[ Vox populi vox Dei ]

2011-12-21

« SÓ HÁ NATAL, SE HOUVER RESPEITO PELOS DIREITOS HUMANOS »






Vídeo sobre a História dos Direitos Humanos:





.


.

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Versão na Íntegra

  
CONSIDERANDO que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da familia humana e seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,

CONSIDERANDO que o desprezo e o desrespeito pelos direitos do homem resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade, e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade,

CONSIDERANDO ser essencial que os direitos do homem sejam protegidos pelo império da lei, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão,

CONSIDERANDO ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,

CONSIDERANDO que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos do homem e da mulher, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,

CONSIDERANDO que os Estados Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais do homem e a observância desses direitos e liberdades,

CONSIDERANDO que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,


A Assembléia Geral das Nações Unidas proclama a presente 

"Declaração Universal dos Direitos do Homem" 

como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.










Artigo 1

Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.


Artigo 2

I) Todo o homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

II) Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.


Artigo 3
Todo o homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.



Artigo 4
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos estão proibidos em todas as suas formas.



Artigo 5
Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.



Artigo 6
Todo homem tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.



Artigo 7

Todos são iguais perante a lei e tem direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos tem direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.


Artigo 8
Todo o homem tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.



Artigo 9
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.



Artigo 10

Todo o homem tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.


Artigo 11

I) Todo o homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias a sua defesa.

 II) Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituiam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.


Artigo 12

Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques a sua honra e reputação. Todo o homem tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.


Artigo 13
I) Todo homem tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
 

II) Todo o homem tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.


Artigo 14
I) Todo o homem, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
 

II) Este direito não pode ser invocado em casos de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.


Artigo 15
I) Todo homem tem direito a uma nacionalidade.
 

II) Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.


Artigo 16

I) Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, tem o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.

II) O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.
 
III) A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.


Artigo 17
I) Todo o homem tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
 

II) Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.


Artigo 18

Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observâcia, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.


Artigo 19

Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras.


Artigo 20
I) Todo o homem tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.
 

II) Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.


Artigo 21

I) Todo o homem tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.

II) Todo o homem tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
 
III) A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.


Artigo 22

Todo o homem, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indipensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento de sua personalidade.


Artigo 23
I) Todo o homem tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
 

II) Todo o homem, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
 

III) Todo o homem que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como a sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
 
IV) Todo o homem tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.


Artigo 24

Todo o homem tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.



Artigo 25

I) Todo o homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda de meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.

II) A maternidade e a infância tem direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.


Artigo 26

I) Todo o homem tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.

II) A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.

III) Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.


Artigo 27

I) Todo o homem tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de fruir de seus benefícios.

II) Todo o homem tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.


Artigo 28

Todo o homem tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.


Artigo 29

I) Todo o homem tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.

II) No exercício de seus direitos e liberdades, todo o homem estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.

III) Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas.


Artigo 30

Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer direitos e liberdades aqui estabelecidos.






2011-11-25

« FERNANDO PESSOA - POETA INICIADO E ROSACRUZ »






A CRUZ  A  ROSA  E  A  ROSACRUZ





(Poema datado de 6/2/1934 de Fernando Pessoa)

 
Porque choras de que existe
A terra e o que a terra tem?
Tudo nosso – mal ou bem –
É fictício e só persiste
Porque a alma aqui é ninguém.
Não chores! Tudo é o nada
Onde os astros luzes são.
Tudo é lei e confusão.
Toma este mundo por strada
E vai como os santos vão.
Levantado de onde lavra
O inferno em que somos réus
Sob o silêncio dos céus,
Encontrarás a Palavra,
O Nome interno de Deus.
E, além da dupla unidade
Do que em dois sexos mistura
A ventura e a desventura,
O sonho e a realidade,
Serás quem já não procura.
Porque, limpo do Universo,
Em Christo nosso Senhor,
Por sua verdade e amor,
Reunirás o disperso
E a Cruz abrirá em Flor.




.

Este é um poema que nos aparece dividido em três partes – como uma trilogia de sonetos –
inspirado numa descrição do Túmulo de Christian Rosencreutz constante da “Fama Fraternitatis”, primeiro manifesto público
da ou sobre a Fraternidade Rosacruz.







..
As ordens ou fraternidades Rosa Cruz (Rosa-cruz ou Rosacruz) são organizações místicas e esotéricas que se pretendem herdeiras de tradições alquimistas e cabalísticas antigas e que usam certos rituais iniciáticos.
.
De acordo com a lenda, a Ordem Rosa Cruz foi fundada por Christian Rosenkreuz (1378-1484), cavaleiro alemão que estudara artes ocultas com mestres de Damasco, do Egipto e de Marrocos. 

