[ Vox populi vox Dei ]

2010-09-22

« JÚLIO VERNE: UM ILUMINADO, OU PROFETA ? »

JÚLIO VERNE
(1828-1905)



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Júlio Verne viveu numa época e num lugar em que o mundo se encontrava numa contínua e radical transformação. Estávamos em Paris e esta, era a Revolução personificada. Produto dessa revolução, são as suas histórias em que nenhum dos horizontes humanos parece ter um limite preciso.
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Pode dizer-se que a inquietação que qualifica este escritor, cuja vida abarcou três quartos do tumultuoso Século XIX francês, também caracteriza o seu momento histórico. Na Paris de Verne, vivia-se uma insólita efervescência em todas as dimensões, quer no mundo da política, quer no da economia, na mudança dos costumes sociais, nos avanços tecnológicos, nas expedições científicas ou na profunda revolução que estava a ocorrer também no mundo da arte.
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Diante dos olhos de Júlio Verne, nascido em 1828, passaram os últimos anos da Restauração Borboniana, a Monarquia burguesa de Luís Filipe de Orleães, a Revolução de 1848 e a Segunda República, o Segundo Império de Napoleão III, a Guerra da Crimeia, a Guerra Franco-Prussiana, a Comuna de Paris e os primeiros e agitados anos da Terceira República.
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Duas imagens que reflectem o panorama
Político-Social
da época

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Nascido no seio de uma família abastada de Nantes, podemos dizer que Júlio Verne é um dos frutos dessa Idade de Ouro da burguesia que prosperou sob o lema «enriquecei-os» de Luís Filipe de Orleães, o Rei burguês. No entanto, a ruptura com o pai - que o deserdou por Verne se dedicar às letras -, na altura da sua primeira etapa parisience, coincidiu com a vaga de revoltas operárias de 1848, ano da publicação do " Manifesto Comunista ".
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Foi durante esta «Primavera dos Povos» que Júlio Verne adquiriu consciência política.

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Uma estátua homenageando
Júlio Verne


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Com o passar dos anos, o escritor visionário impregnar-se-ia do romantismo libertário do poeta Lamartine e adoptará uma orientação republicana e um certo filoanarquismo que o acompanhará até à sua morte, em 1905.
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Os ecos da revolução proletária de 1848 e a sua simpatia pelas lutas de libertação, reflectem-se em muitas das suas obras.
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Mas, em meados do Século XIX, as fronteiras políticas não eram as únicas a abrirem-se no mundo. A ciência e a técnica ameaçavam inclusivamente eliminar no ser humano a capacidade de se surpreender.
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Aos seguidores apaixonados da vanguarda técnica e científica, como Verne, podia parecer-lhes que quase tudo se encontrava ao seu alcance. Foi, além disso, uma época de explorações e descobrimentos. Os últimos românticos puderam satisfazer o seu gosto pelo exótico com as notícias trazidas por viajantes como célebre Dr. Livingstone, que penetrara na África mais recôndita na altura em que Júlio Verne forjava a sua vocação de escritor na boémia parisiense.

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Saint-Michel III
o último dos iates que possuiu para as suas expedições




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Viajante apaixonado, investigador e devorador de livros, Júlio Verne soube criar uma literatura visionária que combinava a fantasia com os dados científicos, antecipando factos e avanços tecnológicos impensáveis na sua época e que hoje são uma realidade.
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Mais de um Século depois da sua morte, o valor profético da obra prolífera de Júlio Verne continua a espantar os leitores de todo o mundo.
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A extensa obra deste escritor francês, é a expressão da infinita curiosidade que sentia por tudo o que o rodeava.
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Apesar de se ter formado em Direito, obedecendo à vontade férrea de seu pai que desejava legar-lhe o seu cartório de advocacia na capital, o jovem irrequieto sentiu-se atraído pela boémia parisiense e decidiu tornar-se escritor, pela mão do seu mentor, Alexandre Dumas (pai).
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Júlio Verne era, além disso, um estudioso dedicado da geografia e um entusiasta das coisas do mar. Chegou a ter três embarcações - entre as quais o famoso Saint-Michel III, um luxuoso iate a vapor que o levou a navegar por todo o mar Mediterrâneo e pelo mar do Norte - e a realizar expedições a países longínquos e desconhecidos.
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Os fascinantes e divertidos romances de Verne têm neste rico e crucial acervo uma das suas fontes de inspiração. Mas os livros também o inspiraram, não só os que guardava na sua mansão como os que consultava nas bibliotecas: as fichas arquivadas pelo escritor durante muitos anos de estudo contam-se aos milhares, além dos inúmeros recortes de jornais e revistas.
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Mas nada disto teria dado frutos sem os seus dotes de imaginação e intuição, com os quais este escritor adiantado para a sua época soube pressentir e materializar nos seus relatos muitas das conquistas que a ciência moderna realizaria ao longo do tempo.
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Por causa deste seu dom quase visionário, Verne foi considerado, a par do seu contemporâneo H.G.Wells, um dos pais da ficção científica. No entanto, Verne sempre se demarcou da escrita de Wells. Relativamente a este, disse numa entrevista dada em 1903: «O nosso processo não é o mesmo. As suas histórias não assentam em bases científicas. Não, não existe qualquer relação entre o seu trabalho e o meu. Eu faço uso da Física. Ele inventa. Eu vou à Lua numa bala disparada por um canhão. Ele viaja até Marte numa aeronave de metal que anula a Lei da Gravidade. Está tudo certo, mas... mostrem-me esse metal.»
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Verne orgulhava-se de disciplinar a sua imaginação, fundamentando as suas invenções em factos reais e fazendo uso nas suas elaborações dos conhecimentos e capacidades da engenharia sua contemporânea.
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Outro dos aspectos fascinantes de Verne é a sua qualidade de escritor enigmático, que mostrou sempre um profundo interesse pelo esoterismo. Chegou a fazer parte de algumas Sociedades Secretas Ocultistas francesas do Século XIX, entre as quais se destacam os Franco-Maçons e os Rosa-Cruzes. Este facto está intimamente ligado à sua paixão pela criptografia, ou seja, pela arte de ocultar informações em código, já que muitas das suas obras seriam transposições de rituais iniciáticos que conteriam segredos invisíveis aos olhos profanos.
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A vida deste escritor continua a intrigar os investigadores e é em grande medida uma incógnita, como ele próprio deixou escrito numa das suas cartas: «Sinto-me o mais desconhecido dos homens.»



