[ Vox populi vox Dei ]

2010-12-29

« NÃO À DESFLORESTAÇÃO!... UMA ATITUDE PARA 2011 »

 MULHER  ÁRVORE




DESFLORESTAÇÃO é o processo de desaparecimento de massas florestais, fundamentalmente causada pela actividade depredadora humana. Está directamente ligada à acção do homem sobre a natureza, principalmente devido à destruição de florestas para a obtenção de solos para cultivo agrícola ou para extracção de madeira, por parte da indústria madeireira, da celulose e do papel.

Vivemos agarrados ao papel, bem vistas as coisas. Dos bons livros, materialização da criação literária, aos vulgares livros de cheques, das notas dos testes de avaliações até às que trabalhamos, dias e dias a fio, para ter no banco ao fim do mês.

Não é de esconder admiração face à vastidão de sentidos conotativos que uma simples palavra pode conter. No fundo é o que confere diversidade e beleza à língua, o que inspira a arte. O presente caso não necessita, porém, de recorrer a tais meios. O facto da sociedade ser tão dependente do papel não se refere apenas à faceta monetária do vocábulo. Embora não se refute, obviamente, o seu "papel" preponderante neste caso. São formulários e impressos, em órbitas incansáveis à mente. Assinalam-se cruzinhas para se candidatar ao emprego, escrevem-se declarações, passam-se multas... define-se a identidade das pessoas por simples números e moradas  em rectângulos chamados bilhetes de identidade. E tudo à celulose se parece resumir.

Sabemos, muito resumidamente, o papel das árvores na nossa vida. Especificamente na nossa sobrevivência. Isto porque, muito para além dos oxigénios e compostos carbonados que por cá andam a passear, algo de transcendente nos caracteriza. Algo que trespassa e vence a papelada, abstractamente real na sua dimensão.

Ora, tendo em conta estes dados, talvez nos devessemos submeter a qualquer tipo de reflexão antes de progredir com o vício inato da desflorestação.

É tempo perdido "apapelar" a sociedade. Deixemos o papel para a Arte. Depois... a Arte para a Vida (...)



VÍDEO DE DENÚNCIA DA DESFLORESTAÇÃO



2010-12-26

« WHITE CHRISTMAS - "THE DRIFTERS" »


  White Christmas é indubitavelmente a mais famosa e popular de todas as canções de Natal. A música e letra foram escritas por Irving Berlin em 1942 e foi tema de filmes famosos. Na Segunda Grande Guerra, soldados e  famílias trauteavam-na  esperando o regresso a casa.








White Christmas

I'm dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know
Where the tree tops glisten
And children listen
To hear sleigh bells in the snow

I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all
Your Christmases be white

I'm dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know
Where the tree tops glisten
And children listen
To hear sleigh bells in the snow

I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all your Christmases
May all your Christmases
May all your Christmases
May all your Christmases be white

I'm dreaming of a white
Christmas with you
Jingle Bells
All the way, all the way 
 
Natal Branco

Estou sonhando com um Natal branco
Assim como os que um dia eu conheci
Quando o topo das árvores resplandescem
e crianças prestam atenção
Para ouvir os sinos do trenó na neve

Estou sonhando com um Natal branco
Com cada cartão de Natal Escrevo
Que seus dias sejam alegres e brilhantes
E todos os seus Natais brancos

Estou sonhando com um Natal branco
Assim como os que um dia eu conheci
Quando o topo das árvores resplandescem
e crianças prestam atenção
Para ouvir os sinos do trenó na neve


Estou sonhando com um Natal branco
Assim como os que um dia eu conheci
Que seus dias sejam alegres e brilhantes
E todos os seus Natais brancos
E todos os seus Natais brancos

Estou sonhando com um Natal branco com você
Jingle bells até o fim...








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2010-12-24

« NATAL ... Tempo de Oportunidades ... PAZ UNIVERSAL »

 O COSMOS... O MUNDO... A FRATERNIDADE... A PAZ  UNIVERSAL


 

UM  CONCEITO  de  PRESÉPIO








DESDE O INÍCIO da vida da Igreja, no primeiro século, os cristãos não tinham outras festas para além da celebração semanal da Ressurreição do Senhor. No primeiro dia da semana - que até Constantino continuou a ser chamado Dia do Sol e era dia de trabalho - era habitual que se reunissem para escutar a Palavra de Deus, para celebrar a Eucaristia e, nos primeiros anos, para tomarem uma refeição em comum. Depois, todos regressavam às suas casas, despedindo-se até ao próximo domingo.

Com o tempo, a Igreja foi sentindo necessidade de dedicar um dia do ano à comemoração e valorização dos acontecimentos importantes da vida de Jesus, sendo a primeira festa a surgir a Páscoa. Só muito mais tarde é que a Festa do Natal entrou no calendário cristão.

Em 354 foi estabelecida a data de 25 de Dezembro para recordar o nascimento de Jesus. Não foi encontrado nenhum documento no Registo Civil de Nazaré e a escolha deriva do facto de, nessa data, ser celebrada em Roma a festa do solstício de Inverno e do aproximar-se da Primavera. Era uma festa caracterizada por uma alegria imensa, porque o sol recomeçava a resplandecer.

A esta festa os cristãos deram uma nova interpretação: é Jesus que nasce como Luz para o Mundo e para os Homens [Bíblia - Jo. 1, 9]. É a história de um Deus que se faz homem, gerado no seio da Virgem Maria, que se faz um de nós, percorrendo todas as etapas do crescimento humano até á idade adulta, que nos chama à vida, que connosco caminha e entre nós quer ficar.

Contudo, se o pretexto da Festa do Natal no dia 25 de Dezembro foi um festa pagã, parece que estamos a regressar às origens, assistimos a um vertiginoso retrocesso e uma perda do sentido cristão deste tão nosso e tão próximo acontecimento festivo.

