[ Vox populi vox Dei ]

2010-04-28

« CUTTY SARK [velho] ... SEM ÁLCOOL... ! »

Vista do "Cutty Sark" a bombordo
Óleo de Jack Spurling
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Vista do 'clipper' a estibordo
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Óleo de Tam O'Shanter fugindo da «bruxa» Nannie
que ficou com a cauda
do animal na mão
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Nannie (a bruxa - segundo a lenda) decorando a proa do navio
como "carranca"
ou
'figura de proa'
[empunhando a cauda de cavalo]

Cutty Sark visto de 'popa'
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Grande 'plano' da imagem da embarcação
numa estadia
no Tamisa





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Cutty Sark, um dos veleiros (de 1869, tipo clipper) mais conhecidos do mundo, não só mas também devido à conhecida marca de whisky [proprietária britânica do barco], está (ou esteve) desde 1957 numa doca seca, em Greenwich, arredores de Londres a uns metros da linha do meridiano zero, assinalado por um traço pintado a dividir uma pequena casa, a meio, e serve de alojamento a um curioso museu de figuras de proa famosas - conhecidas também por carrancas -, já visitado por cerca de quinze milhões de pessoas.
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Uma das figuras é a do próprio Cutty Sark, conhecida por Nannie, a segurar uma cauda de cavalo, vestindo apenas uma camisa muito curta [cutty sark].
Na proa da embarcação está uma réplica, para preservar a escultura original.
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O Clipper Cutty Sark foi vítima de um grande incêndio no dia (salvo erro) 22 de Maio de 2007. Acidente... ou não..., existe uma teoria de alegado atentado terrorista contra aquele símbolo do poderio naval britânico, uma forma de retaliação das atitudes políticas do tempo de Tony Blair, aquando as suas tomadas de posição, com outras parcerias, e de acordo com a política americana anti-árabe!
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Podia-se visitar todos os seus recantos em três níveis diferentes: convés, para saber como era a vida a bordo, porão superior, onde uma exposição mostrava a história do navio, e porão inferior, com a colecção «Long John Silver» de figuras de proa salvas de muitos veleiros naufragados ou desaparecidos.
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As crianças vibravam com as histórias - e continuam a vibrar -, para além do veleiro em si, e a lenda que inspirou o poema de Robert Burns, donde saíu o nome do clipper: Cutty Sark ou «Camisa curta»:
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- O camponês Tam, escocês que gostava da bebida, regressa a casa montado na sua égua Maggie, numa noite de tempestade em que bebera a valer na companhia de um seu amigo que era sapateiro. No adro da igreja avista, aterrorizado, um grupo de bruxas que dança à luz das labaredas e ao som da música que o próprio Diabo toca. Entre elas, velhas e feias, há uma diferente: jovem e linda de seu nome Nannie, que parece ser mais veloz que as outras. Dirige-se para a Ponte sobre o Doon, porque sabe que as bruxas não podem atravessar água corrente. Na outra margem estará a salvo. Mas, por mais que a pobre égua galope, Nannie está cada vez mais perto. Já na ponte, a bruxa consegue agarrar a cauda de Maggie (a égua) e arrancar-lha.
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Por isso, a Nannie figura de proa do veleiro tem o braço esquerdo esticado com uma cauda na mão!
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A vida destes veleiros velozes chamados clippers foi curta: uns escassos 30 anos. A abertura do Canal do Suez e o barco a vapor acabaram com as corridas entre os clippers na rota do chá: Tratava-se de chegar em primeiro lugar a Inglaterra com a colheita das folhas que os ingleses tanto apreciam.
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Quanto mais fresco era o chá, mais procurado. O Cutty Sark foi construído especificamente para o comércio do chá com a China.
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Seguiu-se a rota da lã, desta vez rumo à Austrália. Numa e noutra rota o seu grande rival foi sempre o navio "Thermopylae", outro veleiro famoso! A própria construção destes barcos ingleses fala-nos do período de transição em que existiram: misturam a madeira dos seus antecessores com o ferro dos seus sucessores. O porão inferior do Cutty Sark é um bom local para verificar a resistência desta conjugação de materiais.
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O Thermopylae acabou os seus dias às mãos dos portugueses, como navio escola. Entrou a barra do Tejo no dia 29 de Maio de 1896 e foi incorporado na Marinha Real com o nome de Pedro Nunes. No dia 13 de Outubro de 1907, foi afundado de propósito, ao largo de Cascais, com um torpedo num festival marítimo, depois de ter sido decidido que tinha de ser abatido ao efectivo.
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O Cutty Sark, que também foi português (já lá vamos), teve melhor sorte na época, pois os ingleses voltaram a interessar-se nele!
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Em termos do veleiro "Pedro Nunes" e à boa maneira desperdiçadora dos portugueses, meteu-se aquilo no fundo numa paródia marítima e, quanto a valores ou património..., talvez considerado 'coisas irrelevantes'!
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O velho «White Hat» Willis, para quem o Cutty Sark foi construído, decidiu vendê-lo em 1895, considerando que o "Clipper" já não era rentável! Grande foi o desgosto do Capitão Woodget, o melhor Comandante que o veleiro teve! Figura muito típica, com o seu farto bigode e um chapéu à Tam O' Shanter (ver a ilustração do 'óleo' em cima exposto) .
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Os compradores foram os membros da família Ferreira - os Ferreirinhas. Embora o nome do barco tenha sido alterado para "Ferreira", consta que a tripulação portuguesa lhe continuou a chamar «o Camisola Curta - Cutty Sark».
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Nos painéis da exposição a bordo, dois com a bandeira portuguesa (se não arderam) a «nossa expressão» aparece assim num título: «El Pequina Camisola»!! Faz lembrar o Santo Condestável que chegou a passar por «Alvarez»! No caso do veleiro, pensa-se que os marinheiros não eram emigrantes do nosso país vizinho! Traduções à Inglesa!
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Enquanto o navio navegou sob pavilhão português, não faltaram azares. O veleiro perdeu por duas vezes o leme, primeiro num furacão ao largo das Índias Ocidentais em1909, e seis anos mais tarde a caminho de Moçâmedes. Pouco tempo depois, com uma carga de 1142 toneladas de carvão e também a caminho de Moçâmedes, perdeu parte dos mastros, sendo rebocado para Capetown para ser reparado. Em tempo de guerra era difícil a substituição dos mastros perdidos.
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Foi portanto reaparelhado com velas de pendão só num dos mastros, e da proa. Perdeu assim algum encanto que, mais tarde, de novo na posse dos ingleses, o Capitão Dowman trataria de devolver o Cutty Sark à sua imagem original.
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Há alguns indicadores actuais de que a estrutura do navio encontra-se intacta e o estrago do fogo não foi maior, porque uma parte considerável do barco se encontrava retirada do mesmo por motivos de restauro, que se pode chamar, providencialmente, de "abençoado" restauro.
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Regressando à História, verdade seja dita, o "Ferreira" - ex-Cutty Sark - foi uma preciosidade que nos veio parar às mãos, no ano supracitado (1895), para o armador Joaquim Antunes Ferreira, que até 1922 não lhe deu descanso nem "reforma".
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Enquanto português ostentou dois nomes: " Ferreira", como já se disse, e "Maria do Amparo"!
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Entretanto, os ingleses ou por saudosismo ou por investimento no seu património histórico, readquiriram o "Maria do Amparo" por um valor muito superior ao que na realidade tinha.
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Na época talvez tenha sido bom, não se sabe se saberiam dar-lhe o valor que tinha, ou conservá-lo como merecia.
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Só de lembrar que o veleiro "Pedro Nunes", o ex-Thermopylae, foi 'alegremente' afundado a tiros de ' artilharia' ... ao largo de Cascais!!
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De qualquer modo, é gratificante saber que o mais famoso dos "clippers" do mundo - o Cutty Sark -, navegou 27 anos ostentando a bandeira portuguesa.









