[ Vox populi vox Dei ]

2011-02-27

« NÃO ESTÁS DEPRIMIDO... ESTÁS DISTRAÍDO... »

FACUNDO  CABRAL

>o< 

CANTOR, COMPOSITOR e ESCRITOR
nascido em 22 de Maio de 1937 
na 
ARGENTINA




FACUNDO CABRAL é um cantor Argentino, nascido em 22 de maio de 1937 na cidade de Balcarce, província de Buenos Aires, Argentina. Em tenra idade seu pai deixou a casa deixando a mãe com três filhos, que emigraram para Tierra del Fuego no sul da Argentina.

Cabral teve uma infância dura e desprotegida, tornando-se um marginal, a ponto de ser internado  num reformatório. Em pouco tempo conseguiu escapar e, segundo conta, encontrou Deus nas palavras de Simeão, um velho vagabundo.

Em 1970,  gravou "No Soy De Aquí, Ni Soy De Allá" e o seu nome ficou conhecido em todo o mundo, gravando em nove idiomas e com cantores da estatura de Julio Iglesias, Pedro Vargas e Neil Diamond, entre outros.

Influenciado, no lado espiritual, por Jesus, Gandhi e Madre Teresa de Calcutá, na literatura por Borges e Walt Whitman,  a sua vida tomou um rumo espiritual de observação constante em tudo o que acontece em seu redor, não se conformando com que vê, durante sua carreira como um cantor de Música Popular e, toma o caminho da crítica social, sem abandonar o seu habitual senso de humor.

Como  autor literário, foi convidado para a Feira Internacional do Livro, em Miami, onde conversou sobre os seus livros, entre eles: “Conversaciones con Facundo Cabral”, “Mi Abuela y yo”, “Salmos”, “Borges y yo”, “Ayer soñé que podía y hoy puedo”, y el “Cuaderno de Facundo”.  

Em reconhecimento do seu constante apelo à paz e amor, em 1996, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO)  declarou-o "Mensageiro mundial da Paz




 Vídeo Clip: «Não Estás Deprimido, Estás Distraído »




 « Não estás deprimido, estás distraído.
 
Distraído em relação à vida que te preenche, distraído em relação à vida que te rodeia, golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
 
Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando existem cinco mil e seiscentos milhões no mundo. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me. O que é fundamental para viver.
 
Não faças o que fez teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos.

Não estás deprimido, estás distraído.

 
Por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não és dono de coisa alguma. Além disso, a vida não te tira coisas: te liberta de coisas, alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude.
 
Do útero ao túmulo, vivemos numa escola; por isso, o que chamas de problemas são apenas lições. Não perdeste coisa alguma: aquele que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção.
 
E não esqueças, que o melhor dele, o amor, continua vivo em teu coração.
 
Não existe a morte, apenas a mudança.
 
E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, o Arcanjo Miguel, Whitman, São Agostinho, Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditava que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.
 
Faz apenas o que amas e serás feliz. Aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando for a hora, porque o que deve ser será, e chegará de forma natural.
 
Não faças coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor.
 
Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível sem esforço, porque és movido pela força natural da vida. A mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.
 
Deus te tornou responsável por um ser humano, que és tu. Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo.
E só então poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros.
 
Lembra-te: "Amarás ao próximo como a ti mesmo".
 
Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que vês, é uma obra de Deus, e decide neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.
 
Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever; porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os teus vizinhos.
 
Um único homem que não possuiu talento ou valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.
 
Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo.
 
Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.
 
E se estás com cancro ou SIDA, podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas:
se a doença ganha, te liberta do corpo que é cheio de processos (tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas)
 
Se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido... portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente, como deve ser.

Não estás deprimido, estás desocupado.

 
Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Ajuda os velhos e os jovens te ajudarão quando for tua vez.
 
Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão.
 
Dá sem medida, e receberás sem medida.
 
Ama até que te tornes o ser amado; mais ainda converte-te no próprio Amor. E não te deixes enganar por alguns homicidas e suicidas.
 
O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso.
 
Uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida. »





FACUNDO CABRAL - " No soy de aqui ni soy de alla "


2011-02-25

« A PARÁBOLA do LOBO MILAGREIRO »

 Amo os lobos, nascidos para a solidão e para a fome (...) 
Amo os lobos, porque amo os temperamentos fortes e rectos 
que preferem a violência à manha.

R.L.Bruckberger [Monge Dominicano]





 RAYMOND  LÉOPOLD  BRUCKBERGER
(Monge Dominicano)
[10 de Abril de 1907  -  4 de Janeiro de 1998]




Vídeo Clip Documentário sobre LOBOS:






R. L. Bruckberger
Autor da Obra




«O Lobo Milagreiro»




Nascido em 1907, Raymond Léopold Bruckberger, Monge Dominicano francês, foi uma ilustre personalidade das letras e do cinema da França. Viveu nos Estados Unidos desde 1949, onde a sua actividade literária teve a maior repercussão.

Mestre da parábola moderna, dirigiu revistas, realizou filmes e foi elemento activo da Resistência Francesa, tendo sido aprisionado pela Gestapo, à qual conseguiu escapar-se para tomar parte na Libertação de Paris.

