[ Vox populi vox Dei ]

2009-11-30

« A MORTE DE FERNANDO PESSOA »







.[30 de Novembro de 1935 - «Lisboa foi surpreendida pela notícia da morte brusca de FERNANDO PESSOA, um dos maiores Poetas de Portugal e uma das grandes figuras da sua geração. O prestígio do autor de "ORPHEU" e da "MENSAGEM" era imenso nos nossos meios intelectuais. Deixa uma obra notável, em grande parte inédita, e cujo nome irá crescendo à medida que o tempo for passando... representa uma perda irreparável para a inteligência nacional»
- Comunicação da morte do Poeta, dada pelo Semanário "BANDARRA".]
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{ÚLTIMA FRASE ESCRITA PELO PUNHO DO POETA NO DIA DA MORTE:
.«I know not what tomorrow will bring »}
.Pensamento do dia, para 30 de Novembro de 2009
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"É talvez o último
dia da minha vida.
Saudei o Sol, levanto
a mão direita, mas
não o saudei dizendo-lhe
adeus. Fiz sinal de
gostar de o ver ainda,
mais nada."
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F. Pessoa
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REPRODUÇÃO DA NOTÍCIA DA MORTE E ENTERRO DADA PELO “DIÁRIO DE NOTÍCIAS”
.MORREU FERNANDO PESSOA
Grande Poeta de Portugal

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«Fernando Pessoa, o poeta extraordinário da «Mensagem», poema de exaltação nacionalista, dos mais belos que se tem escrito, foi ontem a enterrar.
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Surpreendeu-o a morte, num leito cristão do Hospital de S. Luiz, no sábado à noite.
A sua passagem pela vida foi um rastro de luz e de originalidade. Em 1915, com Luiz de Montalvor, Mário de Sá-Carneiro e Ronald de Carvalho — estes dois já mortos para a vida — lançou o «Orpheu», que tão profunda influência exerceu no nosso meio literário, e a sua personalidade foi-se depois afirmando mais e mais.
Do fundo da sua «tertúlia» a uma mesa do Martinho da Arcada, Fernando Pessoa era sempre o mais novo de todos os novos que em volta dele se sentavam. Desconcertante, profundamente original e estruturalmente verdadeiro, a sua personalidade era vária como vário o rumo da sua vida. Ele não tinha uma actividade «una», uma actividade dirigida: tinha múltiplas actividades.
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Na poesia não era só ele: Fernando Pessoa; ele era também Álvaro de Campos e Alberto Caeiro e Ricardo Reis. E era-os profundamente, como só ele sabia ser. E na poesia como na vida. E na vida como na arte.
.Tudo nele era inesperado. Desde a sua vida, até aos seus poemas, até à sua morte. Inesperadamente, como se se anunciasse um livro ou uma nova corrente literária por ele idealizada e vitalizada, correu a notícia da sua morte. Um grupo de amigos conduziu-o ontem a um jazigo banal do Cemitério dos Prazeres. Lá ficou, vizinho de outro grande poeta que ele muito admirava, junto do seu querido Cesário, desse Cesário que ele não conhecera e que, como ninguém, compreendia.
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Se Fernando Pessoa morreu, se a matéria abandonou o corpo, o seu espírito não abandonará nunca o coração e o cérebro dos que o admiravam. Entre eles fica a sua obra e a sua alma. A eles compete velar para que o nome daquele que foi grande não caia na vala comum do esquecimento.
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Tinha 47 anos o poeta que ontem foi a enterrar. Quarenta e sete anos e um grande amor à Vida, à Arte, à Beleza. Quando novo, acasos do Destino, a que ele obedecia inteiramente — Fernando Pessoa teósofo, cristão, que conhecia todas as seitas religiosas e as negativistas, pagão como só os artistas sabem ser, Fernando Pessoa obedecia cegamente ao Destino — levaram-no para a África do Sul. E na Universidade do Cabo cursou o inglês. E de tal maneira estudou a língua que Shakespeare e Milton imortalizaram que, anos passados, apresentava aos «cercles» literários da serena Albion quatro livros de poemas – «English Poems, I, II, III, IV»; «Antinuous» e «35 Sonnets». E num concurso de língua inglesa alcançou o primeiro prémio.
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Depois, uma vez em Portugal, a sua actividade literária aumentou. É de então que data a sua colaboração na «Águia», onde o seu messianismo metafísico, num célebre e elevado estudo, anunciou o aparecimento do Super-Camões da literatura portuguesa.
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1915. «Orpheu». Movimento intenso de renovação. Entretanto, colabora no «Centauro», «Exílio», «Portugal Futurista», «Contemporânea». Começa a ser amado e compreendido.
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1924. Funda com Rui Vaz a revista «Athena». Depois, de então para cá, a sua actividade multiplica-se. Colabora em revistas modernistas, como «Presença», «Momento» e, há um mês ainda, no «Sudoeste», que Almada Negreiros fundou com notável desassombro. Traduziu Shakespeare e Edgar Poe. Estas são, em linhas muito esquemáticas a sua personalidade.
Quem o quiser compreender folheie a sua obra vasta e dispersa.
Começará a amá-lo.
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Da capela do Cemitério dos Prazeres, para jazigo de família, cerca das onze horas de ontem, partiu o corpo do grande poeta. Alguns amigos de sempre acompanharam-no, Foram eles, pelo «Orpheu», Luiz de Montalvor, António Ferro, Raul Leal, Alfredo Guizado e Almada Negreiros; pela «Presença», João Gaspar Simões; pelo «Momento», Artur Augusto e José Augusto, e Ferreira Gomes, Diogo de Macedo, dr. Celestino Soares, António Botto, Castelo de Morais, João de Sousa Fonseca, Dr. Jaime Neves, António Pedro, Albino Lapa, Silva Tavares, Vitoriano Braga, Augusto de Santa-Rita, Luiz Pedro, Luis Moita, Manuel Serras, Dr. Boto de Carvalho, Rogério Perez, Celestino Silva, Telmo Felgueiras, Nogueira de Brito, Dante Silva Ramos, Carlos Queiroz, Mário de Barros, dr. Rui Santos, Marques Matias, Gil Vaz, Luis Teixeira e poucos mais.
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O sr. capitão Caetano Dias, cunhado do poeta, representava a família.
Em frente do jazigo que Fernando Pessoa passa a habitar, Luis de Montalvor, seu companheiro de 34 anos de vida literária, proferiu simples e emotivas palavras em nome dos sobreviventes do grupo «Orpheu».
E disse:
«Duas palavras sobre o transito mortal de Fernando Pessoa.
«Para ele chegam duas palavras, ou nenhumas. Preferível fora o silêncio, o silêncio que já o envolve a ele e a nós, que é da estatura do seu espírito.
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«Com ele só está bem o que está perto de Deus. Mas também não deviam, nem podiam, os que foram pares com ele no convívio da sua Beleza, vê-lo descer à terra, ou antes, subir, ganhar as linhas definitivas da Eternidade, sem anunciar o protesto calmo, mas humano, da raiva que nos fica da partida.
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«Não podiam os seus companheiros de «Orpheu», antes os seus irmãos do mesmo sangue ideal da sua Beleza, não podiam, repito, deixá-lo aqui, na terra extrema, sem ao menos terem desfolhado, sobre a sua morte gentil, o lírio brando do seu silêncio e da sua dor.
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«Lastimamos o homem, que a morte nos rouba, e com ele a perda do prodígio do seu convívio e da graça da sua presença humana. Somente o homem, é duro dizê-lo, pois que ao seu espírito e ao seu poder criador, a esses deu-lhes o Destino uma estranha formosura, que não morre.
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«O resto é com o génio de Fernando Pessoa»
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Os serviços fúnebres estiveram a cargo da Agência Barata.»
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Notas do autor do blog:
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- Fotos obtidas da Net; pela evidência, dispensam narrativa.
- Textos transcritos da Imprensa da época (espólio do autor).
- Outros dados foram recolhidos na 'biblioteca pessoana' do autor sobre o poeta. A destacar, de Maria José de Lencastre: «Fernando Pessoa - Uma Fotobiografia» da Imprensa Nacional/1981.
- Nota final:
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O autor do blog desde os seus verdes 14 anos que é um devoto estudioso e seguidor da vida e obra de Fernando Pessoa. Não por ter sido um jovem com pretensões a "sobredotado", mas teve influência na sua preferência literária, a circunstância de ter vivido na mesma rua de Lisboa onde o poeta residiu com a avó Dionísia, a Tia Rita e a Tia Maria Cunha em 1907 .
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Congratula-se com a casualidade de ter escrito ontem sobre o poeta no post intitulado «O SÍMBOLO PORTUGUÊS», e hoje pontificar s/ o aniversário da "passagem pela transição" do «escriptor»[assim se escrevia], Fernando António Nogueira Pessoa.



2009-11-29

.:O SÍMBOLO PORTUGUÊS :.