Para além da crise económica, que estamos ou estaremos para passar, o mais preocupante é a crise de valores que aflige toda a nossa sociedade. Por onde andam aqueles valores nobres que deveriam nortear a vida: a Solidariedade, a Bondade, o Respeito, a Justiça, a Verdade, o Civismo, a Família... o Amor?

A crise que vivemos, que não nos pode encontrar de braços cruzados, com medo ou desesperados, é uma oportunidade de interpelação, de procura e de risco. Dizer que vivemos em crise não significa que está tudo perdido mas, que é urgente recentrar o nosso compromisso com o mundo, com os outros e... com Deus verdadeiro e não com o «deus» dos "Mercados" (...)

Natal (deriva do latim nativitas: nascimento) é a oportunidade para acolher a Luz que nasce; oportunidade para nos tornarmos luz nascente; oportunidade de ver, para lá do horizonte do sol poente, um novo amanhã que nasce...  NATAL... é Tempo de Oportunidades!



ROBERTO CARLOS  in  WHITE  CHRISTMAS

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2010-12-19

«O PORQUINHO da ÍNDIA (Caviinae) - Vulgo: " COBAIA"! »

 Porquinho da Índia
COBAIA



Há alguns dias (10 de Dezembro p.p.), comemorou-se o "Dia Internacional dos Direitos dos Animais". Mais uma oportunidade para algumas [muitas] consciências terem o seu dia hipócrita, dedicando algum tempo à 'bicharada' e, logo a seguir, deixarem os princípios humanos adormecidos por mais um ano, continuando indiferentes aos atentados de toda a espécie, assistindo a Circos e Touradas, vestindo roupagens confeccionadas de peles naturais, beneficiando placidamente dos resultados de experiências laboratoriais efectuadas em criaturas, que não estão no palco da Natureza para serem martirizados em prol da Ciência química, seja medicamentosa, ou cosmética. 

Desde o Século XIX que os porquinhos da Índia são um dos animais de laboratório de emprego mais corrente. Pouco exigentes na qualidade de alimentação e muito prolífica, a cobaia é dos animais de experimentação mais económicos. É um animal de orelhas curtas, cauda reduzida a uma pequena protuberância arredondada; molares resistentes; dedos separados, sendo três nas patas posteriores e quatro nas anteriores; pelagem geralmente irregular na cor, pois são geralmente brancos com malhas negras, amarelas ou ruivas, mais ou menos largas e desiguais, sendo extremamente bonitos. Carece de alimentação em quantidade, passando perfeitamente sem beber quando lhe abundam nos alimentos plantas suculentas.

Em repouso sustenta-se sobre as quatro patas, pousando o ventre no chão; algumas vezes, porém, apoia-se exclusivamente sobre a parte posterior do corpo e, como muitos poucos roedores, leva à boca os alimentos com as extremidades dianteiras [como os esquilos]. É muito sociável. Macho e fêmea vivem sempre juntos, manifestando um pelo outro grande ternura e, como são muito limpos, passam o seu tampo lambendo-se um ao outro. Enquanto um dorme, o outro vela pela sua segurança e quando o primeiro prolonga o sono por tempo demasiado, o outro acorda-o, lambendo-o, para, por sua vez, cair no sono.

Os indivíduos do mesmo sexo vivem em boas relações de harmonia, excepto quando se trata de apanhar o melhor quinhão de alimento ou o melhor lugar para dormir... Os machos que perseguem uma mesma fêmea batem-se violentamente e a luta só termina quando um dos contendores foge ou entrega espontaneamente a fêmea ao vencedor.

A cobaia é um animal extremamente fecundo. A fêmea tem, em geral dois partos por ano, e, em cada parto, tem três, quatro ou mesmo cinco filhos. Estes nascem já inteiramente formados e com os olhos abertos; com poucas horas de vida estão já aptos a acompanhar a mãe, que tem por eles um afecto inexcedível e que os aleita durante dez a quinze dias, embora estes possam alimentar-se de comida dos pais dois ou três dias após o nascimento. Ao fim de cinco ou seis meses estão aptos a reproduzirem-se, embora atinjam o estado adulto aos oito ou nove meses de idade. Sendo bem tratados, vivem até aos seis ou oito anos. 

Foi-lhe dado aquele nome - porquinho da Índia -, embora esteja sobejamente provado que a sua origem não é a Índia, mas sim a América.

 


Um erro de navegação é o responsável pelo nome Porquinho da Índia. No Século XVI, quando os navegadores espanhóis buscavam um novo caminho para as índias, em busca de especiarias, por engano estavam em terras Sul-americanas, mais exactamente no actual Perú. Após provarem 'churrascos' de um certo animalzinho que os nativos conheciam por Cuí (e assim o chamam até hoje por causa dos seus gritinhos semelhantes ao som emitido pelos porcos jovens), simpatizaram com o animal e adoptaram-no como mascote.
Regressaram ao continente com vários deles nas bagagens e com um nome equivocado, "porquinho-da-Índia".
Mas as confusões não ficaram por aí! Logo após a chegada a Espanha, os porquinhos tornaram-se uma moda e ganharam a simpatia de toda a Europa e o Novo Mundo, não como alimentação, como eram e ainda são utilizados no Perú, mas como animais de estimação. Em inglês, são chamados Guinea Pigs!

Existe uma teoria de que tal nome lhes foi atribuído porque os navegantes (agora ingleses), ao retornarem da América do Sul, trazendo o «mascote predilecto da Europa», paravam na Guiné, um país da costa africana. Ao saberem dessa escala, as pessoas achavam que o bichinho vinha da Guiné... e não do Perú.