A fundação da Ordem terá acontecido na Alemanha em 1407. A existência de Christian Rosenkreuz é, no entanto, posta em causa por vários rosacrucianos, que vêem o nome como um pseudónimo de algumas personagens históricas, como, por exemplo, o filósofo, estadista e ensaísta inglês Francis Bacon (1561-1626).
.
A nível histórico, o início da Ordem tem como data 1614, com a publicação do documento intitulado "The Fama Fraternitas of the Meritorious Order of the Rosy Cross". Marcam, também, a fundação da Ordem Rosa Cruz, em 1615, "The Confession of the Rosicrucian Fraternity" e em 1616, "The Chemical Marriage of Christian Rosenkreuz". 

Estes textos de autor desconhecido, embora se avente a hipótese do teólogo Johann Valentin Andrea (1586-1654), são os grandes responsáveis dos movimentos e organizações de fraternidade que se formaram.
.
Em algumas organizações da Maçonaria, existe o grau de Cavaleiro Rosa Cruz para aquele que atinge o último grau.
.
As diversas ordens Rosa Cruzes defendem a fraternidade entre todos os homens. Para isso, é necessário que cada um altere os seus hábitos, atitudes e pensamentos e desenvolva as suas potencialidades para a verdadeira paz consigo próprio.
.
A Ordem Rosa Cruz tem como símbolo uma ou mais rosas decorando uma cruz. As variações (uma cruz envolvida por uma coroa de rosas; uma cruz com uma rosa ao centro; junto ao símbolo um duplo triângulo ou uma estrela ou símbolos cabalísticos e alquímicos…) permitem distinguir as diversas fraternidades.
.
De acordo com algumas teorias, a Cruz é o signo masculino e espiritual, que representa a divina energia criadora e fecundadora; a Rosa é o signo feminino, que contém o ovo cósmico.
.
Fernando Pessoa (in A Procura da Verdade Oculta-Textos filosóficos e esotéricos) afirma sobre o significado da Cruz e da Rosa: "A dupla essência, masculina e feminina, de Deus - a Cruz. O mundo gerado, a Rosa, crucificada em Deus".
.
E mais adiante: "Todo o homem que tiver de talhar para si um caminho para o Alto, encontrará obstáculos incompreensíveis e constantes. [...] Este processo de vitória, figuram-no os emblemadores no símbolo da crucificação da Rosa - ou seja no sacrifício da emoção do mundo (a Rosa, que é o círculo em flor) nas linhas cruzadas da vontade fundamental e da emoção fundamental, que formam o substrato do Mundo, não como Realidade (que isso é o círculo) mas como produto do Espírito (que isso é a cruz)."
.
Há diversas organizações esotéricas que se dizem Rosa-cruzes e que são relativamente diferentes. 
















2011-11-24

« GOVERNAÇÃO PSD-CDS... NO RUMO de DESASTRE NACIONAL »




A cada dia que passa há mais razões para rejeitar o pacto de agressão acordado entre PS, PSD e CDS com a União Europeia e o FMI.

Trata-se de um roubo infame aos trabalhadores e ao povo português que, a não ser travado, arrastará Portugal para o desastre, porque estas medidas não são nem excecionais, nem inevitáveis.

Mentindo aos trabalhadores e ao povo português, o Governo decidiu concretizar o roubo de parte do subsídio de Natal a trabalhadores e reformados já neste ano de 2011 num valor global superior a mil milhões de euros, e ao mesmo tempo, anunciar um semelhante golpe para o subsídio de férias e de Natal do próximo ano.

Trata-se de uma medida que, justificada com o défice das contas públicas, se destina a tirar a quem vive do seu salário ou pensão, para entregar à banca e aos grupos económicos que vêem ampliados os benefícios e privilégios que a política de direita lhes confere.

Num país onde se praticam dos mais baixos salários e pensões da União Europeia, o roubo no subsídio de Natal - indispensável para muitas famílias fazerem face a despesas essenciais - constitui um fator de empobrecimento geral da população e um rude golpe na economia nacional, em particular nas milhares de PME's que vivem do mercado interno.

É preciso intensificar a luta de todos quantos se sentem atingidos nos seus direitos, na sua vida, na sua dignidade. A luta é a única opção que pode travar o desastre.

A Greve Geral de hoje, 24 de Novembro, decididida pelos representantes dos trabalhadores, é uma importante jornada de luta do povo contra a exploração e o empobrecimento.