Na sua qualidade de capelão-mor das Forças Francesas do Interior, recebeu o General De Gaulle na Notre-Dame, quando da entrada solene do Chefe da Resistência na capital.

A experiência e a personalidade do Padre Bruckberger não poderiam deixar de criar a história admirável do Lobo de Gubbio, símbolo do povo humilde ou das figuras autenticamente grandes que pela Pátria se sacrificam.

«O Lobo Milagreiro» é uma história profundamente humana, baseada na mensagem de humildade e de alegria de S. Francisco de Assis (1181-1226), chamado em italiano "Povorello" (Pobrezinho), por ter renunciado a todas as riquezas materiais, para levar uma vida de pobreza, querendo pôr em prática, com autenticidade e pureza, os ensinamentos de Cristo.

A lendária história do Lobo de Gubbio (cidade de Itália), convertido à doçura e à paz por S. Francisco de Assis, é o ponto de partida da parábola do Lobo Milagreiro.

Nas Fioretti (Florinhas de S. Francisco) conta a história como S. Francisco arranjou as pazes entre um lobo e os habitantes da Cidade de Gubbio.

As Florinhas são episódios da vida do santo, em que a lenda se mistura com a história, uma espécie das fábulas, que foram reunidas e publicadas no século XV.

Diz, R. L. Bruckberger: «Eu tinha imenso desejo de saber o que fora feito do lobo de Gubbio, como vivera e morrera entre os homens. Os livros nada me diziam. Para saber, eu tinha apenas o recurso de inventar. Foi o que fiz ». 

Neste momento, ocorre-nos a iniciativa imaginativa de Reinaldo Ferreira - Repórter X - que, quando não sabia mais, ou para melhor ênfase dar a uma reportagem, inventava.

Tudo começa com o compromisso entre o Lobo e S. Francisco, que dele se aproxima, falando-lhe, amansando-o, humanizando-o. As ternas palavras do santo convertem o feroz animal à fraternidade cristã e ao imperativo do respeito pela vida - é um pacto de paz conseguido pela força do amor fraterno.

O amor à Natureza e a união com todos os seres, irmãos e irmãs para S. Francisco, é simbolicamente representado nesta história pelo elo estabelecido entre o Lobo e o Santo.

Este compreende e respeita profundamente a natureza selvagem do seu «Irmão Lobo». E apesar da sua natureza selvagem, ao longo de toda a história, o Lobo procura honrar o compromisso de amor e fidelidade celebrado com o Santo, morrendo com o seu coração desfeito em doçura e a sua boca cheia de mel.

Em 1980, S. Francisco foi nomeado Padroeiro dos Ecologistas pelo Papa João Paulo II, em virtude da sensibilidade manifestada pelo santo face a todas as criaturas, humanas e não humanas.

O livro foi escrito no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e exprime, simbolicamente, um apelo à Paz, à Verdade, à Rectidão e à Benevolência.

A título de curiosidade, aditamos que o Papa João Paulo II referiu-se à música do filme « Danças Com Lobos », como sendo uma das peças musicais suas preferidas (...)











Imagens: Google
Texto: Adaptado de uma colecção
da "Lisboa Editora", traduzido pelo
poeta Jorge de Sena


2011-02-22

[«PHILOSOPHIA» : - INTROSPECÇÃO ... MEDITAÇÃO ... PENSAR ... ]


      Um dos maiores prazeres que posso usufruir, é poder estar no cimo de uma montanha, estando em sintonia de corpo e alma com a Natureza, contemplando  a beleza daquilo que nos foi dado, e poder meditar.

Costumo pensar na "Filosofia" como a arte de saber pensar; saber encadear toda uma série de raciocínios lógicos, ou análises críticas, a nós mesmos ou àquilo que nos rodeia, para que no final consigamos que tudo faça sentido, e que seja possível haver uma opinião ponderada.

Não é à toa que as pessoas oram com frequência, não aquela oração de repetição - cassette -, que mais não é que um  despejar um rol de palavras muitas vezes sem sentido e sem sentir, mas aquela oração em que entramos dentro de nós mesmos, fazendo uma meditação ou oração, sempre com a certeza de que uma Entidade superior a nós nos escuta, conseguem ser pessoas de espírito crítico muito apurado, não indo em discursos fáceis quando alguém faz, ou diz, conforme todos os outros fazem, ou dizem.


Clip musical: MEDITATION de THAIS 




 A Filosofia é um caminho para a felicidade baseada na razão, em complemento com convicções espirituais como caminho para a felicidade baseada no Amor. Acho estes dois caminhos indissociáveis um do outro e não um complemento; basearmo-nos somente na razão (pensamento científico) sem termos a capacidade de amar, nunca se poderá atingir a verdadeira felicidade. Não é por sermos mais sábios que saberemos melhor amar, mas sim o contrário.

Há uma crise de valores na nossa sociedade, há uma crise de convicções, o que move a sociedade hoje em dia é a imagem daquilo que os outros fazem de nós mesmos, vivemos para parecer aos outros aquilo que não somos, talvez com o intuito de sermos aceites; estamos a ficar vazios de nós mesmos, qual sociedade zombie, que se move só porque o faz todos os dias.