 Manifestação contra experiências laboratoriais 
com animais vivos


Porquinho da Índia, ou  Guinea Pig 
Cobaia é que não




Estas 'cobaias' de laboratório têm uma vida muito dura. Em cada ano, entre 50 e 100 milhões destes animais vertebrados são empregues em testes laboratoriais, dissecções e vivissecções  (abertos vivos) promovidos por universidades, centros de pesquisa e indústrias químicas e farmacêuticas. São espetados, queimados, deixados à míngua, impedidos de dormir e submetidos a outros procedimentos  indignos para um ser vivo.

É um sacrifício cruel que tem sido, ao longo dos séculos, alegadamente justificado essencial para o avanço da Ciência e da Medicina; será justo?... Pensamos que é ignóbil!

O Laboratório de Pesquisa Animal da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, um dos defensores destas práticas, argumenta numa das suas publicações que ainda não há computadores nem programas informáticos capazes de criar modelos que reproduzam a alta complexidade das interacções entre  moléculas, células, outros organismos e o meio ambiente. Assim... argumenta a organização, a pesquisa com animais tem de continuar,... em resposta aos movimentos humanistas.

Mas há cada vez mais soluções tecnológicas que permitam dispensar o uso de cobaias. Segundo um artigo da última edição da revista de divulgação científica "Scientific American", a pele humana já está a ser usada para verificar se novos cosméticos e produtos de limpeza oferecem riscos de irritação da epiderme.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que define os métodos de análise da segurança química dos produtos vendidos nos seus países membros (os mais ricos do planeta), aprovou a utilização de três modelos comerciais de pele humana gerada in vitro. Em 2004, modelos similares já tinham sido aprovados para testes de corrosividade.

A tecnologia avança em conjunto com as normas internacionais de modo a reduzir, progressivamente, o sacrifício de animais de laboratório. Um dos principais avanços dos últimos tempos ocorreu no ano passado, quando a União Europeia lanço uma directiva proibindo testar cosméticos e os seus ingredientes em animais, sempre que houver métodos alternativos, salvo poucas excepções.









Fontes:
 -Imagens: Net
 -Elementos traduzidos de revistas 
técnicas avulsas.
 - Informações cedidas na Soc.
Protectora dos Animais 
 

2010-12-16

«FALECEU CARLOS PINTO COELHO, UM LUSÓFONO COM " L " GRANDE »


O B I T U Á R I O


  Carlos Pinto Coelho
JORNALISTA
(1944-2010)


 «O Senhor Acontece»



O jornalista Carlos Pinto Coelho morreu, ontem, aos 66 anos, em Lisboa, na sequência de uma intervenção cirúrgica à aorta no Hospital Santa Marta para onde foi transferido depois de ter sido internado de urgência no Hospital de São José, segundo a agência Lusa.

Gostava que lhe chamassem “O Senhor Acontece”, considerava ser essa “uma forma gentilíssima” de lembrar os nove anos, em que diariamente, acabava o magazine cultural que teve na RTP2, de 1994 a 2003, com a célebre frase: “E assim, Acontece”. O programa foi cancelado pela direcção de José Rodrigues dos Santos.

Carlos Pinto Coelho ficou conhecido pela intervenção na área do jornalismo cultural, mas teve uma carreira abrangente. Começou a sua carreira jornalística no “Diário de Notícias”, como estagiário, em 1968, depois de ter abandonado o curso de Direito no último ano e de ter chumbado na oral de Direito das sucessões.

Além de repórter deste jornal, Carlos Pinto Coelho foi um dos fundadores do diário “Jornal Novo”, foi redactor da Agência de Notícias portuguesa ANI, director executivo da revista “Mais”.

Na rádio foi locutor das estações TSF, Rádio Comercial, Antena1 e Teledifusão de Macau. Na televisão foi chefe de redacção do Informação/2, da RTP2, director de Cooperação e Relações Internacionais, director-adjunto de Informação e director de programas da RTP durante quatro anos.

Na opinião de Joaquim Vieira, que com ele trabalhou, o que mais o distinguiu foi a projecção que deu à cultura. “Era a menina dos olhos dele. E sempre acreditou que viesse alguém que o chamasse a fazer de novo o “Acontece”. É curioso, há hoje na RTP2 uma tentativa de fazer um “Acontece”, o “Câmara Clara”, sem ser um “Acontece”. É o reconhecimento de que o programa fazia sentido e havia necessidade dele. É uma homenagem indirecta a ele”, acrescenta o jornalista Joaquim Vieira.

Pelo programa “Acontece” – que chegou a ser o mais antigo jornal cultural da Europa e acabou depois de uma polémica com o ministro Morais Sarmento que afirmou que seria mais compensador oferecer uma volta ao Mundo a cada espectador - recebeu o Prémio Bordalo e o Prémio do Clube de Jornalismo.

Foi condecorado com o Grau da comenda da Ordem do Infante D. Henrique por Jorge Sampaio, em 2000, e era oficial da Ordem das Artes e das Letras de França (2009).

Carlos Pinto Coelho nasceu em Lisboa mas viveu em Lourenço Marques (agora Maputo, Moçambique) até aos 19 anos, altura em que regressou a Portugal. 

Daí vinha certamente o seu grande interesse pela África lusófona (teve um programa que se chamava “Em Português nos Entendemos”).



Vídeo evocativo sobre a morte de Carlos Pinto Coelho

2010-12-14

« YES WE NEED: ÉTICA... VERDADE e JUSTIÇA... »

 Barack Obama criou um "Comité" especial para enfrentar mais fugas de documentos diplomáticos, tipo WikiLeaks



Barack Obama dizia, há um ano, em Oslo, que se sentia "humilde" por receber o Prémio Nobel da paz e que havia no mundo pessoas que mereciam mais essa distinção. 