Fazer greve, participar ativamente na Greve Geral, é fazer ouvir a sua voz. É juntar-se a muitos outros que recusam este pacto de agressão, o roubo dos trabalhadores, o declínio do país.

É lutar pelas condições de vida no presente, mas também pelo futuro dos seus filhos e de Portugal. É dizer que não está do lado dos ricos e poderosos, dos que exploram e se julgam donos do país.





É engrossar a corrente cada vez maior dos que querem abrir caminho a uma outra política, patriótica e do interesse do povo, que aumente os salários, defenda a produção nacional, renegoceie a dívida, valorize as empresas e serviços públicos, defenda a independência e soberania nacionais.

Ao mesmo tempo que se empobrece o povo, entregam-se milhões de euros do Estado à banca, importantes empresas públicas vão parar às mãos do capital, saqueia-se o país para pagar juros escandalosos à União Europeia e ao FMI, mantém-se todo o tipo de privilégios fiscais que engordam os lucros dos grupos económicos e financeiros.



O dinheiro do seu subsídio de Natal e de férias, o aumento do IVA, as horas e os dias de trabalho sem receber, não são para resolver os problemas do país, mas para continuar a encher os bolsos do grande capital.

O roubo dos subsídios de Natal e de férias, o aumento do horário de trabalho e desvalorização dos salários, a diminuição do valor das indemnizações e o alargamento das causas de despedimento, a redução do valor a pagar por horas extraordinárias e trabalho noturno, o ataque à contratação coletiva e generalização do trabalho precário, o aumento do custo de vida: alimentação; transportes; energia; saúde; educação; e as privatizações e destruição de empresas e serviços públicos, são as medidas propostas pelo Governo que não resolvem nenhum dos problemas de Portugal.

Se fossem por diante, teríamos mais desemprego, mais recessão, mais pobreza, mais dependência e mais défice.

É hora de dizer basta, é o momento de resistir... e de todos lhes gritarem... NÃO!!


2011-11-18

« ESTADO FALIDO A PASSOS LARGOS, DESPREZANDO RECURSOS »




 Portugal, a passos largos, caminha para a falência sem saber aproveitar recursos. É confrangedor folhear as páginas dos jornais, ver a televisão e ouvir rádio e só encontrarmos notícias que nos mostram um Estado nas lonas, um Governo em maus lençóis para resolver o problema da crise, que é, cada vez mais e perigosamente, sistémica - isto é, abrange grande parte do mundo, com poucas exceções e toca em todos os setores - e pouco de atitudes pró-criativas nos aparecem credíveis e seguras, para além dos fatídicos e fatais cortes sobre cortes.

Para contornar um mau estar que já se apodera de todos nós e nos faça cair em depressão profunda, dedicámos algum tempo à pesquisa de hipóteses, ou pequenas soluções, que aos grandes cérebros escapa, mas ao cidadão comum apresenta-se à vista. 

Sendo coisas simples e óbvias, só pecam por tardias no seu estado de abandono e desmazelo. Curtas e cirúrgicas, ao aplicá-las, mesmo que não resultassem em grossas receitas, acabariam por dar bons sinais, pelo menos em termos de aproveitamento dos recursos que para aí andam ao desbarato.


Começamos por uma série de instalações sem préstimos, algumas delas com tantas histórias e não menos proveitos, a título de exemplar e a saber: casas de guardas-florestais, abandonadas por desleixo, incúria e más políticas, postos desativados da Polícia, G.N.R., antiga Guarda-Fiscal, Polícia Marítina, casas dos magistrados, surripiadas às Câmaras Municipais, em muitos casos ex-Governos Civis.

 Casa da Guarda-Florestal, abandonada e degradada - Região de Viseu



Posto abandonado da antiga Guarda-Fiscal (GNR atual)  - Monte Gordo

Em sede de Estradas de Portugal, dizem que a viver uma crise sem precedentes, quando foi, enquanto Junta Autónoma de Estradas, um estado dentro do estado e com ares de poder absoluto, muito há alienar: troços construídos e postos na prateleira por decisões diversas, que podem ser vendidos a proprietários confinantes, ou restituídos a seus antigos donos expropriados, em condições a acertar, casas de cantoneiros, cujo desperdício e colocação fora de serviço foi um tremendo erro, mas está feito, árvores em adiantada idade e de boa qualidade, abrigos diversos e afins.

