[ Vox populi vox Dei ]

2012-04-26

« GUERNICA ... FOI MÁRTIR HÁ 75 ANOS »

 GUERNICA em ruínas, destruída pela Aviação Militar Nazi

Bombardeio em Guernica: Chuva de fogo

Há 75 anos, a cidade basca de Guernica foi vítima do primeiro grande bombardeamento moderno. A destruição, orquestrada pelos nazis, serviu de ensaio para os horrores da Segunda Guerra Mundial.


Tradicionalmente, a semana em Guernica começava com uma feira livre. Naquela segunda-feira, 26 de abril de 1937, agricultores dos arredores da pequena cidade basca vendiam os frutos do seu trabalho na praça principal.

Às 16h30, um único badalar do sino da igreja anunciou a incursão aérea. Dez minutos depois, vieram as bombas. Guernica ficou arrasada – e ao mundo foi apresentado o poder dos ataques aéreos sistemáticos, que se tornariam comuns poucos anos mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial.

Na época do bombardeio, a Espanha vivia a Guerra Civil. Após um fracassado golpe militar contra o governo do socialista Francisco Largo Caballero, em 1936, as tropas do general Francisco Franco não desistiram de tomar o poder. 

Divididos, os espanhóis passaram a  enfrentar-se em diversos pontos do país. Os combatentes leais ao governo de esquerda, os republicanos, contavam com o apoio da União Soviética. Já as forças de Franco, os nacionalistas, tiveram a ajuda da Itália fascista de Benito Mussolini e da Alemanha nazi de Adolf Hitler.

Desde o início, Franco havia tentado conquistar Madrid. Em abril de 1937, a capital ainda não havia caído e o general decidiu optar por um alvo mais fácil: o norte espanhol. As regiões de Astúrias e Santander e as províncias do País Basco estavam em péssima situação militar. Lá, a força aérea dos republicanos era inexistente. Os céus estavam abertos para as bombas nacionalistas.

Guernica, no País Basco, era habitada por apenas 6 mil pessoas. Não possuía defesa, nem qualquer alvo militar, salvo a ponte sobre o rio Mundaca, cuja destruição poderia dificultar uma retirada do exército basco. Apesar da insignificância estratégica da cidade, seu centro foi alvo do até então mais violento ataque aéreo da história. Mas por quê? Nada de mais. Para os nazis, foi apenas um teste.

Os protagonistas do ataque a Guernica foram aviadores alemães, com a ajuda – muitas vezes desajeitada – de pilotos italianos. Hermann Goering, comandante da Luftwaffe (a força aérea alemã), revelou em 1946, durante julgamento no Tribunal de Nuremberg, que Guernica foi um estupendo laboratório para ensaiar sistemas de bombardeamentos com projeteis explosivos e incendiários  numa cidade aberta. 

O resultado da mórbida experiência tornou-se no episódio mais lembrado da Guerra Civil.


 Painel pintado em tela, a óleo, a preto e branco, com 782 x 351 cm, que Pablo Picasso apresentou em 1937 na Exposição Internacional de Paris, cidade onde o pintor morava na altura do bombardeamento de Guernica, em 26 de abril de 1937, pela aviação alemã nazi.




GUERNICA

Foi um dia fatídico, sangrento,
o vinte e seis de abril de trinta e sete,
quando a aviação nazista arremete
sobre Guernica, em cruel bombardeamento,

sob as ordens de Franco. Há quem objete
a exatidão desse acontecimento
- fatos históricos, nalgum momento,
sempre aparece alguém que os conteste.

Seja qual for a verdade que encerra
esse episódio (questão eu não faço
de compreender detalhes de uma guerra),

o fato é que houve dor, selvageria,
e aí esta a “Guernica” de Picasso,
para lembrar o horror daquele dia.

(Eloah Borda)



Poema editado pela autora in: 
eloahborda.blogspot.pt/2008/09/guernica.html 



Vídeo temático de GUERNICA bombardeada há 75 anos:








O poema de Eloah Borda - GUERNICA - denuncia a existência de personagens que, tal como defendem a inexistência de campos de concentração nazis, como Auschwitz, pretendem que Guernica seja um mito criado pelos 'filocomunistas'. 

Para eles... tudo o que se passou foi de somenos e, se algo houve a registar, foram lamentáveis incidentes que originaram pequenas escoriações.

O que é que se poderia esperar de figurões fascistas? 

Uma eterna e imensa desfaçatez ... Até quando?



2012-04-14

« MUDAM-SE OS TEMPOS, E A MANEIRA DE SER »

"Estátua viva da vergonha"


A crise económica internacional, que se vem acentuando nos últimos anos, tem levado a medidas restritivas nos países de destino dos nossos emigrantes, tendo afetado, de forma mais ou menos drástica, o quotidiano de todos aqueles que procuram, longe da pátria, a realização pessoal, profissional e social, que dê sentido satisfatório a um percurso de vida que ambicionam com a maior estabilidade possível.