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A Sonda Espacial Jules Verne, com destino à Estação Espacial Internacional
Em sua honra, a Agência Espacial Europeia lançou a 9/03/2008, com o foguetão Ariane 5, uma sonda espacial com o nome do Escritor




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É opinião corrente nos meios literários que o segundo livro de um escritor tem sempre uma grande importância. Segundo a tradição, crê-se que nele o autor pôs de parte o carácter autobiográfico do primeiro e dá largas à fantasia, ao enredo, ao mistério que constituirão a seiva e a árvore das suas narrativas. Nomeadamente, a «Viagem ao Centro da Terra» passa por ser o segundo livro de Júlio Verne. E dizemos «passa por ser» porque quem estudar a cronologia deste autor chega à conclusão de que ninguém a entende. Verne tinha trinta e cinco anos quando publicou a sua primeira obra, «Cinco Semanas em Balão». Assinara um acordo com uma Editora comprometendo-se a entregar dois romances por ano. Metódico e prolífero, não só cumpriu o contrato como chegou a excedê-lo em mais de cinco anos.
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Basta lembrar que, em 1910, as suas admiradoras foram mudar-lhe as flores da campa levando no bolso o «último» livro (o oitavo depois da sua morte), recentemente publicado.
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Quem poderá saber, portanto, quando escreveu ele algum dos seus livros?
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O segredo de uma imaginação tão desenfreada estava no seu método. Se traçássemos um mapa das «viagens» possíveis, na Terra e fora dela, quando Júlio Verne começou a publicação das suas obras, e marcássemos as novas rotas que surgiram nos seus trinta e tantos anos de actividade literária, observaríamos que levou as suas personagens aos pólos, ao equador, à Lua, aos cinco continentes, a dar a volta ao mundo e a abri-lo como se fosse uma laranja, que as mandou ao passado e ao futuro, aos sete mares e às ilhas misteriosas... com o rigor de um guia turístico.
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.Vídeo sobre Júlio Verne, focando a vida e a sua obra, intitulado
«O Pai da Ficção Científica»:


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Entrevista em vídeo, ao escritor português Lobo Antunes:


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Túmulo de Júlio Verne
Cemitério
de
Madeleine, Amiens

2010-09-18

« CAMILO CASTELO BRANCO: "A QUEDA DUM ANJO" »

Camilo Castelo Branco
(1825 - 1890)

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.Capa de um exemplar antigo





.Camilo Castelo Branco nasceu a 16 de Março de 1825, em Lisboa. Na sua adolescência formou-se em literatura clássica e eclesiástica, em contacto com a vida transmontana. Casa, em 1841, aos 16 anos, mas o casamento durou apenas um ano, e ingressou na Universidade. Desde então, já começa os seus problemas com autoridades, sendo várias vezes perseguido e espancado por publicações que faz em jornais. Tenta, no Porto, o curso de Medicina, e, depois, Direito. No Porto, adopta uma vida boémia, dedicando-se, entretanto, ao jornalismo. É preso pelo seu romance com Ana Plácido, mulher casada, mas depois é perdoado. Passam a viver os dois juntos, tendo Camilo 38 anos, agora. Em 1885, recebe o título de Visconde de Correia Botelho, e casa com Ana Plácido em 1888. Vive com dificuldades financeiras, instabilidade emocional e progressiva cegueira causada pela sífilis. Quando se tornou certo de que ele nunca recuperaria a visão, suicidou-se a 1 de Junho de 1890. No todo, a sua carreira literária rendeu-lhe 260 obras, entre romances, ensaios, traduções…