Afinal, foi a promessa do que o Presidente dos EUA poderia fazer e não aquilo que verdadeiramente fez que atraiu o Comité do Nobel. E se na altura já pareceu um erro para muita gente, que dizer agora, pouco depois da entrega do Nobel ao activista dos Direitos Humanos chinês, Liu Xiaobo, que não esteve na cerimónia porque está preso na China?

E os últimos 12 meses não foram propriamente pacíficos para Obama. Em relação à política interna, é, actualmente, menos popular que George W. Bush e o único presidente, em meio século, abaixo dele é Richard Nixon, segundo uma sondagem da Gallup. 

Na política externa, tudo parecia perfeito até um australiano chamado Julian Assange desenvolver a WikiLeaks.

Todos os dias, novos documentos secretos que revelam a verdadeira face (também) da diplomacia norte-americana são colocados online, e por muito que os países digam que vão manter a mesma relação com os Estados Unidos da América, nada será o mesmo.

Causa-me alguma impressão - Costa Ribas, por exemplo, há pouco no Telejornal -, que (só) se preocupem  em responsabilizar a autoria das fugas das informações secretas, saber como tal foi possível, e assobiem para o lado [por enquanto?] quanto ao modus operandi... a que o planeta parece ter andado sujeito.



TINA  TURNER
Antes... Agora
... de sempre ...

Aqui, hoje... em palco

We Don't Need Another Hero

[Singer: TINA TURNER]

Out of the ruins
Out from the wreckage
Can't make the same mistake this time
We are the children
The last generation
We are the ones they left behind
And I wonder when we are ever gonna change it
Living under the fear 'till nothing else remains

We don't need another hero
We don't need to know the way home

All we want is life beyond, the Thunderdome

Looking for something we can rely on
There's got to be something better out there:
Love and compassion
Their day is coming
All else are castles built in the air

And I wonder when we are ever gonna change it
Living under the fear 'till nothing else remains
All the children say:

We don´t need another hero
We don't need to know the way home

All we want is life beyond, the Thunderdome

So, what do we do with our lives?
We leave only a mark!
Will our story shine like a light?
Or end in the dark?
Give it all or nothing

We don´t need another hero...

Nós Não Precisamos de Um Outro Herói

Fora das ruínas,
No lado de fora dos escombros,
Não podemos cometer o mesmo erro desta vez.
Nós somos as crianças,
A última geração.
Nós somos aqueles que eles abandonaram para trás.
E eu me pergunto, quando nós vamos mudar,
Vivendo sob o medo, até que nada mais reste...

Nós não precisamos de um outro herói,
Nós não precisamos saber o caminho para casa.

Tudo o que queremos é vida além, a cúpula do trovão

Procurando por algo [em que] possamos confiar,
Tem de haver alguma coisa melhor lá fora.
Amor e compaixão,
O dia deles está chegando.
Tudo mais são castelos construídos no ar...

E eu me pergunto, quando nós vamos mudar,
Vivendo sob o medo, até que nada mais reste...
Todas as crianças dizem:

Nós não precisamos de um outro herói,
Nós não precisamos saber o caminho para casa.

Tudo o que queremos é vida além, a cúpula do trovão.

Então, o quê fazemos com nossas vidas?
Nós deixamos somente uma marca.
Nossa estória brilhará como uma luz
Ou terminará no escuro?
Entregue tudo ou nada.

Nós não precisamos de um outro herói...




TINA TURNER CANTA: «We Don't Need Another Hero»














Fontes
Imagens, poema e tradução: Net
Vídeo: YouTube
1º texto: adaptação do D.N.

2010-12-10

« SCHRECKLICHKEIT?! - ICH BIN NICHT... BERLINER... »

 WILHELM  STIEBER
(1818-1892)

BISMARCK chamava-lhe «o meu rei dos cães de caça». Stieber iniciou a sua carreira como advogado de casos de crime e os contactos com o mundo marginal do crime foram-lhe úteis quando se tornou o primeiro cérebro da 
ESPIONAGEM ALEMÃ


 Placa comemorativa da visita de J.F.K  em Junho de 1963 a Berlim




O título deste post  [para além do repúdio da 1ª palavra - que significa 'medo'/ 'terror'] é contrário à frase proferida no discurso político de John F. Kennedy, em 26 de Junho de 1963, em Berlim Ocidental - Alemanha -, em que disse: "ICH BIN EIN BERLINER"!... Foi considerado o melhor discurso de todos os tempos (...)!!

Sabemos que era a 'Guerra Fria', as feridas da 'Guerra Quente' [ II Mundial ] continuavam por sarar, e a (boa) ideia era o bem intencionado Presidente dos E.U.A., levar à Alemanha uma atitude amistosa. Infelizmente não traduziram bem, e a expressão dada ao Presidente, para ler, foi uma "gaffe"! Assim, porque o significado do que disse tem também outro sentido, o que as pessoas poderão ter entendido foi: " Eu sou uma bola de Berlim!" - um daqueles bolos de massa de farinha frita, que se vendem nas praias, durante o Verão.


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 BISMARCK (1815-1898)  

Decidiu a todo o custo juntar os Estados e construir uma Alemanha unida. Mas primeiro tinha de derrotar os inimigos da Prússia, a Áustria e a França. 
O MILAGRE ALEMÃO. 
STIEBER e os seus espiões, foram de uma ajuda fundamental e preciosa na concretização do tal "Milagre": ganharam todas as campanhas.






