[ Vox populi vox Dei ]

2010-05-27

« "A TRUTA" de FRANZ SCHUBERT »

Franz Schubert
(Lichtenthal, 1797 - Viena, 1828)




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Dois 'clips' apresentando
"A Truta" em Instrumental
e cantada
( legendas em português)









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Franz Schubert [ Lichtenthal, 1797 - Viena, 1828 ], foi um compositor austríaco, criador da harmonia e modulação romântica, que deve a sua celebridade a mais de seiscentas Lieder (A Bela Moleira e Avé Maria, por exemplo), de inspiração espontânea e profunda.
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Dizer-se-à assertivamente que uma profunda tristeza marca o seu génio (...) entre muitas obras, foi também autor de A Morte e a Donzela, O rei dos Elfos, de oito ou nove sinfonias (A sinfonia inacabada), e de páginas célebres de Música de Câmara ( quartetos, quintetos [A TRUTA]).
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Recuso ser fastidioso, mas apetece-me falar destas pessoas da música que souberam eternizar-se, e fazem dos meus momentos solitários um mundo ao género do cinema, em que tudo se passa acompanhado dos sons mais variados.
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Nos filmes, a cada passo, qualquer bater de coração, qualquer emoção é envolvida por um ambiente musical empolgante, ou... muitas vezes... até não! Este tema (a truta), poderá suscitar a ideia de que sou entusiasta pela pesca! Quem me conhece pessoalmente, sabe que não é nada disso. Um dia, comprei um equipamento completo para ir à pesca e..., na hora de espetar minhocas nos anzóis, ou, pior... espetar pequenos peixes vivos naquelas barbelas, parecidas com agulhas de 'crochet', não fui capaz! Ainda para mais, quando um desses coitados, vendidos como isco, me suplicou que o deixasse! Verdade...!... "relinchou" , ou lá o som que emitiu,... suplicando que o deixasse. E deixei...! atirei-o para a água,e as minhas 'pescarias' ficaram logo ali,... à beira da muralha.

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Afinal de contas, o 'cavaleiro andante', cinturão negro de artes marciais, que parte as 'ventas' ao primeiro marginal que se portar mal na sociedade, particularmente com senhoras, crianças ou idosos, não faz mal a uma mosca e, desvia-se dos bichinhos de conta para não os pisar...!
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Como 'felizmente' também tenho os meus detratores, vou ficar à espera de alguém que - o hábito é o anonimato -, me vá questionar se, porventura para mim os bifes nascem nas árvores!
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A "Truta" é uma das mais belas e famosas canções de Schubert. Ao mesmo tempo, será também uma das mais tristes, contando-nos a história de uma truta que vivia feliz nas águas de um rio, até ao dia em que se deixou prender no anzol de um pescador ...
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Penso que o presumível leitor, começará a entender porque gosto desta interpretação musical...!
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A vida é feita destes dramas, que são naturais - ainda que não tenhamos verdadeira capacidade para os explicarmos de forma suficientemente convincente... - e se o pescador tivesse fome ou a truta servisse para tirar a fome à sua família tudo estaria certo: é a vida que se preserva e prolonga graças a outra vida...
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Pelo contrário, se o pescador tirar a vida à truta ou a qualquer outro peixe que viva feliz nas águas do seu rio apenas por desporto ou aberrante divertimento com base no sofrimento e morte de um ser vivo que é seu irmão na Natureza, parece-me evidente que se trata de um acto sádico - e não mais do que isso...!
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Schubert visitava com alguma frequência a pequena cidade industrial de Steyer. Numa dessas estadas, encontrou-se com um dos seus grandes amigos e protectores, o cantor Vogl, que seria também um dos seus primeiros e sem dúvida melhores intérpretes.
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Johann Michael Vogl era natural da região, tinha lá muitos conhecimentos, e apresentou o compositor - ao longo de toda a sua vida um homem bastante pobre, atingido em determinadas ocasiões verdadeiros estados de indigência... - a alguns amigos.
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Entre eles estava o violoncelista Paumgartner, que seria, ao que se sabe, um excelente instrumentista, quase ou mesmo um chamado virtuoso do violoncelo.
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Foi ele quem propôs a Schubert a composição de uma obra de câmara que viria a ser para violino, violeta, violoncelo, contrabaixo e piano - estrutura essa que não é de modo algum das mais comuns.
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Uma das explicações para isso estará precisamente no facto de Paumgartner ser tão bom músico, pelo que a inclusão do piano quase que condenaria o violoncelo a uma missão secundária, encarregando de pouco mais do que dos baixos.
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Nestas circunstâncias, o compositor optara por formar o quinteto com um contrabaixo que se ocuparia essencialmente desses baixos, enquanto o violoncelo iria figurar entre os instrumentos mais ligados às partes melódicas.
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A explicação é plausível, sobretudo atendendo a que Schubert era uma pessoa conhecida pela sua extrema simpatia e cordialidade.
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De qualquer nodo, a obra é magnificamente escrita, transformar-se-ia num clássico da música de câmara e o contrabaixo também não seria relegado para missões secundárias e de mero acompanhamento.
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No fundo, trata-se de uma série de variações sobre o lindíssimo tema da "Truta", o qual só aparece claramente citado depois de uma longa introdução.
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Schubert compunha com uma extraordinária rapidez, pelo que é de admitir que a peça ficasse terminada durante essas férias na cidade de Steyer, mas há também indícios de que a versão final já tivesse sido escrita de regresso a Viena, no Outono de 1819, tinha o compositor apenas vinte e dois anos de idade (...)!
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Viena foi, durante o século XVIII, um alfobre... ou melhor: um centro de cultura musical em que se encontraram os grandes mestres e se desenvolveram as formas musicais clássicas.
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Haydn deu um novo impulso à sinfonia, ao quarteto de cordas e à sonata para piano; Mozart aplicou as experiências adquiridas; Beethoven desenvolveu ao máximo as formas anteriores.
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Em Shubert vislumbra-se já um sentido lírico que irá adquirir grande força mais tarde.