O tema de “A Queda dum Anjo” é a corrupção política, um tema recorrente no seu trabalho, como romancista ou jornalista, criticando a decadência da moral da sociedade portuguesa do século XIX e dos seus governantes. Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda nasceu a 1815, com 44 anos no momento da acção , na aldeia de Caçarelhos, e é um erudito mergulhado constantemente nos seus clássicos de História, Cultura, Música, Vinhos, Filosofia. É um pequeno deputado do Minho, enviado como representante da região para a Assembleia, em Lisboa. É um defensor ferrenho das suas convicções “antiquadas” sobre a moral, a verdade e a justiça, e a sua cruzada eterna contra a depravação e a corrupção acaba esquecida, quando ele próprio é seduzido pelo luxo e prazer que a capital pode oferecer. Acaba por se envolver num romance extra-conjugal com uma prima muito distante. O livro é um dos mais conhecidos de Camilo Castelo Branco, um exemplo do seu estilo romântico, ainda que satírico.

Além de Calisto de Barbuda, não há muitas mais personagens com que o leitor ganhe maior contacto. O próprio Calisto é um erudito conservador, ligado ao passado, às lições da História, às antigas noções de moralidade e bondade. Vive para a sua obsessão literária, chegando a passar a noite de núpcias a ler Viagem à Terra Santa, enquanto a mulher limpava o tecto do quarto. É um intelectual, ao início, muito convicto nas suas opiniões contra os luxos a que se prestam os restantes deputados e membros da elite ulissiponense/lisbonense. É um pouco ingénuo, como quando chegou a Lisboa pela primeira vez, bebendo das fontes que os seus clássicos diziam possuir poderes mirabolantes – e quando bebeu das fontes, a garganta e o estômago arderam por quinze dias. É um homem de meia-idade, muito magro, de cara ossuda e barbeada, postura digna. Já o seu companheiro de Lisboa, o abade de Estevões, é um pouco mais boémio que o seu amigo Calisto, amando a comida e a recriação musical. É quem guia Calisto por Lisboa, afastando-o dos conselhos desactualizados dos clássicos do minhoto. É um apoiante da antiga moral, tal como Calisto, mas gosta de apreciar comida e canções, pecando com gula e luxúria enquanto membro do clero.

O romance passa-se entre o Minho, terra natal de Calisto, e Lisboa, a sua Babilónia, em 1859. O principal espaço da obra é Lisboa do século XIX, uma Lisboa poluída, entregue a um povo desgovernado e deputados desleixados, caprichosos e corruptos. É uma cidade soturna, despida da glória antiga das naus dos Descobrimentos, como diria o próprio Calisto, e pouca mais informação Camilo Castelo Branco, que é narrador heterodiegético na obra, dá sobre as paisagens e locais, deixando à dedução do leitor; cria, sim, algumas passagens mais pormenorizadas esporadicamente, principalmente relacionadas com as origens do homem-anjo minhoto.




= 0 =

.EXTRACTO DA OBRA:


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«... O orador:
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Sr. Presidente!
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Que me não queiram persuadir de que estou em casa de orates!
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Que é isto? Que bailar de ébrios é este em volta de Portugal moribundo?
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Como podem rir-se os enviados do Povo, quando um enviado do Povo exclama: Não tireis à Nação o que ela vos não pode dar, Governos!
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Não espremais o úbere da vaca faminta, que ordenhareis sangue!
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Não queirais converter os clamores do Povo em cantorias de teatro!
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Não vades pedir ao lavrador quebrado de trabalho os ratinhados cobres das suas economias para regalos da capital, enquanto ele se priva do apresigo de uma sardinha, porque não tem uma pojeia com que comprá-la... »


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.DELFINS - "A QUEDA de um ANJO" (...)
[Curiosidade musical... considerando a "coincidência" do Título]

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CASA MUSEU
Camilo Castelo Branco

2010-09-15

« HOMENAGEM aos 120 anos de AGATHA CHRISTIE »

AGATHA CHRISTIE
(Agatha Mary Clarissa Miller)


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A Montblanc, na Edição de Grandes Escritores, apresenta este modelo em homenagem à Escritora que só foi editorialmente ultrapassada pela Bíblia e por Shakespeare


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.(1890 - 1976)

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Agatha Christie nasceu em 15 de Setembro de 1890, numa família bem de vida de Torquay, uma cidade de veraneio na costa oeste da Inglaterra.

Os pais já tinham um filho e uma filha. Depois de adulta, nunca se cansou de apregoar a infância muito feliz que teve.

