[ Vox populi vox Dei ]

2010-08-28

« FROM RUSSIA... WITH LOVE... AND ART ! »

Auto-retrato [1914] do pintor russo
Marc Chagall
nascido em Vitebsk
e
falecido na França
em Saint Paul de Vence
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Marc Chagall - talentoso pintor
(1887 - 1985)
tem neste Blogue expostos na Sidebar
diversos vitrais
idênticos ao de baixo
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Vitral da sua autoria
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Quadro a óleo
"As Três Velas"
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Os quadros de Marc Chagall, irreais e cheios de enlevo, são um cântico de alegria
um sedutor Hino à Vida
(...)

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O estilo romântico e alegórico é típico de Marc Chagall. As suas obras são visões místicas e sonhadoras, repletas de símbolos e referências à educação judaica tradicional que Chagall recebeu na Rússia. A natureza da grande maioria das suas obras é indefinível, enigmática, remetendo para o mundo dos sonhos e do subconsciente.
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Tendo vivido em Paris entre 1910 e 1914, foi inicialmente influenciado pelo Cubismo, mas manteve um estilo único, desafiando a categorização da sua obra em qualquer movimento artístico.
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Foi um artista incrivelmente prolífero e talentoso, produzindo vitrais, mosaicos, tapeçarias e cenários, além da sua extensa obra de pintura.

Nu... sobre a aldeia natal de Vitebsk, na Bielorrússia
(1933)
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Óleo intitulado «O Negociante de Gado»
(1912)
Museu de Arte Moderna de São Paulo
BRASIL

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«A Crucificação Branca»
(1938)
Fase do artista representando Paris invadida pelos nazis
as tristezas da guerra e a fuga para os EUA


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Na impossibilidade de mostrar uma Galeria condigna de Marc Chagall, anexo o vídeo seguinte que, de forma inédita, dará a ideia da prolífica obra deste pintor russo:

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(... ) Um incidente casual na juventude modificou a vida do famoso artista moderno, Marc Chagall, e alterou todo o sentido da sua obra de arte, que é incomparável.
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Na aldeia de Vitebsk, na Bielorrússia, onde nasceu em 1887, estava ele de visita a um amigo. Bateram à porta e ouviu-se a voz de uma jovem. " Era chilreante como a de um pássaro, como uma voz de outro mundo." Não viu a jovem naquela ocasião. Mais tarde, porém, quando conheceu Bella, sentiu-se imediatamente atraído. "O seu primeiro olhar penetrou no íntimo do meu ser", disse ele. " Senti que sempre a tinha conhecido - na minha infância, vida presente e futura também. Naquele preciso instante, compreendi, é esta a minha mulher".
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Daí por diante, quase todos os quadros pintados por Chagall eram "quadros de amor", um hino de louvor à mulher e à maternidade. À primeira vista, esses quadros poderiam parecer de uma fantasia incrível. Amantes extasiados, de cabeça para baixo, flutuam pelos ares, aninham-se em árvores. Outras criaturas andam em volta, fazendo ressoar trombetas, ou sentam-se no alto de telhados, tocando violinos. Pássaros, quadrúpedes e até peixes associam-se ao cântico!
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Quadros desta natureza nunca haviam sido vistos anteriormente. Bella identificou neles as imagens do êxtase de Chagall. Reconheceu também que, apesar dos ombros largos e da compleição musculosa, aquela criatura de cabelos pretos anelados e olhos de um azul arrebatador era um poeta inspirado.
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No princípio do século, Marc Chagall era um joão-ninguém sem instrução, num gueto de Vitebsk. O pai mourejava num depósito de arenques. A mãe ajudava a sustentar a família com uma pequena venda de negócio. Tanto a família dele como a de Bella opunham-se ao casamento. Um pintor sem vintém, e além de tudo um "modernista exótico", como poderia sustentá-la?
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Decidido a ganhar dinheiro suficiente com a sua pintura, para poder casar com ela, partiu da Rússia, em 1910, para o centro artístico do mundo - Paris! Aí, pintando quadros poéticos do seu amor por Bella, começou a lutar para conseguir uma situação.
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No momento em que os recursos permitiram, Chagall voltou para a Rússia e casou-se com Bella. Alguns dias depois do casamento, estoirou a 1ª Guerra Mundial, obrigando-os a permanecer na Rússia. Seguiu-se a Revolução; depois, os comunistas, que tentaram desviar os talentos de Chagall para fins políticos; como não conseguiram, relegaram-no ao ostracismo. Daí por diante, Marc e Bella Chagall chegaram a viver muitas vezes à míngua numa miséria extrema.
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Em 1923 puderam voltar a Paris e lá souberam que Chagall se tornara famoso. Quadros que ele deixara com amigos para serem expostos na Holanda e na Alemanha haviam sido vendidos e estavam a ser elogiados pelos críticos de muitos países. Chagall instalou um estúdio e começou a pintar de novo - quadros exultantes, que rapidamente encontraram compradores. Pela primeira vez soube o que era ter uma casa confortável e o luxo de alguns francos de sobra para obsequiar a mulher.
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Todos os detalhes desses quadros reflectem felicidade. Focam geralmente um homem com uma mulher nos braços, ou uma mulher aconchegando uma criança ao seio. As cores adquirem tonalidades de arco-íris. Flores exóticas irrompem das árvores; um cavalo toca violino; o ovo de uma galinha jaz num ninho de ouro; uma vaca salta o telhado de uma casa de campo.
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Chagal irritava-se quando alguém chamava a esses quadros de fantasias ou contos de fadas. Dizia ele: " O mundo interior é talvez mais real do que o mundo visível." A vaca que salta, o cavalo que toca violino, a galinha fértil representam o sonho milenar do homem, de felicidade doméstica. Quando se choca um ovo, pode-se ganhar outra galinha e depois um quintal cheio de frangos! Quando se tem uma vaca, tem-se dinheiro suficiente para constituir família. Quando se tem um cavalo para ajudar a arar, tem-se tempo para momentos ociosos e despreocupados com a mulher e a família.
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Os Chagalls estavam ainda em Paris quando a cidade foi invadida, na IIª Guerra Mundial. Fugiram para os Rstados Unidos da América. Os seus episódios de felicidade começaram a intervalar com imagens profundas de Crucificação e das tristezas da guerra.
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De repente, em 1944, a sua mulher caíu doente e morreu, deixando-o afundado em abismos de dor. Porém, com o tempo... recomeçou a pintar.
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Acabou voltando para a França, onde se casou novamente, e voltou a pintar as cenas alegres do seu mundo colorido que desafiavam as leis da gravidade.
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Recomeçou também um trabalho monumental que iniciara trinta anos antes: as águas fortes para ilustrar a "Bíblia", que lhe haviam sido encomendadas pelo "marchand" de quadros francês, Ambroise Vollard.
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Durante a ocupação alemã, um artífice devotado escondera as matrizes que Chagall terminara. O artista recomeçou então o trabalho paciente e preciso do água-fortista. Ao gravador, exortava: "É preciso que cantem, que chorem; é a Bíblia!"
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Quando o grande livro foi publicado em 1956, o trabalho de Chagall não fez apenas colocá-lo entre os primeiros gravadores do mundo; revelou o seu profundo amor pelo divino!
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Foi pintor das alegrias de todo o homem e mulher apaixonados, "a eterna juventude da humanidade..."
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Ao fim da vida, porém, a sua arte tornou-se mais profunda e mais forte ... um Hino à própria Vida!

2010-08-24

« A CANÇÃO ' VELHA'... desta CIDADE ' NOVA' ... »

'Padre'
Fanhais canta... «PORQUE»
de
Sophia de Mello Breyner Andresen

Um dos muitos temas, desta capa de disco
que recebeu a
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Dedicatória

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Tu que cantas
Defronte
De faces atentas
e seguras
Faz do teu canto
Uma funda.
Nesse lugar
Entre outras mãos mais fortes
e mais duras
Te estenderei
A minha mão fraterna
Canta amigo!
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José Afonso


«PORQUE»

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Poema de: Sophia de Mello Breyner Andresen
Música de: Francisco Fernandes
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Voz de: Francisco Fanhais

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As Imagens... ficam ao critério subjectivo de quem encontrar paralelo do «ontem» e... do «agora»!



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>o<
><.

Porque os outros se mascaram e tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.

Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.

Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.

Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.

Porque os outros calculam mas tu não






2010-08-22

« GATOS 'SELVAGENS' dos 60's... e de HOJE! »

Somos uma Banda que só arranha e mia...
sem 'politiquices'



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Para 'aliviar' «postagens políticas» (...)
Apresento-vos... uma interpretação dos - já esquecidos - "Gatos Selvagens", dos anos 60!



2010-08-21

« Os E.U.A. e (...) O RABO ENTRE AS PERNAS... »

.... Um gigantesco "Vale dos Caídos" ...



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Petróleo de Sangue



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... foi de alívio... o sentimento entre os soldados americanos que deixaram o Iraque (...)