Nota-se que nos tempos que correm, e na generalidade, que a juventude tem pouca noção do que é ser responsável, e parece que tudo deriva da educação (ou a falta dela) transmitida pelos pais, cada vez com menos conteúdo, sem diálogo, super-protegendo, mas não educando.



O  PENSADOR



A responsabilidade obriga-nos a pensar, a utilizarmos o espírito crítico para formularmos opiniões e fazer escolhas, e a "Filosofia" dá-nos a elasticidade mental para que isso seja possível, sempre com a humildade que nada sabemos, mas que fazemos tudo para aperfeiçoar o nosso conhecimento.

2011-02-19

« GENTE... das " MELODIAS " de SEMPRE ! »


 PEGGY  LEE
(1920 - 2002)






Personalidades - Peggy Lee (1920-2002)

Peggy Lee foi uma cantora americana de música popular e jazz, compositora e atriz, numa carreira que se estendeu por quase sete décadas.

Peggy era de descendência escandinava, nascida em North Dakota. Sua mãe faleceu quando ela tinha 4 anos de idade. Aos 17 anos, deixou a casa e foi para Los Angeles cantar em clubes noturnos, até que nas suas andanças, chamou a atenção de Benny Goodman, e juntou-se à sua banda em 1941, onde ficou por 2 anos.

Em 1943, gravou o seu primeiro sucesso, “Why don´t you do right?”, que vendeu mais de 1 milhão de cópias e a tornou famosa.

Casou-se com um dos integrantes da banda de Goodman, mas ambos tiveram que sair do conjunto pois Goodman não admitia envolvimentos pessoais entre os componentes da banda.

Em 1947, Peggy gravou o famoso hit “Mañana”, uma das suas marcas registadas. Passou a frequentar  como cantora os programas de TV de Perry Como e Jimmy Durante.

Gravou hits que se tornaram grandes sucessos, como “Fever” e “Black Coffee”.

Peggy teve vários álbuns entre os 10 tops dos Hit Parades durante 3 décadas.  Será sempre lembrada como uma das mais influentes vocalistas de jazz de todos os tempos, sendo citada por artistas tão diversos como: Judy Garland, Frank Sinatra, Paul McCartney, Betty Midler, Madonna e Dustin Sprigfield.

Recebeu 3 Grammys, e teve uma indicação ao Óscar como atriz. Além disto, foi reconhecida como uma das maiores letristas da música americana.

Peggy teve 4 maridos durante a vida. Continuou cantando até os anos 90, algumas vezes  em cadeira de rodas.

Faleceu aos 81 anos, de um ataque cardíaco. No seu túmulo está a incrição “Música é o meu sopro de vida”.

Abaixo, temos o clip em que Peggy interpreta uma de suas mais famosas canções, “Fever”, num sofisticado arranjo onde é acompanhada somente por uma bateria e um contra-baixo, além do estalar de dedos.






Leia mais:
http://passeandopelocotidiano.blogspot.com/2011/02/personalidades-peggy-lee-1920-2002.html#ixzz1EMAzfsft




VÍDEO CLIP - YouTube apresenta:
« FEVER » de PEGGY LEE

2011-02-13

« OBRIGADO... pelos PARABÉNS do 2º ANO do ALFOBRE de Letras »

  Agradecimento do autor do blogue  "ALFOBRE de Letras"
(em pleno voo de cruzeiro)



 
 Agradecimento pessoal (e vegetal) do ALFOBRE propriamente dito







Agradeço a Todos os que carinhosamente dispensaram algum do seu tempo
para desejar ao "ALFOBRE de Letras" um Feliz Aniversário

[completou dois anos no passado dia 7 de Fevereiro]

com votos de incentivo
abraços blogueiros e outros lisonjeiros

Foi uma  "colheita" muito Feliz
porque a publicação do "Post" com o bolo de anos
não passava de uma proposta académica
que resultou numa reacção de expressões
de manifesta Amizade, Compreensão e Simpatia.

Assim, a Todos os que comentaram... até no Facebook...
Aos que não se lembraram... aos que não puderam estar...

ON-LINE

Recebam Todos em dobro
tudo o que aqui desejaram.

Às pessoas maravilhosas que me seguem...
Uns bem perto... uns de longe...
Outros de bem longe... não importa a distância
mas sim... a ternura ...
... a cumplicidade ...

Que grande prenda de aniversário é

A
SOLIDARIEDADE
E    
AS  CAUSAS  
 QUE  NOS  TÊM  UNIDO

><

E  PORQUE ESTA AMIZADE  É UNIVERSAL

Lembrando uma Canção de Agradecimento bem Antiga, 
um OBRIGADO em várias línguas:


KANIMAMBO

Obrigado

Muchas Gracias

Merci bien

Tudo é .... Kanimambo

Danke schon

Gracie Terna

Thank You


BEM  HAJAM





Vídeo clip com a Canção de João Maria Tudela  - KANIMAMBO -, interpretada pela artista
MANUELA BRAVO:

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2011-02-10

« Mc CARTNEY & CLAPTON: DUPLA de GIGANTES da MÚSICA »

 ERIC CLAPTON e PAUL Mc CARTNEY em " While my Guitar Gentley Weeps "





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O encontro destes dois gigantes ingleses da música pop não precisa de grandes apresentações biográficas, pois são amplamente conhecidos do grande público.