Cresceu numa grande casa, com imensos jardins e parques à volta, onde se passaram a maior parte das suas histórias que nos conta. Desfrutou de um relacionamento muito agradável e de proximidade com a sua amada mãe que insistiu para que ela tivesse uma educação totalmente caseira, e somente aos 15 anos frequentou uma escola regular.

Conheceu seu primeiro marido, Archibald Christie, num baile. Casaram-se em 1914. Durante a Primeira Guerra Mundial trabalhou como enfermeira voluntária numa farmácia.

Foi o seu primeiro contacto e aprendizado com drogas e venenos, conhecimento que usaria nos seus livros. A filha Rosalind nasceu em 1919. Nessa época também inicia a sua carreira literária.

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Em 1926 atinge a fama com a publicação de "O Assassinato de Roger Ackroyde". No entanto, este foi o período mais infeliz de toda sua vida: Seu marido apaixonou-se por outra mulher e pede o divórcio.

Agatha desaparece por onze dias. Todo país se movimenta à sua procura, e finalmente é localizada num hotel em Harrowgate, não sabendo como lá foi parar como se tivesse perdido a memória. Inicia um tratamento médico. Em 1928 divorcia-se.

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Nesse mesmo ano, durante uma expedição de visita às escavações arqueológicas de Ur, conhece Max Mallowan, 14 anos mais novo que ela. Casam nesse mesmo ano.

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O Médio Oriente foi foco de interesse de Agatha por um bom tempo, e ela sempre acompanhava o marido nas suas escavações e actividades, tomando parte nelas.

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Em 1973, sofre uma queda e encerra as suas actividades literárias.

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Em 12 de Janeiro de 1976, morre de pneumonia.











Lápide tumular
de
Agatha Christie

2010-09-14

« ANDAM DE ELÉCTRICO, PARA PODER SONHAR »




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AS POBRES SOLTEIRAS

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Elas andam de eléctrico, às vezes de autocarro
e vestem gabardines mais velhas do que elas.
Cheiram um pouco a chuva, a escuro, a barro,
a naftalina, a piano e à cera das velas.
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Elas andam nas ruas mas ninguém dá por elas,
pelos seus grandes dentes, suas magras orelhas,
seus óculos de massa, suas mãos amarelas,
suas blusas velhas, suas saias tão velhas.
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E lêem os jornais de manhã à tardinha,
de manhã a manhã como quem ganha o dia,
têm rugas, verrugas e os pés de galinha
lançaram-lhes nos olhos uma rede sombria.
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Cultivam com ternura plantas e memórias
ou os filhos das outras que elas viram nascer,
ou manipulam contas, ou usam palmatórias
para secar as lágrimas que não podem reter.
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Têm fome de tudo, têm de tudo sede, têm falhas
de dinheiro, de amigos, de carinho.
Aos pares, nas feias meias, caem malhas
e é só nos largos bolsos que as mãos encontram ninho.
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Elas sabem que a vida lhes roubou os parentes
e que entre os que estão vivos há animais ferozes
e sentem longe o amor em homens sorridentes
e vêem-nos escapar em círculos velozes.
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Elas andam de eléctrico, mas também podem ir
de autocarro ou a pé, depressa ou devagar,
E encostam-se aos caixilhos para melhor dormir,
as faces junto aos vidros para poder sonhar.











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Poema de: António Rebordão Navarro
Gravação de: Francisco Fanhais
Álbum: 'Canções de Cidade Nova'
Fotos: net

2010-09-13

« AS MULHERES no DESPORTO do TIRO à BALA »

INTERNATIONAL PRACTICAL SHOOTING CONFEDERATION
( Tiro Prático, ou Dinâmico, eufemismo de 'Combate' )


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O autor do blog tem a satisfação de mostrar mulheres exercendo com grande êxito uma actividade desportiva muito difícil de praticar, nas disciplinas que há quem julgue que é... só para homens.
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[AQUI, a MULHER não TEM RESTRIÇÕES]
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Penso que o resto do post não precisa de mais palavras
pois a acção e a capacidade estão à vista

nestas Atletas de Alta Competição

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INTERNATIONAL SHOOTING SPORT FEDERATION

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2010-09-11

« TERROR em ALCAFACHE: 11 de SETEMBRO de 1985 »

Comboio de Vida...

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... Locomotiva imaginária ...