« "Ganhámos! Ganhámos! Acabou! Trouxemos democracia ao Iraque!", gritou um soldado americano ao atravessar a fronteira com o Kuwait na madrugada de ontem, segundo o site da televisão NBC. Talvez tenha sido um acto isolado: por mais que a Casa Branca, os pivôs das televisões americanas e os soldados repetissem que o momento era "histórico", o sentimento geral das últimas tropas de combate a retirar do Iraque, na noite de quarta-feira, não era de triunfo, mas de alívio. Alívio por deixarem o Iraque para trás.

Até final de Agosto deverão sair mais seis mil militares, de forma a cumprir a meta prometida pelo Presidente Barack Obama de reduzir o contingente até aos 50 mil soldados e de terminar todas as operações de combate até essa data. A partir de 1 de Setembro, a Operação Liberdade Iraquiana (Operation Iraqi Freedom) será rebaptizada Operação Nova Madrugada (Operation New Dawn) e as tropas que permanecerem no terreno terão como missão treinar e apoiar as forças militares iraquianas.

É uma transição que tem vindo a ser preparada há meses, por isso, avisava anteontem o embaixador americano no Iraque, Christopher Hill, falando em Washington, "não é como se fosse acontecer grande coisa no dia 31. Tudo vai parecer igual ao dia 30 de Agosto".

O início do fim

As imagens dos soldados a viajar para sul, em direcção à fronteira do Kuwait, nos últimos dois dias, têm sobretudo um peso simbólico: marcam o início da contagem decrescente para a retirada completa da presença militar americana, agendada para o final do próximo ano, e, portanto, o começo do fim de uma guerra que foi impopular desde o primeiro dia, custou a vida a mais de 4400 soldados e durou mais do que a II Guerra Mundial ou a guerra civil americana.

Christopher Hill, que cessou funções como embaixador, disse que o Iraque tinha agora a responsabilidade de formar um governo estável e que os Estados Unidos tinham a responsabilidade de "ver o Iraque como um país, e não como uma guerra".

A retirada deixa a Administração Obama perante um paradoxo: com eleições intercalares à porta, em que o seu partido se arrisca a perder a maioria no Congresso, e com sondagens a mostrar que os americanos estão fartos das guerras no Afeganistão e Iraque, Obama só tem a ganhar, internamente, com a retirada militar; por outro lado, não quer dar a imagem de que os Estados Unidos estão a abandonar o país.

Gerir o equilíbrio entre estas duas ambições, aparentemente contraditórias, é delicado.

Um desafio maior

Numa declaração escrita e enviada por email na quarta-feira, Obama reforçava que, nos termos do acordo bilateral, "todas as tropas" americanas "terão saído do Iraque no final do próximo ano". "Enquanto isso, continuaremos a construir uma forte parceria com o povo iraquiano, com um crescente compromisso civil e esforço diplomático", acrescentava.

No mesmo dia, o porta-voz do Departamento de Estado (o "ministério" da diplomacia americana) Philip Crowley dizia: "Não estamos a pôr fim ao nosso envolvimento no Iraque. Teremos tarefas importantes para fazer. Isto é uma transição. Não é o fim de qualquer coisa. É a transição para algo diferente. Temos um compromisso a longo prazo com o Iraque."

O ex-embaixador dos Estados Unidos no Iraque (2007-2009) Ryan Crocker notava ontem à CNN que "o Iraque ainda está no início da história da sua evolução desde 2003". E deixou um aviso: "Por muito cansados que os americanos estejam, este processo ainda só está a começar."

Crocker não foi a única voz que ontem veio destoar do tom optimista e lembrar que a retirada militar pode ser um desafio maior. O tenente-general James Dubik, que supervisionou o treino das forças de segurança iraquianas entre 2007 e 2008, está entre os que ontem defendiam à AP a necessidade de uma presença militar americana pós-2011. »


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Legenda:

Todos os 'ingredientes' do post
foram recolhidos na Net,
inclusive o texto, do
Público on line.

2010-08-19

« ... ERA UMA VEZ ... na AMÉRICA !... »

Grande plano da Estátua da Liberdade
(o facho está a 96 metros do nível do mar)
Oferta da França aos E.U.A.
(1886)
Autoria de Bartholdi


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. Símbolo Eterno de Libertação
O último destes soldados
morreu há pouco tempo



.... também tive esse sonho [americano] que... ao longo dos tempos... redundou em decepção. Apenas lembro a imagem poética temporal 'positiva' que o vídeo do YouTube nos apresenta, a seguir, na grande interpretação de Neil Diamond, numa vibrante expressão vocal.
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Vale a pena recordar aquilo que foi a terra prometida, o eldorado das oportunidades e, não deixar de comparar-se com o estranho estado de coisas - assobiando para o lado -, da situação preocupante de ver um país, como os E.U.A., abandonar princípios que davam ao mundo a "Marca" da Democracia (...)