Além de óptimos cantores, ambos têm total domínio dos seus instrumentos.

Paul é um exímio pianista e guitarrista, e Eric, com certeza, é um dos maiores guitarristas de todos os tempos.

Abaixo, os dois génios apresentam a música "While My Guitar Gently Weeps", selando um grande encontro.



VÍDEO de "While my guitar gently Weeps "

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[ LETRA  E  TRADUÇÃO ]

While My Guitar Gently Weeps

 

I look at you all see the love there that's sleeping
While my guitar gently weeps
I look at the floor and I see it needs sweeping
Still my guitar gently weeps

I don't know why nobody told you
How to unfold you love
I don't know how someone controlled you
They bought and sold you

I look at the world and I notice it's turning
While my guitar gently weeps
With every mistake we must surely be learning
Still my guitar gently weeps

I don't know how you were diverted
You were perverted too
I don't know how you were inverted
No one alerted you

I look at you all see the love there that's sleeping
While my guitar gently weeps
I look at you all
Still my guitar gently weeps

(I look from the wings at the play you are staging
While my guitar gently weeps
As I'm sitting here doing nothing but aging
Still my guitar gently weeps)


 >o<

Enquanto a Minha Guitarra Suavemente Chora

 

Eu olho para todos, vendo que o amor está dormindo
Enquanto a minha guitarra suavemente chora
Eu olho para o chão e vejo que precisa ser limpo
Enquanto a minha guitarra suavemente chora

Eu não sei porque ninguém te disse
Como desdobrar seu amor
Eu não sei como alguém te controlou
Eles compraram e venderam você

Eu olho o mundo e  noto que ele está girando
Enquanto a minha guitarra suavemente chora
Com cada erro nós certamente estamos a aprender
Enquanto a minha guitarra suavemente chora

Eu não sei como você foi distraída
Você também foi corrompida
Eu não sei como você foi invertida
Ninguém te alertou

Eu te olho inteira, vejo o amor que aí dorme
Enquanto a minha guitarra suavemente chora
Eu olho para todos
Enquanto a minha guitarra suavemente ainda chora

(Eu vejo de fora que você está-se entediando
Enquanto minha guitarra suavemente chora
Assim como estou sentado apenas envelhecendo
Enquanto a minha guitarra suavemente chora)




2011-02-09

« 50 ANOS COM... OS BEATLES »

 AS  IMAGENS  DISPENSAM  IDENTIFICAÇÕES





Foto Histórica





A estreia ao vivo dos Beatles foi há precisamente 50 anos, no dia 9 de Fevereiro de 1961.

O concerto teve lugar no The Cavern Club, na sua cidade natal de Liverpool.

Na altura, os Beatles ainda tinham Pete Best na bateria (o baterista viria a sair mais tarde nesse ano dando lugar a Ringo Starr). Desde esse momento, os Fab Four deram mais 292 concertos no pequeno palco do clube de Liverpool. O último teve lugar em 1963.

O espectáculo de 9 de Fevereiro de 1961 foi visto por cerca de 30 pessoas. Entre elas, estava Alex McKechnie, um moço de recados de 16 anos, que é hoje em dia o director do festival da Matthew Street (a rua do Cavern): «havia atmosfera rock mas não estava muito cheio. 

Foram bastante sarcásticos, sempre a mandar piadas e bocas. Contavam os tempos das canções batendo com os tacões no chão - criaram imenso entusiasmo na sala. Eram diferentes de qualquer outra banda no circuito», disse McKechnie em entrevista ao Guardian

Em declarações à BBC, o sortudo assistente confessa que «deixou de ouvir os Beatles assim que eles ganharam fama, mas que naquela altura eles tinham o pacote completo. 

Não tinham um, mas dois grandes vocalistas. Acertavam sempre nas melodias. Provavelmente não podiam pagar dois microfones, por isso quando um cantava a voz principal os outros partilhavam o outro microfone o que se tornou muito carismático e era engraçado de ver. Tinham muita camaradagem».

O alinhamento do concerto foi composto por covers de clássicos do rock assinados por Chuck Berry, Little Richard e The Everly Brothers, entre outros. Só mais tarde é que o quarteto começou a tocar as canções que mudariam a história da música. «Eles também tocavam os mesmos standards que as outras bandas mas eram diferentes porque faziam acordes complicados, que mais ninguém fazia. Eram mais aventurosos. Gostei sobretudo da atitude deles em relação ao público. Foram tão irreverentes. Acho mesmo que poderiam ser considerados a primeira banda punk», acrescenta McKechnie.

O bar da Matthew Street foi demolido nos anos 70, mas uma réplica do clube, nas imediações, vai celebrar os 50 anos sobre o histórico concerto com um dia inteiro dedicado ao legado dos Beatles. 

