[ Vox populi vox Dei ]

2010-07-29

« A CATALUNHA de PARABÉNS!... FIM à BARBÁRIE... »

Brigitte Bardot - sempre na linha da frente
pela
Causa Animal



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A atriz francesa Brigitte Bardot, conhecida pela defesa dos direitos dos animais, comemorou a decisão do parlamento da Catalunha de proibir as touradas nessa região do nordeste da Espanha a partir do dia 1 de janeiro de 2012.

«É uma vitória da democracia sobre os lobbies taurinos. Uma vitória da dignidade sobre a crueldade. A tourada é de um sadismo incrível. Já não estamos nos jogos circenses e é necessário pôr um fim imediato a esta tortura animal», afirmou a ativista em um comunicado citado pela agência EFE.

A atriz acrescentou ainda que «depois do êxito legítimo desta iniciativa popular, recorreremos à iniciativa cidadã prevista pelo Tratado de Lisboa, pois abolir a barbárie na Europa é um dever moral. Parece-me inútil e doentio orientar o espírito das multidões para espetáculos de sangue e crueldade. Isso só faz alimentar o gosto pela violência que destrói nossa sociedade. A França deve, agora, seguir o exemplo», concluiu Bardot.

O parlamento catalão aprovou, esta quarta-feira, o decreto de proteção dos animais, que implica a proibição das touradas no nordeste da Espanha, a partir de 2012.


2010-07-27

O 40º ANIVERSÁRIO da MORTE do GRANDE " INVESTIDOR" da NAÇÃO

Um 'olhar' do Jornal i - sobre Salazar


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.Carantonha desinteressada
de
Mr. Bean




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Salazar é o "melhor investidor sem ganhos"


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A Bloomberg está hoje a elogiar a "astúcia" de Salazar enquanto investidor. É que o "falecido ditador português" foi responsável pela "maior reserva de ouro da Europa".

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Elogio ou não, Salazar recebe o título de “melhor investidor sem ganhos”, já que foi o responsável pela aquisição de 695 toneladas de ouro em 24 anos. E tudo com receitas de exportações como volfrâmio e atum enlatado.

.Como o ouro valorizou 26% no ano passado e este é o décimo ano de valorizações consecutivas, a decisão do antigo ditador deixa o país com um activo cada vez mais valioso, diz a Bloomberg. Mas também um de que não pôde beneficiar nas situações de maior aperto por que já passou.

João Lima da Bloomberg explica assim, que Salazar poderia ser lembrado como “o melhor investidor português”, se as regras do Banco de Portugal (BdP) “permitissem ao país beneficiar do seu negócio mais astuto: A maior reserva de ouro da Europa”, face à dimensão da sua economia.

É que o ouro do país é gerido pelo BdP, cuja lei diz que os ganhos de alienação de activos têm de ser colocados numa reserva e pagam dividendos em função dos resultados com juros e activos.

.Assim, as reservas de ouro que equivalem a 6,8% do PIB português, não impedem a Standard & Poor’s de atribuir a segunda pior classificação de crédito da Zona Euro a Portugal.

.Terão sido mais úteis após a revolução de 1974, quando o país chegou a ser um dos mais pobres da Europa Ocidental. É que nesse período, o BdP podia criar moeda. Hoje, como não pode, a Moody’s “não olha” para as reservas de ouro, quando avalia a qualidade de crédito da republica.

“Com a subida do preço do ouro têm bons ganhos em balanço, mas não os podem realizar”, disse o estratega do Commerzbank, David Schnautz à Bloomberg. “É um pára-choques para um cenário extremo”, acrescentou.

O Banco de Portugal vendeu ouro entre 2003 e 2006, ao abrigo de um acordo com outros bancos centrais europeus, que limita as vendas de ouro, segundo disse o BdP.

As suas reservas são hoje de 382,5 toneladas de ouro, que estão avaliadas em 14,7 mil milhões de dólares ou 6,8% do PIB.

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Já as reservas da Alemanha são de 4,2% do PIB, as de Itália equivalem a 4,8% e as da Grécia são iguais a 1,4%.

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“As reservas de Portugal são muito antigas”, disse o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, António de Sousa, à Bloomberg.