Sendo assim, uma boa parte  das gentes das nossas regiões, em movimentos migratórios internos, facilitados por uma rede cada vez mais alargada de estradas e servidos por uma razoável rede de meios de transporte, procura, nos grandes centros urbanos portugueses , a satisfação para as legítimas  necessidades de um viver mais desafogado, já que a agricultura e a pastorícia, os recursos económicos mais tradicionais das nossas terras, deixaram há muito de satisfazer as naturais ambições das novas gerações.

Todo este fenómeno, aliado à obrigatoriedade cada vez mais alargada da escolarização dos nossos jovens, pela demanda de mais saber e de um emprego economicamente mais rentável, e também ao atual baixo índice de nascimentos, tem levado ao declínio demográfico, que se traduz numa população cada vez mais envelhecida.




No entanto, o regresso às origens é sempre uma obrigação. O Natal, a Páscoa e principalmente os meses de verão assistem ao retorno dos que partiram. Carregados de saudades, de mimos e presentes para os que aqui deixaram e dos luxos possíveis transferidos de grandes centros  de consumo, vão modificando a fisionomia e os modos de viver e de sentir da nossa gente.

Trazem novos hábitos, novas experiências, novas exigências. Aprenderam por lá a competitividade que, naturalmente, passou a fazer parte das suas preocupações e que conduz a certa ostentação, exposta principalmente nos carros que conduzem, nas casas que constroem, nos eletrodomésticos que usam, nos mobiliários com que recheiam as suas habitações.

Hoje, poucas serão as casas das nossas aldeias que não exibem um razoável frigorífico, arca congeladora, aquecedor elétrico, miroondas e o indispensável televisor que nos aproxima do mundo.

De facto, a televisão entrou na vida de toda a gente, invadiu os seus tempos de lazer, faz parte dos seus serões, apresenta-lhe novas modas e novos valores.







O convívio dos homens na taberna, à porta da venda, no cafezinho intimista ao lado do minimercado,, foi sofrendo alterações, ficando cada vez mais frouxo. Quase só o futebol consegue monopolizar atenções e alargar interesses que se querem partilhados com os vizinhos e os amigos. Quase só o futebol junta um razoável grupo para a discussão dos resultados. Pelo meio, a televisão.

O convívio das mulheres na fonte, nos lavadouros das poças e dos tanques, à saída da missa, nas feiras ou nos bailes, foi ficando cada vez mais desprendido de interesses e de afetos. Quase só as novelas despertam comentários que se querem partilhados com as vizinhas e com as amigas. Pelo meio, ainda e sempre a televisão.

Com a chegada da televisão, dos telemóveis e da internet, foram dissipadas barreiras julgadas intransponíveis. As novas tecnologias estão aí, a revolucionar  o quotidiano das populações. As seculares práticas comunitárias, instaladas desde tempos imemoriais, vão dando lugar ao individualismo da modernidade.


MÚSICA  PORTUGUESA  DO  EMIGRANTE:



As gerações mais velhas, embaladas neste sonho de conforto e de progresso, de boamente aceitam as mudanças que possam facilitar um pouco os seus dias, desde sempre marcados pelo esforço duro e penoso.

Na prática, quase ninguém se apercebeu dos efeitos perversos desta mudança de atitudes e mentalidades. Naturalmente, as coisas foram acontecendo devagar e, quando se deu por isso, as crianças já não cultivavam práticas e linguagens, gestos, memórias e afetos que se julgavam imorredoiros.

Tinham deixado de aprender, porque ninguém lho tinha ensinado na distância das grandes cidades, o carinhoso respeito pelos nossos velhos, a quem já não recorrem para as aprendizagens da vida, com quem já não rezam as contas ao serão, a quem já não pedem a bênção pela manhã e antes de adormecerem. As nossas crianças e os nossos jovens das aldeias, foram perdendo o espírito que era genuíno e que caracterizava a sua identidade e são agora, para o bem e para o mal, em tudo parecidos com os novos portugueses de todo o resto do país e do mundo.


EMIGRANTES
Obra da autoria de Segall


A abertura dos ambientes outrora isolados aos novos meios de comunicação e de transporte, só pode ser encarada numa perspetiva de enriquecimento e desenvolvimento a todos os níveis. Estas regalias, até há pouco impensáveis para uns e esperadas com impaciência por muitos outros, serão por certo  résteas do progresso que, com toda a justiça, chegam às nossas províncias.

Difícil é prever até que ponto poderemos ainda preservar os sinais que nos distinguem como seres únicos que, respirando uma vitalidade e culturas próprias, são capazes de se afirmar pelo mundo, sem todavia se desprenderem das raízes que os ligarão para sempre às suas terras.