Entre as actividades programadas, está um memorial na forma de um tecto com lâmpadas chamado 'Lucy In the Sky With Diamonds', colocado ao longo de toda a rua.





2011-02-07

« 2º. ANIVERSÁRIO DESTE BLOGUE »

 SEGUNDO  ANIVERSÁRIO do « ALFOBRE de Letras »





1º. Post deste Blogue publicado em 7 de Fevereiro de 2009





 Passados dois anos - como o tempo voa -, é com grande carinho que agradeço a todos por se terem lembrado de mais esta visita, registando os habituais comentários que me alimentam o ânimo e  a imaginação para manter este diálogo, para mim  tão importante quanto qualquer outra primeira necessidade.

Em 7 de Março de 2010, o blogue parou devido a um forte vírus no servidor, o que ditou o fim desta edição  enquanto “Alfobre de Letras”. Triste, mas de mau perder e teimoso, na falta de um... fiz dois blogues!

E  assim  nasceram  naquele período, outros 2 blogues: «O MUNHO» e o «MUNHO do ALFOBRE» (clicar em cada nome p/aceder).

Tendo depois conseguido recuperar o ALFOBRE de Letras, não fui capaz de desistir dos outros dois, pelo que fiquei  estoicamente com 3 “bocas” para alimentar,  apesar dos limitados recursos do meu saber e deste cérebro sem  staff de recursos humanos.

Grandes amigos continuo a encontrar  nesta jornada,  jamais imaginando que em dois anos,  este(s) espaço(s) seria(m)  ponto de encontro de tanta expressão num enorme abraço de sentimentos, ideias e ideais em relação à vida, à arte, à cultura e,... a minha grande colheita [ nas sementeiras no Alfobre ] que tem sido a Amizade Solidária e a Participação de Todos!

Na Festa de Aniversário, conheçam também – não esqueçam -, os outros irmãos blogs: o Munho e o Munho do Alfobre.

 BEM HAJAM

 
 
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2011-02-06

« "ODE a FERNANDO PESSOA" ... de ALMADA NEGREIROS »

 Da autoria de ALMADA NEGREIROS:  Retrato de FERNANDO PESSOA




 ODE A FERNANDO PESSOA


Tu que tiveste o sonho de ser a voz de Portugal
tu foste de verdade a voz de Portugal
e não foste tu!
Foste de verdade, não de feito, a voz de Portugal.
De verdade, e de feito só não foste tu.
A Portugal, a voz vem-lhe sempre depois da idade
e tu quiseste acertar-lhe a voz com a idade
e aqui erraste tu,
não a tua voz de Portugal
não a idade que já era de hoje.
Tu foste apenas o teu sonho de ser a voz de Portugal
o teu sonho de ti
o teu sonho dos portugueses
só sonhado por ti.
Tu sonhaste a continuação do sonho português
somados todos os séculos de Portugal
somados todos os vários sonhos portugueses
tu sonhaste a decifração final
do sonho de Portugal
e a vida que desperta depois do sonho
a vida que o sonho predisse.
Tu tiveste o sonho de ser a voz de Portugal
tu foste de verdade a voz de Portugal
e não foste tu!
Tu ficaste para depois
E Portugal também.
Tu levaste empunhada no teu sonho 
a bandeira de Portugal
vertical
sem pender para nenhum lado
o que não é dado pra portugueses.
Ninguém viu em ti, Fernando,
senão a pessoa que leva uma bandeira
e sem a justificação de ter havido festa.
Nesta nossa querida terra onde ninguém a ninguém admira
e todos a determinados idolatram.
Foi substituído Portugal pelo nacionalismo
que é maneira de acabar com partidos
e de ficar talvez o partido de Portugal
mas não ainda talvez Portugal!
 
Portugal fica para depois
e os portugueses também
como tu.



 Almada Negreiros



 ALMADA NEGREIROS
(1893 - 1970)
Pintor e Poeta








José de Almada Negreiros
(Escritor e pintor português)
 
7-4-1893, Roça Saudade, Ilha de São Tomé
15-6-1970, Lisboa
Estudou na Escola Nacional de Belas-Artes em Lisboa e, entre 1919 e 1920, em Paris. Como escritor sobressai a colaboração nas revistas Orpheu (1915) e Portugal Futurista (1917), bem como o romance Nome de Guerra e a obra poética A Invenção do Dia Claro.

Escreveu também artigos diversos em jornais e revistas, enquanto ensaísta e crítico. É, porém, a sua actuação na pintura o que mais se destaca na sua produção artística, embora tenha igualmente executado vitrais, mosaicos e tapeçarias, entre outras artes plásticas.

Expôs pela primeira vez em 1912 e a sua obra evoluiu na segunda e na terceira décadas do século, contribuindo para a formação e para o desenvolvimento do modernismo em Portugal. Inicialmente, o desenho e a linha, elegante e estilizada, dominam por completo, tornando-se o fio condutor de seus quadros. Aos poucos, a introdução de uma luminosidade plena, vai-se juntando a cores primordiais e cria telas de grande força cromática. Este género de composição é encontrado, por exemplo, na obra que dedica à esposa e ao filho, Maternidade (1935).

