[ Vox populi vox Dei ]

2012-10-23

«HISTÓRIA E REMODELAÇÕES DO CASTELO DE S. JORGE »

Gravura do Séc. XVI revelando o Castelo de São Jorge de Lisboa como era na época



Situado numa das colinas mais altas de Lisboa, num local aprazível sobranceiro ao Tejo, o Castelo de São Jorge, domina a paisagem ribeirinha da Baixa Pombalina.

Em meados do primeiro milénio antes de Cristo, a colina do Castelo era banhada por um esteiro do Tejo, que entrava pela Praça do Comércio e se prolongava até à Praça da Figueira – Martin Moniz, onde desaguavam pequenas ribeiras. O progressivo açoreamento e atulhamento destas linhas de água foi dando lugar a construções. Na época, o povoamento desenvolvia-se pelas vertentes Sul e Sudoeste da colina do Castelo diluindo-se na zona baixa das praias do esteiro.

Os vestígios mais antigos encontrados no Castelo remontam à Idade do Ferro, ao séc. VI a.C. É provável que, nesta época, existisse um povoado fortificado na área, não se conhecendo, porém, os seus contornos exactos. As escavações arqueológicas a decorrer no local puseram a descoberto um conjunto de estruturas, pavimentos e muros, e de objectos de uso quotidiano, que testemunham a antiguidade da ocupação da zona onde hoje se encontra o Castelo.

Estrabão, geógrafo do séc. I a.C., informa que Olisipo foi fortificada no séc. II a.C, durante as campanhas militares romanas na Lusitânia. Dessa fortificação não se encontraram até à data vestígios, mas sabe-se que Olisipo era, na época, um importante porto comercial, quer pelos geógrafos da antiguidade clássica que escreveram sobre a Península Ibérica, quer pelos vestígios arqueológicos descobertos.


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 Gravura antiga mostrando outra perspectiva do Castelo


Considerando o espaço do Castelo como um local privilegiado para a implantação de edifícios públicos de carácter monumental ou religioso, até à data, foram identificadas poucas estruturas da época romana, das quais se salienta a presença de um edifício público marmoreado. Também, os objectos do dia-a-dia, nomeadamente, moedas, ânforas e lucernas são pouco abundantes. Porém, são abundantes as epigrafes que, ainda, que deslocadas do seu local original, são reveladoras da importância de Olisipo.

A existência de um castelo propriamente dito, é documentado nas fontes e na arqueologia a partir de meados do século XI. As descrições dos geógrafos árabes salientam o forte castelo e as muralhas que defendiam a quasabah ( alcáçova). Nessa altura, Al Uzbuna, como era designada pelos muçulmanos, mantinha a sua importância enquanto cidade portuária, datando desta época o castelo e muralhas que defendiam a quasabah. A cidade propriamente dita, a medina, desenvolvia-se, desde o Castelo até ao rio, pela encosta Sul e Sudoeste.

A alcáçova, com o seu castelo, construída no topo da colina era efectivamente o centro do poder politico e militar da cidade. Na alcáçova, no sítio da Praça Nova, o bairro islâmico posto a descoberto pelas escavações arqueológicas constata essa realidade, simultâneamente de residência por excelência dos governadores, nobres e altos funcionários, e de centro militar. A cerca velha ou moura, com troços ainda visíveis em vários pontos, terá sido, provavelmente, reconstruída e aumentada durante o período islâmico.

Em 1147, quando D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, acampa com o seu exército na envolvente da colina do Castelo para o tomar aos mouros, o castelo e parte da cidade encontravam-se defendidos por uma muralha, que abraçava parte da cidade que pela colina do Castelo se desenvolvia até ao rio.

A conquista que ficou célebre nos anais da história pela morosidade do cerco devido à dificuldade em tomar o Castelo, que imponente se erguia no topo, contou com a ajuda da Segunda Cruzada que se dirigia para a Terra Santa para mais uma ofensiva contra os árabes.

A lenda que com o tempo se gerou em torno da conquista de Lisboa, enaltece em particular, a proeza de um nobre cavaleiro de D. Afonso Henriques, Martim Moniz, que percebendo que os mouros fechavam a porta do Castelo, a franqueou permitindo, assim, a entrada dos cristãos no último reduto de defesa. Desde então, passou a designar-se por Porta do Moniz, aquela que permitiu a vitória a D. Afonso Henriques, e que se situa junto à Praça Nova.

A conquista cristã de 25 de Outubro de 1147 parece dar continuidade à ocupação islâmica do espaço da alcáçova, bem patente a nível político nos pactos firmados para a rendição da cidade, não se registando, até ao momento, quaisquer níveis de destruição que testemunhem momentos de guerra nesta área. A mesquita, a confirmar-se a sua localização tradicional, cede o lugar à igreja de Santa Cruz. O palácio do alcaide da cidade cede lugar ao paço que aloja o rei quando este se encontra em Lisboa.