Monumento às vítimas do desastre de comboios de Alcafache
em 11 de Setembro de 1985
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Em cima e em baixo:
imagens do horror que vitimou muitas vidas humanas

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Numa viagem de comboio, ao longo do percurso, pode acontecer uma grande diversidade de situações. A nossa existência terrena pode ser comparada a uma dessas viagens mais ou menos longa.
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Primeiro, porque é cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas desagradáveis em alguns embarques, e grandes tristezas em algumas partidas.
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Quando nascemos, entramos no comboio e deparamos com pessoas que desejamos que sigam sempre connosco: os nossos pais.
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Infelizmente, isso não vai acontecer: em alguma estação eles descerão e deixar-nos-ão orfãos dos seus carinhos, amizade e companhia insubstituíveis.
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Mas durante a viagem, outras pessoas especiais embarcarão e seguirão viagem connosco: os nossos irmãos, amigos, amores e filhos.
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A viagem não é igual para todos. Alguns fazem dela um passeio, outros só vêem nela tristezas, e outros ainda circulam pelo comboio, prontos para ajudar quem precise.
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Muitos descem e deixam saudades eternas... Outros passam de uma forma que, quando desocupam o seu assento, ninguém se apercebe.
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Curioso é constatar que alguns passageiros que nos são caros se acomodam em carruagens distantes da nossa, o que não impede, é claro, que durante o percurso nos aproximemos deles e os abracemos, embora jamais possamos seguir juntos, porque haverá alguém ao seu lado ocupando aquele lugar.
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Mas isso não importa, pois a viagem é cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas.
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O importante, mesmo, é que façamos a nossa viagem da melhor maneira possível, tentando relacionar-nos bem com os demais passageiros, vendo em cada um deles o que tem de melhor.
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Devemos lembrar-nos sempre que, em algum momento do trajecto, eles poderão fraquejar e precisamos entendê-los, pois nós também fraquejaremos muitas vezes e gostamos que haja alguém que nos entenda.
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A grande diferença, afinal, é que no comboio da vida, nunca sabemos em que estação descerão os nossos entes queridos, nem mesmo aquele que está na vida ao nosso lado...
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É possível que, quando tivermos que desembarcar, a saudade nos venha fazer companhia... Porque não é fácil separar-nos dos amigos, nem deixar que os filhos sigam viagem sozinhos ...
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No entanto, em algum lugar, há uma estação principal para onde todos seguimos. Lá, nos reencontramos todos!
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E quando chegar a nossa hora, teremos grandes emoções em poder abraçar os nossos e matar a saudade que nos fez companhia por longo tempo ...
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Que a nossa breve viagem seja uma grande oportunidade de aprender e ensinar, entender e atender aqueles que viajam ao nosso lado, porque não foi o acaso que os colocou ali ...
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Que aprendamos a servir, compreender e perdoar, pois não sabemos quanto tempo (ainda) nos resta até à estação onde teremos que deixar o comboio.
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Se a sua viagem não está a correr exactamente como esperava, dê-lhe uma nova direcção (...) pois não vai poder tirar um novo bilhete outra vez!
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Entretanto, preocupe-se com aqueles que seguem viagem ao seu lado... Pense nisso... E faça uma boa viagem (...)
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Há 25 anos, no dia 11 de Setembro de 1985, ocorreu o pior acidente ferroviário de Portugal - o desastre de Moimenta - Alcafache -, ou Desastre de Alcafache, na Linha da Beira Alta.
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Foi uma viagem interrompida pelo desastre, sem que nada pudesse ter sido previsto. Muitos pereceram, outros ainda sofrem as consequências desse trágico episódio, incluíndo algum 'esquecimento' do assumir das responsabilidades de quem de direito!!
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Há 25 anos!!!...


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Apresentamos um Vídeo do YouTube que, informará e... ajudará
a refrescar a "memória" de todos:

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Imagem que abraça um comboio do passado
e uma estação de futuro

2010-09-10

« 138 ANOS a ANDAR de "ELÉCTRICO" em LISBOA »

Aguarela de Eléctrico 'amarelo' do Transporte público
e o 'encarnado' do Turismo
(Colecção do autor do blogue)
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O «americano» transporte público de tracção animal