Legenda
Fontes:
Algumas
consultas de obras diversas
da Biblioteca Piteira Santos
da Câmara Municipal
da Amadora.

Imagens: Selecção na Internet.


2010-05-24

« ESPIÕES! IDEALISTAS..., ou... VENDIDOS? »

KIM PHILBY - Agente britânico,
espião a favor do K.G.B. - U.R.S.S.

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Passaporte de Kim Philby
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O grupo dos quatro britânicos ex- colegas de Faculdade
convertidos ao ideal comunista.
.(identificados no texto)

Coronel Oleg Penkovsky
Oficial dos Serviços Secretos da U.R.S.S.
Espião a favor do Ocidente
[C.I.A.]
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O Coronel soviético Penkovsky sob prisão, por traição à Pátria.





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A 25 de Maio de 1951, os serviços de segurança britânicos preparavam-se para acusar Donald Maclean, um alto diplomata, de espionagem a favor dos Russos.
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O dia 25 era uma sexta-feira e decidiram esperar até segunda-feira seguinte para o prenderem. Nessa noite, Maclean desapareceu, assim como Guy Burgess, outro importante diplomata. Era óbvio que tinham fugido para a Rússia. Pior ainda, alguém altamente colocado nos serviços secretos britânicos os informara. Era essencial encontrar o «terceiro homem».
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As suspeitas caíram sobre Harold «Kim» Philby, um dos oficiais superiores do MI 6 (serviços secretos). Philby foi interrogado durante diversos meses e, apesar de se não ter provado nada contra ele, foi obrigado a demitir-se.
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Em 1955, um membro do Parlamento afirmou em sessão parlamentar que Philby foi interrogado por jornalistas de todos os principais jornais britânicos. Mas quer nos julgamentos públicos, quer nos privados, Philby afirmou sempre que estava inocente.
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Muitos dos seus antigos colegas do MI 6 achavam que Philby fora demasiado castigado. Alguns pensavam que o haviam derrubado por rivalidade.
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Em 1956 foi enviado para Beirute como jornalista do 'The Observer': e há também quem pense que para trabalhar para o MI 6.
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Depois de actuar cinco anos em Beirute, Philby desapareceu subitamente. Pouco tempo depois foi anunciado que fugira para a Rússia. Nas suas palavras, regressava «são e salvo». Na realidade, Philby era o «terceiro homem». Há trinta anos que era agente comunista.
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Num dia de Setembro de 1961, o ano da fuga de Philby, um russo de aparência elegante passeava-se numa avenida de Moscovo e parou junto de um parque infantil onde brincavam algumas crianças.
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Sorriu e ofereceu a uma delas uma caixa de chocolates. Quando o homem se foi embora, a criança levou a caixa à mãe, que estava sentada num banco ali perto. A mãe era mulher de um diplomata britânico na Embaixada de Moscovo. A caixa continha quatro rolos de filme de documentos secretos dos próprios serviços secretos russos.
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O homem era o Coronel Oleg Penkovsky, um Oficial do G.R.U. (serviços secretos militares soviéticos).
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Penkovsky era espião pelo Ocidente. O seu principal contacto era um homem de negócios inglês chamado Greville Wynne, cujo trabalho o levava frequentemente a Moscovo. Através de Wynne, os serviços secretos americanos e britânicos forneceram a Penkovsky dinheiro, uma câmara fotográfica miniatura 'Minox' e um receptor de rádio.
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Em dezoito meses, Penkovsky conseguiu passar 5.000 fotografias de documentos militares e secretos. Os filmes eram passados por contacto directo, como foi descrito acima, e também por meio de «marcos de correio mortos» [gíria denominativa de pessoas que oficialmente não existem].
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Em Outubro de 1962, enquanto Penkovsky planeava escapar para o Ocidente definitivamente, foi preso em Moscovo. Wynne foi raptado na Hungria e trazido para a Rússia. Foram julgados e considerados culpados. Penkovsky foi condenado à morte e Wynne a oito anos de prisão, mas Whynne nunca chegou a cumprir a pena. Em 1964 foi trocado pelo espião russo «Gordon Lonsdale».
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Muito embora o Coronel Penkovsky tenha sido condenado à morte e dado como tendo sido executado, acredita-se que o mantiveram vivo, muito embora preso algures na Rússia. São os desígnios da espionagem de alta escola!
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Kim Philby gozou 'merecidamente' a sua reforma, oferecida pelo regime soviético como gratidão pelos serviços prestados. Inclusivamente foi homenageado numa emissão de selo de correio.
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Kim Philby clamou a sua inocência perante os jornalistas em 1955.
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Philby, Guy Burgess e Maclean ( diplomatas acima indicados e mostrados nas imagens) tinham andado juntos na Universidade de Cambridge, onde se tornaram comunistas.
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Foram recrutados como espiões comunistas pouco tempo depois, nunca se sabendo por quem.
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Philby devia manter-se «adormecido» isto é, não deveria actuar até ter alcançado uma posição que pudesse ser de verdadeiro valor.