.[FERNANDO PESSOA disse: «Toda a vida é uma symbologia confusa»; «O symbolo é naturalmente a linguagem das verdades superiores à nossa intelligencia, sendo a palavra naturalmente a linguagem d'aquellas que a nossa intelligencia abrange, pois existe para as abranger.» E ainda:
- «Orpheu é a soma e a síntese de todos os movimentos literários modernos.»]
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Muitas são as vezes que se tem abordado o problema do hermetismo em Fernando Pessoa, afirmando-se que, muito do que há de enigmático na sua obra, só à luz da documentação do espólio se poderá esclarecer. Nele encontramos textos sobre ocultismo, maçonaria, cabala, teosofia, rosacrucianismo, e alquimia, entre outros.
Antes de prosseguir, vou para intervalo com uma intervenção sobre uma obra acabada de ter sido posta à venda com um certo ruído de êxito editorial: "O Símbolo Perdido", de Dan Brown!
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Verifico que, afinal, como em muitas outras coisas na vida, as pessoas gostam de pratos fortes, muito embora digam que têm muita atenção pelas dietas!
Assim, habitualmente, tenho visto as pessoas afastarem-se de temas relacionados com hermetismo e, se se falar claramente de maçonaria, a reacção é a de repulsa e rápida mudança de assunto, por alegada indiferença, ou desmesurado ódio de estimação e desprezo.
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Não é a postura que estou a observar com o lançamento desta obra de Dan Brown, alegadamente reveladora de segredos maçónicos e não sei quantas mais "carecas" postas ao Sol.
Provavelmente a máquina de Marketing do Autor, foi posta a funcionar numa afinação perigosamente invulgar, que é a de criar necessidades onde elas não existem! As pessoas foram induzidas no fenómeno do seguidismo, pois, infelizes, frustradas ficariam se não adquirissem este novo livro.
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O Autor revelou que para se inspirar para escrever pendura-se de cabeça para baixo três vezes por dia, está a contruir uma casa com passagens secretas, tem um relógio igual ao do Rato Mickey, a sua árvore de Natal é uma espécie de grelha de partida de "rally-paper", não havendo lá presentes, mas envelopes com pistas, tipo mapa da caça ao tesouro para chegarem às prendas do Menino Jesus.
Espalhou também aos sete ventos que não é Maçon, porque um dos juramentos iniciátios diz, é a confidencialidade e, ele, gosta de escrever sobre eles...!
Bizarro!... se é tudo tão confidencial e não pertence à organização, escreverá o quê?
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O mais provável é mesmo não ser Maçon e, não fará parte da irmandade não porque não queira, mas porque não se entra lá, como se fosse um partido político ou qualquer agremiação desportiva.
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Não paro de imaginar Dan Brown a puxar pela inspiração de cabeça para baixo a fazer o pino! Talvez a posição e a determinação não seja lá muito ZEN! Mas consegue virar as cabeças das pessoas para, aos milhões, lhe comprarem aquele produto de "banha da cobra".
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Fazendo uma retrospectiva muito abrangente e rápida, lembro-me apenas de uma pessoa que foi uma das obreiras da Bíblia, mas não foi para se inspirar que se pôs de cabeça para baixo! Foi S. Pedro que foi crucificado naquela posição por não se achar digno de morrer da mesma maneira que Jesus.
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Os portugueses e o mundo se quisessem saber História e pormenores sobre as particularidades que esperam do contorcionista de "O Símbolo Perdido", deviam estudar Fernando Pessoa. Em "ORPHEU", por exemplo, encontra-se um projecto de esoterismo. Lá está a chave bem escondida, e que Pessoa explica no «Essay on Initiation». A sua iniciação era a palavra; e a palavra o seu verdadeiro e único mistério. O Grau de Mestre está na poesia épica e poesia dramática, fundindo-se de lírica, épica e dramática.Parece incompreensível e é verdade: é no Grau de Aprendiz que está o símbolo de toda a iniciação! Como diria monsieur De La Palice: começar... é do princípio!
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FERNANDO PESSOA escreve sobre a Maçonaria:

A Maçonaria compõe-se de três elementos: o elemento iniciático, pelo qual é secreta; o elemento fraternal; e o elemento a que chamarei humano – isto é, o que resulta de ela ser composta por diversas espécies de homens, de diferentes graus de inteligência e cultura, e o que resulta de ela existir em muitos países, sujeita portanto a diversas circunstâncias de meio e de momento histórico, perante as quais, de país para país e de época para época reage, quanto à atitude social, diferentemente.

Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o espírito maçônico, a Ordem é a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, a Maçonaria – como aliás qualquer instituição humana, secreta ou não – apresenta diferentes aspectos, conforme a mentalidade de Maçons individuais, e conforme circunstâncias de meio e momento histórico, de que ela não tem culpa.

Neste terceiro ponto de vista, toda a Maçonaria gira, porém, em torno de uma só idéia – a "tolerância"; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como entender. Por isso a Maçonaria não tem uma doutrina. Tudo quanto se chama "doutrina maçônica" são opiniões individuais de Maçons, quer sobre a Ordem em si mesma, quer sobre as suas relações com o mundo profano. São divertidíssimas: vão desde o panteísmo naturalista de Oswald Wirth até ao misticismo cristão de Arthur Edward Waite, ambos tentando converter em doutrina o espírito da Ordem. As suas afirmações, porém, são simplesmente suas; a Maçonaria nada tem com elas. Ora o primeiro erro dos Antimaçons consiste em tentar definir o espírito maçônico em geral pelas afirmações de Maçons particulares, escolhidas ordinariamente com grande má fé.

O segundo erro dos Antimaçons consiste em não querer ver que a Maçonaria, unida espiritualmente, está materialmente dividida, como já expliquei. A sua ação social varia de país para país, de momento histórico para momento histórico, em função das circunstâncias do meio e da época, que afetam a Maçonaria como afetam toda a gente. A sua ação social varia, dentro do mesmo país, de Obediência para Obediência, onde houver mais que uma, em virtude de divergências doutrinárias – as que provocaram a formação dessas Obediências distintas, pois, a haver entre elas acordo em tudo, estariam unidas. Segue daqui que nenhum acto político ocasional de nenhuma Obediência pode ser levado à conta da Maçonaria em geral, ou até dessa Obediência particular, pois pode provir, como em geral provém, de circunstâncias políticas de momento, que a Maçonaria não criou.

Resulta de tudo isto que todas as campanhas antimaçônicas – baseadas nesta dupla confusão do particular com o geral e do ocasional com o permanente – estão absolutamente erradas, e que nada até hoje se provou em desabono da Maçonaria. Por esse critério – o de avaliar uma instituição pelos seus atos ocasionais porventura infelizes, ou um homem por seus lapsos ou erros ocasionais – que haveria neste mundo senão abominação? Quer o Sr. José Cabral que se avaliem os papas por Rodrigo Bórgia, assassino e incestuoso? Quer que se considere a Igreja de Roma perfeitamente definida em seu íntimo espírito pelas torturas dos Inquisidores (provenientes de um uso profano do tempo) ou pelos massacres dos albigenses e dos piemonteses? E contudo com muito mais razão se o poderia fazer, pois essas crueldades foram feitas com ordem ou com consentimento dos papas, obrigando assim, espiritualmente, a Igreja inteira.

Sejamos, ao menos, justos. Se debitamos à Maçonaria em geral todos aqueles casos particulares, ponhamos-lhe a crédito, em contrapartida, os benefícios que dela temos recebido em iguais condições. Beijem-lhe os jesuítas as mãos, por lhes ter sido dado acolhimento e liberdade na Prússia, no século dezoito – quando expulsos de toda a parte, os repudiava o próprio Papa – pelo Maçom Frederico II. Agradeçamos-lhe a vitória de Waterloo, pois que Wellinton e Blucher eram ambos Maçons. Sejamos-lhe gratos por ter sido ela quem criou a base onde veio a assentar a futura vitória dos Aliados – a "Entente Cordiale", obra do Maçom Eduardo VII. Nem esqueçamos, finalmente, que devemos à Maçonaria a maior obra da literatura moderna – o "Fausto" do Maçom Goeth.

Acabei de vez. Deixe o Sr. José Cabral a Maçonaria aos Maçons e aos que, embora o não sejam, viram, ainda que noutro Templo, a mesma Luz. Deixe a Antimaçonaria àqueles Antimaçons que são os legítimos descendentes intelectuais do célebre pregador que descobriu que Herodes e Pilatos eram Vigilantes de uma Loja de Jerusalém.