**+.
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A Companhia "CARRIS de Ferro de Lisboa" completa este mês de Setembro 138 anos. Para assinalar o aniversário que se comemora a 18 deste mês, estão agendadas diversas iniciativas que se juntam às Comemorações da Semana Europeia da Mobilidade.
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Esta Empresa de Transporte Público de passageiros, fundada em 18 de Setembro de 1872 no Rio de Janeiro - Brasil, foi designada "Companhia CARRIS de Ferro de Lisboa", inteiramente ligada ao desenvolvimento da cidade de Lisboa, dotando-a de uma rede de transportes colectivos utilizando na época, o chamado "sistema americano": carruagens movidas por tracção animal deslocando-se sobre carris.
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Em 23 de Janeiro daquele ano, o escritor LUCIANO CORDEIRO de Sousa e o seu irmão Francisco Cordeiro de Sousa, Diplomata, obtêm os direitos para a implantação na cidade de Lisboa de um sistema de transporte do tipo americano, denominado "Viação Carril e Urbana a Força Animal".
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A 14 de Fevereiro seguinte, a Câmara Municipal de Lisboa aprova o trespasse daquela concessão para a "Empresa Companhia Carris de Ferro de Lisboa".
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A 17 de Novembro de 1873 é inaugurada a primeira linha de «americanos» entre a Estação da linha Férrea Norte e Leste (Santa Apolónia) e o então extremo Oeste do Aterro da Boa Vista (Santos).
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O sucesso que se lhe seguiu, conjuntamente com a expansão da rede, com os aumentos verificados na frota e com o número de animais de tracção, desde logo conduziram à necessidade de obtenção de instalações permanentes, amplas e devidamente apetrechadas, já que os terrenos até então utilizados para esse efeito não preenchiam todos os requisitos necessários. Esta fase de sucesso passava-se no ano de 1874 e, após longa pesquisa foi adquirida uma propriedade que albergando o Asilo D. Luís I, fora já dos Condes da Ponte e onde foi possível a criação da Estação de Santo Amaro à qual, a breve trecho, se seguiria a do Arco Cego.
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Embora tendo iniciado a sua actividade com carros movidos por tracção animal - os "Americanos" -, desde muito cedo que a Companhia CARRIS considerou como merecedora de atenção a possibilidade da sua substituição por um qualquer outro sistema mais rentável e eficaz. Deste modo, logo em 1877, iniciou-se a recolha de informações sobre a utilizaçãao de locomotivas a vapor nos transportes públicos urbanos, a qual viria a culminar na realização de carreiras temporárias entre Cais do Sodré e Algés.
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Em rigor e por fidelidade histórica não podemos deixar de fazer referência a outra Empresa que, tal e qual os "Americanos", também estiveram no negócio e no sentido de Serviço Público dos Transportes Urbanos. Eram os «CHORAS», da Empresa Eduardo Jorge, que em concorrência com a CARRIS tentaram o seu lugar ao sol mas, algo lhes faltou para prosseguirem pelo que considerando os seus insucessos comerciais, foram ficando pelo caminho. Deveu-se o nome de "Choras" aos seus lamentos 'chorosos', por não conseguirem fazer frente à organização da "Carris".

Foto (rara) da «GERADORA»
Espécie de "Regresso ao Futuro"
dos anseios modernos
de
Energias Motoras não Poluentes


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Outros estudos e experiências foram-se acumulando com o passar dos anos (em que se incluem o cabo de tracção subterrâneo e os eléctricos com acumuladores), até que já nos finais do século, foi decidida a adopção de carros eléctricos tendo a Carris obtido o privilégio exclusivo para o perímetro que explorava, do sistema denominado "Electricidade por condutores eléctricos com motor".
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Em 1900 tiveram início os trabalhos necessários à sua implantação com assentamento de novos carris [rails], lançamento da rede aérea e construção de uma Fábrica de electricidade capaz de fornecer toda a energia necessária ao seu normal funcionamento; conhecida simplesmente por GERADORA, estendia-se por uma área de 6.102 m2 e era composta pela Casa das Caldeiras, Casa das Máquinas, Casa das Baterias e Depósito de Carvão.
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O Futuro... tinha começado! Tinha nascido o Carro Eléctrico! Os "Amarelos" dos nossos dias!!
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O 1º. «Eléctrico» que saíu à rua - sem poluir o Ambiente


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Foi na madrugada do dia 31 de Agosto de 1901 que começou a funcionar a primeira linha de carros eléctricos que se estendia do Cais do Sodré a RIBAMAR (Algés). Citando um jornal da época "a inauguração da tracção eléctrica satisfez completamente o público que, em grande número, concorreu a presenciar o importante melhoramento, a elegância luxuosa dos carros [sem qualquer exagero!], a comodidade que ofereciam aos passageiros e a rapidez da marcha".
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Por volta de 1905 já toda a rede estava electrificada, tendo os "Americanos" desaparecido das ruas de Lisboa (...)
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Prova fotográfica do "entusiasmo" popular pelo novo sistema!
Particularmente, andar "à pendura"
sem pagar!


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Nos anos subsequentes Lisboa assistiu ao aparecimento de mais carros eléctricos, adquiridos nos Estados Unidos ou construídos nas Oficinas da Empresa, ao alargamento da rede sendo de salientar a linha do Bairro da Graça dado o seu percurso por muitos considerado impraticável - mas resultou e muito bem -, e ao nascimento de mais uma Estação, a das Amoreiras, inaugurada em 1937 e destinada não só a servir a rede de eléctricos, mas também a já prevista rede de autocarros que veio a ser inaugurada em 9 de Abril de 1944.
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Foi uma pena a vocação ambientalista dos eléctricos ter começado a esfumar-se! Tinha sido a cereja em cima do bolo se, em vez de autocarros fumarentos, a Carris tivesse apostado nos «Troley-Carros»... veículos de pneus movidos a energia eléctrica (...).
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Estamos de acordo?...