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Caríssimos amigos/as cibernautas...

Com música e letra de.... Neil Diamond!...


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..

AMERICA

+



Written by Neil Diamond

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Far
We've been traveling far
Without a home
But not without a star
Free
Only want to be free
We huddle close
Hang on to a dream

On the boats and on the planes
They're coming to America
Never looking back again
They're coming to America

Home, don't it seem so far away
Oh, we're traveling light today
In the eye of the storm
In the eye of the storm

Home, to a new and a shiny place
Make our bed, and we'll say our grace
Freedom's light burning warm
Freedom's light burning warm

Everywhere around the world
They're coming to America
Every time that flag's unfurled
They're coming to America

Got a dream to take them there
They're coming to America
Got a dream they've come to share
They're coming to America

They're coming to America
They're coming to America
They're coming to America
They're coming to America
Today, today, today, today, today

My country 'tis of thee
Today
Sweet land of liberty
Today
Of thee I sing
Today
Of thee I sing
Today



>o<



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.Neil Leslie Diamond nasceu numa família judaica, no Brooklyn, Nova York, em 24 de janeiro de 1941.
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É um cantor e compositor, que compôs inúmeros 'hits' nos anos 60, 70 e 80, e até hoje mantém uma multidão de fãs incondicionais.
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Estudou com Barbra Streisand na Escola Secundária Abraham Lincoln e chegou a cantar com ela no coro da escola. Aprendeu a tocar viola após receber uma de presente no seu aniversário dos 16 anos.
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Diamond começou cedo a sua carreira como compositor na Brill Building. O seu primeiro sucesso foi em novembro de 1965, com a canção "Sunday and Me", seguida de "I'm a Believer", "A Little Bit You", "Look Out (Here comes Tomorrow)" e "Love to Love".
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Frequentemente Neil Diamond canta a história da sua vida, vivida essencialmente em Nova York e Los Angeles.

Para além do tema aqui oferecido, AMERICA, eis títulos de outros grandes êxitos: Sweet Caroline, Crackli, Rosie, Song Sung Blue, You D'ont Bring Me Flowers, Play Me, Be, September Morn, Love on the Rocks, Hello Again, Heartlight, entre muitos outros.
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Muitos dos seus discos ganharam certificados de ouro e de platina. Recebeu diversos Grammys ao longo da carreira.
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Actuou no Fime The Jazz Singer, com Sir Lawrence Olivier, em 1980 e, um dos mais recentes CD's intitula-se Home Before Dark.



2010-08-16

« EFEMÉRIDE do FALECIMENTO de EÇA de QUEIRÓS »


Eça de Queirós, ao morrer em Paris, a 16 de Agosto de 1900, deixava atrás de si uma obra literária de enorme interesse, onde se podem ler algumas das mais belas páginas que é possível encontrar na nossa língua.
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Das letras colheu, sim, honra e glória, e mais que tudo o direito a fixar-se de forma indelével na história da nossa cultura.


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Eça de Queirós foi diplomata. Se, como escritor, Eça foi um génio, como diplomata situou-se numa mediania que nem o esforço laudatório de alguns conseguiu disfarçar.
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Eça utilizou a sua carreira consular para escrever algumas das obras-primas da literatura portuguesa e, só por isso, valeu largamente a pena que o Ministério dos Negócios Estrangeiros lhe tenha pago o salário. O qual, no seu entender, não era suficiente, a crer no que escreve em "Uma Campanha Alegre":

«Os diplomatas portugueses passam por agradar no estrangeiro pela sua palidez! Mas não se sabe que a sua palidez vem, não da beleza da raça peninsular, mas da fraqueza de legação mal alimentada. Onde um embaixador português mais se demora, não é diante das instituições estrangeiras com respeito, é diante das lojas de mercearia com inveja! E se eles não podem alcançar bons tratados para o País – é porque andam ocupados em arranjar mais rosbife para o estômago. Se não fossem os jantares da corte e as ceias dos bailes, a posição do diplomata português era insustentável. E ainda veremos os jornais estrangeiros, noticiarem:

“Ontem, na Rua de… caiu inanimado de fome um indivíduo bem trajado. Conduzido para uma botica próxima o infeliz revelou toda a verdade – era o embaixador português. Deram-lhe logo bifes. O desgraçado sorria, com as lágrimas nos olhos.”