Imagens recolhidas na net





2010-04-23

« UM 25 de ABRIL à GUILHERME TELL »









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No ano de 1815, quando Friedrich Schiller escreveu o seu Guilherme Tell, sopravam na Europa ventos de Liberdade e de União. Ouviam-se vozes singulares e plurais, e por vezes o grito dos grupos tornava-se confuso. Era uma época de grande força criadora, mas nem sempre com um objectivo firme ou seguro. Schiller era filósofo e poeta, dramaturgo e autor de canções, ao mesmo tempo que homem da sua época e um pesquisador apaixonado pelo passado.
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Estas actividades conjuntas faziam com que a sua voz (ou o seu canto?) fosse ouvida com atenção e inspirasse ideias de claridade e grandeza em versos sempre sonoros... mas o objectivo e o resultado eram documento ou lenda? Referia-se ao passado ou a um passado que tinha que ver com o presente?
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Repetir estas perguntas quando o «presente» se tornou passado, levanta novas interrogações. Vivemos numa época de grande memória e de grande esquecimento. Muitos dirão:
- Quem não conhece Guilherme Tell, o soberbo atirador que foi capaz de a 80 passos acertar com uma flecha na maçã colocada na cabeça do filho? Mas, seria só isso o que Schiller narrou? Trata-se apenas de uma fabulosa perícia?
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A narração não termina aí, e o assunto - que Schiller tratou com nitidez - não é apenas uma história ou um recorde desportivo. Há uma terceira figura que surge no ambiente (o malvado Gessler) que obriga Guilherme Tell a atirar a seta. Qualquer erro seria a morte do filho. Sacrificá-lo porque assim o ordenava Gessler, seu superior? No momento culminante, Guilherme Tell, perante o filho e a maçã, calcula a distância... e prepara a segunda flecha. Instantes depois acerta no alvo, partindo a maçã em duas, e consegue com a sua destreza obedecer à ordem, e ao mesmo tempo não matar o filho. Gessler, invejoso e espantado, pergunta:
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- Para que era a segunda flecha que escondeste no peito?
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E Guilherme Tell, que não sabia mentir, responde:
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- Para ti! Esta flecha iria direita ao teu coração se com a outra ferisse o meu filho.
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Esta resposta - e esta flecha - mudam o sentido da fábula. Guilherme Tell não é apenas um homem obediente. Também não é um irreflectido que se revolta antes de experimentar a sua verdadeira força. É o homem capaz de cumprir a ordem sem derramar o sangue querido. Mas se fosse outro o resultado, saberia rebelar-se e defender o que era seu.
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É curioso que este diálogo tenha sido esquecido pela memória popular. E recordam-se tantas frases escritas por Schiller a propósito deste feito! A obra original é principalmente isso: frases, declarações, grupos que exprimem em bela linguagem as suas intenções e descrevem paisagens, visto que nessa época o teatro romântico convidava as famílias a fecharem-se numa sala e a olharem para um cenário cheio de papel pintado. Durante a representação, as personagens falavam da Natureza, das correntes de água. Os pássaros, o verde da floresta, só aparecia pintado. Confiava-se na força das palavras.
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E as palavras eram tão fortes e convincentes que o Guilherme Tell de Schiller suplantou o herói do mesmo nome que viveu nos Cantões Suiços em 1300.
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Teria Guilherme Tell existido? - pergunta tantas vezes discutida por eruditos pouco sensíveis à ambiguidade poética. Ter-se-á chegado a uma resposta. Sem dúvida que Guilherme Tell existiu. E até duas vezes. Uma em carne e osso, por volta de 1300. Outra, em verso e alma, em 1800. E continuará a existir, sabe-se lá quantas vezes mais, nos muitos homens que ao receberem a ordem fulminante de disparar contra o seu próprio sangue guardarem duas flechas no peito: uma para obedecer a quem reconhecem como seu chefe, a outra para defender os seus direitos, liberdades e garantias quando estes estiverem em perigo.
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Aproxima-se o 25 de Abril, um grande dia para os portugueses. Entretanto, algo faz lembrar a falta de entusiasmo (?) que por aí anda pelos direitos, liberdades e garantias, pois, salvo melhor opinião, as pessoas mudaram muito desde 1974 para cá.
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O mundo anda em 'des-conserto' e, talvez por isso mesmo, daí o valor acrescentado da celebração deste dia e do que ele significa.
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A alegada crise económica faz com que muitos de nós coloquem as questões económicas em primeiro lugar... e se ache que nos podem tirar direitos, porque existe uma crise.
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Talvez fosse conveniente atentar que, nem todos são bons atiradores como Guilherme Tell o foi, e pode dar-se o caso de ter que utilizar mesmo a segunda flecha!
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Será bom "avisar toda a gente"... e, lembrar que não se admite o regresso dos "vampiros" que comem tudo,... e não deixam nada!