Durante esta fase, de grande maturidade, além de diversos quadros a óleo, como Homenagem a Lucca Signorelli, distinguem-se os magníficos painéis dos portos marítimos de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos em Lisboa.

Nestes últimos, retrata a emigração portuguesa de forma realista e comovente, expressando-se como sempre em tons fortes e vibrantes, com predominância de amarelos e azuis. 

No entanto, os painéis da Rocha do Conde de Óbidos já apresentam um geometrismo de raiz cubista, que Almada irá desenvolver ao longo dos anos e que pode ser observado nos paradigmáticos retratos de Fernando Pessoa.



Almada Negreiros,  visto em Bilhete Postal 
por Stuart de Carvalhais


2011-02-05

« EGITO GONÇALVES ... UM POETA PORTUGUÊS »

 EGITO GONÇALVES
José Egito de Oliveira Gonçalves
(1920-2001)







José EGITO de Oliveira GONÇALVES

Escritor português com uma actividade cultural desenvolvida sobretudo a partir da cidade do Porto: é editor, no domínio do livro de poesia, está ligado à direcção de revistas como A Serpente (1951), Árvore (1951-1953), Notícias do Bloqueio (1957 – 1962) ou Limiar (iniciada em 1992), publica várias traduções de romancistas e poetas estrangeiros, desenvolve actividades teatrais e ligadas ao movimento cineclubista.

Como poeta, a sua obra tende para o estabelecimento de um equilíbrio entre duas tendências que se afirmaram nas décadas de 40 e 50: o neo – realismo e o surrealismo. Da primeira destas tendências – muito marcada em Os Arquivos do Silêncio (1963) e na recolha antológica Poemas Políticos (1980) .

 Egito Gonçalves recupera um sentido de intervenção, por vezes desfocado por uma muito viva expressão irónica; da segunda, a maneira como na poesia se pode valorizar a imaginação, sem que, no entanto, a sua linguagem enverede por experiências associativas surrealizantes, pela escrita automática, etc. Quanto a este aspecto, Egito Gonçalves mostra-se sempre preocupado em construir o poema (“construo os meus poemas, com as imagens adorno-os”), dando-lhes uma configuração bem delineada ou estruturada.

Aproxima-se, assim, daqueles poetas que nos anos 50 – o seu primeiro livro, Poema para os Companheiros da Ilha, é de 1950 – começam a revelar uma especial atenção quanto ao papel que a linguagem desempenha na economia da própria criação poética, sobretudo através da utilização da metáfora e da imagem.

 Isto leva-o a estar atento a uma certa viragem que na poesia portuguesa ocorre durante a década de 60, orientando-se essa viragem para um tipo de escrita poética que reage contra a discursividade – característica esta comum a muitos textos surrealistas e neo-realistas -, contra uma figuração expansiva procurando, antes, uma linguagem o mais depurada possível, elíptica, por vezes fragmentada.(…)

In: Bibllos - Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa - 1995




 Egito Gonçalves

>o<

Notícias do Bloqueio

 

 

Aproveito a tua neutralidade,

o teu rosto oval, a tua beleza clara,

 para enviar notícias do bloqueio

 aos que no continente esperam ansiosos.

 

  Tu lhes dirás do coração o que sofremos

nos dias que embranquecem os cabelos...

 Tu lhes dirás a comoção e as palavras

 que prendemos — contrabando — aos teus cabelos.

 

 Tu lhes dirás o nosso ódio construído,

 sustentando a defesa à nossa volta

 — único acolchoado para a noite

 florescida de fome e de tristezas.

 

 Tua neutralidade passará

 por sobre a barreira alfandegária

 e a tua mala levará fotografias,

 um mapa, duas cartas, uma lágrima...

 

 Dirás como trabalhamos em silêncio,

 como comemos silêncio, bebemos

 silêncio, nadamos e morremos

 feridos do silêncio duro e violento.

 

 Vai pois e noticia com um archote

 aos que encontrares de fora das muralhas

 o mundo em que nos vemos, poesia

 massacrada e medos à ilharga.

 

 Vai pois e conta nos jornais diários

 ou escreve com ácido nas paredes

 o que viste, o que sabes, o que eu disse

 entre dois bombardeamentos já esperados.

 

 Mas diz-lhes que se mantém indevassável

 e segredo das torres que nos erguem,

 e suspensa delas uma flor em lume

 grita o seu nome incandescente e puro.

 

 Diz-lhes que se resiste na cidade

 desfigurada por feridas de granadas

 e enquanto a água e os viveres escasseiam

 aumenta a raiva

 e a esperança reproduz-se.

 




Egito Gonçalves dizia: «Sou um lírico. Os meus poemas de combate são sempre poemas de amor, porque, vendo bem, em qualquer combate o amor é sempre a chama que nos alimenta.»

2011-02-02

ICONOCLASTAS DESTROEM NO MUSEU DO CAIRO

 Vista geral do Museu do Cairo



 Máscara faraónica de Tutankhamon


 Fachada principal do Museu do Cairo




O Museu Egípcio do Cairo é um dos mais fantásticos museus no mundo inteiro. É um grande edifício onde se exibem os tesouros da História egípcia antiga, dando-nos as evidências da maravilhosa capacidade mental e da habilidade artística do Homem egípcio antigo.