(*) Fernando Pessoa - Este é um trecho do artigo que Fernando Pessoa publicou no Diário de Lisboa, no 4.388 de 4 de fevereiro de 1935, contra o projeto de lei, do deputado José Cabral, proibindo o funcionamento das associações secretas, sejam quais forem os seus fins e organização.
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No ambiente de discordância reinante na imprensa das pessoas que publicamente tomaram posição sobre o projecto-lei de José Cabral e sobre a apreciação que lhe fez Fernando Pessoa, sobressaem na "A Voz" - o Conselheiro Fernando de Sousa e o Mestre Alfredo Pimenta.
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No dia 5 de Fevereiro/35, no seu jornal, nº 2.861, Fernando de Sousa transcreve as seguites poesias da «Mensagem»: (na que se segue... corta-lhe o título!)
.«Vendem os Deuses o que dão
A glória compra-se a desgraça
Ai dos felizes, porque são
Só o que passa!
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Baste a quem basta o que lhe basta
O bastante de lhe bastar! A vida é breve, a alma é vasta:
Ter é tardar.
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Foi com desgraça e com vileza
Que Deus ao Christo definiu:
Assim o oppoz à Natureza
E Filho o ungiu».
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Antes de transcrever, Fernando de Sousa diz: «... a par de versos inspirados pelo sentimento patriótico, sob formas por vezes confusas, se encontram extravagâncias, como esta gongórica série de quadras». A seguir a elas, acrescenta: «... transcrição dos dislates blasfemos, porventura inconscientes, influência de teosofias».
Ao percorrer-se o folheto, assevera, «alterna o apreço de incontestáveis belezas com a estranheza de verdadeiras extravagâncias, que por vezes frizam a loucura, como esta quintilha:
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O mytho é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mytho brilhante e mudo -
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo». ..................... Nota do Alfobre: F. de Sousa só aqui fechou aspas, e 'cortou'
..................................................... Fernando Pessoa em duas quintilhas que a seguir publicaremos.
.Porém, afirma Fernando de Sousa «o nebuloso poeta [F. Pessoa] aparece-nos claro e incisivo na sua espontânea e ameaçadora polémica a favor da Maçonaria».
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- Terminada a "azia" daquele senhor, vou então publicar o que foi cortado:
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«Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos creou.
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Assim a lenda se escreve
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre».
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O presente post é uma pálida imagem do muito que há para explicar sobre segredos, arbitrariedades e outras atitudes que sempre emperraram o estudo sobre as alegadas Sociedades Secretas! E... secretas, pois durante o percurso dos séculos tiveram de viver na clandestinidade sujeitas às fogueiras e a toda a espécie de ameaça de extermínio! Há a ideia de que se escondiam, por motivos inconfessáveis e criminosos. Nesta velha Europa foi sempre assim: «o segredo era a alma - não do negócio - da segurança pessoal dos Maçons. Aliás,... outras correntes de natureza espiritual, eram desmanteladas logo na inauguração do primeiro ritual!
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Se atentarmos ao que se passa com a Maçonaria nos Estados Unidos da América, como nunca sofreu repressão, são constantes (e folclóricas até!) as celebrações dos ritos em público!
É sabido que George Washington (1732 - 1799) foi o primeiro Presidente dos E.U.A. e era Maçon. As cobiçadas notas de dólares, estão decoradas com simbolos maçónicos!
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Se perguntarem em certos meios exacerbadamente católicos que ideia têm da Maçonaria, não falha que «têm a certeza» de que o primeiro teste para a admissão à Ordem, passa por terem de entrar numa Igreja e darem um tiro no Cristo! Perante tais "certezas", sabendo-se que os Maçons são mais que muitos, quantas vezes já se ouviram manobras de tiro ao alvo, por essas igrejas pelo país fora!?
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Se Mr. Dan Brown tivesse querido fazer um trabalho mais apessoado, tinha muito por onde se informar na Literatura e História de Portugal, escusando-se do incómodo de ter de andar a fazer o pino, para ter inspiração.



«TÁXI o "MATATEU" v/s "MATATEU" de BELÉM»











.["MATATEU", antigo jogador «mito» do Clube de Futebol os 'Belenenses', é 'nome' que dispensa apresentações: um dos maiores ícones do Belenenses, um dos maiores jogadores portugueses, europeus e mundiais de todos os tempos! Matateu baptizou com o seu "cognome", um automóvel que, pelas suas características de resistência, foi seleccionado pelos Industriais de Táxis como preferido para o" Serviço de Praça" - o famoso Mercedes 170 D.
Diz já a lenda que era por ter sido um dos primeiros a possuir tal viatura,... pela cor da sua pele, força física ou, ainda que era pela sua configuração física, um pouco corcunda, sendo que a primeira é a mais realista e lógica!
Afinal de contas assim são as lendas, algo vagas,... algo misteriosas!
Assim é, MATATEU!... (LUCAS SEBASTiÃO DA FONSECA)
uma LENDA!!]
. « A HISTÓRIA de MATATEU »