Que o país atenda a esta desgraçada situação! Que tenha um movimento generoso e franco! Dê aos seus embaixadores menos títulos e mais bifes! Embora lhes diminua as atribuições, aumente-lhes ao menos a hortaliça. Eles pedem ao seus país uma coisa bem simples: não é um palácio para viver, nem um landau para passear, nem fardas, nem comendas! É carne! Que o País no número do pessoal diplomático – diminua os adidos e aumente os bois.”»

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Na foto acima publicada - As cidades de Eça -, o escritor feito Diplomata desabafa: Havana... «Detesto-a esta cidade esverdeada e milionária, sombria e ruidosa - este depósito de tabaco, este charco de suor, este estúpido pauliteiro de palmeiras!»




Fotografia da época mostrando o Arco da Rua Augusta
enlutado
e o povo participando no funeral
de
Eça de Queirós

Outra panorâmica do funeral
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(é suposto estar a sair do Palácio das Necessidades)
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.Paris é a última etapa da sua carreira de diplomata. É colocado ali em 1888. Estabelece-se nos arredores da grande metrópole, em Neuilly, e é ali que passa, no aconchego de um lar, que tudo indica ter sido feliz, os últimos anos da sua vida breve.
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O ambiente parisiense marca também, e de forma bem vincada, a sua obra. As crónicas que dali escreveu vieram a constituir o volume dos 'Ecos de Paris'.
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Em 1889 funda a Revista de Portugal, que se publica até 1892 e onde, a par do próprio Eça, encontramos alguns dos melhores nomes da cultura portuguesa do tempo, que todos conhecem.
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Entretanto, também as dificuldades económicas bateram à porta da sua vida, o que não era de estranhar para quem essencialmente vivia dos magros honorários da função que exercia (vidé de novo um extra-texto acima escrito) e dos fracos proventos que lhe advinham das letras. Das letras, aliás, esperava ingenuamente Eça de Queiroz o remédio para os seus males de fortuna. Durante toda a vida não deixará de arquitectar planos, pouco realistas, em verdade, de sucesso económico.
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Era demasiado perfeccionista para fazer fortuna mediante a abundância da produção (lembremo-nos de que grande parte do deu espólio só conheceu publicação póstuma).
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Por outro lado, os seus escritos destinavam-se ao público leitor dum país onde grassava uma altíssima taxa de analfabetismo.
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Muito embora talvez muito a despropósito - mas não ofende -, apetece-me contar aqui que tive um camarada nas Forças Armadas que era descendente deste nosso querido escritor e Diplomata (a seguir direi porque acho que foi, ao contrário do que se pensa, um enorme Diplomata).
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Era o Eça de Queirós, bisneto do nosso 'ex-libris' da literatura portuguesa, quase dois metros de altura e loiro. Terá herdado as necessidades alimentares do bisavô ... "não é um palácio para viver... nem fardas nem comendas! É carne!..." - na verdade, o meu camarada tinha um apetite dificilmente igualado! Era o que na tropa se chamava "um lateiro"!... Gostava de tudo... e de tudo comia em excesso! O que lhe pertencia, mais os restos dos outros! Chegou a defender a sua ' ração', de faca e garfo em riste! Muito pior! Quando lhe agradava a comida, cospia na travessa para ninguém mais lhe tocar!
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Mas isso... era o que ele pensava pois, os outros não se repugnavam e até 'achavam' o petisco mais bem 'temperado' com cuspo!
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A minha dúvida foi sempre pensar como é que o elegante Eça (bisavô), descreveria literariamente tais atitudes alarves do familiar?!
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Lembro-me do célebre Conto "Civilização" e dos requintes sofisticados do Jacinto!... Será que o "aroma do caldo que era de galinha e rescendia... e a travessa de arroz com favas... etc., etc." desequilibraram os cromossomas do meu antigo 'colega'?
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Para terminar, vou deixar no ar uma discordância do que se costuma evocar quanto à fraca capacidade de exercício do Diplomata José Maria Eça de Queirós:
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Salvo raras excepções... não vejo quase mais ninguém que, como Diplomata, tenha sido melhor Embaixador de Portugal e da nossa Língua... do que...
EÇA DE QUEIROZ!
(...)
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2010-08-15

« PORTUGAL... IMOLADO PELO FOGO... »

Um Inferno Dantesco

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Meios aéreos - escassos - no combate aos fogos

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A propósito da lusitana endemia dos incêndios, pessoas há, com maiores ou menores responsabilidades de gestão da coisa pública, ao nível da administração central e local, que se permitem dizer as maiores barbaridades sem cuidarem de verificar como tais opiniões, contra elas próprias se viram.