2010-04-20

« CÃES BONS..., ou HOMENS PERIGOSOS? »

O velho 'ex-libris' do salvamento S. Bernardo
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Cão em acção, salvando uma vida humana
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Em busca de sobreviventes... ou não!
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Cão de Fila
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Pit Bull Terrier
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Expressão simpática de um Rottweiler
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American Staffordshire

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Staffordshire Bull Terrier


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A ligação entre o homem e os animais é, cada vez mais, uma importante e decisiva realidade, percebendo-se que esta actuação conjunta ganha contornos absolutamente fundamentais.
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Um pouco por toda a Europa, os terramotos do Haiti, na Turquia, no Chile e noutras zonas de cataclismo, permitiram o aproveitamento das potencialidades dos cães na descoberta das vítimas, muitas vezes em locais inacessíveis ao homem.
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Na ilha da Madeira, as nossas gentes ficaram destroçadas pelos efeitos do temporal, impiedoso, duro, inevitável, com muitos compatriotas a perderem os seus haveres e a ficarem com os familiares e amigos perdidos entre água, lama, pedras, árvores, destroços...
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Os cães das brigadas de salvamento - nomeadamente os da G.N.R. - foram utilizados para descobrir corpos, mas igualmente para auxiliar vítimas que ainda puderam ser salvas.
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A vida é dura e cruel, muitas vezes. Mas a união é, sem dúvida, necessária. E graças aos esforços conjuntos dos homens e dos animais, a vida, na ilha da Madeira, foi regressando, pouco a pouco, à quase normalidade.
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A equipa de Busca e Salvamento da Unidade de Intervenção da Guarda Nacional Republicana [G.N.R.], participou activamente de 20 de Fevereiro a 5 de Março na ajuda da catástrofe que se abateu sobre aquele território português na madrugada e manhã de 20 de Fevereiro.
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Trata-se de homens e cães com muita experiência operacional e real em cenários desta natureza, fruto das centenas de missões já cumpridas, em Portugal e no Estrangeiro.
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A G.N.R. é pioneira em todas as vertentes cinotécnicas, em particular na busca e salvamento, com um efectivo de quase uma centena de pisteiros espalhados por todo o território português, como primeira linha de intervenção na busca de pessoas.
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A selecção destes Militares e Cães, bem como a sua formação específica, obedece a rigorosos critérios de exigência à semelhança dos que são usados nos países com quem a G.N.R. colabora activamente nas áreas da formação e em projectos ou missões conjuntas, como a Alemanha, França, Luxemburgo, Itália, Hungria, Grécia, China, etc.
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A nossa homenagem a quem a merece, pois não se pode ficar indiferente a esta realidade talvez pouco conhecida, e que é justo dar a saber.
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Todos os animais serem bons ou perigosos, depende dos humanos com que convivem. Inversa e paralelamente, o mesmo se poderá aplicar ao homem, em função da forma como estiver inserido na Sociedade: ser-se-á um homem bom ou não, muitas vezes dependendo de com quem convive!
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Esta é uma verdade insofismável, embora se saiba que existem várias espécies animais que nascem longe do Homem e vivem, também, longe dele. São os animais selvagens ou silvestres que crescem geneticamente na sua condição isolada de seres vivos não dotados dos elementos necessários à sua vida em grupo com outros animais, incluindo o Homem.
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No caso vertente o que se pretende dizer e explicar é que os chamados animais domésticos, ou seja, aqueles que se podem domesticar (adaptar) e conviver com os seres humanos, com especial incidência, desde logo, nos cães e nos gatos, é necessário compreender que a sua docilidade e a sua capacidade de viver na companhia dos humanos dependem, em muito, da forma como os animais são tratados por ele.
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Não basta ser um animal doméstico. É preciso que seja um animal bem tratado e que perceba que o companheiro humano, com quem vive, é seu amigo e o dignifica!
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É tolice afirmar que um cão ou um gato não têm personalidade. E é um erro grave que pode conduzir a situações irremediáveis de separação, ou mesmo de revolta!
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Todos os animais são bons ou perigosos, dependendendo dos humanos com quem vivem, ou convivem.
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Quantos animais são perseguidos, apedrejados, pontapeados, abandonados e até atropelados propositadamente!?
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E sendo assim..., pretendem que os animais atingidos sejam seus amigos, atentos, dedicados, gratos e venerados?...