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“Além do valor simbólico muitas vezes atribuído ao ouro, é um activo como qualquer outro. É uma questão de gestão de carteira”.



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Para além dos recentes 'êxitos editoriais' sobre Salazar, da iniciativa de muitas inteligências "cripto-históricas", neste 40º aniversário do seu passamento temos diversos artigos jornalísticos da mais refinada 'objectividade' económica, como o artigo que transcrevemos do Jornal Económico, iluminado artisticamente pelo Jornal i (...)

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Depois de quase ser proibido falar de Salazar, não há espaço nas prateleiras para acondicionar tantos livros sobre a vida, as emoções, motivações, etc., do homem que "ganhou" as primeiras 'eleições democráticas' a que foi sujeito, à sua revelia, no Programa da R.T.P. - "Os Grandes Portugueses"!

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Como sempre, este espaço de blog está aberto a todos os comentários!




2010-07-23

« TIAGO perdeu por "IPPON"... no "TATAMI" da VIDA »

.O B I T U Á R I O
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TIAGO ALVES [de Kimono azul]
aos 18 anos,
esperança
do Judo português
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Velha (gasta) foto do autor do blog
na idade do Tiago
- Judo Clube de Portugal -

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Este Símbolo dispensa apresentação!


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Logo do KODOKAN - Escola de JUDO criada por JIGORO KANO
[Fraternidade (KO) Via (DO) Escola (KAN)]

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«TIAGO ALVES tinha 18 anos e queria ir aos Jogos de Londres 2012. No último mês, contou num blogue a sua luta contra o cancro.

"A vida às vezes é um mistério, existem passagens nela que nem nós nem ninguém consegue explicar e muitas vezes acabamos por sofrer com isso".

Tiago Alves iniciava com estas palavras o blogue (http://ipponforlife-tiagoalves.blogspot.com/) sobre o maior combate da sua vida, que acabou por perder na noite de terça-feira.

O jovem judoca, de 18 anos, uma das maiores esperanças de Portugal para os Jogos Olímpicos de Londres 2012, competiu em Abril na Taça da Europa, na Estónia, onde alcançou a medalha de bronze e os mínimos para os campeonatos Europeus e Mundiais. Em Fevereiro, o judoca da Associação Académica de Coimbra (AAC), que competia na categoria de -66 kg, chegara ao bronze nos campeonatos nacionais de sub-20.

Uma carreira prometedora que seria abruptamente interrompida quando lhe diagnosticaram cancro no estômago. "O dia 21 de Junho de 2010 foi para mim o pior dia da minha vida. Foi o dia em que me tiraram a minha pessoa. A sério, neste momento eu sou uma pessoa totalmente diferente", recordava depois o estudante (12.º anos), que integrava o Centro de Alto Rendimento.

"Tudo começou mais ou menos em Janeiro de 2010, quando comecei a sentir uma dor estranha na barriga, a qual não valorizei muito. Treinava muito e estava numa fase onde tinha muitas competições e ainda havia a escola, os testes e trabalhos para entregar, pensei que fosse tudo uma questão de stress. Não valorizei. Mas o que é certo é que à medida que o tempo passava, as dores iam ficando mais fortes", explicava o jovem atleta, que encontrou no seu blogue o espaço para expressar a sua esperança na recuperação.

Rui Fonseca, dirigente da AAC, disse ao DN que Tiago Alves era de "uma total dedicação à modalidade" e "acreditou sempre que era possível recuperar, apesar de muito debilitado após a segunda operação. Lutou até ao fim."

O funeral realizou-se ontem no cemitério de Rio de Mouro (15.30), em Sintra.»


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Texto adaptado do Diário de Notícias

veiculado na Net


Recomendo vivamente clicar no blog do Tiago Alves (indicado no texto) e homenageá-lo lendo o que escreveu
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A título facultativo, para se entender a razão da m/postagem de hoje, também poderão dar uma espreitadela no meu post:

http://alfobre.blogspot.com/2009/05/mestre-kobayashi_14.html


JUDO

escrito em japonês

Pequeno glossário:
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IPPON: Ponto ganho, ou perdido, em combate no judo.
TATAMI: Tapete onde se pratica o judo.


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A MORTE É A CURVA DA ESTRADA

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A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
existir como eu existo.
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A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.


