínio económico: é ética, é social, é política, é de valores e essencialmente de humanidade.

Nessa linha de pensamento seria necessário um maior apoio dos governos aos idosos, por o envelhecimento ser caracterizado por um decréscimo das competências físicas, como - a diminuição da memória de trabalho e das competências cognitivas, associadas geralmente à lentidão do sistema nervoso central, à perda da autonomia, à suscetibilidade às doenças relacionadas com o processo de envelhecimento - e às famílias por serem a célula básica da sociedade.








A manutenção do sistema da segurança social e a qualidade de vida da população idosa, depende da capacidade das faixas etárias mais novas gerarem recursos que possam contribuir para melhorar as condições  de vida das pessoas na velhice, como se estas, em milhares de casos,  não tivessem engordado o Estado com os seus descontos durante a carreira contributiva enquanto trabalhadores.

O estado de pobreza extrema em que se encontram grande parte desta classe etária, deve-se ao pouco investimento dos estados em políticas sociais ao idoso, que como qualquer cidadão tem o direito à proteção social, à igualdade de direitos e de oportunidades, a uma residência adequada e a um rendimento atribuído pelo Estado, que lhes permita ter uma existência com qualidade de vida, uma verdade inconveniente, quiçá incómoda... que a classe política  procura esconder, ou não lhe dar significado, e apoiar apenas [com demagogia...] o desenvolvimento económico.