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Ao longo da segunda guerra mundial, foi subindo na carreira dos serviços secretos britânicos. Incrivelmente, chegou a chefiar o departamento que tratava dos assuntos dos serviços secretos russos!
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Será que os serviços secretos britânicos foram mesmo ludibriados? Ou tinham esperança de que ele se traísse, ou a outros, se fosse deixado à solta?
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Só muito raramente os homens da «polícia secreta» inglesa saem da sombra. Poucas pessoas - além dos seus superiores imediatos - sabem o que eles realmente fazem.
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Se se metem nalgum sarilho, não podem contar com qualquer auxílio oficial. E, as próprias mulheres estão convencidas de que eles são homens iguais aos outros, apenas com um horário de trabalho um pouco estranho...
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Na pequena tabacaria da aldeia aquela manhã era uma manhã igual a todas as outras, até o homem alto entrar. Mostrou um cartão à mulher que estava atrás do balcão e disse-lhe para fechar a loja.
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Depois de o último cliente ter saído, começou a interrogar a proprietária acerca das ideias políticas do filho, de 18 anos. Quando o interrogatório terminou, hora e meia mais tarde, a mulher soluçava.
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Em alguns países este incidente seria vulgar. Porém, a cena passava-se no Surrey, Inglaterra, em 1967...
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O homem em questão era um investigador local; contudo, o trabalho que executava naquela ocasião era bastante fora do comum. Na realidade trabalhava directamente para a Divisão Especial... A Divisão Especial - a organização que, em Inglaterra, mais se aproxima de uma verdadeira polícia secreta - só muito raramente sai da sombra.
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De facto, a meia dúzia de homens «sem rosto» que se encontravam na parte de trás da sala do tribunal de Old Bailey, de Londres, quando o oficial da RAF (Força Aérea) Douglas Britten, foi condenado a 21 anos de prisão por espionagem, apareciam pela primeira vez em público, desde um outro caso similar 8 anos antes.
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Poucas pessoas, incluindo a polícia ortodoxa, estão a par do verdadeiro papel da Divisão Especial. Na realidade esta é o braço executivo do serviço secreto britânico. É quem efectua as prisões depois dos casos terem sido resolvidos pelos serviços de contra-espionagem.
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Porém, desde a reorganização total efectuada em 1961, a Divisão Especial tornou-se igualmente numa força de polícia política que mantém sob vigilância as pessoas cujas simpatias esquerdistas possam, em certas circunstâncias, representar um perigo para a segurança nacional.
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Desde a fundação do Partido Comunista Britânico, em 1920, a Divisão Especial sempre prestou redobrada atenção às actividades, mas as modificações realizadas em Junho de 1961, quando da reorganização, aumentaram eficazmente a sua capacidade no combate das actividades ditas subversivas. A rede foi-se propagando através da província e cada subdivisão regional que, ao princípio dispunha apenas de dois ou três elementos no máximo, passou a mais do dobro, incluindo o inspector, dois sargentos e investigadores.
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Embora a sua tarefa só muito raramente venha a público, a Divisão Especial mantêm-se em constante actividade. Por cada ameaça ou suspeita de ameaça que chega aos jornais, há dúzias delas que permanecem em segredo.
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Os serviços são também responsáveis pela protecção dos dignitários que visitam a Grã-Bretanha. Grande parte do trabalho deles é aborrecido e rotineiro: verificar chegadas e partidas nos aeroportos, ou entrevistar forasteiros suspeitos de actividades irregulares.
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Raramente os membros da Divisão Especial são chamados a intervir na destruição e detenção de redes de espionagem. É o MI 5 que recolhe as provas e depois as entrega à Divisão Especial para realizar as prisões.
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O facto de estes serviços - na prática uma polícia que ninguém conhece - poderem exercer consideráveis pressões sobre a população, poderia levar a crer que a invejável posição da Inglaterra como país livre no mundo moderno não passa de um mito.
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Passam a mensagem que acontece exactamente o contrário, pois actuam unicamente contra aqueles que constituem uma ameaça para a segurança e liberdade, um valor inestimável que os cidadãos em geral tanto preservam!
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Falta esclarecer em que ponto ficará salvaguardada a liberdade de expressão e de pensamento (...)
Apenas como apontamento académico e mera concepção histórica, lembro que a espionagem consiste em obter e passar informações secretas. É uma arte muito antiga que perdurou até aos nossos dias. Os primeiros registos humanos contêm relatos de missões de espionagem.
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A China antiga, o Egipto e a Roma Imperial de Júlio César transformaram a espionagem numa actividade "requintada" e tornaram os espiões tão velhos como os segredos humanos.
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Agentes duplos, redes de espiões e passadores de informações falsas são personagens dessa grande "indústria" moderna que é a espionagem.