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Poema de
Fernando Pessoa



POR MAIS QUE ME QUEIRAM CONVENCER DE QUE É TUDO MUITO NATURAL E DA VONTADE DIVINA, REVOLTAR-ME-EI SEMPRE QUE SE MORRA COM TÃO POUCA IDADE!
MESMO COM POESIA PESSOANA
(...)

2010-07-22

« ... A INJUSTIÇA... E OUTRAS DIVAGAÇÕES...»

A JUSTIÇA

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Adereços simbólicos
do
DIREITO
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É pior cometer uma injustiça do que sofrê-la, porque quem a comete transforma-se num injusto e quem a sofre não. Julgamos ter visto a frase anterior atribuída a Sócrates. Mas muitas outras pessoas disseram coisas semelhantes ou experimentaram isto nas suas vidas. E é também esta, talvez, a nossa experiência.
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Ao fazermos o mal, fazemos o mal, em primeiro lugar, a nós mesmos. Aquilo que resulta desses actos é uma ferida noutras pessoas - se o mal que cometemos foi directamente contra alguém - é uma outra ferida, que permanece dentro de nós sob várias formas. Esta última é certamente ainda mais dramática do que a primeira. É uma espécie de terrível doença interior.
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Existe o remorso. O desconforto de estarmos a sós connosco mesmos. Existe a angústia. E o desejo impossível de esquecermos. Existe a vontade louca de estarmos entretidos, a fuga à solidão e ao silêncio. A tentativa inútil de encontrarmos uma maneira de justificarmos perante nós mesmos os nossos actos. Existe o álcool... e a droga. E o medo. E, algumas vezes, o suicídio!
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A felicidade deixa de estar presente.
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Só muito raramente a felicidade tem relação com o conforto material, dinheiro, prazer, desejos satisfeitos. Resulta da fidelidade esforçada àquilo que a nossa consciência nos dita. É o fruto sem preço de um comportamento correcto.
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Consciência é o nome que damos à nossa inteligência quando - à maneira de um juiz - julga os nossos actos, realizados ou previstos, de acordo com um critério de bem e mal. Avisa-nos, censura-nos, mostra-se agradada.
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Porque existem o bem e o mal, o certo e o errado. A verdade é que - quer queiramos quer não - chegamos ao mundo com umas regras de funcionamento. E a consciência é uma prova disso. Somos como as máquinas que construímos: se enchermos com gasóleo o depósito de um automóvel que gasta gasolina, teremos problemas; a máquina de lavar não se move se não estiver ligada à corrente eléctrica!
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A felicidade depende dessas regras de comportamento que trazemos gravadas em nós e não podemos alterar: Uma mentira que dissemos feriu-nos. E a calúnia, e um roubo, e um atentado contra a família. E por aí fora.
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Que fazer quando a consciência não se cala, quando já não suportamos mais uma certa podridão que sentimos cá dentro, quando todos os argumentos que desenhámos já não nos dão sossego, quando nos assalta uma amargura infinita e vemos em nós um monstro?
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Chega um momento em que sentimos necessidade de um banho interior que nos limpe, de um fogo que nos purifique. Que fazer? Existirá uma coisa assim, capaz de tocar o intocável? Haverá uma solução que impeça o desespero? Existirá qualquer coisa que torne possível começar realmente uma vida nova? Pode-se voltar a ser criança, ter de novo os olhos limpos?
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Não descobrimos outra coisa senão aquilo a que os cristãos católicos chamam o Sacramento da Confissão. É possível encontrá-lo num canto sombrio de alguma antiga igreja, junto de um padre. Muitas pessoas o têm utilizado, sentindo-se depois puras como crianças e alegres como pássaros. Talvez possamos experimentá-lo. Claro que tem as suas próprias regras - que não são difíceis de aprender - e que teremos de estar dispostos a uma humilhação e a que nos doa. Mas isso é o que se espera de um fogo purificador:
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A Confissão está fora de moda. Tanto, que uma maioria de pessoas até tal ignora!
Tão fora de moda como a felicidade...
O que quer dizer alguma coisa!