Por mais voltas que se dê, irrefutável se evidencia a realidade de que tudo se compromete porque nada se faz a montante, isto é, no caso dos incêndios, porque não se tomam providências ao nível da prevenção, que devem ocorrer em determinadas alturas do ano, através de desbastes sistemáticos, de desmatamento, de limpezas cíclicas e selectivas, etc.

Dando largas ao mórbido propósito de transmitir imagens mais que estafadas – cenários sempre idênticos, de gente aflita perante a iminência de uma desgraça que, na maior parte dos casos, acontece devido ao mais criminoso dos desleixos – as televisões acabam por escancarar as causas do escândalo. Basta olhar com atenção para verificar como o fogo se vai alimentando, quase até às paredes das casas, de materiais que, pura e simplesmente, deveriam ter sido removidos a tempo e horas.

De facto, tal como inicialmente escrevia, a alguns metros das labaredas, sempre com ar muito operacional, não faltam ministros e presidentes de câmara, qual coro dos incompetentes descarados, apontando o dedo à causa que mais jeito lhes dá, ou seja, a dos incendiários, na maior parte dos casos, a soldo de incógnitos mandantes…

Entende-se perfeitamente que tão ilustres membros da desqualificada classe política nacional sacudam a água do capote, desviando a atenção dos cidadãos dos seus próprios erros, omissões e incapacidade do exercício da autoridade democrática que, cada ano que passa, resultam no repetido quadro de escândalo e de vergonha nacional. O que não se entende é que não sejam politicamente responsabilizados pela situação.

Permitam que, embora noutro contexto que não o dos incêndios, mas a propósito, vos lembre o caso de Sintra. Como classificar senão como fogo latente, a perigosa situação do centro da sede do concelho, completamente armadilhado, com o trânsito totalmente parado, cada vez mais com maior frequência, para desespero de quem teve o azar de pensar em visitar esta terra que é vendida, através de campanhas de publicidade enganosa, como qualquer ordinarice do género de gato por lebre?

Nos últimos dez anos, o facto de nada ter sido feito como medida preventiva, pelo actual executivo, nomeadamente através da instalação de parques dissuasores de estacionamento na periferia, não será falha perfeitamente idêntica e coincidente com a da falta de medidas nas florestas que impediriam os fogos? Por isso, no centro de Sintra, não estaremos em presença de perigosíssimos focos de incêndio, agravados por incompreensíveis tolerâncias que desencadeiam o atropelo aos mais evidentes direitos cívicos?

Pelos vistos, o que por aí não faltam são notabilíssimos incendiários. Eles ateiam fogos tão sofisticados que, ao longo de anos e anos, nos vão cozendo em lume brando, consumindo-nos a paciência e chamuscando impiedosamente a possibilidade de um melhor futuro.


Um dia destes, agarram nas brasas, vão fazer o inferno para outro lado, não sem que, entretanto, nos tenham deixado totalmente queimados. Todavia, jamais serão acusados de não terem feito a obra que estava à altura da sua incompetência. Só é pena que não tenham e recebam a justa e correspondente retribuição…



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A Luta Titânica
do
Soldado da Paz


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(In Blog: Sintra do avesso - Imagens: Net)

2010-08-12

« A SOLDADO [Da Paz] DESCONHECIDA »

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" A SOLDADO DESCONHECIDA "





«Josefa, 21 anos, a viver com a mãe. Estudante de Engenharia Biomédica, trabalhadora de supermercado em part-time e bombeira voluntária.
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Acumulava trabalhos e não cargos - e essa pode ser uma primeira explicação para a não conhecermos.
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Afinal, um jovem daqueles que frequentamos nas revistas de consultório, arranja forma de chamar os holofotes. Se é futebolista, pinta o cabelo de cores impossíveis; se é cantora, mostra o futebolista com quem namora; e se quer ser mesmo importante, é mandatário de juventude.
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Não entra é na cabeça de uma jovem dispersar-se em ninharias acumuladas: um curso no Porto, caixeirinha em Santa Maria da Feira e bombeira de Verão. Daí não a conhecermos, à Josefa.
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Chegava-lhe, talvez, que um colega mais experiente dissesse dela: "Ela era das poucas pessoas com que um gajo sabia que podia contar nas piores alturas."
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Enfim, 15 minutos de fama só se ocorresse um azar... Aconteceu: anteontem, Josefa morreu em Monte Mêda, Gondomar, cercada das chamas dos outros que foi apagar de graça.
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A morte de uma jovem é sempre uma coisa tão enorme para os seus que, evidentemente, nem trato aqui. Interessa-me, na Josefa, relevar o que ela nos disse:

.- que há miúdos de 21 anos que são estudantes e trabalhadores e bombeiros, sem nós sabermos.
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Como é possível, nos dias comuns e não de tragédia, não ouvirmos falar das Josefas que são o sal da nossa terra?»