O nosso amado Rei D. João II - o Príncipe Perfeito -, monarca hábil, justo e 'tolerante'(apunhalou Dom Diogo, Duque de Viseu!), é considerado uma das mais gloriosas figuras da História de Portugal até na dinâmica dos descobrimentos e, não foi alheio a ter usado e aproveitado a espionagem internacional em larga escala.
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Como este post não é propriamente uma tese de doutoramento sobre a matéria, vou terminar o texto apenas com um pedido de esclarecimento:
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- será que a Espionagem e os seus Agentes são mesmo um mal necessário?







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Post "auto-plagiado" de um texto do autor no seu outro blog o MUNHO.
Fotos: seleccionadas na internet

2010-05-19

« JOHANNES BRAHMS... O COMPOSITOR MAL AMADO... »

Johannes Brahms
(Hamburgo, 1833 - Viena, 1897)



Selo de Correio Comemorativo do Compositor
Evocando o Homem na juventude


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Túmulo no Cemitério Histórico de Viena

Grande plano de placa comemorativa



Esta é a "SINFONIA nº 2" de BRAHMS,
que muitos 'confundiram' com a «Pastoral» de Beethoven,
a sexta sinfonia deste compositor.
[Houve na época uma tendência para associar a linguagem musical destes dois grandes
Génios da Música]



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Johannes Brahms, comemoraria neste mês de Maio 177 anos de idade. É importante não deixar nunca de falar destas figuras que marcaram a sua e as épocas que se sucederam, e independentemente da evocação, é mister ainda prestar atenção à obra que deixaram para a posteridade.
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Foi compositor alemão, autor de obras para piano e director de orquestra. O seu trabalho cabe plenamente na última época do romantismo, aquela que melhor representou o sector reaccionário; não procurou possibilidades técnicas que supusessem uma evolução. Escreveu para orquestra (2 serenatas, 4 sinfonias, 2 concertos para piano e 1 para violino) e para vozes com acompanhamento de orquestra (Avé-Maria, «Réquiem» Alemão), canções e... muito mais!
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Brahms é uma figura que desperta controvérsias, conquanto seja praticamente impossível recusar que se trata de um dos maiores músicos de todos os tempos.
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Pessoalmente, na fase difícil que atravesso na minha vida, faço-me acompanhar por este grande autor, ouvindo-o no carro ou em casa na "Vals en La bemol mayor, Op. 39/15"! Em seguida sucedem-se outras interpretações. Porém..., a interpretação que referi é muito curta! Preenche apenas um minuto e trinta e um segundos de espaço temporal, que é proporcional à lágrima que me vai escapando, sem eu querer!
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É mesmo assim: cada toque numa tecla do piano... é uma aflição... seguida de um alívio (...)
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Sendo muito vasto o número daqueles que o admiram quase sem reservas - estou entre eles -, o facto é que também não se poderá apontar em Brahms o exemplo acabado de um autor verdadeiramente amado pelo público!
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Brahms teve uma infância muito difícil em Hamburgo, cidade onde nasceu, num dos bairros mais mal afamados da Europa daqueles tempos!
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Isto não significa que o pai - pertencente a uma família tradicionalmente ligada a uma severa formação religiosa luterana - não tratasse o filho com naturais desvelos e até com grande ternura, mas a vida obrigava-o a actuar quase todas as noites como pianista em Bares da zona portuária frequentados por prostitutas, marinheiros de arribação, aventureiros e diversos outros representantes de uma sociedade ligada à marginalidade.
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Por razões não muito claras, o pai de Brahms costumava levar o filho com ele para esses lugares de trabalho, pelo que, com o decorrer da noite, o pequeno Johannes acabava muitas vezes por substituir o seu progenitor ao piano, acabando também ele por ceder ao sono, adormecendo ternamente embalado ao colo de uma das prostitutas de serviço no local (...)
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Curiosamente, estes dois elementos, a severidade da educação protestante e uma assumida simpatia pela classe das prostitutas, sempre se conjugaram na sua personalidade.
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E essa estranha conjugação também se verifica na sua obra.
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Com efeito, até dentro de uma mesma peça, Brahms pode mostrar-se um compositor austero (havendo quem defina essas características com a expressão "neo-clássico"...), embora, subitamente, deflagrem verdadeiras explosões de romantismo e também abordagens do reportório mais popular.
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Nietzsche - o filósofo - que foi um excelente musicólogo e até um razoável compositor - considerava que Brahms ocultava-se atrás de uma imagem de severidade ou mesmo de frieza, patente na solidez formal, quase monolítica, de muitas das suas páginas, ainda que, num repente de sinceridade, fizesse confissões quase desbragadas dos sentimentos mais íntimos (...)
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Tudo isto determina que a estética de Brahms não seja facilmente classificável, podendo as atitudes extremarem-se ao ponto de uns colocarem Brahms no topo dos maiores criadores de sempre, enquanto outros o classificam como uma espécie de burocrata da música.
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Brahms tinha, sem dúvida alguma, formas diversas de abordar a expressão musical e podemos admitir que revelava em qualquer dessas situações um verdadeiro pragmatismo na forma de resolver os problemas.
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A sua música nunca é previsível, pode até ser surpreendente, mas sente-se que se trata de alguém que sabe para onde vai e que só vai para onde quer. Mesmo o 'desbragamento' de sentimentos a que Nietzsche se referia é sempre produto de uma opção previamente racionalizada (...)
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A sua primeira Sinfonia, estreou-se após largos anos de trabalho e de maturação.
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Pelo contrário, a Sinfonia nº 2 foi composta durante umas férias de Verão! Muito embora tenham características diferentes, têm ambas particularidades que podem considerar-se imutáveis no compositor.
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A necessidade de classificar, ou criticar, leva os analistas musicais a associar sistematicamente Brahms à figurar tutelar de Beethoven, pelo que até houve quem chamasse «Pastoral» à sua 2ª Sinfonia, insistindo na associação do compositor de Hamburgo ao consagrado mestre de Viena, cuja 6ª Sinfonia se celebrizou com esse nome[Pastoral]!
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Será escusado negar que existe uma relação entre certos elementos da música de Brahms e a linguagem musical expressiva de Beethoven; mas o próprio Brahms terá comentado essa constatação tão judiciosa como banal, resmungando em dada altura:
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- Até um asno percebia isso!...
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De facto, a personalidade de Brahms é tão marcante, tão poderosa, tão rica de significados originais, e em muitos aspectos até incomparável, que se torna penoso confrontar-nos com comentários críticos que façam perder tempo a explorar evidências (...)
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Dedicou grande parte da actividade ao piano, principalmente na juventude e... depois, na velhice.
Antes de terminar, e para justificar o epíteto de reaccionário em cima referido, interessa explicar que em 1860 cometeu alegadamente um erro: assinou, junto com outros músicos um manifesto contra a escola neo-alemã, de Lizt e Wagner.
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Embora não fosse afecto a polémicas, deixou-se arrastar e entrou naquela, o que lhe valeu a designação de reaccionário! Mais tarde, a opinião de Schumann alteraria a opinião pelo que a classificação foi alterada para Brahms, o Progressista!
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A sua última obra orquestral é o Concerto Duplo, para Violino e Violoncelo. É um dos trabalhos mais apaixonantes. O diálogo entre os solistas no movimento lento é um dos pontos altos de toda a produção "brahmsiniana", e vale como uma resumo de toda a sua obra!
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Todavia... o último trabalho publicado foi o ciclo Quatro Canções Sérias, onde praticamente despediu-se da vida. Ofereceu a colectânea a si próprio de presente, no aniversário de 1896.
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Johannes Brahms faleceu ano e meio depois, no dia 3 de Abril de 1897.
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Desde sempre e tal como nos dias de hoje, por muito valor que se tenha, quem tiver a pecha de mal nascido - leia-se o que se entender -, na falta de berço de ouro e uma enorme moral à cabeceira, será um «mal amado» e confundido com outros que não tocaram piano em tascas, nem adormeceram ao colo de nenhuma rapariga da alegada vida fácil!