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[Imagens da net]
Na ilha da Madeira, as nossas gentes ficaram destroçadas.

2010-04-15

« LOBOS LIVRES em PORTUGAL »

Livremente na Natureza

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Determinação e agilidade
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Lealmente... olhos nos olhos!
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Cães domésticos... descendentes do lobo.
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Sou pequenino... mas está-me tudo
na massa do
sangue!

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Raposa vermelha, inteligente como as demais da família.





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Os animais que vivem livremente na natureza são chamados de selvagens, ou silvestres, exactamente por sobreviverem utilizando os seus instintos naturais. Ou seja: não passaram por nenhum período de aprendizagem, tal como aconteceria com o homem se crescesse e vivesse nas mesmas circunstâncias.
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Comecemos pelo cão doméstico que descende do lobo.Por isso necessita sempre de ter um líder a quem seguir e a quem obedecer. No entanto é bom saber e reconhecer que cada cão tem a sua personalidade e as suas necessidades próprias, pelo que deve ser respeitado e compreendido.
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Um cão nunca deve ser tratado como uma peça do mobiliário caseiro. Se o fizermos corremos o risco sério de adulterar, por completo, os seus comportamentos originais e interferir com a sua personalidade, o que é perigoso e desajustado da realidade e da conveniência.
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Além disso, cada raça leva a um comportamento e até dentro da mesma raça há comportamentos dissemelhantes.
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Foi então a partir do lobo que todos os cães evoluíram, embora neste momento as diferenças já sejam gritantes, como por exemplo o modo como bebem água.

.O cão utiliza a língua para levar a água à boca e o lobo "aspira" o líquido.
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Os lobos, para além disso, vivem em grupo (alcateias) de cinco a dez elementos, dependendo do próprio núcleo familiar e da altura do ano. Têm sempre duas pelagens distintas, a de Inverno (a mais densa), de maior comprimento e de cor acinzentada que cai no início da Primavera. Nasce depois uma pelagem mais curta, de cor acastanhada, que lhe confere maior capacidade de camuflagem.
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Também nas alcateias há um líder que é respeitado pelos demais e que guia todo o grupo pelo seu território nacional.
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O Nordeste Transmontano é o local onde mais facilmente se encontram estes animais. Também é possível encontrar lobos no Parque Nacional da Peneda do Gerês e no Distrito da Guarda, na Serra de Leomil.
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Contudo em Portugal, os lobos estão a atravessar uma fase de declíneo e a sua sobrevivência está ameaçada. Declínio que começou em função de uma caça desenfreada e despropositada e, quando ela foi proibida, de um envenenamento traiçoeiro e criminoso.
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Como sempre,... a espécie humana... no seu " melhor "...!
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Por seu turno, a raposa, é o carnívoro selvagem com maior distribuição e abundância em todo o Mundo. Tem um focinho esguio, com orelhas longas e pontiagudas e uma cauda espessa e vistosa com cerca de meio metro de comprimento.
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A pelagem é castanho - avermelhada e as suas garras são retrácteis. As fêmeas são menores que os machos.
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Chega a ter cerca de vinte esconderijos de comida e consome cerca de 500 gramas de alimento por dia. Nas zonas rurais, por vezes, assalta os galinheiros tendo o hábito de matar o excesso, o que lhe vale uma má fama entre essas comunidades. Tal como o lobo vive em grupo, formado por um macho e várias fêmeas.
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As ninhadas são de quatro ou cinco crias e cada gestação é de dois meses.
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Utiliza tocas escavadas e protegidas pela vegetação, construídas por ela própria ou aproveitando as de texugos ou coelhos. Vive em média, cerca de nove anos [se não encontrar antes, um ser humano caçador de peles!].







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P.S.
- Dedico este humilde texto a todos os defensores dos animais, dando particular realce ao blogue Loba das Estepes - http://lobadasestepes.blogspot.com

- Faço ainda referência ao meu antigo camarada das Forças Armadas o Coronel Médico Veterinário Dr. Lapão, responsável pelo Jardim Zoológico de Lisboa, com o qual muito tenho aprendido sobre a vida animal e, tal como eu, lamenta os animais em cativeiro! Porém, como é óbvio não os pode soltar, mas esforça-se no sentido de lhes proporcionar as melhores condições de vida saudável!