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.Opinião
de

Ferreira Fernandes
(Jornalista)
in:
"Um Ponto é Tudo"

Diário de Notícias
12.08.2010

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Imagens da: net

2010-08-08

« CONTRA o HORROR... e a BARBÁRIE ! »

Sakineh Mohammadi Ashtiani
iraniana condenada à morte
por
apedrejamento


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Mahmud Ahmadinejad
Presidente do Irão

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Fim ao apedrejamento de mulheres




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Convidamos os nossos leitores a lerem e a fazerem correia de transmissão com o blogue MARCAS de ÁGUA - de que somos amigos e seguidores -, na Campanha Internacional para salvar outra mulher - SAKINEH ASHTIANI - que no Irão enfrenta um " Tribunal " que a condenará à morte por apedrejamento, dado, alegadamente, ter cometido adultério! Sob pena de cumplicidade pelo silêncio... que ninguém se cale!
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Através de cadeias solidárias, Sakineh Ashtiani conseguiu voz para acusar a Justiça Iraniana de mentir.
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Condenada à morte por apedrejamento, acusou o Governo do seu país de mentir para poder executá-la em segredo!
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Segundo as autoridades iranianas, Sakineh, de 43 anos, foi condenada por tentativa de assassinato do marido e adultério, mas ela negou as acusações em declarações enviadas ao diário britânico "The Guardian" por meio de um intermediário que, de acordo com o jornal, não pode ser identificado por motivos de segurança.
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"Eles mentem. Estão perplexos e envergonhados pela atenção internacional dada ao meu caso, realizam manobras de distracção e tentam confundir os meios de comunicação para me matarem em segredo", afirmou a iraniana.
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"Declararam-me culpada de adultério, mas absolveram-me da acusação de assassinato. O homem que matou o meu marido foi identificado e preso, mas não foi condenado à morte", disse Sakineh.
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O homem acusado, cuja identidade não se conhece, não corre perigo de execução porque o filho de Sakineh, alegadamente, tê-lo-à perdoado (...)
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"A explicação é muito simples. É porque sou uma mulher e acham que podem fazer o que querem com as mulheres deste país. Para eles, o adultério é pior que o assassinato, mas não todos os adultérios: um homem adúltero pode acabar na prisão, mas para as adúlteras significa o fim do mundo!".
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"Tudo isto ocorre porque vivo num país onde as mulheres não têm direito a divorciarem-se de seus maridos e são privadas dos seus direitos fundamentais", protesta Sakineh.
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A iraniana teme que a fuga do seu ex-advogado, Mohammad Mostafaei, a tenha deixado mais vulnerável ainda.
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"Queriam livrar-se do meu advogado para poderem acusar-me do que quisessem sem encontrar oposição de sua parte. Se não tivesse sido a sua intervenção até há pouco tempo, já me teriam morto à pedrada!", disse.
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Mostafaei defendeu-a gratuitamente e conseguiu chamar a atenção do mundo sobre o seu caso, mas fugiu para a Turquia quando as autoridades iranianas emitiram uma ordem de busca e captura contra si.
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A esposa do advogado está detida na prisão iraniana de Evin, sem acusações!!
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Sobre a sua vida na prisão, Sakineh disse que é maltratada diariamente pelos seus carcereiros.
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"Suas palavras, a maneira como me olham - uma mulher adúltera que deveria ser apedrejada -, é como se me apedrejassem até à morte todos os dias".
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Mais palavras... para quê ?!

2010-08-05

« A LIBERDADE 'RESIDE' NAS MATRYOSHKAS... »

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.TRIBUNAIS RUSSOS PROÍBEM ACESSO AO YOUTUBE




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"Quando há pouco tempo se disse na Rússia que o tema dos livros proibidos e da censura em geral começava a ser uma das questões-chave da actual agenda política, muitos acharam que isto não passava de mais uma conversa de intelectuais.

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De facto, o que poderia a censura fazer quando há a Internet, onde o custo de reprodução de materiais é praticamente zero? “Se fecharem um site, podemos encontrar determinado livro noutro site, sem grande problema”, diziam eles. Afinal, o problema é bastante mais sério.

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A 27 de Julho todos ficámos a conhecer um perigoso precedente: um tribunal de Komsomolsk-no-Amur, por exigência da Procuradoria, obrigou o fornecedor local de Internet de barrar o acesso a cinco sites, entre os quais lib.rus.ec, zhurnal.ru, thelib.ru, web.archive.org, bem como youtube.com.