= X =




.VÍDEO ALEGADAMENTE ALUSIVO AO TEMA





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«Vista parcial dos " labirintos "
da Lei e da
Justiça»

2010-07-21

HOJE... DIA 21 de JULHO... MEU PAI FARIA ANOS

Da esquerda para a direita:
César (autor do blog), David (meu pai) e César (meu avô paterno)
[fotografados (e desfocados) sob a 'célebre' Anta da Pedra D' Arca]
CARAMULO
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Imagem do ponto mais elevado do Caramulo
O Caramulinho
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David Augusto Ramos
(meu pai)
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Desenho tentando representar o meu pai
( nos meus onze anos)


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Hoje... dia 21 de Julho... seria o aniversário do nascimento de meu pai. Passaram já muitos anos desde o seu falecimento mas, este mês, logo ao primeiro dia, a minha mãe partiu para uma "nova viagem", deixando os melhores momentos que vivemos juntos. Impingiram-me ainda que, recordar é um dom da vida e,... viver... o sentido da morte!
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Estou rodeado de psicólogos e de gente pragmática por todos os lados. Assim rodeado, descobri que sou uma ilha envolvida por um mar que parece ser de gente! Penso que não sou ilha nenhuma, porque sinto uma desertificação muito grande e, nem consigo imaginar-me um oásis, porque estou seco.
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Não estou a 'falar' para ninguém, na medida em que estas palavras não passam de lucubrações através das quais eu tentava descobrir uma prenda de aniversário para oferecer ao meu pai.
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É que neste dia de anos ele já tem uma companhia muito especial - a sua mulher -, há muito 'errando'... num plano diferente a que ele pertence!
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As prendas mais simples são talvez as que melhor surpresa causam aos obsequiados: sempre confiei na capacidade espiritual de Roberto Carlos para dizer por mim, o que o meu coração armado em parvo, não consegue articular palavra.
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O vídeo que se segue, talvez não seja a melhor escolha! Um requiem ... talvez só para mim, quando me juntar ao nosso grupo (...) No fundo, uma voz, um espírito, um tema dedicado ao pai na forma de música, talvez cumpra a missão sonora de chegar a qualquer lado do éter, onde tudo se repercute...!

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Parabéns meu pai...! Se calhar, a tua melhor prenda... é a companhia da minha mãe (...) muito embora isso me contrarie bastante!
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2010-07-18

« POR QUÉ NO TE CALLAS...?? »

«UM PAÍS NÃO PODE CONSTRUIR-SE SOBRE O ESQUECIMENTO, A FALTA DE MEMÓRIA, SOBRE O RECONHECIMENTO DO QUE MARCOU A SUA HISTÓRIA»
Disse: Baltazar Garzón (Juiz espanhol suspenso)


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Guernica
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. JUIZ ao PRÉMIO NOBEL da PAZ



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Saramago: Fundação vai propor Prémio Nobel da Paz para Baltazar Garzón



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Madrid, 1 jul (Lusa) - Pilar del Rio, viúva de José Saramago, anunciou hoje em Lanzarote que a Fundação com o nome do escritor vai propor o Prémio Nobel da Paz para o juiz espanhol Baltazar Garzón.

Madrid, 1 jul (Lusa) - Pilar del Rio, viúva de José Saramago, anunciou hoje em Lanzarote que a Fundação com o nome do escritor vai propor o Prémio Nobel da Paz para o juiz espanhol Baltazar Garzón.

O anúncio foi feito no dia em que Baltazar Garzón apresenta a biografia de José Saramago, escrita por Fernando Gomez Aguilera, na Fundação César Manrique, em Lanzarote, numa entrevista que Pilar del Rio deu à rádio Cadena Ser, citada pela EFE.

Pilar del Rio justificou a proposta pelo facto de o juiz espanhol "estar envolvido na defesa dos direitos humanos e por nunca ter baixado a cabeça perante nenhuma obstáculo, nem nenhum poder, por ter seguido adiante e por se ter posto, em qualquer continente e em qualquer país, ao lado das vítimas".

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DUO GENOCIDA


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.11/04/2010

A Falange quer silenciar Baltasar Garzón.