2010-04-12

« HISTÓRIA do HOSPITAL DE SÃO JOSÉ »

Entrada do Hospital de S. José, em Lisboa
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Panorâmica da área interior do hospital
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Estátua equestre do Rei D. José I no Terreiro do Paço
em
Lisboa
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D. José I - 25º Rei de Portugal
(1714 -1777)

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Grande plano da estátua
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Amostra de vários «painéis historiados» de azulejos
do Hospital de São José
manufacturados em meados do século XVIII
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O antigo Hospital Real de Todos os Santos
danificado com o terramoto de 1755
em Lisboa
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Santo Inácio de Loyola (1491-1556)
[mencionado no texto]
Fundou em Paris a Companhia de Jesus
aprovada pelo Papa em 1540






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Dom José, o primeiro de Portugal, mandou anunciar que tinha decidido «fazer perpettua irrevogavel Doação da Igreja e Collegio (de Santo Antão) com todos os edifícios interiores, officinas e cercas e tudo o mais que se acha dos muros da dita caza para dentro sem limitação
alguma ao hospital»
que viria a adoptar o nome de São José.
Apesar da importância histórica da doação, há muito que se previa tal decisão porque além de funcionar, parcial e deficientemente, o Hospital Real de Todos os Santos ficara mortalmente danificado com o terramoto de 1755.
Herdeiro dos privilégios e tradições do Todos os Santos, o Hospital de São José seria instalado o mais próximo possível do seu predecessor, tendo sido por isso escolhidas as instalações do Colégio de Santo-Antão-o-Novo, que pertencera aos Jesuítas e que se encontrava desocupado há pelo menos seis anos, desde que o Marquês de Pombal os banira de Portugal.
Considerado como um dos maiores conjuntos edificados em Lisboa, o Hospital de São José herdou dos Jesuítas um conjunto de construções em grande parte arruinado pelo Terramoto.
Construído em 1589, segundo traço do arquitecto Baltasar Álvares, o Colégio dos Jesuítas foi afectado em alguns pontos pela catástrofe de 1755, sendo de referir a lamentável perda da igreja, que se diz ter sido uma das mais belas do seu tempo. Desconhecida para a maioria das pessoas e muito interessante do ponto de vista histórico é a narrativa da construção do Colégio de Santo-Antão-o-Novo.
História repleta de peripécias com episódios hilariantes, as origens do edifício onde actualmente funciona o Hospital de São José começa quando os Jesuítas, que possuíam já um Colégio igualmente consagrado a Santo Antão no local onde hoje vemos a Igreja do Coleginho, nas traseiras da Mouraria, resolveram que era tempo de construir novo instituto porque naquele local já era difícil expandirem-se.
O Cardeal Infante Dom Henrique foi o principal impulsionador da ideia, tendo mandado comprar umas casas que havia junto ao Arco da Graça, juntando-lhe outras construções e terrenos doados por Dona Filipa de Sá, 3ª Condessa de Linhares.
O próprio rei Dom Sebastião contribuiu para o novo colégio, ordenando à Câmara de Lisboa que cedesse à Companhia de Jesus uma parte do Campo de Sant'anna para ali se formar a cerca do novo estabelecimento.
No entanto, segundo documentos da época, os terrenos cobiçados pelo Jesuítas e que Dom Sebastião tão pronta e levianamente oferecia aos padres da Companhia de Jesus, estavam na altura ocupados por uma série de casas e pardieiros humildes que constituiam o chamado Bairro de Sant'anna.
É aqui que começam as dores de cabeça dos Jesuítas.
Aparentemente, dois factores explosivos contribuiram na altura para o reboliço que se seguiu: o bairrismo proverbial dos bairros lisboetas de então, por um lado, e a presença de um padre tempestuoso e decidido, que instigava as populações locais a boicotarem o empreendimento, por outro.
Assim que começaram os trabalhos de demarcação dos terrenos, a população enfurecida começou a atirar pedras contra os trabalhadores enquanto o terrível padre, confessor das freiras de Sant'anna, arremessava conjuras e maldições que fariam tremer o menos supersticioso dos operários. Deste modo, estiveram as obras paradas por muito tempo, sem que alguém estivesse disposto a arriscar-se a subir ao sítio de Sant'anna, até que eclode a tragédia de Alcácer-Quibir e o Cardeal Dom Henrique assume a regência do país.
Como protector da Companhia de Jesus, o cardeal não levou muito tempo a pressionar o andamento das obras.
Apesar disso, o lançamento da primeira pedra, efectuado no dia 11 de Maio de 1579, foi realizado de modo discreto, quase a medo.
Segundo Baltazar Telles, cronista dos Jesuítas, parecia mais prudente aos homens de Loyola evitar nessa altura quaisquer confrontações « porque de começada a obra, facilmente se impede, mas depois de principiada, posto que se cançem, já a não podem derrubar».
Porém, ao contrário do que se esperava, os populares de Sant'anna não perdiam «pitada» do que se passava e assim que se aperceberam das intenções dos Jesuítas sairam a correr à pedrada aos pobres trabalhadores.
A colina onde se situa actualmente o Hospital transformou-se rapidamente num campo de batalha e a construção do colégio voltou a cair num absurdo (e ridicularizante) impasse.
Tanto mais embaraçosa era a situação quanto, dias após dia, o apoio popular em torno da causa de Sant'anna crescia, com a aglomeração (no actual Campo Mártires da Pátria) de milhares de habitantes de outros bairros dos arredores.
Nessa altura, já já não era apenas as casas a derrubar, mas todo o projecto em si que estava em questão.
Diziam os manifestantes que não era digno de um país enlutado pela morte do Rei «Desejado» que se fizessem monumentos luxuosos e magnificientes como aquele e que, com os cofres esvaziados pela louca aventura de D. Sebastião, fosse gasta uma fortuna num colégio quando os Jesuítas já tinham outro.
Os homens de Loyola, no entanto, conseguiam maneira de fugir ao cerco ao descobrirem a existência de areia e alvenaria no interior da obra que lhes permitia continuar os trabalhos sem ter de passar pela população em pé de guerra.