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ANDAR de CARRO ELÉCTRICO pelas RUAS de LISBOA:
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Eléctrico Moderno
rápido e articulado

2010-09-08

« TRIBUNAIS, PROCESSOS e LEIS a OESTE de PECOS »

O «Saloon-Tribunal» do «Juiz» Roy Bean
em Langtry
TEXAS
(Lugar de interesse turístico)

ROY BEAN
o
juiz herói
do
folclore americano


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Fotografia da época
do
«Saloon-Tribunal»


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Se alguma vez o acaso, ou um roteiro turístico vos conduzir até Langtry (Texas), aí vereis uma velha barraca em ruínas, conservada a pensar nos turistas e com a seguinte inscrição: "JUIZ ROY BEAN - A LEI A OESTE DE PECOS - JUSTIÇA DE PAZ E CERVEJA GELADA."

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Legenda actual da atracção turística

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Foi naquela barraca de tábuas, ao mesmo tempo Bar e Tribunal que, no fim do Século XIX, o juiz Roy Bean vendia a sua cerveja e mantinha a lei com a ajuda de um velho Código Civil que nunca usava e de um revólver de calibre .45 que usava frequentemente.
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Se Roy Bean conhecia alguns termos jurídicos, era porque tinha frequentado com assiduidade as salas dos Tribunais (como acusado), e o lenço que usava à volta do pescoço dissimulava uma velha cicatriz deixada pela corda que o devia ter enforcado.
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Uma velha canção popular conta como o juiz conduziu o inquérito depois de ter sido descoberto o cadáver de um homem durante um acidente. Ao examinar o cadáver a fim de o identificar, Bean só encontrou um revólver e 41 dólares e meio. Confiscou a arma e condenou o cadáver a uma multa de 41 dólares e meio por porte ilegal de armas...
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As sentenças de Roy Bean não tinham recurso. Contudo, raramente condenava os seus acusados à pena de prisão; tinha sempre algumas tarefas para realizar e, debaixo das suas indicações cumpridas debaixo de arma, elas eram realizadas em tempo record.
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O Saloon-Tribunal chamava-se "The Jersey Lilly", o nome de uma actriz então muito em voga. Um pintor de tabuletas, culpado por um pecadilho, foi condenado por Bean a pintar os letreiros... tal e qual ainda se encontram!
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O seu "Tribunal" estava situado perto da linha do caminho de ferro, no sítio onde os comboios paravam alguns minutos para meterem água. Os viajantes aproveitavam a paragem para descerem e irem beber uma cerveja à pressa. Mas no momento de regressarem apressadamente ao comboio que apitava para a partida... tanto pior para os consumidores apressados que pagassem cum uma nota de maior valor. Invariavelmente, Bean não tinha moedas para o troco...
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Um dia, um viajante que tinha pago a sua cerveja de 30 cêntimos com uma nota de 20 dólares e não via chegar o troco, impacientou-se e chamou Roy Bean de ladrão! Foi o mal que ele fez: mudando imediatamente de "barman" para juiz, Roy Bean saldou as contas multando-o em 19 dólares e setenta cêntimos por insultos à Lei a Oeste de Pecos...
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Uma outra forma de se desembaraçar dos desmancha-prazeres consistia em o juiz chamar o seu urso, um grande animal, mais aterrorizante do que perigoso, mas capaz de desencorajar ou de expulsar os mais renitentes, recalcitrantes e violentos.
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É interessante, entretanto, acrescentar que sob esta capa de duro, o nosso juiz da lei da rolha escondia um coração sensível ao arrependimento de acusados que mereciam manifestamente uma segunda oportunidade. Um dia, condenou ao enforcamento um jovem culpado de ter morto um cavalo no decurso de uma zaragata a tiros de revólver! Matar um cavalo, nessa altura, consistia um crime imperdoável. Generosamente o juiz concedeu ao condenado o tempo de escrever uma última carta à sua mãe. Depois de a ler, o juiz alterou a sua decisão e concedeu o perdão ao condenado nestes termos:
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- "Houve um erro judiciário. O novo testemunho prova, preto no branco, que o réu visou o cavaleiro e não o cavalo. Este último foi portanto morto por acidente, e o acusado fica livre. Esta é a decisão deste tribunal. A causa foi ouvida e a audiência encerrada... Agora, às vossas cervejas!!"
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Roy Bean era mais do que um simpático pulha. Acabou por ser, tal como Davy Crockett, Buffalo Bill ou Wild Bill Hicock, um herói lendário do folclore americano, um herói cujas façanhas se contam e contarão ainda por largo tempo à roda das fogueiras. O seu Saloon tornou-se um lugar de peregrinação, um monumento aos homens que abriram as fronteiras selvagens do Oeste Americano.
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Quando as suas actividades jurídicas e acordãos estranhos chegaram muito para além do rio Pecos, as autoridades militares apareceram no meio de um processo em julgamento e, o comandante da força deu-lhe voz de prisão, por exercício ilegal da Lei e usurpação de funções públicas.
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Conta a lenda que, não havendo outro «juiz», Roy Bean 'auto sentenciou-se' em audiência por si aberta, declarando-se culpado, mas invocando as circunstâncias atenuantes de, apesar de ter explorado indecentemente os seus concidadãos, também os ter feito rir muitas vezes e, assim, aceitava a condenação de nunca mais exercer as funções de juiz, passando o resto da vida a vender bebidas, oferecendo então, pela primeira e última vez, uma rodada geral!