Um texto de Andrei Barros Correia

Baltasar Garzón Real é juiz da Audiência Nacional de Espanha, máximo tribunal ordinário do reino. No mundo, tornou-se conhecido por ter processado, julgado e emitido um mandado internacional de captura contra Augusto Pinochet, ditador chileno, por tortura e assassinato de cidadãos espanhóis. Trabalhou a partir de muitas informações, notadamente um relatório da Comissão Chilena da Verdade.

Iniciou investigações sobre o desaparecimento de mais de 100 mil pessoas, durante a ditadura de Francisco Franco. Antes, já trabalhou com os crimes de terrorismo dos separatistas bascos e as detenções ilegais de cidadãos de diversas nacionalidades, encarcerados no campo de concentração norte-americano em Guantánamo.

Por conta da iniciativa relativamente aos desaparecidos do franquismo tornou-se alvo da Falange – ou o que dela remanesce – partido fascista espanhol que dava suporte ao regime franquista. Um notório falangista, o juiz Adolfo Prego de Oliver, do Tribunal Supremo, tomou a seu cargo a tarefa de tentar silenciar Garzón.

Adolfo Prego é patrono da associação neo-franquista Defensa de la Nación Española, firmou um manifesto contra a Lei da Memória Histórica, nunca se furtou a participar em atos públicos a favor do golpe militar de 1936 e da ditadura que lhe seguiu, por quarenta anos. Convém lembrar, também, que o lado político ardorosamente defendido por Adolfo Prego foi responsável pela deflagração da Guerra Civil Espanhola, uma vez que, não aceitando os resultados eleitorais, patrocinou o golpe e a guerra.

O juiz do Tribunal Supremo está a funcionar como magistrado e parte, o que é, no mínimo, repugnante a qualquer direito. Assustador é que isso acontece em um país rico – renda per capita de U$ 33.700,00 – com economia grande e diversificada, produzindo desde laranjas a aviões. Um país que, hoje, pretende-se conhecido por cultivar liberdades, diversidade cultural, letras, artes e ciências.

O recurso contra Garzón deve-se ao fato de estar a investigar os milhares de desaparecimentos sucedidos no longo período franquista e, segundo os ideólogos e magistrados falangistas, isso viola a lei de anistia de 1977. Garzón entende que os crimes de sequestro, por serem delitos continuados, não se sujeitam à prescrição, nem são passíveis de anistia. Entendimento, de resto, perfeitamente consoante às Convenções da ONU sobre direitos humanos. Não obstante, enfrenta processo que pode implicar na sua suspensão das funções judiciais.

Todavia, a Espanha adotou, mais recentemente, a Lei de Memória Histórica. A investigação iniciada por Garzón insere-se no espírito dessa lei. Na verdade, era extremamente improvável que o processo culminasse em punições, porque inevitavelmente seria longo e os responsáveis não poderiam responder criminalmente por uma razão trivial: estão mortos. Fica claro que seu intuito tinha muito de simbólico, e de um simbolismo importantíssimo a estimular o estudo histórico. Se não se estabelecem responsabilidades criminais, ao menos estabelecem-se as históricas.

O juiz Adolfo Prego, ao alinhar-se sem ambiguidades contra a Lei da Memória Histórica, firmar manifestos contra ela, proferir discursos contra ela e participar de associação de destaque da nostalgia franquista evidentemente compromete sua imparcialidade para julgar um tal caso. E, até onde se sabe, a imparcialidade do juiz é um princípio de direito no Reino de Espanha.

Esta questão deve ser compreendida sob a perspectiva política. Além de reação dos saudosos do franquismo, visa a turvar a compreensão e a investigação de casos de corrupção envolvendo o PP, partido de extrema direita espanhol, que flerta – meio dissimuladamente – com as saudades franquistas. O caso está na Audiência Nacional, onde ainda trabalha Garzón.

Pode parecer assunto sem importância, esse. Todavia, convém lembrar que essas coisas em Espanha não costumam terminar bem e que o país tem um peculiar histórico de divisões políticas dificilmente conciliadas. José Ortega y Gasset, castelhano, liberal, direitista, mas anti-fascista e a mente mais clara que o século passado produziu, já advertia dos riscos da ascensão das massas – grupo que não se caracteriza economicamente, nunca é demais reafirmá-lo.

