[ Vox populi vox Dei ]

2012-05-22

« ESTA ÁGUA MOLE... NÃO FURA ESTA CABEÇA DURA »


Pedro Passos Coelho, do PSD - Partido Social Democrata 
[ 1º Ministro de Portugal (ainda) em funções ]


Sem ser possível adivinhar a forma de sairmos  deste abismo em que estamos quase a cair, um dado histórico é certo: os portugueses souberam sempre, com espírito de visão, com jeito, com sorte, com energia a rodos, com um cansativo deixa-andar; com uma enorme vontade de vencer, ou seja lá o que for, superar todos os obstáculos que lhe aparecem pela frente, ou mesmo por todos os lados. Prova-se, assim, que por mais dura que seja a pedra e muita a água, esta não consegue, neste caso, levar de vencida a força que temos. Valha-nos isso, ao menos, que o resto é como se vê - pancada de cima abaixo e da grossa!

Nos últimos dias, até o 1º Ministro, numa tirada infeliz e altamente desajeitada (no mínimo), nos caiu em cima, menosprezando um gigantesco problema, o do desemprego. Não sabemos se foi ele que falhou, se foram os seus assessores que prestaram tão mau serviço, mas foi ele que o afirmou!

Como quer que seja, há coisas que se não dizem e alturas em que o silêncio é bem melhor que uma só palavra. Naquela situação, tudo correu mal a Passos Coelho. Traído por tal discurso, quando os números de pessoas sem trabalho são assustadores, melhor fora que ali não tivesse ido. Mas foi e o mal está feito. E dito. 

Agora, esperava-se um pedido de desculpa pelas palavras, pelos atos, que omissões ali não houve. Bem esperámos sentados pelo pedido de desculpas; mas, o oligofrénico ainda reiterou a asneira e defendeu o despautério: insiste no que disse, e acha filosófica a sua tirada!

Numa altura em que a Grécia faz calar uma minúscula esperança que possa vir da França, onde acabou de tomar posse o novo Presidente François Hollande, não podemos nós, aqui no nosso frágil território, andar a dar tiros nos pés. Ou sabemos remar para o mesmo lado, que é do combate às incertezas em que vivemos, em atitudes positivas e mobilizadoras, ou mais vale atirar a toalha ao chão e pedir a outros que apareçam com mais acerto e garra.






Ao falarmos assim, desta maneira frontal e assumida, percebemos as agruras de uma governação que podia ter tudo para ser capaz de levar a água ao moinho de uma melhor farinha, mas não aceitamos que se desperdice esse capital de credibilidade com "bocas" deste género e alguma outras (demais) com que temos sido miseravelmente presenteados ao longo destes últimos tempos. Haja mais profissionalismo político e respeito pelo Povo, é o que se pede e o que se impõe.

Sabemos quão baixo é o astral de quem sofre um devastador desemprego. E comungamos desse atroz sofrimento. Por isso mesmo, não pactuamos com este tipo de frases, vindas de um Primeiro-Ministro, mesmo não tendo sido eleito com o nosso voto!

Quem ocupa tal lugar tem de saber merecê-lo em todos os gestos e situações. Foi para isso  que foi eleito. é para isso que está em S. Bento. A um qualquer Zé da Esquina, tudo se pode perdoar. Ao Primeiro-Ministro não se pode dar espaço para o erro, muito menos em matérias de tão alto melindre. Sendo dura a pedra de que somos feitos, mesmo esta má enxurrada de asneiras e desconsiderações não vai dar cabo de nós. Temos arcaboiço de sobra para, por exemplo aqui nesta tribuna pública da "Blogosfera", assim nos expressarmos. E resistirmos!



Corre na Internet esta "piada" ao 1º Ministro Passos Coelho
A propósito da atribuição dos Globos de Ouro 
aos melhores artistas



Mas é mau demais isto a que assistimos. Fartinhos de comer tão indigestas receitas de umas Finanças que nos sugam de todo, agora o que esperamos é que nos voltemos para a recuperação da economia e da criação de emprego. Nunca para falarmos, com um certo ar de quem se esqueceu de quem é, desta forma desabrida e chocante.

É por estas e outras coisas que os caminhos para Fátima se encheram de gente e o Santuário apresentou uma moldura humana como, praticamente, nunca se viu. Quando os homens, mesmo os governantes, não são o ancoradouro em que as pessoas possam sentir-se seguras, só a dimensão divina parece ser o refúgio para tanta dor e sofrimento. É a continuação da expressão de que só se lembram de Santa Bárbara quando faz trovoada. É a continuação do alimento salazarista e dos seus efeitos opiáceos.

Se vemos que a fé ainda move montanhas, se assistimos a estas manifestações de tanta religiosidade, é sinal, mais um, de que, por cá, isto não vai nada bem. E, por isso, de toda a importância - e urgência - que acautelemos o futuro, que o presente não tem grande emenda. Quando quase toda a gente se volta para o Céu, na Terra têm de soar as trombetas de uma correta governação. Precisamos dela como de pão para a boca, agora mais do que nunca!

Com a Europa a ruir por todos os lados, haja quem, aqui neste cantinho de Portugal, nos indique as melhores vias e nos faça segui-las com entusiasmo e querer. É só abrirem os olhos e verem que as linhas mestras do êxito estão há muito delineadas. É só quererem (...)

Sem isso, nada feito. É preciso uma política de mudança radical. Com estes "barões" não vamos a nenhum lado. Ou melhor: vamos ao fundo! 

"Calem-se as vozes da desgraça, abram-se as gargantas de quem vier por bem..."

Temos esta música no ouvido... mas não a pomos aqui para vos obrigar a procurar!

Então, vocês?... não se lembram dela?