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Fotos da Net


2010-05-17

«BLOG PREMIADO COM O SELO "PRÉMIO DARDOS"»





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Há dias fui surpreendido com a gentileza da escolha da Professora Teresa, do Blog
'Os meus óculos do mundo', indicando - entre outros - este blog ALFOBRE com a distinção e atribuição do Selo «Prémio Dardos»!
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Trata-se de uma homenagem que pessoalmente sinto imerecida, considerando reconhecer as minhas limitações de toda a ordem, para ombrear com outros blogs de grande gabarito, e autênticos valores culturais. Tanto é assim que, este selo - ilustração em cima inserida -, contempla e distingue reconhecidamente os valores de cada bloguista ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras... entre suas palavras!
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Este Selo foi criado com a intenção de promover também a confraternização entre bloguistas, uma forma de demonstrar carinho e muito empenhamento por um trabalho que se deva considerar de interesse público, e que acrescente uma mais valia à blogosfera.
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De acordo com as regras, passo a indicar o Selo "Prémio Dardos", por ordem alfabética, para os seguintes [15] BLOGS:

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Fiz esta selecção tendo em conta a qualidade e diversidade de cada autor/a, com quem muito tenho aprendido e sentido um grande apoio humano, o que me tem sensibilizado bastante.
Tenho de apresentar também o meu grande Obrigado aos que aqui não figuram
pela limitação quantitativa imposta pelas regras(...)
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Qualitativamente, estão todos no meu coração!
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Indico agora (conforme as tais regras), o que cada Blog aqui indicado poderá fazer. É sabido, mesmo por quem não for' jurista', que as leis, e as regras, são para se cumprirem e, também, para
exercermos o nosso livre arbítrio!

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Assim, há que:
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1. - Exibir a imagem do Selo no seu blog.
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2.- Linkar o blog pelo qual recebeu a indicação.
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3.- Escolher outros QUINZE blogs a quem entregar o «Prémio Dardos».
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4.- Avisar os escolhidos pelos meios que achar convenientes: num comentário, e-mail, etc.

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Envio saudações bloguistas a todos, e... agora... vou fazer o que recomendei: copiar e colar o Selo do Prémio neste meu blog, de nome agrícola, O Alfobre [de Letras] .

2010-05-07

« 170º ANIVERSÁRIO de TCHAIKOWSKY

Pyotr Ilyich Tchaikowsky
Compositor russo
(Votkinsk, 1840 - S. Petersburgo, 1893)
Autor de Óperas, Sinfonias,
Bailados (Quebra Nozes)
e de
Concertos



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A Blogosfera será o "Grande Cósmico" ( ou Deus) e ... o Google... o seu "Profeta"! "Abri" o 'santuário' do computador com a determinação de alinhavar um texto consagrado à Família (influência positiva de um 'post' de blogue com uma linda peça de escrita e imagem sobre um casal de andorinhas construindo um ninho novo), quando esbarrei com uma cena de 'Ballet' na 'página' do Google, em pleno monitor, evocando o aniversário do nascimento de Tchaikowsky.
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Acho importante conversar um pouco sobre esta figura universal da música e, assim, vamos acompanhar a efeméride, e tentar honrar aquela insigne figura que, para uns foi anjo e... para outros, sabe-se lá... um demónio!
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Contrariando o Senhor de La Palice (ou La Palisse) vamos começar pelo fim, isto é ... pela audição da Sinfonia «Patética», a última obra deste magistral compositor (...)
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..Amém...

.[assim seja]