Em 1848, o rei Frederico Guilherme da Prússia estava a ser insultado por uma multidão irritada de Berlim. Os ânimos estavam exaltados. De repente, um homem saiu a correr da multidão e gritou para o rei: «Morte ao tirano!». Contudo, quando chegou ao pé do monarca, em pânico, o homem baixou a voz e disse: «Não tenha medo, Majestade. Sou agente da polícia. Os meus homens encontram-se entre a multidão. Farão que nada vos aconteça.»

Depois gritou mais algumas ameaças e puxou o rei para o vão de entrada para o tirar daquela rua. Empurrou o rei e fechou a porta. Uma vez a salvo da multidão, o homem apresentou-se. Chamava-se Wilhelm Stieber.

Stieber era um jovem advogado ambicioso que também trabalhava clandestinamente como espião da Polícia. O rei ficou tão agradecido por aquela fuga que o nomeou comissário da Polícia, dois anos mais tarde. Começou assim a longa carreira de Stieber como cérebro da espionagem.

Os seus maiores feitos ocorreram na década de 1860. Nesse período ajudou o primeiro-ministro, Bismarck, a ganhar duas importantes guerras. A primeira contra a Áustria e a segunda contra a França. A tarefa de Stieber consistia em descobrir a força do inimigo e a sua preparação para a guerra. Não ficava simplesmente sentado a dar ordens. Este sombrio «cão de caça» gostava de tomar parte nas operações.

Antes da guerra contra a Áustria, por exemplo, foi fazer pessoalmente a ronda dos locais destinados às batalhas. Stieber foi disfarçado. Fazia de vendedor com um carregamento de imagens religiosas. Mas, à socapa, vendia coisas mais passíveis de conquistarem a amizade dos soldados e camponeses austríacos que encontrava: fotografias pornográficas.

Antes da guerra contra a França, Stieber voltou a fazer a ronda do território inimigo. Mas desta vez introduziu literalmente milhares de espiões que procuraram exaustivamente depósitos de armas e fortificações de defesa. Fizeram listas dos animais de centenas de quintas, para que as tropas soubessem onde podiam encontrar comida. Este «grau de penetração» era um factor novo no mundo da espionagem. Depois da vitória prussiana, Stieber estendeu os seus serviços por toda a Europa. Recrutou trabalhadores dos caminhos de ferro estrangeiros, assim como criados, operários e pessoal de hotéis. Diversos negócios alemães no estrangeiro encontravam-se a funcionar apenas com espiões. 

Os Serviços Secretos alemães tornaram-se os mais temidos na Europa! Stieber introduziu uma política de SCHRECKLICHKEIT (medo)!... Palavra pouco traduzível, mas que trazia consigo uma grande dinâmica de ...terror! Considerava que os seus espiões podiam matar espiões inimigos como soldados se matam em tempo de guerra! Também elaborou ficheiros sobre a vida das pessoas mais ricas e influentes: podiam ser úteis para casos de chantagem (...).

Wilhelm Stieber morreu em 1892 e no seu funeral estiveram presentes chefes de nações e nobres. Era voz corrente que não tinham vindo apresentar condolências!... mas sim, certificar-se de que o velho cão de caça estava bem morto!

No nosso outro blogue Munho do Alfobre, publicámos em 4.10.2010 um post intitulado «EINHEIT MACHT STARK = A UNIÃO FAZ A FORÇA». [Clique para consultar].

Escreveu-se sobre o sucesso da reunificação da Alemanha dos nossos dias, e recordou-se Otto Eduard Von BISMARCK,  o autor do «Milagre Alemão» e da fórmula usada para a sua concretização, através da aplicação prática da sua histórica máxima: « As grandes questões do nosso tempo não se solucionarão com discursos nem com soluções escolhidas pela maioria, mas com sangue e aço». 

Com Stieber a fazer tijolo, esperemos que os métodos alemães estejam mais humanizados (...)





2010-12-08

« REMEMBER... JOHN LENNON... EVERYDAY!... »



 
«BORN: October 9, 1940, Liverpool, England
DIED: December 8, 1980, New York, NY
John Lennon was born on October 9, 1940 in Liverpool, England. When he was four years old, his parents separated and he ended up living with his Aunt Mimi. John's father was a merchant seaman and John did not see a lot of his father when he was small. As a child, John was a prankster and he enjoyed getting in trouble. As a boy and young adult, John enjoyed drawing grotesque figures and cripples. One of the reasons for his obsession with cripples and deformities was because of the Death of his Mother Julia. The John's school master thought that John could go to an art school for college, since he did not get good grades in school, but had artistic talent. He made it to art school, and was not allow to play "Rock and Roll".

At this college, he met a woman by the name of Cynthia Powell, who became his first wife. As a child, John lived a life of uninterrupted calm. He didn't recall feeling desperately sad or unusually happy. Unfortunately that calm was suddenly shattered when his mother died before his 18th birthday. John did not like to talk about the death of his mother, because it was to great a sorrow to be publicized. After the death of his mother, John went to live with his Aunt Mimi. John consider his Aunt Mimi the greatest person. They lived in a little house, with frilly curtains at the windows, and an old apple tree in the front garden. When John was away from home, he thought about Aunt Mimi and her frilly curtains and her apple tree, and he realized how fortunate he was. Because, though his mother was taken away from him, he was given something precious in return.

At sixteen, Elvis is what was happening. John created the group called the "Quarry Man". They performed at school. One day, Paul McCartney was introduced to him. At this point, John ask Paul if he could join the group, and he accepted the next day. Paul McCartney introduced George Harrison to John Lennon. The first recording they made was called "That will be the day" by Buddy Holly.