Em 1256, Lisboa, torna-se capital do reino de Portugal. Desde então, até ao início do séc. XVI, o Castelo conhece o seu período áureo. Para além da residência real e do palácio dos Bispos, a alcáçova recebe casas dos nobres da Corte.

Os vários reis do séc. XIII, XIV e XV, dedicam uma atenção especial ao Castelo promovendo melhorias várias. Em meados do séc. XIII, D. Afonso III faz obras de reparação no palácio do governador. No séc XIV, D. Dinis, transforma a alcáçova mourisca em Paço Real da Alcáçova. D. Fernando, em 1373 – 1375, manda construir a Cerca Nova ou Cerca Fernandina, para que a cidade ficasse mais defendida, pois tinha-se expandido muito. Também, com D. Fernando, é instalada na Torre de Ulisses o tombo do reino, onde se guardava os documentos antigos do Arquivo Real.

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Depois das guerras com Castela e restabelecida a paz, nos finais do séc. XIV, D. João I, manda atulhar o fosso e coloca o Castelo sobre a protecção de São Jorge, santo protector dos guerreiros e da fé cristã.
Gradualmente, o castelo vai ganhando um cunho mais cortesão, e perdendo a sua função militar. É no Paço Real da Alcáçova que Vasco da Gama é recebido por D. Manuel depois de regressar da Índia, no limiar do séc XV para XVI. É também, neste paço que é apresentada a primeira peça de teatro português, o Auto do Vaqueiro, de Gil Vicente, por ocasião do nascimento do príncipe D. João, futuro rei D. João III.

No dealbar do séc. XVI, a residência real e a corte transferem-se para a baixa da cidade, para a Praça do Comércio, onde estava a ser terminado o Paço da Ribeira.

Desde então, o antigo Paço Real da Alcáçova, vai perdendo, naturalmente importância. O terramoto ocorrido no ano de 1531, acentuou-lhe o abandono, já que sofreu alguma ruína. Porém, em meados do séc. XVI, D. Sebastião, manda reedificar o Paço para aí estabelecer a sua residência, ficando para a história como o último rei a residir no antigo Paço Real.

Com a ida da corte para a zona baixa da cidade, a fisionomia da alcáçova, foi-se alterando, e gradualmente os palácios e casas nobres foram dando lugar a habitações mais populares, ainda hoje visíveis no traçado urbano da actual freguesia do Castelo.

A partir de 1580, com a dominação filipina, o castelo, retoma a sua importância militar, sendo construídos e adaptados edifícios para albergar a guarnição espanhola e para servir de prisão. A função de presídio, será uma constante até à sua reabilitação em 1938-1940.

No séc XVII e XVIII, mantêm-se a sua função de quartel e presídio. Ainda no séc. XVII, é construída numa das torres o Observatório Geodésico, passando a designar-se, desde então, por Torre do Observatório. A Torre do Tombo, também se manteve na alcáçova, ocupando para além de uma das torres do castelejo, algumas alas do antigo Paço Real mais próximas, nomeadamente, uma ala designada por Câmara de D. Fernando.

Com o terramoto de 1755, o Castelo, descaracterizado pelas construções que lhe foram sendo acrescentadas, sofre graves danos, desaparecendo numerosos edifícios, torres e troços de muralha.
Os trabalhos de reconstrução então empreendidos, reflectem meios e condições diferentes das existentes na área da baixa pombalina. Os vestígios arqueológicos em toda a zona da antiga alcáçova, testemunham uma notória incapacidade de retirar os escombros do terramoto, optando-se por construir sobre esses escombros novos edifícios ou não construir e deixar essas zonas baldias.



 Fotografia de 1940, mostrando o Castelo ainda em visível estado de degradação

Assim, dos vários trabalhos de reedificação, foram empreendidas obras de reconstrução e adaptação para receber a instalação da Casa de Correcção da Casa Pia, que permanecerá no Castelo até ao inicio do séc. XIX. Porém, parte do antigo Paço Real da Alcáçova, do Palácio dos Condes de Santiago, do Palácio das Cozinhas ou do Hospital de São João de Deus, não serão mais reconstruídos ou só serão reconstruídos parcialmente já nos finais do séc. XX.

Em 1910, com a implantação da República é classificado como Monumento Nacional.

Em 1940, o Castelo de São Jorge assume um novo destaque com vista à comemoração centenária da Fundação da Nacionalidade e da Restauração da Independência. A intervenção realizada entre 1938-1940 pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, procurou imprimir-lhe a dignidade de outros tempos, em que era o centro político e militar do país, pondo a descoberto algumas das estruturas antigas do velho paço real e do castelejo que se encontravam subterradas.