Elas estão no Supremo Tribunal espanhol. Não percebem, essa a imensa cegueira, que é muito mais fácil dividir a Espanha que mantê-la unida. Ou será que somente a querem unida a custo de sangue?




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VÍDEO SOLENE de 'CHAMADA aos MORTOS', e o SOM dos TIROS ASSASSINOS!


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TIROS GERARAM DOR E IMPUNIDADE
ATÉ À ACTUALIDADE ...


2010-07-12

A ESPANHA de GARCIA LORCA e... GATOS em POESIA

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Este jovem gato dourado [o Betz]
fez-me 'roubar', adaptando, um pedacinho
de um poema

de Frederico Garcia Lorca

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"Betz, the Golden cat"

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Betz el guapo casero
está tumbado al sol.
Es un gato elegante con gesto de léon,
bien esducado e bueno,
si bien algo 'burlón'.
Es muy músico; entiende
a Debussy, más no
le gusta Beethoven
Qui es un perro del Cine!
.


.Foto do Poeta e Dramaturgo espanhol
Frederico Garcia Lorca
(Fuente Vaqueros, 1898 - Granada, 1936)




FEDERICO GARCIA LORCA

CANCION NOVISSIMA DE LOS GATOS

"Mefistófeles casero
está tumbado al sol.
Es un gato elegante con gesto de león,
bien educado y bueno,
si bien algo burlón.
Es muy músico; entiende
a Debussy, más no
le gusta Beethoven.
Mi gato paseó
de noche en el teclado,
¡Oh, que satisfacción
de su alma! Debussy
fue un gato filarmónico en su vida anterior.
Este genial francés comprendió la belleza
del acorde gatuno sobre el teclado. Son
acordes modernos de agua turbia de sombra
(yo gato lo entiendo).
Irritan al burgués: ¡Admirable misión!
Francia admira a los gatos. Verlaine fue casi un gato
feo y semicatólico, huraño y juguetón,
que mayaba celeste a una luna invisible,
lamido (?) por las moscas y quemado de alcohol.
Francia quiere a los gatos como España al torero.
Como Rusia a la noche, como China al dragón.
El gato es inquietante, no es de este mundo. Tiene
el enorme prestigio de haber sido ya Dios.
¿Habéis notado cuando nos mira soñoliento?
Parece que nos dice: la vida es sucesión
de ritmos sexuales. Sexo tiene la luz,
sexo tiene la estrella, sexo tiene la flor.
Y mira derramando su alma verde en la sombra.
Nosotros vemos todos detrás al gran cabrón.
Su espíritu es andrógino de sexos ya marchitos,
languidez femenina y vibrar de varón,
un espíritu raro de inocencia y lujuria,
vejez y juventud casadas con amor.
Son Felipes segundos dogmáticos y altivos,
odian por fiel al perro, por servil al ratón,
admiten las caricias con gesto distinguido
y nos miran con aire sereno y superior.
Me parecen maestros de alta melancolía,
podrían curar tristezas de civilización.
La energía moderna, el tanque y el biplano
avivan en las almas el antiguo dolor.
La vida a cada paso refina las tristezas,
las almas cristalizan y la verdad voló,
un grano de amargura se entierra y da su espiga.
Saben esto los gatos mas bien que el sembrador.
Tienen algo de búhos y de toscas serpientes,
debieron tener alas cuando su creación.
Y hablaran de seguro con aquellos engendros
satánicos que Antonio desde su cueva vio.
Un gato enfurecido es casi Schopenhauer.
Cascarrabias horrible con cara de bribón,
pero siempre los gatos están bien educados
y se dedican graves a tumbarse en el sol.
El hombre es despreciable (dicen ellos), la muerte
llega tarde o temprano ¡Gocemos del calor!

Este gran gato mío arzobispal y bello
se duerme con la nana sepulcral del reloj.
¡Que le importan los senos (?) del negro Eclesiastés,
ni los sabios consejos del viejo Salomon?
Duerme tu, gato mío, como un dios perezoso,
mientras que yo suspiro por algo que voló.
El bello Pecopian (?) se sonríe en mi espejo,
de calavera tiene su sonrisa expresión.

Duerme tu santamente mientras toco el piano.
este monstruo con dientes de nieve y de carbón.