Na verdade, antes da chegada da Campanha Francesa, liderada pelo célebre general Napoleão Bonaparte, ao Egipto, em 1798,  a  História Antiga do Egipto ficou por séculos quase desconhecida e cheia de muita confusão e ambiguidade. A Expedição Francesa trouxe mais de 165 eruditos e cientistas em todas as especialidades para estudarem todos os aspectos da vida egípcia; a geografia, zoologia, geologia, história, religião, tradições, leis etc.

Aqueles cientistas mostraram grande vontade e entusiasmo em estudar todo o Egipto, sobretudo a História e os monumentos antigos. O encanto e a grandeza de tais monumentos levaram muitos deles a percorrer quase todas as regiões do território egípcio, sobretudo no Alto-Egipto. Os monumentos egípcios antigos foram o maior campo de estudo e pesquisa para alguns desses historiadores e eruditos.

Uns anos depois, surgiu o trabalho do historiador e pintor francês Vivian Dinon, que andou encantado com as maravilhas egípcias, sobretudo no Alto-Egipto,  resumindo o seu trabalho  num livro valioso intitulado “Viagens para o Baixo e Alto-Egipto ” publicado em Paris em 1803. Também graças a outros eruditos franceses que vieram com a Expedição Francesa,  realizou-se outra grande obra, que compreende todos os aspectos da vida no Egipto,  publicada no livro famoso intitulado  “Descripcione del’ Egypte”, que contém nove volumes de investigações e onze de pinturas e ilustrações.

Uns anos mais tarde, um episódio histórico pontual, orientou  uma grande descoberta : o decifrar dos segredos da História Egipcia Antiga. O achado de uma pedra preta conhecida como “A pedra de Rosetta ” resultou, logo, no decifrar da Língua Egipcia Antiga; um acontecimento vital na História da humanidade; e assim, os escritos gravados nas paredes dos templos e  túmulos, mostraram  dados sobre a história, civilização,  religião e arte no antigo Egipto.

No século XIX iniciou-se o aparecer na Europa em geral  e na França em particular, de  uma nova ciência chamada  “Egiptologia”, o que levou a um fervor entre os estudiosos de Europa. Historiadores, arqueólogos, aventureiros  e caçadores de tesouros vieram para o Egipto encantados pela sua história e cultura e começaram a escavar em sítios diferentes do território.  

Obviamente muitos deles careciam da honestidade científica necessária, por isso havia roubos de monumentos e objectos, pelo que de imediato surgiu um grande mercado de Antiguidades Egípcias na Europa e, simultaneamente, havia, naquela altura do século XIX  uma inconsciência do valor verdadeiro dos monumentos do património, por parte dos egípcios nativos.

Nem o governo nem o povo sabiam o valor autêntico desses objectos achados e antiguidades maravilhosas. Portanto,  havia uma tolerância acompanhada por ignorância. E como não havia controlo sobre este sector cultural,  as antiguidades e os objectos egípcios eram sujeitos ao roubo, tráfico, contrabando e, desleixo descuidado durante quase 50 anos até os finais do reinado do governador Mohamad Ali ( 1805-1849), o pionero da modernização do Egipto, que mandou conservar os monumentos e objectos descobertos num edifício dentro da cidadela de Saladino no Cairo, proibindo o tráfico dos monumentos para fora do país.

Graças a Mariette Pasha (1821-1881) o percurso egiptólogo francês  estabeleceu o Serviço das Antiguidades Egípcias pela primeira vez.  Em 1857 Mariette fundou o primeiro museu verdadeiro no bairro de “Bulaq” no Cairo. Era um pequeno edifício que constava de quatro quartos em que se expuseram os objectos e antiguidades egípcias achadas. Porém, esse museu foi  afectado pelas cheias do rio Nilo, e por isso os objectos foram transferidos para um anexo de um palácio real do governador egípcio, Ismael, Paxá da cidade de Giza.

O actual Museu Egípcio do Cairo, foi  fruto de grandes esforços e de boa vontade para conservar o património egípcio antigo. Anunciou-se um concurso internacional entre as empresas europeias no final do século XIX para construir um museu, e ganhou o concurso uma empresa  belga. Por isso, o desenho da fachada do museu infelizmente não é egípcio e foi decorado segundo o estilo Greco-romano.

O desenho do museu foi realizado pelo arquitecto francês Marcel Dourgnon, segundo o modelo neoclássico. Em 1897 as obras de construção começaram, e terminaram em 1901 mas, apenas em 15 de Novembro de 1902,  o museu foi inaugurado oficialmente durante o reinado do governador do Egipto,  Abass Helmi (1892-1914).

O Museu Egípcio situa-se actualmente na praça do Tahrir (centro da cidade do Cairo) perto da margem oriental do rio Nilo (o corniche). É um edifício imenso de cor rosada com um pátio externo vasto. O museu tem  cafetaria e umas livrarias que vendem prendas, postais, slides, mapas, guias e livros de história e arte egípcia.