 Caminho e mata florestal ao abandono numa região do norte do país - Alcofra

Pegando nos Caminhos de Ferro, há quilómetros de linhas que podem ser convertidas em solo rentável, uma vez que houve o desplante de as desativar, existem centenas de ricas estações que caem aos bocados, que se desmoronam ao sabor do vento, das intempéries e da velhice, que também lhes chega.

 Linha de caminho de ferro abandonada - Ramal de Estremoz

Mas há ainda as matas ao abandono, florestas tiradas aos povos com muita angústia e raiva incontidas, que bem podem e devem ser aproveitadas, sendo passíveis de concessão, de venda, arrendamento, ou utilização em direito de superfície, para além de outras eventuais soluções.

 Estação dos Caminhos de Ferro abandonada  - Vilarinho das Paranheiras - Trás-os-Montes



Nesta vertente, estranha-se que sejam pagas avultadas verbas com arrendamentos, depois de se alienarem instalações originais, numa arte de engenharia financeira e orçamental que só tapa o buraco de um ano e se repercute pelos anos fora, ao mesmo tempo que temos estes citados imóveis a desfazerem-se e ao deus-dará.

Rezam as crónicas que o Estado é muito maior do que aquilo que pensamos, mesmo que não alarguemos o conceito até ao seu limite, que o considera em tudo o que temos e somos.

O que acabámos de citar encaixa, na perfeição, nas autarquias locais, nos diversos institutos e empresas públicas e outros agentes ativos da esfera da governação.

Logo, também estas entidades têm o dever de olhar por esse património perdido e que muito poderá ajudar cofres vazios e sem esperança...


2011-10-28

« É O PAÍS E COIMBRA , SEM MAIS ENCANTO ! »

Panorâmica da cidade de Coimbra






«AS RUAS ESTÃO TRISTES.
As ruas da minha cidade estão sorumbáticas. Ruas onde outrora havia um comércio pujante, onde se namorava, onde se ia lavar os olhos na paisagem, onde os sons correspondiam ao pulsar das pessoas que se acotovelavam para espreitarem as montras.
Esse tempo passou. Agora as lojas não existem, as montras não chamam ninguém e as pessoas têm medo. As falências do comércio tradicional trouxeram a morte anunciada de uma memória colectiva. Esse passado, que existia há poucos anos, é agora uma saudosa lembrança que permanece, também, como uma imagem depressiva do país. Onde havia lojas há agora um lugar de silêncio irrespirável; onde havia esperança resiste o lugar sem vida.
Os gatos são os “senhores” das ruas, passeiam-se altivos e insuflam-se no pêlo quando são visitados. Os donos dos sítios, nas ruas e becos da Baixinha de Coimbra, são amigos de outros cantos (no sentido de outros sons). O diálogo de gatos ensurdece a noite, principalmente, se a Lua espreita nos beirais.
O envelhecimento da população local, a degradação urbana e a lenta agonia do tecido económico local não são bons augúrios. Sabe-se que quando não há vida própria a insegurança tende a aumentar. A reabilitação urbana e o arrendamento jovem, ligados a novos conceitos de comércio poderão trazer a Baixinha de Coimbra à dignidade a que tem direito.
A proximidade com rio Mondego e o facto de manter uma malha urbana com história potencia a fixação de uma população jovem que não precisa de fazer uso do automóvel. 
Universidade de Coimbra
Começam a surgir alguns projectos que são bons exemplos e que devem servir de estímulo para novos empreendedores. A esperança está suspensa de alguns projectos estruturantes como o Metro Mondego e a candidatura da Universidade de Coimbra a Património Mundial da UNESCO. A complementaridade destes dois projectos transformaria Coimbra numa das cidades mais fervilhantes do país. 
 
A MESTRIA de CARLOS PAREDES  EM COIMBRA:
Mas numa altura em que o chefe do governo de Portugal, Passos Coelho, vem dizer que é preciso empobrecermos para vencermos as dificuldades, não deixa de ser espantosa esta afirmação. 
Adriano Correia de Oliveira
Estudante e cantor de Coimbra
 