.O maior goleador moçambicano de todos os tempos!
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– Bola para Matateu e... golo! Gôooolo de Matateu!!!Quantas vezes os altifalantes dos rádio-receptores lançaram aos ares frases como esta? Não têm conta...
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À força de se repetir e de tanto os adeptos do futebol falarem dele – os adversários com certo temor e os partidários com entusiástica admiração – o nome de Matateu tornou-se o mais popular de todos as desportistas portugueses. Até no estrangeiro. Doa isso aos de maior classe.Pela sua forma endiabrada de rematar, seja até pelo tom de pele, Matateu é, se não estamos em erro, o nome mais citado pela crítica estrangeira, cada vez que está em causa falar do cartaz do futebol luso.
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A história deste rapaz, que infelizmente tão tarde surgiu no futebol metropolitano (tinha 24 anos quando se estreou no Belenenses) tem sido contada em vários artigos e entrevistas. Mas nunca tão completamente, cremos, como o vamos fazer em "Crónica Desportiva".
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Porquê? Talvez porque Matateu normalmente é pouco loquaz. Obrigá-lo a falar durante duas horas seguidas para um jornal é bater um recorde.Isso aconteceu realmente porque soubemos escolher o momento azado. Um domingo de manhã, um domingo sem futebol. O remanso do lar, numa saleta decorada à belenenses, ou seja o tom azul a predominar, fotos desportivas e galhardetes a guarnecerem as paredes. Dois "maples" confortáveis – e eis "Matateu" positivamente rendido à curiosidade do repórter...
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E foi assim...
"MATATEU" – ALCUNHA DE PEQUENINO QUE NÃO SABE EXPLICAR
"Matateu" – porquê?
O que significa "Matateu", se o verdadeiro nome dele é Lucas Sebastião da Fonseca?
Ele próprio não sabe explicar. Desde pequeno que lhe chamam assim, desconhecendo não só a origem como a própria significação da palavra.
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Há tempo relacionou a palavra landim Tateu, que quer dizer crosta ao facto de em garoto arrancar a crosta das feridas, quando se magoava...Por outro lado, o apelido do pai era Matambo...De uma maneira ou doutra, o certo é que o seu "nome de guerra" vingou e ajuda a popularizá-lo!
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Falámos do "Matateu"- garoto. Como seria? Ora, como tantos petizes da sua terra – o bairro Alto Mahé – rebelde na escola, adorando jogar na estrada, nos terrenos baldios, e longe das vistas da polícia...
O pai era tipógrafo em Lourenço Marques – longe de sonhar, ao trabalhar com os caracteres de imprensa, os rios de tinta que o seu filho viria obrigar a correr, nos jornais da Metrópole...
Lucas Matambo faleceu quando o nosso biografado contava dezasseis anos. Mas antes desse infausto acontecimento, já "Matateu" seguia as pisadas do seu irmão mais velho, Alberto, que alinhava no clube "João Albisini» e noutros – Tinha 14 anos quando enverguei o primeiro equipamento de futebol.
Era... "à Sporting" – verde e branco às riscas!– De que clube se tratava?– João Albisini. Foi o meu tio Eugénio de Carvalho que me levou para lá. E o treinador era... o pai do Coluna! – Do Coluna, do Benfica? Foram colegas de equipa? – Não. Ele era "miúdo" nessa altura, pois temos uns sete anos de diferença. Terá sido colega mas do meu irmão Vicente, pois são mais ou menos da mesma idade.
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DEPOIS DA CAMISOLA "À SPORTING" – OUTRA "À BENFICA"!...
– Até aos 20 anos joguei no "João Albassini", sempre nos lugares da linha "avançada" – continuou "Matateu".
– Depois ingressei no "1º de Maio".E acrescentou, a sorrir;– Camisola "à Benfica"!...– Qual a razão da transferência?– Foi Ervin Brás, um "doente" do "1.º de Maio" que me levou para lá. O clube arranjou-me emprego de serralheiro de construção civil, nas "Obras Públicas".
– Recorda-se da estreia?
– Sim; foi contra o Ferroviário. Empatámos 2-2, e eu marquei um golo, depois de driblar alguns adversários.
E acrescentou:
– O guarda-redes do Ferroviário era então Hélder Moura, que há pouco passou as férias em Lisboa, e que era o melhor guardião de Lourenço Marques.
"Matateu" referiu-nos depois que costumava treinar-se depois de sair do emprego, e que o seu treinador no 1.º de Maio era Mário Galvão, antigo jogador do Benfica e do Sporting.
O nosso biografado jogou pela primeira vez contra o Benfica, em 1950, alinhando Pela selecção dos Naturais de Lourenço Marques, que venceram os "encarnados" por 3-1 – marcando Matateu o terceiro tento...
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PRIMEIRO CLUBE A CONVIDAR «MATATEU»: F. C. PORTO!
– Foi o Belenenses o primeiro clube a convidá-lo a vir para a Metrópole? – inquirimos a certa altura.
– Não! O primeiro foi o F.C. Porto, ou alguém em seu nome. Oferecia-me 60 contos – recebendo lá 30 e o restante no Porto.
– Não aceitou porquê?– Minha mãe aconselhava-me a não aceitar. Que podia não agradar e ficar cá ao abandono, que o Porto ficava muito longe de Lisboa...
.Sorrindo, disse-nos ainda:
– Várias pessoas se ofereceram para tratar do meu ingresso num clube grande. Muitas palavras, mas nada de factos concretos... E em geral pretendiam 50% no "negócio"...
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MATATEU JÁ FOI JOGADOR-TREINADOR!
Matateu prossegue:
– O administrador de Manjacaze, Dr. Megre Pires, convidou-me um dia a ir para aquela terra, para jogar e treinar o clube local.
- Aceitou?
- Sim. Pagavam-me mil escudos por mês e emprego na Administração.
- E que tal se deu como treinador?Um sorriso aberto e a resposta:
- Ganhámos o campeonato… Mas não nos deram a taça!A seguir relatou:
- Foi nessa altura que o antigo “internacional” do Belenenses, João me viu jogar e me convidou a ir para o antigo clube!
- Então, sim, aceitou…
- Decerto para isso estava eu! Mas João Belo trabalhava no mato e não podia tratar disso. No entanto, creio que foi ele que pediu licença ao Administrador de Manjacaze para me dispensar e me recomendou ao Sr. Cardoso, grande belenense de Lourenço Marques, que então tratou de tudo!
- Quanto recebeu de “luvas”, “Matateu”?
- 30 contos!
E pensar que hoje se pagam centenas de contos pela “carta” de jogadores com metade da eficácia dum “Matateu”…
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A HISTÓRIA DO INGRESSO DE "MATATEU" NO BELENENSES
A nosso pedido, "Matateu" pormenorizou a sua vinda para a Metrópole:
- Tinha passagem marcada no barco, mas à última da hora recebi um telegrama com ordem de apanhar o primeiro avião. Assim fiz…Com uma careta, a relembrar esse passo custoso da sua vida, "Matateu" confessou:
- Nunca tinha "voado". Foi uma viagem tormentosa. Chuva, relâmpagos e três dias de viagem. Julgava ficar no caminho e apenas me consolava a ideia de que se "aquilo" caísse, minha mãe receberia um bom "seguro"…
E depois:
- Cheguei a Lisboa no dia 4 de Setembro de 1951, numa terça-feira, salvo erro, pelo meio-dia. O Sr. Vocandeus, chefe de secretaria do Belenenses, estava à minha espera, no aeroporto. Assim que dei com os olhos nele, tive um pressentimento e pensei: deve ser aquele.
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Prosseguiu:
- Depois de se apresentar, o Sr. Vacondeus meteu-me num automóvel, direitos à Delegação. Estava lá o Feliciano, ao tempo gerente do restaurante. Almocei com ele, mais outro colega desse tempo, Martins, que ficou sendo meu companheiro de pensão.
“Matateu”, levemente emocionado com esta evocação do tempo em que não tinha a certeza se triunfaria, se fracassaria, continuou:
- Depois do almoço, o Sr. Vacondeus levou-me ao café Restauração, onde me apresentou ao Sr. Mega, ao tempo presidente do Belenenses. Só no dia seguinte visitei as Salésias, pela primeira vez. Augusto Silva era o treinador – e durante quase duas semanas andei a "sonhar" com o dia da estreia.
- Preocupado?
- Não. Sempre pensei que a sorte me protegeria.
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ESTREIA CONTRA O F.C. PORTO – E A CONSAGRAÇÃO CONTRA O SPORTING
"Matateu" estreou-se no Belenenses no dia 16 de Setembro de 1951 – doze dias após a sua chegada a Lisboa.
- Foi contra o Porto, num jogo a contar para um torneio de abertura de época. O resultado foi um empate.
- Marcou algum golo?
– Não. Mas foi como se o fizesse. Em dada altura driblei tudo, rematei, Barrigana não foi capaz de parar a bola, e André fez a recarga!
– Depois, contra o Sporting foi a consagração...
– Sim. Sócios do Belenenses entraram pelo campo e levaram-me em ombros! Nem sabia que fazer à vida.
Evoquemos: Sporting, então campeão, foi batido por 1-3 e Matateu marcou dois golos soberbos, que puseram os adeptos do Belenenses ao rubro do entusiasmo...– Estava "lançado"! – foi o comentário final de "Matateu".
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AS PRIMEIRAS CHAMADAS À SELECÇÃO
Torna-se desnecessário evocar, passo a passo, a carreira fulgurante de Lucas da Fonseca.Basta que se refira os factos mais salientes:
– A primeira chamada à Selecção foi quando fomos a Paris, perder por 3-0 com a França. Não, não joguei. Fiquei de fora mas ia convencido que jogaria.
– E a estreia?
– Foi contra a Áustria, no Porto. Bom resultado: 1 – 1. Depois com a Argentina. Depois... bem já lá vão várias "internacionalizações".
– E quantos golos?
– Sete… mas parece que um não me foi atribuído, por a bola ter batido no pé de um adversário, no jogo com a Turquia.
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Nessa altura, a esposa que seguia o desenrolar da entrevista, lembrou que já no último campeonato nacional, alguns jornais deixaram de atribuir golos legítimos ao marido, o que lhe fez perder a "Bola de Prata". Mas "Matateu" disse:
– Deixá-lo! Foi para o Arsénio e está muito bem entregue. De qualquer modo, tencionava ceder-lha, se empatássemos, pois já tenho uma "bola de prata"...
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HOUVE UM CLUBE GRANDE QUE SE PROPÔS HÁ ANOS CONTRATAR MATATEU POR 600 CONTOS!
Fizemos então a pergunta que há muito nos ocorrera:Quais foram os clubes que o convidaram a transferir-se do Belenenses?
– Há um que não posso dizer, pois garanti guardar segredo. Foi um dos grandes e informou-me que o seu clube estava na disposição de gastar 600 contos.
- E a sua resposta qual foi?
- Falei a um director do Belenenses, que me disse estar eu a brincar. Entretanto começou a época e não insisti.
- E do estrangeiro, houve também umas sondagens, não é verdade?
Sim, do Reims, quando disputávamos a “Taça Latina” e Portuguesa de Santos, no Brasil.
- Condições?
- No Reims não se falou em dinheiro. Quanto à Portuguesa de Santos, a base era eu receber 30 contos por mês…E acrescentou, num comentário risonho:
- Promessas bonitas mas… o Belenenses não me dispensa e ainda bem. Onde poderia estar melhor?
PREFERE SER INTERIOR…
- Matateu: quantas épocas ainda pensa jogar?
- Não faço ideia, palavra. Depende de tanta coisa…
- Muitos pretendem que o “Matateu” está… em decadência!... – ousamos aventar.
- Ora, ainda há pouco fui chamado à Selecção… O que é verdade é que não me sinto tão à-vontade a avançado-centro como a interior, mesmo "ponta de lança".
- Porquê?
- Primeiro porque sofro uma vigilância mais apertada, segundo porque o avançado-centro em geral recebe a bola de costas, quer dizer, eu a interior era mais bem servido para rematar. Todavia, no último campeonato ainda fui quase o melhor marcador…
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"MATATEU" PENSA EM ESTABELECER-SE COM UMA CERVEJARIA
"Matateu" disse-nos então:
- No entanto, é certo que já vou pensando nos tempos em que não poderei mais marcar golos…
- Trata-se de uma festa de homenagem, não?
- Sim! Julgo ter direito a ela.
- Absolutamente! – concordámos.
– E para quando?
- Talvez por toda a época próxima. É um assunto que só a Direcção do Belenenses poderá resolver.
E "Matateu" prosseguiu:
- Há muito que acalento o sonho de me estabelecer com uma cervejaria. Cheguei a vender o meu automóvel com essa ideia. Mas depois resolvi esperar melhor oportunidade, pois gostava de me estabelecer em Belém, e não fora do “meu” bairro, como estive quase a fazê-lo.
Será este o futuro do terrível rematador do Belenenses – "Matateu" cervejeiro?!O grande "goleador" diz-nos ainda:
- Há uma coisa que levarei atravessada, se não puder realizar: é ajudar o Belenenses a ganhar um campeonato nacional.E finaliza:
- É isso que desejo acima de tudo, mais do que ser mais vezes "internacional" ou vencedor da "Bola de Prata"
– ser Campeão Nacional com o Belenenses!
.LEGENDA (anotada):
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1 - Táxi Mercedes 170D - Matateu - (visto de frente para abrir o post)
2- Automóvel Mercedes 170D conf./os Táxis eram na época: cor preta e sem distintivos.
Assim era o automóvel do Atleta «MATATEU» que assim 'cognominou' o carro.
3- Emblema do Clube Futebol "Os Belenenses"- Estádio das Salésias - 1º Campo relvado de Portugal - 29/01/1928 a 09/09/1956 - sito na Rua Alexandre de Sá Pinto, antiga Rua das Casas do Trabalho - Lisboa. Deslocaram-se para o Estádio onde se encontram actualmente.
4- Imagem do Atleta "MATATEU" em campo,... na posse da bola.
5 - Táxi Mercedes 170D - Matateu - (visto de traseira para fechar o post)
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Texto extraído da internet adaptado e revisto pelo autor do blog, tendo como única referência
da fonte a citação no texto de que é uma "Crónica Desportiva" [Nome de Revista de desporto?]. Não sendo apreciador de Futebol, deu-se ao interesse de publicar a matéria pelo conteúdo quase desconhecido do grande público, considerando a antiguidade dos factos e estabelecer a comparação entre o Futebol dos tempos antigos e a actualidade, para além do conteúdo humano da reportagem!
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O 'leitmotiv' era simplesmente explicar que o modelo [170 D] deste Mercedes, primeira escolha dos taxistas da época, é o único que tem a designação de «Matateu»; no prosseguimento das averiguações tropeçou, e ainda bem, nos assuntos que acaba por "dar à estampa" em nome da cultura geral, e aproveitando para homenagear um dos grandes Atletas da actividade desportiva Nacional.
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NOTAS SEGUINTES:
Da Wikipédia a Enciclopédia livre.