Para ajudar a causa dos Jesuítas, nessa mesma altura foi nomeado como «presidente» da Câmara de Lisboa um homem muito respeitador, influente, principalmente entre as classes mais desfavorecidas: Dom Pedro de Almeida. Diz-se que o novo «autarca» foi falar à população procurando dissuadi-la da inevitabilidade da construção e (qual político moderno em campanha eleitoral) pegou numa enxada e foi ajudar os operários sitiados.
A obra, no entanto, seria interrompida de novo em 1580 por morte do Cardeal (de quem dependia pessoalmente grande parte do dinheiro utilizado na construção do Colégio), pelo que, conforme podiam os Jesuítas foram construindo o seu novo estabelecimento de ensino.
Finalmente, no dia 5 de Novembro de 1593, o novo Colégio de Santo Antão é inaugurado, embora as obras prossigam e o edifício só venha a estar definitivamente concluído 59 anos depois, graças ao dinheiro posto à disposição pela Condessa de Linhares.
Segundo documentos da época, a mudança do hospital das antigas instalações da Praça da Figueira para o Colégio de Santo-Antão-o-Novo foi feita em tempo tão curto (para os nossos dias) que ficou como um acontecimento notável.
De acordo com o relatório do primeiro enfermeiro-mor do Hospital de São José, foi apenas em três dias, entre «3/4/5 de Abril de 1775, por ordem de Sua Majestade Fidelíssima, o Senhor Rey Dom José o primeiro, (que) se mudarão os doentes do Hospital Real de Todos os Santos, que existia no citio do Rocio, para o novo Hospital Real de San Jose (...) sendo feita esta sem perigo algum dos doentes, e sem fazer despesa alguma...»
Para o conseguir, toda a cidade de Lisboa movimentou-se nestes três dias.
Nobres, pessoas caridosas e irmãos da Misericórdia conduziram macas e esquifes transportando os doentes.
Os religiosos dos conventos de Lisboa ajudaram carregando os doentes aos ombros e aqueles que se encontravam em pior estado tinham à disposição coches e berlindas cedidas por nobres e ricos.
O hospital, que conforme o relatório do enfermeiro-mor adoptou desde o início a designação de São José em homenagem, segundo alguns autores, ao santo patrono do monarca (ou, de acordo com outros, ao próprio rei Dom José), foi ampliado e remodelado a partir de 1811, com a inauguração dos primeiros quartos particulares destinados a homens.
Apesar das novas enfermarias, dos edifícios ampliados e das salas mal iluminadas e sem ventilação que foram melhoradas, o Hospital debatia-se já nessa altura com uma crónica falta de espaço, pelo que se anexa , em 1841, o antigo Hospital de S. Lázaro, destinado a leprosos.
Oito anos depois, a administração do Hospital de São José é forçada a transferir cerca de 170 alienados que ocupavam as enfermarias de São Teotónio e Santa Eufémia para o então recém-inaugurado Hospital de Rilhafoles.
Em 1857, aglutinou o Hospital do Desterro, instalado no velho Convento de São Bernardo, dando origem à designação de «Hospital Real de São José e seus anexos».
Em 1892 e 1903 seriam igualmente assimilados como «anexos» os hospitais de Arroios e Santa Marta.
O Hospital de Dona Estefânia foi anexado em 1877, seguido de doenças infecciosas do Rego (actual Curry Cabral), em 1906 e do Hospital de Santo António dos Capuchos, em 1928, altura em que o nome de São José já fora preterido em favor de uma designação mais genérica: Hospitais Civis de Lisboa.
Construída para servir de sacristia da Igreja do Colégio de Santo-Antão-o-Novo, a actual capela do Hospital de São José é, sem dúvida, o mais valioso dos edifícios do complexo original sendo considerada uma peça arquitectónica de invulgar qualidade artística, enriquecida com mármores coloridos e decorada com esplenderosos arcazes [grandes arcas com gavetões].
Os Jesuítas, que foram os melhores intérpretes do Maneirismo português, deixaram aqui uma construção sem paralelo em todo o século XVII, especialmente notável pela sua esplêndida abóbada parabólica, com cúpula de quatro secções cilíndricas e caixotões de mármores variados que correspondem aos vãos da parede exterior, do que resulta um efeito de grande riqueza decorativa.
Densamente ornamentada com talha, mármores e quadros, a zona inferior do templo resulta harmoniosamente com as sóbrias pilastras compósitas.
Diz-se que, quando a igreja que aqui existiu, era uma obra deslumbrante com as suas onze capelas e uma colecção valiosa de quadros.
Além da imagem, a óleo, de Santo Inácio de Loyola, que se pensa ter existido na capela-mor, muitos quadros desapareceram durante o Terramoto de 1755, embora alguns (especialmente os que estavam na sacristia) tenham escapado.
Considerada a mais majestosa e vasta igreja de Lisboa, o templo tinha fachada, torres, convento e oficinas de rica pedra de mármore de lioz, e os seus púlpitos eram os mais ricos que se conheciam entre os edifícios religiosos da época.
Além dos dois imponentes túmulos dos fundadores de que versam documentos antigos, os quais deviam estar expostos na capela-mor, o elemento arquitectónico mais frequentemente referido na literatura contemporânea ao Terramoto relaciona-se com o zimbório, um dos melhores de Lisboa.
Este Zimbório e as famosas torres do Colégio ruiram com o templo, a primeira em 1807 e a da direita em 1836, tendo-se aproveitado os blocos de pedra fragmentados para calçada e outras para pedestal de estátuas.
Igualmente de incalculável valor é o vasto conjunto de silhares de azulejos que revestem a escadaria nobre do edifício principal do Hospital.
Manufacturados em meados dos Século XVIII, os azulejos do São José (considerados um dos mais belos e vastos conjuntos da sua época) são do estilo dos «painéis historiados» e relatam cenas de caça e batalhas.
Além da pintura que decora o tecto do piso térreo, um pouco gasta e desbotada, o edifício principal apresenta junto ao portal, um conjunto de sete estátuas de apóstolos, obra de artesãos italianos provenientes igualmente do templo original.
As estátuas encontram-se na actual disposição graças ao enfermeiro-mor D. Francisco de Almeida que as mandou colocar ali em 1811.
Igualmente construídas por ordem deste enfermeiro-mor foram o muro e o pórtico (com a sua magnifica moldura escultórica, constituída por duas peças principais) na entrada que dá para o Martim Moniz, no fim do pátio onde, durante muitos anos, era costume realizar uma grande feira dedicada a São José e a São João.
O Hospital organizou um pequeno Museu e Arquivo Histórico, conserva uma imensa documentação que se estende até datas muito recuadas, entre as quais consta, por exemplo, a ficha clínica do célebre Elmano Sadino (BARBOSA du BOCAGE) que aqui esteve internado durante algum tempo.