No pátio do museu, em frente do portal interno há três bandeiras: a primeira é a Bandeira Nacional, a segunda representa o Ministério de Cultura, e a terceira pertence ao Supremo Conselho das Antiguidades Egípcias. Na parte superior da fachada estão inscritas duas datas, a primeira é 1897, que se refere à data do início das obras de construção, enquanto a segunda é de 1901 e indica o fim das obras; porém (como se disse em cima), o museu foi inaugurado em 1902. Há também duas letras iniciais ao lado direito e ao lado esquerdo, do nome do governador que reinava no Egipto de 1892 a 1914 , são as letras “A” e “H” que indicam sucessivamente o nome de Abbas Helmi.


No centro da fachada encontra-se a cabeça da deusa, importantíssima segundo as crenças egípcias antigas, a deusa Hathor (Ht-Hr) que foi considerada uma das mais famosas e antigas deusas egípcias. Era a deusa que amamentou o deus Hórus quando era bebé durante a ausência da sua mãe Ísis, segundo os acontecimentos da lenda de Osíris.

Hathor era a deusa do amor, da alegria, música e maternidade. Era figurada fundamentalmente em três formas; a primeira como  vaca, a segunda numa forma híbrida com corpo de mulher e cabeça de vaca, e a terceira forma é uma mulher, mas com dois chifres de vaca em cima da cabeça e o disco solar entre eles. Na fachada, encontra-se a cabeça de Hathor: está representada com cara de mulher e dois cornos com o disco solar. Aos dois lados, à direita e à esquerda, há uma representação da deusa célebre Isis, a esposa de Osíris, e mãe de Hórus.

 Isis foi uma das divindades fundamentais que desempenhou um grande papel na Teologia Egípcia Antiga.  Foi a deusa da maternidade, fidelidade, e magia. Aqui, Isis está figurada numa forma Greco-romana e não egípcia tradicional, devido ao estilo da sua peruca e também o seu vestido com nó que é romano. Além disso, a fachada foi decorada segundo o estilo Greco-romano, devido à existência de duas colunas jónicas, pois este tipo de colunas apenas apareceu na Época Greco-romana.  Encontram-se ainda,   nomes de reis egípcios antigos, escritos dentro de medalhões.

No jardim do museu, uns monumentos estão espalhados aqui e ali, a maioria deles datados do período do Novo Reino ( 1570-1080 a. C.). A oeste extremo do pátio,  encontra-se um cenotáfio -  túmulo simbólico -, construído em homenagem à memória da figura célebre do egiptólogo francês Mariette Pasha, que nasceu em 1821 e faleceu em 1881. É um cenotáfio de mármore comemorando esta figura célebre,  porque teve a ideia da fundação do museu que abriga e exibe os objectos achados. Desejou ficar sepultado neste lugar, mas parece que  o cenotáfio é apenas simbólico.

O cenotáfio está rodeado de bustos de outros egiptólogos famosos, como: Champollion,   Mariette,  Selim Hassan,  Labibi Habashi,  Kamal Selim  etc.


No centro do pátio encontra-se uma fonte cheia de duas espécies de plantas; o Papiro e o Lótus. O papiro era o símbolo do Baixo-Egipto ( O Norte ), enquanto o lótus era o símbolo do Alto-Egipto ( O Sul ). O papiro encontra-se nos pântanos da região do Delta no norte do Egipto. É uma planta que precisa de grande quantidade de água e mede quase 2 metros de altura. No Egipto Antigo os papiros eram usados para fazer papel para escrever, sandálias,  barcas etc. Enquanto o lótus se encontrava no sul do país, e havia duas espécies; o lótus azul e o lotús branco,  durante a Época Egípcia Antiga.  Os romanos introduziram uma terceira espécie da Ásia: a flor de Lótus, que foi o símbolo da ressurreição; e, além do papiro, o Lótus deu inspiração aos arquitectos antigos, para decorar as colunas e capitéis.

Na realidade, o Museu Egípcio do Cairo, é um dos maiores museus de todo o mundo  em termos da quantidade de objectos expostos e  outros que ainda estão por classificar.  De acordo com uma estimativa, o museu possui cerca de 120.000 objectos expostos, enquanto que há mais de 100.000 objectos conservados nos armazéns.

A exibição das peças é organizada em dois andares segundo uma ordem cronológica, correspondendo com a direcção do relógio, iniciando-se a partir do Período Pré-dinástico, a Época Arcaica, passando pelo Antigo Reino, o Médio Reino, o Novo Reino, o Período Tardio e termina pelo início da Época Grega no Egipto.

O segundo andar é dedicado, fundamentalmente, para exibir a colecção de Tutankhamón, os objectos do túmulo do casal Yoya e Tuya e a Sala das Múmias.

Aos dois lados diante da entrada do museu há duas esfinges, que dão ao visitante uma impressão especial como se estivesse entrando num templo egípcio.






Busto de Nefertiti



 Vídeo denunciando a invasão, destruição e saque do 
Museu do Cairo:

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Vídeo: YouTube
Imagens: Seleção na Net
Texto: Traduzido e adaptado pelo autor do blog
de uma revista de "The Rosicrucian's Letters".