Sebastião Lucas da Fonseca (nascido a 26 de Julho de 1927 em Lourenço Marques, agora Maputo, Moçambique – morreu no dia 27 de Janeiro de 2000 no Canadá), conhecido como Matateu foi o primeiro grande jogador português nascido em Moçambique, antes da chegada de Eusébio.
Como Eusébio, Matateu foi um jogador de topo quer para o Belenenses quer para a Selecção Portuguesa de Futebol. Em questões de longevidade ele pode ser considerado o Stanley Matthews português devido a ter jogado até aos 50 anos.
Índice
[esconder]
1 Carreira
1.1 Belenenses
2 Factos
3 Ver também
4 Ligações externas
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[editar] Carreira
Começou a sua carreira em Moçambique, onde jogou em equipas locais como o 1 º de Maio. Foi descoberto por um antigo jogador do Belenenses, e assinou em 1951.
Jogou pelo Belenenses, a terceira maior equipa de Lisboa, depois do Benfica e Sporting, entre 1951/52 e 1963/64, sendo por 2 vezes considerado o melhor jogador a actuar em Portugal.[carece de fontes?]
O seu último jogo por Portugal foi no Euro 1960, nos quartos de final com a Jugoslávia, tinha então 32 anos.
Deixou o Belenenses numa má altura da sua carreira, e assinou pelo Atlético Clube de Portugal, então uma equipa da II Divisão, em Dezembro de 1964. Foi graças a ele que na época seguinte o Atlético voltaria para a I Divisão. Em 1967/68 partiu para Gouveia, e em 1968/69 para o Amora quando já tinha 41 anos.
Com o Amora ele foi Campeão Distrital e ajudou a equipa a chegar a III Divisão. Na época de 1970/71 mudou-se para o Canada onde jogou até 1977/78, quando fez 50 anos.
Continua a ser o melhor jogador a ter representando quer o seu Belenenses quer a Selecção Portuguesa de Futebol. Nunca chegou a jogar com o seu compatriota Eusébio, que só se estreou um ano após o último jogo de Matateu.
Matateu foi talvez o melhor ponta-de-lança (no conceito restrito da função) português de sempre, o que é um orgulho para todos os adeptos do Belenenses.


2009-11-27

UNA "BANDEIRADA" DE TAXI HERMANO


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[Para los coleccionistas de historias vividas en los taxis, se presenta uno en forma de poema en el idioma original! Los taxis son confesionarios como el barman de 'pubs', o los sacerdotes católicos! Entre el mostrador de taxis, una copa, o una oración... tienen una confesión!... relevista del espíritu,... o la libido,... entre muchas mujeres solas...]
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« HISTORIA de TAXI »
.Eran las diez de la noche,
piloteaba mi nave.
Era mi taxi un VolksWagen
Del año 68.
Era un dia de esos malos donde no hubo pasaje.
Las lentejuelas de un traje,
Me hicieron la parada.
Era una rubia preciosa llevaba minifalda.
El escote en su espalda
Llegaba justo a la gloria.
Una lagrima negra rodaba en su mejilla.
Mientras que el retrovisor decia "ve que pantorillas!"
Yo vi un poco mas.
Eran las diez con cuarenta sigzagueaba en reforma.
Me dijo "me llamo Norma"
Mientras cruzaba la pierna.
Saco un cigarro algo extraño de esos que te dan risa.
Le ofreci fuego de prisa
Y me temblaba la mano...
Le pregunte "por quien llora?"
Y me dijo "por un tipo, que se cree que por rico
Puede venir a engañarme."
"no caiga usted por amores, debe de levantarse" le dije
"cuente con un servidor si lo que quiere es vengarse."
Y me sonrio.
Coro
Que es lo que hace un taxista seduciendo a la vida?
Que es lo que hace un taxista construyendo una herida?
Que es lo que hace un taxista enfrente de una dama?
Que es lo que hace un taxista con sus sueños de cama?
Me pregunte...
Lo vi abrazando y besando a una humilde muchacha.
Es de clase muy sencilla,
Lo se por su facha.
Me sonreia en el espejo y se sentaba de lado.
Yo estaba idiotizado,
Con el espejo empañado.
Me dijo "doble en la esquina iremos hasta mi casa.
Despues de un par de tequilas, veremos que es lo que pasa."
Para que describir lo que hicimos en la alfombra.
Si basta con resumir que le bese hasta la sombra
Y un poco mas...
"no se sienta ud. tan sola, sufro aunque no es lo mismo.
Mi mujer y mi horario, han abierto un abismo."
"como se sufre a ambos lados de las clases sociales!"
"usted sufre en su mansion,
Yo sufro en los arrabales."
Me dijo "vente conmigo, que sepa que no estoy sola."
Se hizo en el pelo una cola,
Fuimos al bar donde estaban.
Entramos precisamente el abrazaba a una chica.
Mira si es grande el destino y esta ciudad es chica.
era mi mujer!!!
Coro
Que es lo que hace un taxista seduciendo a la vida?
Que es lo que hace un taxista construyendo una herida?
Que es lo que hace un taxista cuando un caballero
Coincide con su mujer en horario y esmero?
Me pregunte...
Desde aquella noche ellos juegan a engañarnos.
Se ven en el mismo bar...
Y la rubia, para el taxi, siempre a las diez
En el mismo lugar.
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NB:
.La imagen del ' taxi' se obtuvo en Internet.
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El libro es una lectura de licitación, para aprender sobre la historia de los taxis en Madrid.
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El poema es un hecho de la vida, como escribí en el prólogo anterior, de Ricardo Arjona que canta en castellano pero que se traduce en todos los idiomas del mundo!
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El conductor del taxi es un relaciones públicas dirigidas a confesor de la mente, un psicólogo, un amante de tiempo sin comida... y las cuestiones del amor... y la sed aplazado (...)
.(...)
.Selección de imágenes, la introducción del 'post' y los comentarios,... son responsabilidad del autor del blog «ALFOBRE»!
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a) César Ramos

2009-11-24

O NEVOEIRO SEBASTIANISTA



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[«FERNANDO PESSOA, a POESIA, 'O NEVOEIRO' e D. SEBASTIÃO»]





NEVOEIRO
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Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo - fátuo encerra.
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Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
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É a hora!
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Valete, Frates

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«O poema aponta para um tom geral de disforia, de tristeza e melancolia, marcado por palavras e expressões de negatividade, caracterizando uma situação de crise a vários níveis: político “Nem rei nem lei, nem paz nem guerra” (repare-se na sucessão do advérbio de negação – nem); crise de identidade, também “este fulgor baço da terra/ que é Portugal a entristecer/ brilho sem luz e sem arder/ como o que o fogo-fátuo encerra” (note-se o vocabulário e imagística disfórica: fulgor baço – Portugal a entristecer – brilho sem luz e sem arder – novo oximoro reforçado pela proposição, marca de ausência, sem); crise de valores morais, da alma “Ninguém sabe que coisa quer,/ ninguém conhece que alma tem,/ nem o que é mal, nem o que é bem” (de novo as palavras que marcam a negação – os pronomes indefinidos ninguém, o advérbio nem).
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A situação é, em síntese, de incerteza, de indefinição: “Tudo é incerto e derradeiro./ Tudo é disperso, nada é inteiro./ Ó Portugal, hoje és nevoeiro...”. Mas porque – e isto é afirmado no verso central da 2ª estrofe em discurso parentético – algo ficou, consubstanciado na “ânsia distante” que “perto chora” -, e justamente porque Portugal hoje é nevoeiro, “É (também) a Hora!” (teremos que ter em conta que, segundo a lenda sebastianista, o Rei redentor regressaria numa manhã de nevoeiro).
A Hora, maiusculada, mas de quê? Pessoa não o diz, mas todo o livro o significa: a Hora de partir, de novamente conquistarmos a “Distância/ do mar ou outra, mas que seja nossa!” (...), de assumirmos o sonho, cumprindo o nosso destino de sagrados por Deus e portadores do seu gládio, do seu sinal – assim a Obra nascerá de novo, como em Mar Português – e poderemos “viver a verdade/ que morreu D. Sebastião”.
.[Assim sendo, temos que ler Mensagem justamente como a epopeia da era que há-de vir, a do sonho feito realização, a da loucura, divina, porque assumida conscientemente, e interrompida, de D. Sebastião, de D. Fernando, do Infante e dos outros heróis expectantes evocados por Pessoa.»
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A epígrafe final “Valete, Frates” (Adeus, Irmãos) era usual como símbolo de fraternidade em organizações esotéricas; ao usá-la, Pessoa remete-nos para o carácter esotérico/ místico da obra.