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[ - Imagens seleccionadas na Net.
- Dados históricos baseados em bibliografia
editada pela Sociedade Histórica de Portugal
de que o autor do blog é sócio.]


2010-04-06

« CRAZY HORSE, O LÍDER da NAÇÃO SIOUX »

O Chefe Sioux Crazy Horse (Cavalo Louco)
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Tashunca-Uitco
(no dialecto Sioux)
O TOTEM
Símbolo Sagrado
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Crazy Horse e o General Americano George Custer
OS DOIS CHEFES
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'Casacos Azuis' defendem-se em Little Big Horn
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Imagens da histórica vitória Índia na batalha de Little Big Horn
(25 de Junho de 1876)
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Colosso de engenharia e escultura, sito no Dakota do Sul
em construção desde 1948
representando Tashunca-Uitco
- Crazy Horse -
"Cavalo Louco"
Obra de maior envergadura do que as conhecidas faces de políticos
esculpidas na rocha da montanha
(George Washington, etc.)
Autoria de: Korczak Ziolkowskiem (já falecido)
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Exemplar de Machado de Guerra
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CACHIMBO da PAZ

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TASHUNCA-UITCO (Ou Crazy Horse - "Cavalo Louco"). Em 1841, à volta da gruta sagrada de Bear Butte, numa grande reunião da nação Sioux, na cordilheira de Black Hills, a jovem esposa de um homem medicina (feiticeiro) da raça Oglala, deu à luz, sobre uma pedra polida do rio, um bebé de carnes estranhamente claras e de cabelos claros e encaracolados.
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Chamaram-lhe "cabelos encaracolados". O seu pai, "Cavalo Louco", não era um guerreiro, mas a sua posição de sacerdote e adivinho situava-o ao nível máximo da escala hierárquica Oglala.
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Aos onze anos, igual a outros meninos da mesma idade, "caracóis" era um perfeito caçador, cavalgava com destreza o pónei que o pai lhe havia dado e conhecia cada segredo da vida vegetal e animal das grandes planícies.
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Um par de anos mais tarde, mesmo não se tendo ainda tornado oficialmente num guerreiro, participou, ainda que com certa distância, no seu primeiro combate contra outras tribos índias.
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Conheceu em seguida os brancos e organizou com outros rapazes correrias contra as carroças dos emigrantes que, cada vez em maior número, invadiam o território Sioux.
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O primeiro e verdadeiro encontro com os soldados teve lugar no dia 17 de Agosto de 1854. Caracóis era pouco mais do que um adolescente, mas combateu como um perfeito guerreiro, aniquilando junto a outros mais de mil Sioux, o pequeno contigente, 31 homens no total, do Tenente Grattan.
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A sua vida continuou movimentada, passando por combates cada vez mais violentos com os militares americanos nortistas, conhecidos por casacos azuis (túnicas azuis). Os índios golpeavam e dispersavam-se. Era um "morde e foge" contínuo.
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Cavalo Louco, nome de guerreiro adoptado em honra de seu pai, era indómito e corajoso, era o primeiro a meter-se na peleja e o último a retirar-se do combate.
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Como filho de feiticeiro, dizia-se que tinha amuletos capazes de desviar as balas adversárias. Pouco a pouco tornou-se importante e popular até se converter no terror dos brancos e num grande Chefe da sua tribo.
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Logo se deu conta de que a simples táctica de guerrilha não permitiria nunca conseguir uma vitória definitiva sobre os odiados soldados "casacos azuis".
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Foi um dos poucos "peles vermelhas" que teve uma visão global da luta entre homens brancos e os vermelhos. Talvez fosse o único capaz de pôr em prática estratégias de combate não guiadas pela tradição, mas sim pela experiência no campo de batalha, capaz de pôr em apuros a mais de um General do Exército norte americano.