Gostaria de lembrar que um ministro, de um dos governos provisórios de Portugal, durante o PREC, visitou a Suécia, país conhecido pelo bom nível económico e de desenvolvimento. Numa conferência de imprensa um jornalista perguntou a esse nosso ministro, “como é que estão a fazer em Portugal para acabar com a pobreza?”. O nosso ministro respondeu: “estamos a acabar com os ricos”. O seu homólogo sueco foi lesto na resposta: “Nós aqui, na Suécia, estamos a acabar com os pobres”. 
Este episódio histórico parece ter sido recuperado pelas piores razões por Passos Coelho. Ao saber que o Orçamento de Estado para 2012 vai colocar na pelintrice a maioria dos portugueses, e ao ter consciência das consequências das suas políticas, quis deixar uma espécie de “testamento vital” para que ninguém se surpreenda quando a morte chegar.
Este Orçamento de Estado, tal como é conhecido, não pode merecer um voto de indiferença por aqueles que têm responsabilidades neste país.
O Metro Mondego é um projecto estruturante para Coimbra, onde já se gastou muito dinheiro dos contribuintes, e, por isso, o governo deve garantir a continuação do projecto e defendê-lo no Orçamento de Estado para 2012.
Se não o fizer saberemos interpretar de que lado estão aqueles que dizem defender Coimbra. A reabilitação da Baixinha de Coimbra está, também, nas mãos deste governo, que pode, se quiser, fomentar o desenvolvimento de uma cidade que reúne todas as condições para relançar a economia local e a reabilitação urbana.
Eu, e penso que todos os portugueses, excepto Passos Coelho, não queremos mais pobres aqueles que nunca deixaram de ser pobres.
Mas, infelizmente, Passos Coelho não pensa assim. »
A VOZ DE ZECA AFONSO CANTA COIMBRA:
 
 

2011-10-19

« A NONA SINFONIA DE BEETHOVEN - HINO à LIBERDADE »

LUDWIG  VAN  BEETHOVEN
(1770 - 1827)



Ludwig van Beethoven nasceu em Bona, em 1770, filho de uma família oriunda da Flandres. Representa o mais importante elo de ligação entre o período do chamado classicismo, em que se salientaram muito especialmente Mozart e Haydn, e o brilhante movimento do romantismo, que dominou quase por completo uma grande parte do século XIX.

A obra de Beethoven é vasta e diversificada, tanto para instrumentos a solo - salientando-se aí as famosas 32 "Sonatas para Piano" - como para conjuntos de câmara, sendo inadmissível não distinguir aí os seus admiráveis "Quartetos de Cordas", como para orquestra sinfónica.

O verdadeiro grande sinfonista já terá começado com Mozart ou com Haydn, mas oficilializou-se totalmente com Beethoven.

Não será de esquecer a sua Ópera "Fidélio", a notável "Missa Solene" e, ao nível da popularidade, os cinco "Concertos de Piano" que fazem parte do repertório de todos os grandes concertos mundiais.


No entanto, haverá talvez que admitir que as suas obras mais divulgadas entre o grande público são as nove sinfonias: todos conhecem os acordes iniciais da "Quinta Sinfonia", a história da "Terceira", Sinfonia também denominada "Heróica", que o compositor começou por dedicar a Napoleão, para mais tarde rasgar a dedicatória, quando este se auto-coroou imperador, numa atitude que o compositor interpretou - no que não se enganou, aliás... - como uma prova de que o conflituoso estadista francês não passava de mais um déspota a querer tiranizar o mundo...

Também a "Sexta Sinfonia" - a chamada "Pastoral" - atingiu um elevado grau de popularidade, por se tratar de uma das primeiras obras em que a música assume um carácter claramente descritivo, ao imitar o som de um riacho, dos pássaros ou de uma tempestade. Ainda não é um poema sinfónico, mas para lá caminha...

Entretanto, a Nona Sinfonia será talvez aquela que mais consagrou o compositor, com o seu famoso Hino à Alegria, sobre um texto de Schiller, que, na sua origem, até deveria chamar-se Hino à Liberdade.

Gostaria de, ao correr do texto, ir legendando as referências com apontamentos musicais, recolhidos na internet. 

Não o vou fazer  para não ser  uma vez mais considerado 'maçudo', mas não resisto a transportar para aqui, e a seguir, a:

NONA SINFONIA



Considerando que o vídeo clip em cima apresentado foi eliminado pelo YouTube, insisto em musicar este post com a 9ª Sinfonia de Beethoven. 
Se for de novo cortado, voltarei,
e arranjarei outra orquestra!

VOILÀ:


Será impossível não nos espantarmos com o facto de Beethoven estar completamente surdo quando escreveu esta monumental partitura coral-sinfónica, mas há que lembrar que o compositor já tinha toda a música organizada, como que em ficheiros, na sua cabeça e na sua memória.

Na verdade, não escutava os sons que vinham do exterior, mas ouvia internamente tudo aquilo que depois iria passar ao papel.

Isto deveu-se também, como é evidente, ao facto de a sua preparação de base ser entregue desde o início a bons professores, como fosse o caso de Neefe, um músico e um pedagogo de assinalável competência.