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[ PAZ PROFUNDA,... digo eu :. Frater Rosae Crucis ]

2009-11-22

OS REVERENDOS e a MANIA pelas ARMAS




.[Recentemente, as pessoas caíram das núvens por causa de uma notícia dominante nos Media: o Sr. ' Prior' de Covas do Barroso - Padre Fernando Guerra -, foi detido pelas autoridades policiais por posse ilícita de armas de fogo! O Tribunal de Boticas aplicou-lhe a medida de coacção de Termo de Identidade e Residência].
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. O 'Planeta' alvoroçou!... um Padre com armas!!... sejamos sérios! Sempre ouvimos dizer que eles, os Padres, são homens como os outros e deviam casar-se...! E então, homens como os outros... não podem ter as mesmas contravenções?... as mesmas manias? Não será que "herdaram" desde tempos imemoriais, o gosto pela aplicação das armas nas bravatas conquistadoras da dilatação dos Impérios... e da Fé!?
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Provável atenuante,... para o Padre prevaricador!
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Antes de abordarmos o objectivo deste post, vamos dar um ' flash' sobre as fotos acima apresentadas:
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1 - Retrato de Alexander John Forsyth (1768 - 1843), reverendo cansado de o mau tempo lhe molhar a pederneira e a pólvora da espingarda de caça, numa inspiração de engenho e arte, inventou um sistema eficiente que resolveu as dificuldades que o afligiam na sua acção cinegética.
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2 - Esquema inventado pelo Rev. Forsyth -Sistema de percussão central: [Imagem animada]
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Hammer - cão; 'martelo' que percute o fulminante.
Cap - fulminante; elemento uma vez percutido, vai fazer explodir a pólvora, dando-se o disparo.
Hole into barrel - canal que conduz a ignição produzida até ao cano, dando-se o tiro.
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3 - Grande placa de bronze encastrada na Torre de Londres, homenageando Forsyth pelas
suas inovações.
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[não fosse o esforço bélico, não teria lá placa alguma como Reverendo!]
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Era um homem de Deus que adorava as armas. E poucos homens neste mundo de Deus terão sido tão patriotas como esse padre escocês, considerado com toda a justiça, como o «Pai da arma moderna».
Napoleão ofereceu-lhe a soma fantástica (à época) de 20.000 libras pelo brilhante e novo sistema da pederneira, para a detonação!
Se ele o tivesse vendido, a sorte da guerra teria mudado virtualmente na Europa de então.
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O reverendo Forsyth nasceu em 1768 e se o obtuso governo britânico tivesse incentivado o seu génio inventivo, a vitória de Wellington sobre as forças napoleónicas, em Waterloo, teria sido obtida de forma muito mais rápida e com um custo infinitamente menor de vidas dos "casacas vermelhas".
Se Napoleão, por outro lado, fosse detentor do genial sistema de percussão inventado pelo clérigo, seriam então as tropas francesas que estariam cruzando o canal da Mancha para ocupar a venerável Inglaterra.
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Na sua pequena aldeia natal de Belhelvie, no Aberdeenshire, o reverendo Forsyth gozava a reputação de ser um emérito atirador, tanto do púlpito, para desconforto de alguns dos seus paroquianos, quanto nos campos para desconforto dos pássaros, lebres e raposas. Quando caçava, o homem de Deus praguejava numa linguagem verdadeiramente atéia, sobretudo porque perdia boa caça devido ao barulho feito pelos mecanismos das suas espingardas, ou pelo mau funcionamento destas, que não detonavam por diversos motivos, incluindo os da humidade.
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De tanto perder tiros, Forsyth começou a estudar os mecanismos de percussão e o seu cérebro fértil logo começou a engendrar um novo tipo de ignição, já que, entre outros problemas a enfrentar, o caçador não poderia sair à caça num dia de chuva, simplesmente porque o mecanismo da arma era desprotegido e a ignição ficava impraticável, com tudo humedecido.
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Num lance de génio, o que ele era realmente, o reverendo resolveu um problema que durante duas décadas desafiava e atormentava os esforços combinados de cientistas e fabricantes de armas: como utilizar fulminatos e como elaborar uma perfeita forma de ignição para as espingardas do sistema de perderneira?
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O primeiro passo de Forsyth foi realizar experiências similares àquelas desenvolvidas pelo famoso químico francês Berthollet, que, em 1788, tentou produzir um tipo de pólvora para armas composta com cloreto de potássio, que detonaria mais poderosamente do que a pólvora ordinária de nitro.
Depois de quase fazer ir pelos ares o seu laboratório e a casa onde vivia, o reverendo concluiu que a utilização da pólvora de cloreto seria muito arriscada e que ela nunca serviria como propelente. Depois, tentou uma combinação de fulminato de mercúrio e cloreto de potássio, esperando que a arma disparasse imediatamente em vez de produzir uma chama de alerta antes do disparo. O que ocorreu foi que a nova combinação actuou muito mais rápido do que ele imaginava, gerando tão pouco calor que a arma não chegou a ser detonada.
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Após muitas semanas de experiências compreendeu que os compostos de detonação não permaneceriam inertes tanto tempo se eles fossem accionados pelo fogo produzido por uma pedra contra o metal. Notou, contudo, que a explosão era mais violenta quando causada por percussão e essa linha de 'approach' acabou por ser coroada de sucesso.
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No Verão de 1805 produziu uma arma operada pelo novo sistema de percussão, o que provou ser superior a qualquer uma das até então conhecidas.
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Levou o invento a Londres, onde foi tratado com desdém pelos nobres! Não esmoreceu. Abriu a sua própria Empresa e produziu armas admiráveis, incluindo pistolas que revolucionaram a época.
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O sistema de percussão foi adoptado no mundo inteiro e, com base nele, as armas que eram monotiro, evoluiram tecnicamente e em design. Um homem de Deus, ao serviço de engenhos de violência! Porém, tenhamos em conta que « Si vis pacem para bellum »,
locução latina que quer dizer: " Se queres a Paz,... prepara a Guerra! "
- escrita pelo autor romano
Publius Flavius Vegetius!
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(...) e é assim que tem sido ao longo dos tempos...
... até aos dias de hoje!
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« ÁMEN [assim seja...] »



2009-11-21

« SYMBOLE PERDU » - ET L' ARGENT AUSSI !







. .OPÉRATION " SYMBOLE PERDU "



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Cet homme est une providence pour les éditeurs. Dan Brown, l'auteur du Da Vinci Code, a vendu en vingt-quatre heures plus de 1 million d'exemplaires de son nouveau roman, Le Symbole perdu, aux États-Unis, en Grande-Bretagne et au Canada.
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Un record absolu pour une fiction destinée aux adultes. Du coup, l'éditeur Knopf Doubleday, une filiale de Random House, a remis sous presse 600 000 volumes qui s'ajoutent aux 5 millions déjà imprimés.
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Le plus gros tirage de l'histoire pour Random House.
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Et même si Harry Potter et les reliques de la mort, le septième tome de J. K. Rowling, s'est vendu le premier jour à 8,3 millions d'exemplaires, Le Symbole perdu est de loin le grand événement littéraire de l'année.
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Cela faisait six ans que les fans attendaient le nouveau Dan Brown.
Après le succès prodigieux du Da Vinci Code en 2003, son prochain roman était programmé pour 2005. Mais la date de parution n'a cessé d'être repoussée.
Ce qui a porté l'excitation à son comble. D'autant que l'auteur, très avare de publicité, est resté pratiquement muet pendant tout ce temps.
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L'une des plus grosses campagnes marketing.
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À partir d'avril, Random House a fait monter la pression en lançant l'une des plus grosses campagnes marketing de son histoire, à la façon des block­busters de Hollywood.
.La sortie de ce "Harry Potter pour adultes", comme on l'a surnommé, est entourée du plus grand secret. Pas d'exemplaire de presse, pas d'interview de l'auteur... Quinze jours avant la parution, le patron d'Amazon, Jeff Bezos, ajoute au suspense en écrivant sur son site que les piles de livres sont gardées " vingt-quatre heures sur vingt-quatre" dans un entrepôt spécial avec un système de sécurité digne de Fort Knox, avec, dit-on, des caméras de surveillance braquées en permanence sur les piles d'exemplaires.
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Même le sujet du livre est resté mystérieux. L'éditeur a simplement laissé filtrer que Robert Langdon en était encore le héros. L'intrigue se passe à Washington, en douze heures, et a un rapport avec la franc-maçonnerie.
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Random House plante ensuite son opération promotion à des endroits stratégiques. Pas besoin d'être un "symbologiste" patenté pour les repérer.
En mai, à BookExpo America, deux banderoles décorées d'une serrure et de chaînes accueillent les visiteurs avec la mention 9/15/09 : la date du lancement, soigneusement choisie puisque, si l'on additionne les chiffres, on obtient 33, un symbole maçonnique.
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Parallèlement, sur le site Internet du livre, un compte à rebours donne les heures, minutes et secondes avant le jour J. Début juillet, l'éditeur dévoile la jaquette, un sceau rouge orné d'un phénix à deux têtes avec le chiffre 33 et, en toile de fond, le Capitole sous un ciel sanglant.
Puis, à la rentrée, pendant une semaine, The Today Show, sur la chaîne NBC, révèle des indices sur les sites du roman avant de diffuser la seule et unique interview de Brown, la veille de la sortie du livre.
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"C'est rare d'entourer le lancement d'un ouvrage de fiction d'un tel secret. En général, cela se produit surtout pour les mémoires, les biographies. C'est encore plus rare de n'avoir qu'un partenaire média ", remarque Ron Hogan, du site Mediabistro, spécialisé dans l'industrie du livre. En revanche, Random House ne lésine pas sur la pub. Placards dans les journaux, les sites Internet, spots radio et, chose rarissime pour un livre, spots télé. Bref, à moins de vivre sur la planète Mars, il est difficile d'ignorer l'événement !
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Toujours en tête des ventes deux mois après sa sortie américaine
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Et, bien sûr, Knopf Doubleday mobilise aussi les réseaux sociaux.
Il a embauché LBi Special Ops Media, une firme de marketing en ligne, qui distille sur Facebook et Twitter des codes à déchiffrer, des devinettes, des anagrammes...
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" On a essayé de créer une campagne excitante pour les fans, mais c'était un vrai défi, car nous n'avons pas été autorisés à lire le livre à l'avance " , explique le chef du marketing Taylor Margis-Noguera.
Résultat, les énigmes n'ont pas de rapport avec le livre... Du coup, la veille de la parution, il y avait moins de 5.000 membres sur Twitter, une misère à côté des 4 millions d'abonnés de l'acteur Ashton Kutcher.
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"C'est difficile d'impliquer les gens quand tout est secret et que l'on n'a rien à dire sur le livre", juge Michael Cader, le fondateur de Publishers Marketplace.
Sur Facebook, l'éditeur avait promis de révéler le nom du méchant si l'on atteignait les 100.000 fans. Mais le jour de la sortie, on est loin du compte.
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Les autres maisons d'édition, elles, n'ont pas attendu Dan Brown. En 2006, dès que le thème du roman a transpiré, elles ont lancé avant la sortie du livre une multitude d'ouvrages maçonniques : Solomon's Builders, Le Mythe maçonnique, 101 secrets de francs-maçons et même Les Secrets du symbole perdu.
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Le syndicat d'initiative de Washington a créé un site spécial sur les traces de Langdon. Des agences de voyages proposent un circuit du Washington maçonnique et le Dupont Hotel offre un séjour "Lost Symbol".
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Quel que soit le jugement des critiques sur sa qualité littéraire (et ils ne sont pas très tendres), Le Symbole perdu continue à caracoler en tête des ventes aux États-Unis, deux mois après sa sortie.
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Va-t-il atteindre les 81 millions d'exemplaires du Da Vinci Code ? Même le professeur Langdon n'a pas la réponse.
In: Le Point
.ALFOBRE - dixit:
. - Il semble impossible comme une machine de rédaction peuvent inciter les gens à acheter des illusions de pantins que l'Codigo da Vinci! Le phénomène est à ce défi et une fois de plus les gens vont avaler la culture et des connaissances spéculatives douteuses.
.César Ramos