John came up with the name Beatles for the group. John had a vision when he was 12 years old - a man appeared on a Flaming pie and said unto them 'From this day on you are Beatles with an 'A'. The Beatles were discovered by Brian Epstein in the Cavern, where they were performing. After Brian discovered the Beatles he became their manager. The Beatles released their first single "Love me Do", with George Martin as their producer. This song went up the charts the second day it was released. "Love Me Do" got up to 17. The Beatles first number one chart was "Please Please Me" written by John Lennon. This song was inspired primarily by Roy Orbison but also fed by John's infatuation with the pun in Bing Crosby's famous "Please, lend your little ears to my please,"

John married Cynthia Powell in August 1962 and they had a son together who they called Julian.Cynthia described John as "Rough, ready and not her type at all, but had an irresistible character". Since the Beatles were becoming very popular at the time, Cynthia had to keep a very low profile. John Lennon divorced Cynthia and re-married with Yoko Ono who he met at the Indica Gallery in November 1966. In 1970, the Beatles broke up also, after Paul McCartney has announced that he is leaving the Beatles. After the Beatles broke up, John Lennon went his way and he tried to send out his message out clearer. He started doing this by releasing his first solo album Imagine.

Imagine was a passion of John. It crystallized his dream for the world and his idealism. And it was something that John really wanted to say to the world. Imagine was the most commercially successful and critically acclaimed of all John Lennon's post-Beatles efforts. After the Beatles broke up, Paul wrote some songs with hidden message, which upset John. In response to this John wrote, "How do you sleep ?" and released this also on the Imagine album.

In 1972, John Lennon gave a charity concert. The concert was held in Madison Square Garden, August 30, 1972, to help improve the living conditions of the mentally handicapped children. Starting with the Toronto Peace Festival in 1969, John with Yoko did a series of rock concerts as their statement of Peace and Love, and to spotlight various social issues effectively. All proceeds from the concerts were given to the needy. This concert in Madison Square garden turned out to be the last concert John did with the Plastic Ono Band. In 1972 the Vietnam War protest was at its height. The Feminist Movement was in a stage of awakening. The concert was filled with love of brotherhood and sisterhood. Everybody joined in on the stage at the end when they sang "Give Peace a chance". People could not contain themselves and marched down Fifth Avenue after the performance, singing "Give Peace a Chance". John Lennon performed with his new band : "Plastic Ono Band".

In 1973, John and Yoko separated for 14 month, because of all the public pressure and problems they were going through. John went to Los Angeles and he was single again after a long time. John became a drunk and was only partying . May Pang became John's companion during this time as a guidance. During this time, people start seeing more of John. John recorded different records like "Mind Games", "Rock and Roll", "Walls and Bridges" . He worked with Ringo on his album, David Bowie with his "Fame" album and also with Elton John during this time. After going through all this, John realizes that there was not really anybody that loves him, besides Yoko. So he returned back to Yoko. He realizes that he really really loves her and that he could not live without her.

On October 9, 1975, Yoko gave birth to John's other son Sean. John left his whole music career for 5 years to raise his son. John did not miss music at all during this period. He became a househusband and raised his son. John did not really exist anymore in the music world. John realized that there is no life without music after 5 years. He was able to write songs now with ease since there were no pressure. John wrote all the songs on "Double Fantasy" in a period of 3 weeks. This album was written, recorded, and released in 1980. When John was singing and writing this album, he was visualizing everybody in his age group. Unfortunately, John was shot in front of his apartment complex in New York while he was in the process of releasing another album "Milk and Honey". John died of the age of 40 in the Roosevelt Hospital on December 8, 1980, after receiving multiple gun shot in the back.

The Double Fantasy album is a great album, which contain one ironic title songs "Just like starting over" now after John's death. John was just starting over again, when he was killed. John Lennon created the Beatles and with Paul, Ringo and George, they made great music together. John was not a follower, but a leader and was always fighting for people's right. He was a person that cared for other people and expresses himself by making different political statements. John was not only a great music writer, but also an excellent pop artist and did a lot in the Rock and Roll music world. John can not and will never be replaced by anybody. His songs will live forever in all our hearts and minds. Just Give Peace a Chance and lets work together to a great and much better world.»


Woman

John Lennon

Woman I can hardly express
My mixed emotions at my thoughtlessness
After all I'm forever in your debt
And woman I will try to express
My inner feelings and thankfulness
For showing me the meaning of success
Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Woman I know you understand
The little child inside of the man
Please remember my life is in your hands
And woman hold me close to your heart
However distant don't keep us apart
After all it is written in the stars
Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Wellll
Woman please let me explain
I never meant to cause you sorrow or pain
So let me tell you again and again and again
I love you, yeah, yeah
Now and forever
I love you, yeah, yeah
Now and forever
I love you, yeah, yeah
Now and forever
I love you, yeah, yeah





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VÍDEO YouTube: « DOUBLE FANTASY»
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["DOUBLE FANTASY" é o último Álbum de JOHN LENNON e sua mulher YOKO ONO, lançado em Novembro de 1980, praticamente um mês antes de ser assassinado a tiro, pelo fã Mark David Chapman]

2010-12-05

«PORTUGAL: O PAÍS QUE TEMOS, SOMOS... E QUEREMOS! »

ATENÇÃO!... ISTO HOJE, NADA TEM A VER
COM
FUTEBOL!

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O galo - da estória antiga -, sempre disse que,
quando despia o casaco...
era limpinho!