E assim, quando seguiu para Viena, a fim de estudar com Haydn, o então jovem compositor já tinha toda uma organização musical devidamente articulada na sua mente, pelo que não se pode dizer que a futura surdez tenha de algum modo afectado a sua criatividade.

A "Nona Sinfonia", nomeadamente devido ao genial tratamento dado ao tema do quarto andamento, continua hoje a ser um dos maiores símbolos da grande música, e, como li algures... também da defesa da Liberdade.












2011-10-15

«"DOMÉSTICA": UMA PROFISSÃO A RECONHECER E PRESTIGIAR»

Florence Nightingale
Fundadora da Enfermagem Moderna



Num destes dias, ao olhar para uma janela que pingava água, vi a silhueta de uma mulher que estendia roupa, e pensei nas enfermeiras e em Florence Nightingale.

Florence Nightingale é mundialmente considerada a fundadora  da enfermagem moderna. Com a sua iniciativa e o seu trabalho contribuiu para dignificar uma profissão - a da enfermagem - que até à época era um trabalho desqualificado, socialmente desvalorizado e mal remunerado, sendo os cuidados médicos prestados sem qualquer qualidade técnica e a profissão desempenhada pelas Irmãs de Caridade e sobretudo, pelas matrons - pessoal com uma conduta reprovável: alcoolismo, roubo, desleixo, promiscuidade etc.

Estudando as condições em que os cuidados médicos eram prestados, Florence Nightingale demonstrou estatisticamente que quando a técnica e a assepsia eram respeitadas, morriam menos pessoas (naquele caso, soldados, pois a estatística foi feita nos hospitais militares do Reino Unido) do que nas circunstâncias então existentes e que era de toda a conveniência a formação pessoal e profissional das enfermeiras.

Analisando o valor social do trabalho doméstico, podemos concluir que ainda hoje, no século XXI e por cá, comunga de algumas das características da enfermagem do século XIX: socialmente desvalorizado, com um desempenho associado no imaginário a um nível socioeconómico baixo, de preferência executado por emigrantes, das quais muitas sem a escolaridade básica e sem qualquer formação técnica. E, se não é mal remunerado, comparando com outras profissões, é porque a oferta é escassa.




Mas o trabalho da casa é uma profissão? Não é só limpar o pó, despejar o lixo, cozinhar e pouco mais? Não existem hoje em dia máquinas de cozinhar? Aspiradores robot?

Existem máquinas e deviam existir ainda mais. Mas, quem as põe a funcionar? Quem tem conhecimentos técnicos necessários para, utilizando-as, elaborar ementas equilibradas, saborosas, que diminuam os riscos da obesidade, das doenças cardiovasculares e outras? Para lavar a roupa, limpar o chão etc. sem utilizar mais detergente do que o adequado, contribuindo para a sua manutenção, durabilidade e evitando poluir o ambiente? Quem organiza o trabalho doméstico equilibrando os recursos  disponíveis e evitando o desperdício? Quem está preparado para reintroduzir em casa a beleza de umas flores dispostas com gosto, de uma travessa que vem à mesa tão bonita que diminui a falta de apetite e o cansaço de qualquer um?

Num momento ou noutro, não há ninguém que não tenha vivido o caos que se instala quando, por doença, excesso de trabalho etc. a mãe, ou quem se encarrega desse trabalho, deixa de o poder realizar.

Para não referir os desastres causados pelos que começam a desempenhar esta profissão: refeições intragáveis, panelas queimadas, peúgas no lixo, máquinas avariadas etc. e o orçamento familiar com cada vez menos recursos disponíveis.

Frequentemente, nos meios de comunicação social, no Parlamento e em outras tribunas públicas, lamenta-se o facto de as mulheres a exercerem cargos de elevada responsabilidade serem muito poucas.

Uma das razões porque isto acontece é que muito poucas mulheres conseguem, sem ajuda, compatibilizar essas funções com as domésticas. Sem a ajuda preparada e experiente de alguém é muito difícil compatibilizar dois trabalhos igualmente exigentes e por isso a escolha de optar por sacrificar a carreira pública, por assim dizer, pela doméstica e conseguir estar mais tempo em casa, proporcionando aos outros membros da família um bem-estar que de outro modo seria difícil de alcançar.

Por isso, pergunto-me: no início do século XXI tal como Florence Nightingale no século XIX, não será altura de repensar o valor do serviço doméstico? Reconhecer a mais-valia deste trabalho, as condições em que deve ser prestado, a necessária formação técnica e humana e deste modo contribuir para o justo prestígio de uma profissão tão preconceituosamente vilipendiada.