« POÉTICA HELDERIANA »


.[HERBERTO HELDER, Poeta e Tradutor - assume-se como Autor -, tem em «POESIA TODA», nas suas sucessivas Edições desde 1973, toda a Obra reunida dos seus Livros de Poesia em forma de Antologia "pessoal ". «Ofício Cantante» - o livro fundamental da «Poética Helderiana»]
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.Nascido em Funchal, 1930. Poeta e tradutor (mas assumindo-se sobretudo como autor), Herberto Helder Luís Bernardes de Oliveira iniciou a sua formação liceal na ilha da Madeira (Colégio Lisbonense), tendo-a concluído, a partir de 1946, na Escola Luís de Camões, em Lisboa.
Já na Universidade de Coimbra, cursa o 1º ano de Direito (1948), tendo frequentado, entre 1949 e 1952, o curso de Filologia Românica na mesma instituição. Inicia a publicação dos seus primeiros poemas nas antologias Arquipélago (1952) e Poemas Bestiais (1954), ambas do Funchal, e no jornal A Briosa (1954, Coimbra). Interrompido o curso universitário, exerce diversas profissões, na Caixa Geral de Depósitos e no Anuário Comercial Português (angariador de publicidade) entre 52 e 54, no Serviço Meteorológico Nacional (Funchal, 1954), delegado de propaganda médica (1955-58); e, durante os anos em que viaja pela Europa (França, Holanda e Bélgica), entre 1958 e 60, teve diversos empregos (criado, operário, policopista, carregador e guia de marinheiros pelos bairros de Amesterdão).

De regresso a Lisboa, trabalha como encarregado nas Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian (1960-62), é redactor de noticiário internacional na Emissora Nacional (1964-66), colabora em programas da RTP e faz publicidade (1967-68). Em 1969 torna-se director literário da Editorial Estampa, onde começa a publicar a obra completa de Almada Negreiros. Depois de viajar novamente pela Europa (1970-71), vai para Angola, onde, sob diversos nomes, faz reportagens para a revista Notícia (Luanda), e volta a Lisboa, sendo revisor tipográfico na Editora Arcádia (1973) e redactor de notícias na RDP (1974). Herberto Helder frequentou, cerca de 1958, o Café Gelo, então ligado ao grupo surrealista, tendo já anteriormente colaborado nas revistas Re-nhau-nhau (1955) e Búzio (1956), editada por António Aragão e com a colaboração de Edmundo de Bettencourt. Desde então ligado às vanguardas e à procura de novas vias na poesia portuguesa, colaborou nas Folhas de Poesia (1957), com Helder Macedo e António Salvado, mas não deixou no entanto de estar em contacto com poetas de outras gerações (por exemplo, com colaboração na revista Graal, dirigida por António Manuel Couto Viana).

Tendo estado ligado à organização da revista Poesia Experimental (1964 e 1966) e tendo participado na "Exposição Visopoemas" (1965), Helder retirou do Surrealismo e da Poesia Experimental sobretudo o postulado da "liberdade, liberdades" para o seu próprio percurso poético. Colaborou em outros jornais e revistas (Jornal de Artes, Jornal do Fundão, Diário de Notícias, Cronos - nesta com Fernando Luso Soares e Eduardo Prado Coelho) e esteve envolvido num processo judicial (1968) desencadeado com a publicação da tradução de Filosofia na Alcova, de Sade (como intermediário entre tradutor e editor), no qual foi condenado a pena suspensa. Também nesta data, o seu livro Apresentação do Rosto foi apreendido pela Censura, nunca tendo sido reeditado. Na década de 70 Helder colabora quer em catálogos de pintura (Maria Paulo, SNBA, 1971), quer na revista Caliban (com Grabato Dias, Knopfli e Sena), no caderno antológico Novembro (com Gastão Cruz, Eugénio de Andrade e Ruy Belo) e em Nova: Magazine de Poesia e Desenho. Considerado unanimemente um dos mais importantes nomes da poesia portuguesa contemporânea, foram atribuídos a Herberto Helder diversos e relevantes prémios literários - Prémio Europália e Prémio Pessoa (1994), entre outros -, tendo o autor recusado todos eles, bem como a concessão de entrevistas ou mesmo a participação em eventos culturais ou literários.

A sua obra poética encontra-se, desde 1973, reunida nas sucessivas edições de Poesia Toda. Decorrente de um gesto de religação de toda a poesia, este é o livro fundamental da poética helderiana, "toda, / de estrela a estrela da obra.", sobretudo na medida em que esse é o lugar em que, reversivelmente, se fundam poesia e poética - "um baptismo atónito, sim uma palavra / surpreendida para cada coisa". Obra excluída (por razões editoriais, mas acima dessas as autorais, porque se conclui ser impossível "apresentar o que está presente", sobretudo na medida em que "a ausência é que devia apresentar-se, pois tarda na ausência"), a "autobiografia activa" Apresentação do Rosto é explícita quanto à instauração não tanto de um sujeito de escrita, mas, acima de tudo, de um autor que se celebra o acto enunciativo como o gesto criador: "sou o Autor, diz o Autor", aquele que gera (no poemacto) "uma coisa poética, [...] o acto iluminante do génesis". Por cada nova edição da sua poesia e da prosa, sobretudo Os Passos em Volta (seis edições com reescrita de fragmentos), o autor faz correcções no sentido de um maior rigor e apuro, da rasura de marcas de sujeito, num processo a que chama "emenda sucessiva" e "alteração de composição".

Outro dos livros essenciais é Photomaton & Vox, que contém textos cuja classificação genológica é difícil, na medida em que inclui "ramificações autobiográficas" e "notas pessoais" (alguns dos fragmentos de Apresentação do Rosto são aqui reescritos), "artes poéticas" e metatextos em que se reflecte sobre a representação: pintura, escultura e cinema. Se, por um lado, a sua poesia é aqui concebida como um "corpo orgânico [...], um cosmos explícito, "objectual"", por outro, "a superação do caos exprime-se pelo encontro de uma linguagem" que por estes ensaios se procura. A investigação das possibilidades da linguagem tem um seu corolário na "mudança" de poemas, com a tradução de poesia ameríndia (Maias e Aztecas) ou de povos africanos (Pigmeus), na procura da genealogia da "dicção mítica" (Ouolof). Herberto Helder tem poesia sua traduzida em diversas antologias, de entre as quais as publicadas em Itália (La Parola Interdetta: Poeti Surrealisti Portoghesi, Antonio Tabucchi, org.), em Inglaterra (Contemporary Portuguese Poetry, Helder Macedo, org.) e em Espanha (Antología de la Poesía Portuguesa Contemporánea, Angel Crespo, org.), para além das traduções de obras suas (França, Itália, etc.).