Y tú gato de rico, cumbre de la pereza,
entérate de que hay gatos vagabundos que son
mártires de los niños que a pedradas los matan
y mueren como Sócrates
dándoles su perdón.

¡Oh gatos estupendos, sed guasones y raros, y tumbaos panza arriba bañándoos en el sol! "





.Um grande bocejo da Micha
- mana do Betz -
talvez de impaciência
(...)



  • POETA ATÉ DEPOIS DO FIM E PRESCRIÇÃO
O local onde Federico García Lorca terá sido enterrado com os companheiros fuzilados em 1936 vai ser removido e os corpos exumados por decisão do juiz Baltazar Garzón que investiga as mortes e os desaparecimentos ocorridos durante a Guerra Civil de Espanha (muita gente foi morta, executada liminarmente, e lançada em valas comuns, ao estilo nazi em Auchwitz, Dachau... e das ditaduras militares sul-americanas, Chile, Argentina ou dos khmer vermelhos de Pol Pot...).

Diz arcana lenda nascida no dia da morte do poeta que, perante o pelotão de fuzilamento que o arrebataria do mundo e o levaria à Valhalla dos poetas imortais, abriu a boca, como se o Sol sobre os seus olhos fosse um beijo a desfolhar o luar – o que então podia –, e disse:

E el Sol, todavia nasce...

E calou-se nesse dia, pois hoje, ao amanhecer, veio nos raios de Sol repetir o prenúncio do teu nome em letras de mar e sílabas definitivas. Poeta, sim; poeta mesmo depois do fim.

– Porque Baltazar Garzón, do seu gabinete da Audiência Nacional em Madrid, quer desenterrar o, hoje, mais vivo de todos os espanhóis do Século XX? Sim, porquê é que os mortos não cuidam de si mesmos e deixam os vivos em paz? Sim, porquê?... – pergunta-me o meu poeta.

– Porquê os crimes contra a humanidade são imprescritíveis – respondo-lhe.

O meu poeta, torcendo o nariz ao que – como Baltarzar Garzón – penso, pediu-me tempo para pensar. O meu poeta adora as coisas impossíveis como Deus – disse-me um dia destes. É..., cada um com a sua dor, não é?
.
(Noticiado em 2008)


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RESTOS MORTAIS de GARCIA LORCA CONTINUAM DESAPARECIDOS

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A escavação das seis possíveis valas comuns na localidade de Alfacar, onde algumas investigações situavam o corpo do poeta Federico Garcia Lorca, terminou sem que se tenham localizado quaisquer restos mortais.

A informação foi dada pela conselheira de Justiça andaluza, Begona Alvarez, que referiu a existência de evidências científicas de que "nunca houve enterros nesta zona".

Numa conferência de imprensa para apresentar o relatório final das escavações, a responsável adiantou que as evidências científicas se baseiam na distância entre a superfície da zona explorada e a rocha encontrada, que torna impossível a existência de valas comuns naquele lugar.

Um grupo de arqueólogos realizou durante um mês e meio escavações na zona em que se acreditava que podia estar sepultado o poeta assassinado no início da guerra civil espanhola.

No início de Outubro, a família de Lorca, que inicialmente se opunha à exumação, disse aceitar a abertura das valas, defendendo que os restos do escritor possam permanecer no local.

Os dados sobre as valas descobertas foram recolhidos por especialistas do Instituto Andaluz de Geofísica da Universidade de Granada, a pedido do ministério da Justiça da Andaluzia.

A abertura das valas comuns deve-se a um pedido da família de Dióscoro Galindo - o professor que terá sido fuzilado ao lado de Lorca - que pediu a exumação dos restos mortais ao juiz Baltasar Garzon.

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(In: Agência Lusa 18.12.2009)






"O melhor é passar pelas 'brasas',
e acreditar que os humanos
hão-de ter mais juízo".




Nota:
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Aproveito para enviar as melhores felicitações à ESPANHA, pela conquista deste Mundial de Futebol.
Não é o meu desporto favorito, mas tenho de reconhecer a preferência das maiorias e, com a devida vénia, o mérito desta grande vitória!
Hoje sim! Podem tocar vuvuzelas à vontade, pois é realmente um grande dia de festa para o País nosso Vizinho.