E, claro, passar das palavras aos atos na decisão política, o que neste momento deve ser impraticável, considerando a falta de respeito que o atual executivo tem por todos os trabalhadores.






2011-09-27

« ANGOLA... DIAMANTE DELAPIDADO... ATÉ QUANDO? »






CAPA  do  LIVRO  
"DIAMANTES DE SANGUE"



Sinopse:

O trabalho de investigação de Rafael Marques é já bem conhecido, sobretudo através dos canais de comunicação on-line. 
É ele um dos principais responsáveis por denunciar e divulgar os esquemas de corrupção que envolvem as mais altas esferas do poder em Angola, bem como as empresas e entidades estrangeiras que com ele negoceiam. 
Na região do Cuango, a situação é trágica. Para benefício dos que exploram os diamantes, as populações são mantidas em condições de quase escravatura, sendo torturadas, assassinadas, roubadas e impedidas de manter quaisquer actividades de auto-subsistência. 
As autoridades e o governo ignoram os crimes, as forças armadas e policiais são não só coniventes como também protagonistas desses crimes.


Vídeo da entrevista com o autor do livro 
« Diamantes de Sangue » - Rafael Marques





.
.




 O regime angolano está satisfeito com o governo português dirigido pelo “africanista de Massamá”,  Passos Coelho.

“Está a sair melhor do que a encomenda”, dizem fontes do partido que dirige Angola desde 1974 (o MPLA) e do presidente que está há 32 anos no poder sem ter sido eleito. Acrescentam que, afinal, para os objectivos de Luanda a estratégia de Passos Coelho é bem mais agradável do que a de José Sócrates.

José Eduardo dos Santos perdeu um velho amigo, José Sócrates, mas encontrou na dupla Passos Coelho/Paulo Portas novos amigos que continuam não só a considerá-lo um “líder carismático” como ainda abriram mais as portas que existem e as que não existem à entrada triunfal do seu clã.

De facto, tal como José Sócrates, também o actual governo português não está interessado em que o MPLA alguma vez deixe de ser dono de Angola. O processo de bajulação continua a bem, dizem, de uma diplomacia económica que – neste caso – se está nas tintas para os angolanos.

Embora já não tendo, como no tempo de Sócrates, tantos ditadores para idolatrar, o governo português continua a querer dar-se bem com os que existem, sobretudo com aqueles que têm dinheiro para ajudar a flutuar as ocidentais praias lusitanas.

É disso paradigma o actual líder do país (Angola) que preside à Comunidade de Países de Língua Portuguesa e que, como prova da democraticidade do seu regime, está no poder – repita-se - há 32 anos sem ter sido eleito.

Paulo Portas, que até foi excepcionalmente recebido pelo dono de Angola, acredita que o importante para Portugal são os poucos que têm milhões e não, claro, os milhões que têm pouco… ou nada. E tem razão.

A Portugal interessam apenas aqueles angolanos que já representam 30% do mercado de luxo português, que vestem Hugo Boss ou Ermenegildo Zegna, que compram relógios de ouro Patek Phillipe e Rolex.

Quanto aos outros, os 70% da população que vive na miséria, que é pé descalço, que tem a barriga vazia, que vive nos bairros de lata, que é gerado com fome, nasce com fome e morre pouco depois com... fome, esses que se lixem.

E se Portas diz que as relações com Angola são excelentes, é porque são mesmo. Eu diria bem mais do que excelentes... na óptica da Oferta Pública de Aquisição lançada por Angola (que não pelos angolanos) sobre Portugal.

Tão excelentes como o facto de 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos. Tão excelentes como Angola ser um dos países mais corruptos do mundo.

Tão excelentes como a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens ser o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos. Tão excelentes como o facto de 80% do Produto Interno Bruto ser produzido por estrangeiros; mais de 90% da riqueza nacional privada ser subtraída do erário público e estar concentrada em menos de 0,5% de uma população.

Tão excelentes como a certeza de que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, estar limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

Como se já não bastasse a recente bajulação socialista de Lisboa ao regime angolano, os portugueses continuam agora a assistir a novos episódios da mesma bajulação, embora com diferentes protagonistas.

Parafraseando José Sócrates, não basta ser primeiro-ministro ou ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros para saber contar até doze sem ter de se descalçar... Mas, é claro, ser do governo é suficiente para, por ajuste directo, entregar ao dono de Angola tudo o que ele quiser. Espera-se, aliás,  que queira tudo e mais alguma coisa.