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 Aspecto actual do Castelo de São Jorge


O Castelejo e o Antigo Paço Real da Alcáçova que hoje existem, não são a « reconstrução fiel» do que foram outrora, mas o resultado dos aspectos mais marcantes das sucessivas épocas que lhe foram moldando a fisionomia.











Fonte Oficial do Castelo de São Jorge

Fotos: Selecionadas na internet

2012-10-21

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Conformismo

Forma de influência social que resulta do facto de  uma pessoas mudar o seu comportamento ou  as  suas atitudes por afeito ou pressão do grupo.

Processos subjacentes ao comportamento conformista

1.A unanimidade do grupo – o conformismo é maior nos grupos em que há unanimidade.

2.A natureza da resposta – O conformismo aumenta quando a resposta é dada publicamente. Esta é a razão do uso do voto secreto, para assegurar o máximo de liberdade e independência na escolha.

3.A ambiguidade da situação – a pressão do grupo aumenta quando não estamos certos do que é  correcto.

4.A importância do grupo – quanto mais atractivo for o grupo para a pessoa maior é a  probabilidade de ela se conformar.

5.A auto estima – as pessoas com um nível mais elevado de auto  estima são  mais independentes do que as que têm uma auto estima mais baixa,  que são,  naturalmente,  mais  conformistas. As razões  que  levam  as pessoas a conformar-se  são as mesma que as levam  a  fazer parte de grupos: a necessidade de ser aceite e de interagir com os outros.















Penso que se julga que o conformismo é uma caracterísitca de personalidade entre outras, havendo assim pessoas mais conformistas e dispostas a conformarem-se do que outras.

Outra forma de colocar as coisas é considerar que o conformismo é um resultado, um produto, que ocorre de forma mais ou menos nítida num contexto relacional e num quadro de relações assimétricas.

Explicando melhor: todos nós, desde pequenos, somos coagidos a uma indispensável socialização. Aprendemos a falar um dada língua, a ter uma posição ereta, a comportarmo-nos de uma certa forma porque quem nos cuida assim o determina.

Somos quem somos porque aderimos, sem alternativa, primeiro a aprendizagens básicas, depois, vida fora e de forma cada vez mais sofisticada, a regras, preceitos, crenças e valores.

Somos conforme se deve ser para um dado grupo de pertença - habitualmente a família - e, durante o percurso de uma vida, vamos mudando de pessoas e grupos e adquirindo as respetivas conformidades que valorizamos ou nos fazem um qualquer sentido.

Assim sendo, e para todos nós, o conformismo dá conta de um processo de adesão, inevitavelmente humano, as normas de outras pessoas ou de grupos. Deste processo natural não damos conta, nem em nós nem nos outros, a não ser que a adesão surja como submissão.






Só quando a vontade de um outro prevalece sobre a nossa, só quando damos conta de que somos ambivalentes ou críticos em relação a comportamentos ou ideias que assumimos como nossos, é que percebemos que estamos a ser submissos.

Porque é que as pessoas se submetem, porque é que não se revoltam, é pois a questão seguinte: a resposta não é difícil, já com tantas interdependências que a maioria das pessoas nem sabe que se pode revoltar!

Enquadrados em grupos, em ideias e em convicções que partilhamos com aqueles de quem gostamos, não temos espaço individual para rejeitar formas de vida que, seguramente, partilhamos com muitos outros.

Há quem ache que se é conformista por falta de imaginação, por ignorância, medo ou passividade - por já não valer a pena!  É verdade... Mas sobretudo é-se conformista pelo receio atávico de se perder pessoas e elos significativos.

Baseado nuns textos académicos sobre psicologia, redigi este apanhado que, de alguma maneira também parece conformista com o statu quo (...)

Por amor aos meus pais e à família, jamais instalei na minha mente emigrar para um país mais ou menos distante, em busca de uma vida alegadamente melhor. Então... e as saudades? Então... e o resto? Então, de forma conformista, ingressei nas fileiras das Forças Armadas, e «emigraram-me» para a guerra das então colónias portuguesas de África! (...) Lá se foi o preconceito das saudades e do tal resto, para o brejo!!

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 Mafalda, a conhecida "inventora" 
do 
inconformismo


Para que o mundo pule e avance, precisamos de ter a coragem de assumirmos o inconformismo. Indo mais longe, devemos até enveredar pelos caminhos da desobediência...

O inconformismo é o grande motor das descobertas tecnológicas, filosóficas, científicas etc.; é eficaz na luta contra preconceitos negativos, era bom se as pessoas que pertencem a regimes políticos ditatoriais fossem inconformistas e desobedientes!

Acho que, atualmente, é o  caso português ...