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Tchaikowsky representa um dos casos mais demonstrativos de que não se pode por princípio confundir o carácter pessoal de um artista com as suas qualidades profissionais.
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Um post de blogue não será o espaço ideal - para não massacrar a paciência dos leitores - para esmiuçar aspectos verdadeiramente lamentáveis da vida deste compositor genial, que foi, no mínimo uma figura de comportamento extremamente controverso (...)
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Houve, todavia, quem não alimentasse quaisquer dúvidas em relação a determinados comportamentos do músico, do que resultou para todos os efeitos a sua morte física.
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Oficialmente, estabeleceu-se que tinha morrido de cólera, a fim de se evitarem escândalos gravíssimos.
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Menos oficialmente, admitiu-se que um grupo de cavalheiros o teria convidado a suicidar-se, como forma de atenuar de algum modo as consequências gravosas dos actos - no campo de uma sexualidade inequivocamente patológica - que envolviam membros de menor idade das mais altas esferas da aristocracia russa.
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Na terminologia actual e sem rodeios, não se tratava de nada mais do que: pedofilia!
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Na realidade, sabendo-se que Tchaikowsky sempre se mostrara possuidor de uma personalidade fraca e naturalmente pusilânime, torna-se muito dificil admitir que - nesses momentos a todos os títulos trágicos ou patéticos -, tivesse mostrado coragem para o fazer (...)
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E assim, a versão mais escamoteada ao público será porventura aquela que se coaduna com a verdade, considerando-se provável que a referida comissão de cavalheiros o tenha pura e simplesmente executado.
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A Sinfonia "Patética" foi a sua última obra, estreada poucos dias antes da alegada infecção de cólera, e reflecte da forma mais pungente toda a tragédia do seu autor.
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A respeito da referida obra, Tchaikowsky escreveu uma carta ao seu irmão - também compositor, ainda que muito mais modesto e até Modesto de nome próprio... -, na qual confessava que a sua Sinfonia, a sexta, ocultava um "programa" enigmático e profundamente subjectivo: contava em suma uma história que não poderia nem deveria ser desvendada; e o compositor acrescentava nessa missiva que chorava por diversas vezes ao compor (...)
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Será importante e bom lembrar que se estava em plena Rússia Czarista!
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Ao ouvirmos a Sinfonia "Patética" - e sabendo quais as acusações e consequentes ameaças (ou mesmo condenações...) que recaíam sobre o compositor -, compreendemos melhor esse título [Patética], tal como o doloroso finalizar dessa partitura, no entanto, uma das mais geniais na história do melhor sinfonismo de sempre (...)
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O público reagiu mal à estreia, havendo quem atribua essa reacção negativa ao facto de a obra terminar com um andamento lento, tremendamente dramático e bastante contrário à tradicional espectacularidade que caracteriza o chamado finale de uma assinalável quantidade de sinfonias.
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Contudo, essa espectacularidade não é uma regra e menos poderá considerar-se obrigatória...
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Parece que, a despeito de todas as censuras próprias de um sistema policial repressivo, as pessoas já iam murmurando aos ouvidos umas das outras aquilo que se dizia sobre Tchaikowsky e das suas taras de perversidade sexual, pelo que as reacções na dita estreia só muito dificilmente poderiam ser de aplauso!
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Na segunda execução da peça, verificada já depois da morte do compositor, os aplausos já não lhe foram regateados: homenagem ao compositor genial, sem dúvida, mas também um certo desagravo, ao condenado (...)
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Depois de morto, os seus lastimáveis vícios já não poderiam constituir um perigo para nenhuma família!

(...)
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Sinto uma grande vontade de aproveitar este 'andamento'', para dissertar e criticar a maneira como a Justiça (não) está a 'resolver' os casos de pedofilia em Portugal, que se vão arrastando para um vazio que se suspeita virem a acabar em "águas de bacalhau" (perdoai o termo).
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Tal & Qual Tchaikowsky..., muitos "artistas" em cena deste "affaire" da pedofilia à portuguesa, serão ou foram reconhecidamente grandes profissionais, e tiveram mérito no contributo do seu esforço laboral para com a sociedade. Porém, não lhes indicando o caminho do suicídio, nem forjando "esquadrões da morte"..., penso que lhes ficaria bem deixarem o papel ridículo de se considerarem personagens de um país com o maior número de inocentes por metro quadrado!
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Tenham dó..., assumam os erros...
peçam desculpa e... tratem-se!
Não nos dêem... é mais música!

2010-05-06

« POR MIM..., E... POR PROCURAÇÃO ... »

William Shakespeare, dramaturgo e poeta inglês
(Stratford on Avon, 1564 - 1616)
*
Meu 'procurador' hoje,... leia-se:
meu representante Espiritual por um dia.

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Shakespeare foi filho de um comerciante, casou-se aos 19 anos, tendo depois abandonado o lar, para se dedicar ao teatro, em Londres, a princípio em funções e papéis subalternos.
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Actor e co-proprietário do Glob Theatre, logo se tornou célebre.
Em 1613, retirou-se para Stratford. Há muitas controvérsias a respeito da autoria das suas obras, isto é, tentativas de atribuí-las a outros que não o nosso dramaturgo.
De qualquer maneira, essa obra imensa é extraordinária pela sua riqueza e diversidade.
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Autor de poemas e de um volume de Sonetos, Shakespeare escreveu principalmente para o teatro.
Podem-se distinguir na sua obra dramática peças históricas, comédias, tragicomédias e tragédias em três períodos: o da juventude, marcado por um entusiasmo muito elisabetano, um segundo período, no qual, sob o efeito de decepções políticas, sombrias tragédias alternam com algumas comédias, e um período de paz espiritual.
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Escrito para um público londrino composto de homens do povo e aristocratas, o teatro de Shakespeare assombra pela variedade e pelo vigor do estilo, pela profusão de personagens e sua diversidade social e psicológica, e pela mestria da construção dramática.

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Temos de fazer honrar a memória desta figura histórica das Artes e das Letras. Porém, tenho desde há muito tempo a informação de que Shakespeare assinou todas as obras para esconder o real autor de tudo o que conhecemos.
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Segredos de Sociedades Secretas, apontam o real autor na pessoa de Sir Francis Bacon, Imperator dos Rosacruzes no século XVII




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[Sr. FRANCIS BACON, VISCOUNT St ALBANS * REX * IMPERATOR
R+C LORD CHANCELLOR
ROSAE CRVCIS RATIONE ET EXPERIMENTA SCIENTIAE, PHILOSOPHIAS
Anno D'ni 1626]



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Naqueles tempos, de facto, os nobres não podiam descer à condição de obreiros fosse do que fosse! Parece que foi nesse espírito que nasceram as Empresas Sociedades Anónimas! Seria uma vergonha para um nobre, se se dedicasse a algo diferente do que fosse a carreira das armas e, muito especialmente de cavalaria!
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As Artes e Letras também eram coisas menores para Povo produzir!
Nós... por cá... não fomos assim!
Sou um apaixonado pela Marquesa de Alorna!