Orlando Castro











Texto in:  http://altohama.blogspot.com
Imagens: Net
 

2011-09-07

« FEBRE do OURO... E os GARIMPEIROS do SÉC. XXI »



Ao sentirmos em cada esquina de nossas vilas e cidades uma febrite no comércio de ouro e jóias, somos logo levados a pensar que anda mouro na costa. Este, que por aí circula, tem cara e corpo de monstro. Com tiques de dinheiro debaixo do colchão, ou de meio de salvação em situação de aflição, eis que uma sua consequência, a do vil metal circulante, a moeda, escasseia quanto ao que é necessário: a movimentação de mercadorias e afins, essas molas reais da economia criadora.

Aforra-se mais, gasta-se menos e quem paga é o emprego, numa espiral de crise que já faz destes tempos os piores, em décadas, em sede de consumo privado.

Há sinais que falam por si. Este de termos muitas lojas de ouro e cada vez menos de roupa, de víveres, de papelaria, de alfaiataria, de barbearia, de sandes e petiscos conduz-nos, de imediato, ao reino que mais tememos, o da recessão, que, ameaçando a cada passo, ronda as nossas casas e diz-nos que são negros os tempos que aí vêm.

.

Por mais otimistas que queiramos ser, estes próximos anos não auguram nada de bom.

Se, por outro lado, nos debruçarmos sobre a agenda que os deputados da Assembleia da República têm nas mãos, vemos, sem grande, ou nenhuma alegria, que é de cortes que se vai falar, discutir e, acima de toda essa dose de argumentos, aprovar sem apelo nem agravo.

Preparemo-nos para a dureza de uma vida que não será fácil, nem desejável, mas que não nos escapará, por mais dolorosa que seja. Resta-nos um caminho: encontrar o engenho e a arte para lhe resistir.


É neste quadro que se encontra Portugal e, em certa medida, muito do mundo à nossa volta. Se, pelo contrário, fossemos os únicos a passar por este mau bocado, seria quase certo que não faltaria uma qualquer mão salvadora, porque, ao sabermos fazer dos melhores sapatos do mundo, ao termos aumentado, significativamente, a produção e veículos automóveis, ao sermos detentores de um clima e de um país invejável, estamos convencidos que a vitória não nos fugiria.

O pior é que a crise é global e sistémica, não escolhendo nem alvos, nem espaços geográficos, nem setores, factos que agravam tudo isto.

Neste contexto, veja-se o que está a acontecer, por exemplo, no Luxemburgo, outrora um paraíso e agora a ser palco de um crescente desemprego, o que tanto preocupa a comunidade portuguesa lá residente. Lá e cá e noutros locais, nada ou pouco se recomenda em matéria de sossego empresarial e de posto de trabalho.

Assim sendo, é toda a frota que se está a afundar e não apenas o nosso barco, facto que torna mais difícil a busca de soluções duradouras e eficazes.

Com uma quebra acentuada na produção de cereais, por razões de mau planeamento, más políticas  europeias e fatores climatéricos adversos, não se está no bom caminho, nem perto do fim deste calvário. Ou seja: com crise no comércio, na agricultura, na indústria, nos serviços, no mercado imobiliário, na construção civil, com a descida abrupta nos investimentos públicos e privados, só se vê negrume no céu que temos acima de nós.

Por estranho que pareça, a dose de confiança que os jovens futebolistas Sub - 20 foram capazes de nos transmitir lá longe, na Colômbia, a já apregoada " Geração Coragem ", diz-nos que, afinal, temos ainda razões e esperança para não deixarmos que o desânimo nos destrua de todo.

Lamento discordar deste conceito, dito animador, que oiço pelas capelinhas por esse Portugal fora... mas não me animo com a trilogia de todos os tempos de péssima memória:  "Futebol"... "Fátima"... e "Fado".



Na falta de melhor oportunidade de levantar o moral nacional, o Presidente da República, Prof. Cavaco Silva, condecorou a Seleção Nacional,  Sub-20, de Futebol. 

Atletas, Equipa Técnica e Dirigentes, foram agraciados com vários graus de Ordens Honoríficas Portuguesas. 

Tenho uma condecoração de semelhante valor, a qual me ia custando a vida,  lutando pela Pátria. 

Estou tentado a devolvê-la (...)

Para que possamos ultrapassar os difíceis objetivos que se atravessam no caminho do futuro de Portugal e dos portugueses, uma condição também se impõe:

- Termos políticos de palavra, credíveis, em quem possamos confiar. E é isso que, esperamos, vivamente, que um dia venha a acontecer (...)