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.Apresentando desculpas pela insistência na temática PORTUGAL, em aditamento aos dois 'posts' anteriores e para reflexão - ou irritação - de quem não os apreciou, sugere-se a leitura do texto seguinte... em pinceladas paisagísticas executadas com letra de imprensa.
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Este nosso país que dá pelo nome de Portugal, sem sombra de dúvidas, é um país geograficamente bonito, dito por muitos estrangeiros que nos têm visitado: as suas planícies, as suas serras, os seus vales, as suas estradas e vias rápidas, seus rios e riachos, suas praias, seu folclore, sua gastronomia e seus monumentos (...)
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Com todas estas belezas é também conhecido como varanda da Europa. Mas, mesmo assim, com todos estes encantos e valências não consegue cativar a maioria dos seus jovens a fixar-se e a laborar na sua Pátria, sendo forçados a emigrar para outros países à procura de melhor rentabilidade do seu trabalho. E, por tal, melhores condições de vida.
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Este nosso país, dada a evolução política que a Europa atingiu, não está convenientemente a aproveitar, em relação às suas potencialidades para prosperar em benefício dos presentes e dos que nos hão-de suceder.
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A terra, na sua maioria está inculta e devoluta e devia ser emparcelada. As serras, algumas com bons acessos, suas belezas e visibilidade deviam ser turisticamente aproveitadas. Os riachos se lhes represarem as águas, davam lugar à rega dos campos, pesca local e fixação das pessoas porque onde existir água haverá vida.
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O nosso mar, a nossa imensa costa atlântica é uma riqueza incomparável que em mãos de outros já estaria rentabilizada. Hotéis, pousadas, residenciais, desporto etc..
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Portugal é um lindo país. Com uma História riquíssima descobriu novos países, dando-lhes o seu melhor. Mas ainda, no fundo, se não descobriu a si próprio!
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Quem amar o seu país, este, o nosso, há que trabalhar e dedicar-se-lhe intensamente, porque a nova descoberta chama-se: Crise!







.VíDEO, COM O HINO
NACIONAL «ILUSTRADO»


2010-12-03

« PONTO de REFLEXÃO: HÁ CRISE DE IDENTIDADE?...»

Monumento a Teixeira de Pascoaes
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( Erguido em Amarante)
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(1877-1952)


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." Quando Pascoaes inventou Portugal não se deu conta do que tinha feito: pensou que se tinha limitado a descobri-lo.
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Quando imaginou os Portugueses, entregando-lhes as palavras e as visões que só a ele pertenciam, enganou-se. Os Portugueses de Pascoaes nem sequer existiam. Pascoaes nunca percebeu que era tudo invenção dele.


Escreveu um livro, a "Arte de Ser Português", recusando a responsabilidade da criação, na ânsia de ser apenas um espectador.

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Pascoaes não queria ser mais um poeta. Queria servir, servir e pertencer. Não queria ficar de fora nem sozinho. Queria escrever, mas escrever como quem presta um serviço: um serviço de observar, de ouvir, de descrever. Não queria ser mais um escritor português. Queria ser o escritor através do qual escrevia Portugal. Nem menos! "

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Miguel Esteves Cardoso



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Portugal vive hoje não só uma profunda crise política, económica, financeira e social, mas também uma crise de identidade que desmotiva os portugueses.
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Urge voltar a estimular o seu patriotismo, voltar a ensinar a sua História e Cultura, voltar a mostrar-lhes porque podem sentir-se orgulhosos de ser portugueses.
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Urge em suma continuar Portugal, porque de outra forma nos tornaremos, sem vantagem para ninguém, colonato, província ou Feudo!
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Esta tarefa traz inscrita no próprio título a presença tutelar de Teixeira de Pascoaes.
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Foi numa situação muito semelhante à nossa, a poucos anos da Revolução Republicana, exactamente em 1915, que Teixeira de Pascoaes escreveu a sua "Arte de Ser Português" em tentativa doutrinária de conferir um conteúdo castiço, personalizado e criador à jovem República, enleada em contradições, paralizações e bloqueamentos que fazem lembrar irresistivelmente o período actual.
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2010 está na verdade muito próximo de 1915!
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Mas com a diferença de que tudo de agravou e de que, ao vivermos uma experiência democrática, estamos a esquecer todos os ensinamentos que Teixeira de Pascoaes, Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão, Fernando Pessoa tentaram transmitir-nos nas páginas da "Águia" ou nas Edições da Renascença Portuguesa (...)
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A assunção do ser português nos portugueses era para Teixeira de Pascoaes o elemento unitivo capaz de os tornar homens livres, solidários e fraternos.
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"Instruir, educar e criar portugueses" no "ideal patriótico", escreve no citado livro, é a única forma de aceder à Liberdade e à Independência da Nação, como também à sua Renascença!
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A bolha criada por uma fulgurante trajectória do sistema financeiro mundial rebentou nos Estados Unidos da América do Norte, no ano fatídico de 2007, originando a chamada crise do subprime. Conforme era de esperar, os seus efeitos repercutiram-se na Europa e no nosso País, abalaram o sistema financeiro, enfraqueceram a economia e acabaram por resvalar inexoravelmente para o campo social criando uma legião de desempregados.
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Ainda não recuperados deste embate, eis que, em menos de três anos, nos encontramos perante nova crise financeira, quiçá de natureza diferente. Tendo estruturado a economia na base de demasiados empréstimos e aventurado para um desenvolvimento com pagamento diferido, acordamos agora para a pesada realidade de que os empréstimos se pagam... e com juros!
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Tais pagamentos necessitam de criação de riqueza que, por sua vez, é fruto de trabalho. A criação de oportunidades de trabalho está, pois, no fulcro do problema. Uma multidão de desempregados em permanência significa um enorme desperdício de potencial e traz consequências gravosas para o tecido social. O trabalho é essencial para a coesão social, o trabalho dignifica a pessoa humana.
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Não custa crêr que, nas condições infelizmente criadas, seja necessária muita contenção. Porém, é imperativo que os sacrifícios resultantes sejam distribuídos equitativamente. As crises não devem servir para uma transferência de riqueza para os que já têm muita!!
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Este, e os próximos, são anos de Luta contra a pobreza e a exclusão social!
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É inadmissível que, em vez de progresso nessa Luta, venhamos a ter um retrocesso.
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Para o futuro, importa uma reflexão sobre o sistema em que vivemos e a melhor forma de ter desenvolvimento aceitável sem crises recorrentes.
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Para já, quatro pontos apenas, desgarrados, mas nem por isso menos importantes:
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O fundamento da comunidade política é a pessoa humana. O sistema político, como seja a democracia, deve assumir como princípios inalienáveis a dignidade da pessoa humana, o respeito dos Direitos do Homem e a promoção do bem comum.
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A premissa fundamental da política, enquanto nobre arte e ciência do governo das nações, é que a actuação deste deve ser orientada para o bem comum, tendo sempre presentes os valores da Verdade, da Justiça e da Liberdade.
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Uma das funções primaciais da governação é a redistribuição, de forma equitativa, da riqueza produzida evitando o império da lei do mais forte.
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Os partidos políticos, conquanto fundamentais para a democracia participativa, não devem considerar que o mandato de governação concedido pelo Povo nas eleições é uma carta branca para se servirem da res publica, a seu bel-prazer, sem respeito pelo bem comum, presente e futuro.
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O Povo, na sua proverbial sabedoria, é já suficientemente adulto e experiente para, nos próximos actos eleitorais determinar o rumo certo para Portugal...