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O título do texto deste post "por mim..., e por procuração..." prende-se com alguma objecção pessoal quanto à matéria que acabei de escrever.
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Alguma quebra nas minhas forças físicas e psíquicas recuperaram de alguma forma ao ouvir variadas vezes a peça musical que aqui exponho para apreciação.
Foi o linimento que me ajudou a ultrapassar
os momentos da maior melancolia que hoje me assolou,
na luta titânica contra a doença da pessoa mais querida que tenho,
e que quero conservar
a todo o custo.


2010-05-03

« BOOK - BLOGAGEM COLETIVA »

O VERDADEIRO ANALFABETO É AQUELE QUE APRENDEU A LER E NÃO LÊ !
[Mário Quintana]

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.Comemora-se hoje o Dia da Liberdade de Imprensa e, por isso mesmo, foi o dia escolhido pelo blog "Marcas D´Água", com a adesão de outros blogues, para esta blogagem coletiva que o "ALFOBRE de Letras" aplaude e à qual se incorpora, aceitando o repto.


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O vídeo revela-nos uma fantástica «descoberta» científica! Experimente este "novo" produto, o BOOK, e vai ver que valerá a pena.
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Parece que desta,... é que 'descobriram' mesmo a "pólvora"!
E... há Senhores,... do Poder,... que até comparam
esta descoberta com algo de perigoso
e até
EXPLOSIVO



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Aberto aqui ao meu lado, tenho um desses exemplares típicos de amigo que nunca se enfada de nós, companheiros de todos os momentos, lugares e horas... numa disponibilidade permanente,
que tem inscrita a seguinte mensagem:

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« Meu muito amado Tesouro do meu saber;
desejava-te encontrar,
se algum dia te perder ...
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(Assinatura ilegível - datado em 21 de Julho de 1917 - Soldado combatente da
Iª Guerra Mundial)

2010-05-02

« 2 de MAIO de 2010 - O DIA DA MÃE »

MÃE
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Declamando Fernando Pessoa - « O Menino de Sua Mãe»


«O Menino de Sua Mãe»
[Fernando Pessoa)
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No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado-
Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe.»

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
“Que volte cedo, e bem!”
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece
«O menino de sua mãe»

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{Este Poema é dedicado às Mães que perderam seus filhos nas guerras!}


=o=

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Em Portugal o Dia da Mãe já foi comemorado a 8 de Dezembro (Dia da Nossa Senhora da Conceição - Padroeira de Portugal).
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Actualmente é celebrado no primeiro Domingo de Maio, em homenagem a Maria, mãe de Jesus Cristo.
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O "Dia da Mãe" tal como o conhecemos hoje surgiu nos Estados Unidos da América através de Anna Jarvis. Em 1904, quando a sua mãe faleceu, decidiu homenagear a mãe chamando a atenção na igreja de Grafton para um dia especialmente dedicado a todas as mães.
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Três anos depois, a 10 de Maio de 1907, foi celebrado o primeiro Dia da Mãe, na igreja de Grafton, reunindo praticamente família e amigos. Nessa ocasião, a senhora Jarvis enviou para a igreja 500 cravos brancos, que deviam ser usados por todos, e que simbolizavam as virtudes da maternidade. Ao longo dos anos enviou mais de 10.000 cravos para aquela igreja - encarnados para as mães ainda vivas e brancos para as já desaparecidas - e que hoje são considerados mundialmente como símbolos de pureza, força e resistência das mães.
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Face à aceitação geral, a senhora Jarvis e os seus apoiantes começaram a escrever a pessoas influentes, como ministros, homens de negócios e políticos com o intuito de estabelecer um Dia da Mãe a nível nacional, o que daria às mães o justo estatuto de suporte da família e da nação.
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A campanha foi de tal forma bem sucedida que em 1911 era celebrado em praticamente todos os estados. Em 1914, o Presidente Wilson declarou oficialmente e a nível nacional o 2º Domingo de Maio como o Dia da Mãe.
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Apesar de ter passado já um século, o amor que foi oficialmente reconhecido em 1907 é o mesmo que é celebrado hoje e, à nossa maneira, podendo fazer deste um dia muito especial.
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É o que fazem quase todos os países, apesar de cada um escolher diferentes datas ao longo do ano para homenagear aquela que nos põe no mundo.
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Em conformidade com alguns historiadores, o Dia da Mãe está ligado às mais antigas festividades que decorriam na Grécia Antiga, aquando da Festa da Primavera, na qual se honrava a Mãe dos deuses - Rhea, a mulher de Cronos e Mãe dos deuses.
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Em Roma, as festas comemorativas do Dia da Mãe eram dedicadas a Cybele, a Mãe dos deuses romanos, e as cerimónias em sua homenagem começaram por volta de 250 anos antes de Cristo.
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À medida que o Cristianismo se espalhou pela Europa passou a homenagear-se a "Igreja Mãe" - a força espiritual que lhes dava vida e os protegia do mal. Ao longo dos tempos a festa da Igreja foi-se condundindo com a celebração do Domingo da Mãe.
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As pessoas começaram a homenagear tanto as suas mães como a Igreja.
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No século XVII, a Inglaterra celebrava no 4º Domingo de Quaresma um dia chamado "Domingo da Mãe", que pretendia homenagear todas as mães inglesas.
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Neste período, a maior parte das classes mais desfavorecidas trabalhavam longe de casa e vivia com os patrões. No Domingo da Mãe, os servos tinham um dia de folga e eram encorajados a regressar a casa e passar esse dia com a sua mãe.
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Não ficaria bem comigo se não recordasse quem, por liberdade individual de pensamento, não professa qualquer tipo de religião! Estamos a falar, nomeadamente dos ateus! É evidente que, sendo bons filhos como os melhores que seguem todo e qualquer tipo da diversidade de religiões que o mundo conhece, também eles, como cidadãos e humanos, venerarão as suas mães.
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A Mãe... é Universal! Não obedece a perfis pré-concebidos, ou é propriedade de quaisquer correntes (...) a Mãe... e a Natureza... andam de mão dada!