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O motivo para tal terá sido a existência nos primeiros quatro sites do texto do livro “A Minha Luta” de Hitler, que alguns meses atrás fora considerado “extremista” na Rússia. O YouTube foi bloqueado devido a um único vídeo (Russia for Russians), também considerado extremista.

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Desta forma, verifica-se uma tendência muito clara: se num site qualquer houver nem que se seja um único “material extremista”, a Procuradoria exige a proibição do acesso a esse site na totalidade e os tribunais russos, como é hábito, satisfazem tal exigência.

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Estamos, pois, perante uma máquina ideal de Censura da Internet que, em traços gerais, funciona assim: a Procuradoria local numa das regiões da Rússia começa a ter suspeitas se um determinado texto ou livro não “será um incitamento ao ódio, não conterá elementos de extremismo”. O texto é enviado para “peritagem” a uma “instituição científica” local, onde os “especialistas”, obviamente, irão incluir tudo aquilo que o procurador pede nos resultados da “peritagem”. Com um tal documento, a Procuradoria vai ao tribunal, que toma uma decisão onde se diz que “uma tal sequência de palavras” é proibida na Federação Russa.

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Após o texto ser incluído na respectiva lista de materiais extremistas, começa a segunda parte do espectáculo.

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Os procuradores, numa qualquer outra região do país, analisam detalhadamente a Internet para ver se existem quaisquer textos dos incluídos na lista de materiais proibidos e, tal como aconteceu em Komsomolsk-no-Amur, exigem, por via judicial, aos fornecedores de acesso à Internet que bloqueiem o acesso a esses sites.

Este sistema permite ser altamente selectivo mas permite também neutralizar qualquer site de forma perfeitamente legal, sancionada pelo tribunal.

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Agora imagine que amanhã vem a saber do seu 'servidor' de Internet que já não tem mais acesso a torrent trackers, redes sociais, sites de vídeos, blogues ou bibliotecas. Estes haviam sido bloqueados numa decisão judicial, já que em qualquer um destes sites não será difícil encontrar um ou outro texto ou imagem que possam ser considerados “extremistas”.

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Se considera que isto é um guião de filme fantástico, pergunte aos habitantes de Komsomolsk-no-Amur como é que eles se sentem.

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Claro que isto não afecta a vida dos procuradores e dos agentes da Polícia, uma vez que eles não lêem livros e podem sempre confiscar filmes aos vendedores ambulantes. No entanto, não obstante os esforços dos órgãos russos de protecção da ordem, no país ainda há outras categorias de cidadãos para quem a liberdade de informação representa um valor real.

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Nesta situação, julgo que se justifica um contra-ataque. Espero que surjam juristas com a formação adequada que verifiquem a constitucionalidade da decisão do tribunal de Komsomolsk-no-Amur. Nós podemos denunciar a situação nos blogues e nos meios de comunicação social. Mesmo assim, devemo-nos lembrar que, politicamente, todos aqueles que hoje defendem na Rússia a limitação da liberdade de expressão, seja por considerações religiosas, étnicas ou outras, acabam por ficar do lado dos procuradores analfabetos.



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Assim vai a blogosfera e as liberdades de expressão pelo mundo. É na China e, pelos vistos a Rússia também se julga afectada pelo acesso popular a este veículo de divulgação cultural! Pela Europa 'sopram' ventos que podem degenerar em tempestades "controladoras" - destrutivas - deste bem que, parece candidato a Sol de pouca dura! Será que podem? Será que deixamos? Será que ainda podemos?
Será?...

2010-08-01

« UM ' POEMA ' ... FAZ HOJE 30 DIAS... SEPULTADO!... »

Um 'pôr do Sol'
diferente
dos
outros
(...)

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Entrada do Cemitério de Benfica
Lisboa

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Poema

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«Mãe... que Levei à Terra»

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Mãe que levei à terra
como me trouxeste no ventre,
que farei destas tuas artérias?
Que medula, placenta,
que lágrimas unem aos teus
estes ossos? Em que difere
a minha da tua carne?

Mãe que levei à terra
como me acompanhaste à escola,
o que herdei de ti
além de móveis, pó, detritos
da tua e outras casas extintas?
Porque guardavas
o sopro de teus avós?

Mãe que levei à terra
como me trouxeste no ventre,
vejo os teus retratos,
segura nos teus dezanove anos,
eu não existia, meu Pai já te amava.
Que fizeste do teu sangue,
como foi possível, onde estás?

António Osório,
in: 'A Ignorância da Morte'


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Vista geral da chamada «Terra da Verdade»
do
Bairro de Benfica
LISBOA