Parece que até o destacamento de tropas bebeu à conta de Roy Bean, e ficou tudo reduzido a águas de bacalhau que, não sabemos se já tinha sido ' inventado' naqueles tempos.
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O próprio Comandante do Exército deixou-se impressionar com o encerramento da audiência do ex-juiz quando ele, veementemente, afirmou dando um soco no balcão:
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« Bem!... Dou por encerrado o Processo e, Habeas Corpus... 'Sed Lex Dura Lex' e... Pluribus Unum... »


A brincar... a brincar... até à actualidade, ainda ninguém contestou
o
Cargo de Juiz
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inscrito na Pedra Tumular
de
ROY BEAN

2010-09-04

« ARTE ORATÓRIA nos TRIBUNAIS e SALAS de IMPRENSA »


Perfil de 'largo espectro'
de
orador
a
botar discurso


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Sala preparada para uma Conferência de Imprensa

Marcus Tullius Cicero
(Romano)
Um dos expoentes da oratória clássica


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Demóstenes
orador e político ateniense


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Hoje em dia é raro ouvirmos qualificar alguém de Orador. O exercício da Oratória é uma Arte esquecida. Rendemos tributo a Demóstenes e a Cícero, mas se formos avisados de que alguém vai 'discursar', corremos para a saída mais próxima. E há sabedoria nessa atitude, se 'discursar' significa declamar. Nenhum dos grandes oradores jamais declamou, mas o facto é que já não existem grandes oradores. A própria ideia de oratória, nestes tempos atarefados e práticos, está a desaparecer.
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Na sua acepção mais elevada, a oratória é uma arte dramática; é a arte de dizer as palavras que escrevemos e de representar o papel de nós mesmos.
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Demóstenes disse que a oratória consistia em três princípios fundamentais: movimento... movimento... e movimento. Hoje temos um elemento tecnológico que tanto ajuda, como atrapalha: o microfone. Este aparelho é uma figura omnipresente em todas as reuniões públicas, e os auditórios alargaram-se em espaços em que por vezes mal se pode vislumbrar o orador, ouvindo-se apenas a sua voz.
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Não só a enunciação de um discurso é prejudicada por este invento moderno, mas também o seu preparo. Ninguém vai decorar um discurso a fim de, imóvel como uma estátua, recitá-lo a um microfone. É melhor lê-lo simplesmente. E, uma vez que se vai ler, para quê dar-se ao trabalho de redigi-lo? Que alguém o faça, de acordo com as determinações do orador. Eis ao que chegou uma grande parte da nossa oratória política nestes nossos dias mediáticos.
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Um inimigo mais subtil da grande oratória é o conceito de "inspiração" que lhe atribuímos. Imaginamos que um grande discurso é causado por algum impulso misterioso. Pode ser até a necessidade de nos defendermos publicamente, contra o que tudo e todos nos acusam, e julgam! Muitos objectarão quanto a esta afirmação, por considerarem a oratória no seu mais elevado sentido, redigida e decorada; deve ser, como declarou o próprio Cícero, " uma composição cuidada e meticulosa". E Cícero salientou também que, quando surge a ocasião para o discurso de improviso, o estilo do discurso principal, se foi cuidadosamente composto e estudado, vale por um impulso, que levará adiante com a mesma eloquência, "exactamente como um barco movendo-se a grande velocidade conserva o seu curso e movimento, quando os remadores param de remar".
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Todos os granders oradores têm tido o dom de decorar palavras semelhantes ao de um músico para decorar a música.
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Nem todos podem, é claro, decorar um discurso. E nem todos, tendo-o decorado, são capazes de o proferir com naturalidade. Isto requer um talento peculiar, ou um treino especial, semelhante ao de um actor, ou de um profissional de comunicação social.
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Um grande discurso, no sentido da sua extensão, é uma façanha de inteligência, acção, arte literária e ginástica mental. Não pode ser feito num estado de letargia, ou por quem pense que o entusiasmo está abaixo da sua dignidade. Não pode haver improvisos, a não ser em ocasiões em que se esteja habituado a tal exercício e não se deixe intimidar por microfones.
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De igual maneira, os impactes a que figuras públicas são sujeitas em conferências de imprensa, carecem dos mesmos anticorpos.

Símbolo da Justiça