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Conseguiu demonstrar isso tudo na épica batalha de Little Big Horn, em que guerreiros bem organizados e disciplinados puderam combater eficazmente a ofensiva do homem branco, conseguindo vencê-lo.
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Aquele desfecho, foi uma das mais demolidoras derrotas do Exército Americano,com o aniquilamento de todos os soldados, incluindo o próprio líder militar do famoso 7º de Cavalaria, o invencível General George Armstrong Custer.
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Homens desta fibra, regra geral, não têm grande longevidade! Assim aconteceu a Tashunca-Uitco, ou Cavalo Louco!...
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Aos 38 anos, foi cobardemente morto à traição (...)
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Dá vontade de evocar o famoso Lusitano VIRIATO, que sofreu igual destino para travar o seu génio guerreiro e a fibra de lutador pela liberdade.






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(Imagens in: Net)

2010-04-02

« FESTA PAGÃ... OU NÃO..., É PÁSCOA ! »








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O Natal e a Páscoa, as grandes festividades do calendário cristão, são celebrados com costumes que tiveram a sua origem na superstição e nos ritos pagãos centenas de anos anteriores ao nascimento de Cristo.
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Mesmo a fixação das datas deve mais às práticas pagãs do que ao nascimento e ressurreição de Jesus. Só no século IV o dia 25 de Dezembro foi arbitrariamente fixado como aniversário da Natividade, porque os festivais pagãos de que derivam tantos hábitos cristãos se realizavam por volta dessa data.
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E o Dia de Páscoa, que continua a ser uma festa móvel apesar das numerosas pressões no sentido de se lhe fixar uma data específica, é determinado pelas fases da Lua, que os pagãos há muito tomavam em consideração para estabelecerem as ocasiões apropriadas para venerarem os seus deuses.
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Embora o Cristianismo se tenha disseminado pelo Mundo em relativamente pouco tempo, em comparação com as história das grandes religiões, a relutância dos pagãos em abandonarem os seus deuses e antigas práticas dificultava consideravelmente a tarefa dos Missionários.
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Consequentemente, estes, incapazes de converterem facilmente um mundo baseado em formas de culto totalmente diferentes, procederam do modo mais inteligente. Aceitaram os festivais pagãos na sua essência e, gradualmente, introduziram nestes e nos ritos e costumes a eles ligados as observações da nova fé.
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Só no século IX o dia 25 de Dezembro foi chamado Natal! Até então fora a Festa do Solstício de Inverno, uma combinação do Festival Escandinavo de Yule e das Saturnais Romanas, ambos os quais se celebravam nos finais de Dezembro.
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Voltando à quadra festiva presente - a Páscoa -, o azevinho, uma planta sagrada dos druidas, era suspenso no exterior das casas dos Vikings como um sinal de paz e boas-vindas aos estrangeiros. Mas, para os primeiros cristãos, segundo os quais Cristo fora crucificado numa cruz de madeira de azevinho, o peso da culpa fizera murchar o prestígio da 'planta' que, não sendo utilizada na decoração das igrejas, se manteve, contudo, como o emblema por excelência da época natalícia.
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Tal como o Natal, também a Páscoa foi extraída pelos primeiros cristãos do calendário pagão. Escolheu-se o Festival da Primavera de Eostre, deusa da Aurora, que se celebrava perto do equinócio da Primavera.
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Os "hot cross buns", bolos quentes que muitos milhões de pessoas comem na Sexta-Feira Santa, são uma reminescência desse festival pagão. Por toda a Europa, nessa época, confeccionavam-se pequenos bolos "mágicos" de trigo, marcados com uma cruz. Serão hoje os conhecidos folares, bolos contendo um ovo cozido e decorados, por cima, com uma cruz.
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Os folares que tradicionalmente os padrinhos oferecem aos afilhados de baptismo.
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As origens do ovo da Páscoa remontam ainda mais atrás. Na maioria das civilizações antigas, o ovo era considerado como a origem da vida e da fertilidade ou um símbolo da reencarnação.
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Não surpreende, pois, que tenha sido adoptado, juntamente com o Festival da Primavera, como símbolo da ressurreição de Cristo.
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O costume, vigente em alguns países, de fazer rolar ovos pelos campos, reproduz um hábito antigo comum entre os agricultores que obedecia ao objectivo de garantir colheitas abundantes.
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Na época de 1870, em Washington, as crianças utilizavam os terrenos que rodeiam a Casa Branca neste passatempo, que danificava a relva, pelo que o jogo foi proibido.
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O desapontamento das crianças comoveu a Primeira dama, a Srª Rutheford Hayes - esposa do 19º Presidente dos E.U.A. -, que pôs o relvado do Capitólio à sua disposição [parecendo sem importância, esta atitude fez História]!
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A partir de então, rolar ovos na Casa Branca, na segunda-feira de Páscoa, tornou-se um costume de carácter nacional - um exemplo significativo de um hábito moderno cuja origem remonta aos tempos da história pagã, tempos em que ainda não haveria chocolate.
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Uma gostosa substância que se ocupou dos ovos da Páscoa e não só, para adoçar estas amargas páscoas e pascoelas dos nossos dias.











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[Imagens seleccionadas na Net]