2010-12-01

« 1640 - A RESTAURAÇÃO da INDEPENDÊNCIA... »

Hoje é feriado - 1º. de Dezembro - e nós, portugueses, comemoramos a restauração da nossa independência, em 1640, dia que deveríamos aproveitar para reflectir sobre o futuro possível da mesma - a Independência - 370 anos passados (...)

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Aclamação de D. João IV. Tinha terminado o período de 60 anos em que o Reino de Portugal, foi governado pela Dinastia de origem austríaca, dos Habsburgos, com o fim do reinado de Filipe III (Filipe IV em Espanha).



Até meados do Século XIX, a celebração do 1º. de Dezembro resumia-se a um soleníssimo Te Deum, na Sé Catedral de Lisboa. Assistia sempre o Rei, no respeito por um ritual que vinha de 1641. A população vivia afastada da efeméride.
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Em 1861, por circunstâncias históricas conjunturais, tornou-se mais vivo, entre os portugueses, o sentimento de perigo da perda da independência. E foi neste cenário, e com o objectivo expresso de o esconjurar, que um reduzido grupo de cidadãos, mobilizado por um modesto comerciante da Baixa lisboeta, criou o que é hoje a Sociedade Histórica da Independência de Portugal [S.H.I.P.].
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Em tão boa hora o fêz, que, semanas depois, eram já milhares os aderentes, entre os quais muitas figuras cimeiras da política, da cultura e da elite social portuguesa da época. No manifesto publicado ainda nesse ano, para lançar a celebração nacional da data - e onde é claro o estilo, forte e incisivo, de Alexandre Herculano, o seu primeiro subscritor - logo aí se dizia que não se tratava dum grito contra ninguém, mas sim tornar público, e mais firme, o desejo de sermos uma nação que não abdica do seu nome, do seu passado e da sua autonomia.
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Prosseguindo tenazmente neste esforço de consciencialização dos portugueses, conseguiu-se custear a construção, por subscrição pública, de vários monumentos no país, de Guimarães a Lisboa. Foi, assim, que se criou na Praça de Lisboa, depois com o seu nome, um local evocativo dos Restauradores e onde, a partir de 1886, em cada ano, se celebra e exalta o feito glorioso de 1640.
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A SHIP - Sociedade Histórica da Independência de Portugal, porém, visava mais longe e mais fundo este culto.
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Palácio Almada, ou Palácio da Independência
no
Rossio, Lisboa


Símbolo da Sociedade Histórica [S.H.I.P.]
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Daí que, em paralelo, se tivesse empenhado para adquirir e entregar ao Estado este Palácio, tendo em vista fazer dele monumento nacional, símbolo da nossa independência e lugar privilegiado para evocar e viver. Mas agora, não como data histórica que se exalta, mas sim como um valor intemporal que se cultiva e defende, um hino à vida e ao apaixonante desafio que ela traz, tanto aos homens como às nações.
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Ou seja, aqui passaria a celebrar-se o nosso direito e desejo de existirmos como comunidade nacional livre, sem lembrar agravos nem ameaças.
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Este é o patriotismo genuíno que lapidarmente definiu Fernando Pessoa como aquele que nos incita à nossa valorização individual e colectiva para que nos possamos orgulhar de Portugal, como seus filhos porque nos criou, e também como seus pais, porque o vamos criando.
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O patriotismo forte e salutar, é a fonte onde iremos buscar a energia e a confiança para partirmos desassombradamente para a aventura do futuro, sem medo, com arrojo, na convicção firme de que fomos grandes, sempre que deixámos as questões mesquinhas e pequenas que nos dividem e diminuem.
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Os portugueses que não se voltem nostalgicamente para o seu passado, mas o cultivem como alimento e desfio a novas empresas, pois a história e o papel de Portugal não se esgotaram na epopeia das Descobertas, visto haver sempre um mundo novo a construir e que espera a nossa contribuição.
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A Restauração de 1640, e os 28 anos que se lhe seguiram foram, sem dúvida, uma hora grande para a conquista da liberdade e independência de Portugal. Mas, aquele heróico e a longa luta depois travada ficariam incompletos - e teriam sido inúteis para os vindouros - se nós, a geração de hoje, não dermos continuidade ao seu combate com igual coragem e vontade.
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Esta, a grande lição que daqui devemos levar. Este, aliás, o apelo que a celebração do dia de hoje faz a todos os portugueses.












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-Texto do autor do ALFOBRE de Letras
Sócio da S.H.I.P.
-Imagens: in Net