2010-05-01

« O 1º. de MAIO em PORTUGAL... e lá FORA »






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No século XIX, a pujança da “Revolução Industrial” conduziu à sujeição dos trabalhadores a condições desumanas de laboração.

A necessidade de se produzir o máximo ao mais baixo custo não respeitava idades nem sexos.

As organizações sindicais eram incipientes e perseguidas pelas autoridades policiais.

Em 1864 é criada a Primeira Associação Internacional dos Trabalhadores, em Londres.

A iniciativa surge num contexto de união entre líderes sindicais e activistas socialistas com vista a dar voz às lutas dos trabalhadores e às nações oprimidas.

A esta associação se chamou mais tarde a Primeira Internacional Socialista que duraria sete anos.

As divisões ideológicas entre as várias facções (sindicalistas, anarquistas, socialistas, republicanos e democratas radicais, entre outras) puseram fim à agremiação, mas deixaram mais explícitas as reivindicações e propostas pelas quais os trabalhadores se deveriam debater.

A redução da jornada de trabalho para as 10 horas diárias era uma delas.

Os objectivos saídos desta Internacional tiveram eco no IV Congresso da American Federation of Labor, em Novembro de 1884.

As negociações, sucessivamente falhadas com as entidades patronais, fizeram das cidades operárias um barril de pólvora pronto a explodir. Até que, em 1886, no dia 1 de Maio, teve início uma greve geral com a adesão de mais de 1 milhão de trabalhadores em todo o território norte-americano. A reacção a esta paralisação foi violenta.

Na cidade de Chicago a repressão policial foi especialmente dura. Ao quarto dia de manifestações (dia 4 de Maio) explodiu uma bomba entre a multidão matando dezenas de trabalhadores e alguns polícias.

Deste incidente resultou a prisão de oito líderes do movimento. Quatro foram condenados à morte por enforcamento e os restantes a prisão perpétua.

Em 1890, o Congresso americano vota a lei que estabelece a jornada de oito horas de trabalho e três anos mais tarde, depois da reabertura do processo que levou à condenação dos oito operários, conclui-se que a bomba que explodiu em Chicago tinha sido colocada pela própria polícia.

O luto fortaleceu a luta

Três anos depois da condenação dos que ficaram conhecidos como os “Mártires de Chicago” as repercussões sentiram-se na Europa.

Assim, em 1889, a Segunda Internacional Socialista decidiu, em Paris, proclamar o 1º de Maio como o Dia do Trabalhador em memória dos que morreram em Chicago.

Curiosos são os títulos de alguns jornais americanos a propósito das manifestações dos trabalhadores.

O “Chicago Tribune” dizia na altura: “A prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social”. O New York Tribune seguia a mesma linha: “Estes brutos só compreendem a força, uma força que possam recordar por várias gerações”. De sublinhar que nos EUA o chamado Labor Day festeja-se a 3 de Setembro e não a 1 de Maio.

Em Portugal

A decisão da Comuna de Paris, de decretar o 1º de Maio como o Dia Internacional do Trabalhador teve repercussões no nosso país.

Diz-nos José Mattoso (in História de Portugal, vol. 5), que houve um reforço da luta do movimento operário português em finais do séc. XIX sendo "em torno da associação e da greve que gravita o próprio movimento operário".

Entre 1852 e 1910 realizaram-se 559 greves no nosso país. A subida dos salários, a diminuição da jornada de trabalho e a melhoria das condições de laboração eram as principais exigências dos operários.

Mas, segundo o mesmo autor, o movimento operário alcançava grande força quando "aquelas (associações) a que hoje chamaríamos propriamente «sindicatos» se juntavam com as recreativas, as de socorros mútuos e os centros políticos".

Tal ficou demonstrado no 1º de Maio de 1900 que juntou em Lisboa cerca de 40 mil pessoas, numa altura em que "as classes médias ainda viam as organizações de trabalhadores com alguma simpatia".

Durante a I República não se deixou de festejar o Dia do Trabalhador, mas sublinhe-se que um dos primeiros diplomas aprovados, com a instituição do novo regime, dizia respeito ao estabelecimento dos feriados nacionais e destes não constava o dia do trabalhador.

Em 1933 é decretada a "unicidade sindical" e o "controle governamental dos sindicatos" esmorecendo um movimento operário que só ganharia novo ânimo na década de 40. Durante o Estado Novo as manifestações no Dia do Trabalho (e não do Trabalhador) eram organizadas e controladas pelo Estado.

O primeiro 1º de Maio celebrado em Portugal depois do 25 de Abril foi a maior manifestação alguma vez organizada no país.

Só na cidade de Lisboa juntaram-se mais de meio milhão de pessoas. Para muitos, foi a forma dos portugueses demonstrarem a sua adesão ao 25 de Abril, que uma semana antes restituía ao país a democracia.