Diversos estudiosos portugueses e estrangeiros se têm dedicado ao estudo da sua poesia, de entre os quais se destacam Maria de Fátima Marinho, Maria Lúcia Dal Farra e Juliet Perkins. Os dois "ensaios poéticos" "Poesia Toda" (in A Phala, nº 20, Out.-Dez. 1990) e "A propósito de Photomaton & Vox [3ª ed.] ou de qualquer outro texto do autor" (in A Phala, nº 46, Out.-Dez. 1995) são indispensáveis para o conhecimento da poética helderiana e para a (auto) definição da sua poesia: "o poema é um objecto carregado de poderes magníficos, terríveis: [...] promove uma desordem e uma ordem que situam o mundo num ponto extremo: o mundo acaba e começa", principalmente se se aceitar o repto para que se "arrisque [...] sobretudo o nome pessoal para ouvir [...] o nome de baptismo como o coroado nome da terra". Esta é uma poesia como experiência de excesso e violência, pois "a paixão é a moral da poesia" (1990).
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(in: Dicionário Cronológico de Autores Portugueses)
Fotos: Internet
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2009-11-20

URBANO TAVARES RODRIGUES




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«Não quero ser um génio... já tenho problemas suficientes ao tentar ser um homem» (...)
- Pensamento de Albert Camus que U.T.R. jamais repudiará,... pois sabemos que concorda!
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O título deste post até há momentos, deveria ser «ÁGUAS FURTADAS»! Porquê?... a inspiração mandava traçar um texto de horizontes vastos, idênticos aos que uniu o casal Urbano! mas..., são grandes demais para lhes darmos 'rótulos'! Por isso,... ontem como hoje,... o correcto é chamá-los pelos seus nomes de Cidadãos.
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URBANO TAVARES RODRIGUES, nasceu em Lisboa em 6 de Dezembro de 1923. Cresceu no Alentejo e iniciou a carreira literária com um livro de contos (A porta dos limites, 1952); outra obra do género (Vida perigosa, 1955); ( A noite rouxa, 1956); (Jornadas no Oriente, 1956); (Jornadas da Europa, 1958) ; (Uma pedrada no charco, 1958).
Já tinha publicado "As aves da madrugada, 1959", quando o Século Ilustrado de 13 de Junho de 1959, na página literária de Guedes de Amorim, um ano depois, faz tardiamente a vénia e a crítica lisongeira ao estilo de Urbano Tavares Rodrigues, à sua aristocrática coragem de nos dar a realidade sem o pavor dos temas desembaraçados de cortinas e os verbos sem medo ao seu desuso no convívio da palavra escrita ou falada.
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Descreve a obra como saborosa colectânea erudita de crónicas de encontros com várias cidades europeias, seus povos e paisagens, considerando a jornada de raiz universalista, no sentido de nos projectar, segundo o que descobriu e sentiu, para um futuro de novos clamores de esperança e de liberdade.
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Já era casado com MARIA JUDITE DE CARVALHO (1921-1998) desde 1949, nome fortíssimo no feminino das hostes da Literatura Portuguesa. A grande companheira e cúmplice na vida de Urbano!... Talento criador reconhecido dentro e fora da pátria,... o homem que foi espancado, viveu a prisão e a discriminação política. Quão fácil seria a ele, ao casal, a acomodação num apoltronamento de segurança e conforto!... contudo, optou... optaram...! Romântico, dirão os cínicos. Mas esses [românticos] são os que pactuam ou se omitem. E Urbano não quis nunca omitir... ou pactuar! Nem ela, a mulher, o quis também!... Sentiu,... sentiram solidão; decerto que isso aconteceu! Mas saber-se-á que só é só,... quem não pode contar com verdadeiras amizades. E eles tinham essa riqueza e força interior para resistir... e nunca vacilaram.
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Mantenho-me seguidor de um blogue "sui generis", que expõe nos seus posts na forma de propostas adivinhatórias, temas de conhecimento geral. Há algum tempo, sob o título «Quem é este senhor?», surgiu o fotografia de Urbano Tavares Rodrigues ainda jovem, acompanhada do seguinte rodapé: « Trata-se de alguém com quem, durante quase 4 anos me cruzei praticamente todos os dias. Não o conhecendo pessoalmente, sempre me impressionou de modo favorável pelo sorriso que ostentava. Uns amigos de juventude, seus vizinhos de férias durante muitos anos na aldeia do Baleal, vieram a confirmar a ideia: sociável, simpático e muito civilizado.» (sic)
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Esta era a proposta de adivinha apresentada pela co-editora do blog, Profª. Teresa. A resposta não se fez esperar e, lá veio o nome de Urbano Tavares Rodrigues como solução do "enigma" que ligava a imagem fotográfica à narração. De seguida e em catadupa, seguiram-se comentários, recordando cada um, especificidades inerentes ao escritor. Um desses comentários, da autoria de outro colaborador do blog que se apresenta com o 'nick' - «gin-tonic», adiantou de forma bastante saborosa, o seguinte:
.« A blogosfera andava a ocupar-lhe o tempo demasiado, tempo que lhe andava a faltar para leituras, filmes, conversas, outras coisas. Estava a tornar-se viciante, ele que até não tem quaisquer complexos com vícios e reconhece que ainda lhe faltam alguns... Decidiu que só virá aqui pela noite. Vai acontecer-lhe perder adivinhas. Esta, por exemplo. Mas não será por saber a solução da adivinha que deixará de contextualizar, sempre que achar necessário. É o caso do Urbano Tavares Rodrigues.
Generoso. Solidário. Culto. Amável.
Corajoso. Uma extensa obra, desiquilibrada por vezes, mas importantíssima, alguns dos melhores contos e romances portugueses. Por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher: Maria Judite de Carvalho, outro nome incontornável da nossa cultura. Anos 69/70.
Chegava a casa e dizia ao pai que já comprara o último Urbano [último livro].
O pai, com ternura:
" Porra! esse gajo mija livros! " (...)
Um livro que não esquecerá:
"Imitação da Felicidade".
Motivos vários.
(19 de Agosto, 2009) ».
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Não esqueço as considerações destes dois 'navegadores' de blog: a Profª Teresa e o característico ' gin-tónic ' que se expressa na terceira pessoa!... recomendo vivamento aos eventuais leitores do Alfobre, que sigam o blog http://diasquevoam.blogspot.com/
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Percebo um dos motivos que gin-tonic não esquecerá o livro "Imitação da Felicidade". Foi um livro posto "fora do mercado", designação branda para dizer que o livro fora proibido de estar à venda, ou possuí-lo! Em honra de Urbano e de gin-tonic, aqui se reproduz em fotografia, a capa do livro que, no tempo, tinha sido editado pela Bertrand.
Mais tarde, as obras de Urbano seriam editadas pela Europa América!
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Nota curiosa: na minha investigação para recolha de elementos para este post, soube
que a Bertrand já não se' lembra' que editou Urbano!
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A Informática... apagou-lhes a memória...!!
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Urbano Tavares Rodrigues foi Director da Revista Europa, jornalista do Século e Diário de Lisboa, periódicos onde fez crítica teatral.
Percorreu grande parte do mundo, reuniu relatos de viagens nos volumes Santiago de Compostela (1949) além das Jornadas acima já referidas.
Recebeu galardões literários, como o Prémio Ricardo Malheiros, Prémio da Imprensa Cultural [IMITAÇÃO da FELICIDADE] , Prémio Vida Literária ....
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Nota informativa: A "Imitação da Felicidade", premiado mas proibido pela ' censura ', trata de uma viagem a um passado recente na qual se evidenciam certos atavismos culturais, sociais e políticos dos portugueses, através do confronto entre duas turistas francesas e três portuguesas. Foi só, um dos muitos momentos criativos de Urbano!
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Não é só o grande escritor do Alentejo, das suas gentes e das suas paisagens, é também romancista e contista de Lisboa e de outras atmosferas cosmopolitas que, como jornalista e professor universitário, bem conhecem, viajando pelo mndo.
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A juventude que U.T.R. (Urbano T. Rodrigues) ostenta na foto em cima, é a mesma com que responde agora, octogenário, a uma entrevista: «Gostava intensamente de viver» e «Tenho um tempo de vida muito limitado».
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Seguro do que dita a Lei da Vida e o ' acto ' de "partir", sem mistérios diz: «Tenho um grande problema de coração. Não tenho já a aurícula esquerda porque está morta. Vivo de circulação artificial. O bombear do sangue faz-se pela aurícula direita e muito facilmente entro em taquicardia (...) não sei quando será, mas no meu caso é para breve».
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Este grande coração que assim 'pensa' que se despede e faz poesia serena do último capítulo de todos nós,... é o autor,... como já referimos e apresentámos, da obra «Imitação da Felicidade» : O Livro que nos proibiram de ler!...
Escritor prolífico traduzido em diversas línguas, tem como característica principal a tomada de consciência do indivíduo face a si mesmo e aos outros, processo que se desenvolve até ao reconhecimento de uma identidade social e política.
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Outra obra que desde sempre muito me agradou até hoje, também ela apreendida e colocada «fora do mercado» pela "Censura"
do chamado Estado Novo:
.« CONTOS da SOLIDÃO »



2009-11-19

MARIA JUDITE DE CARVALHO







.[MARIA JUDITE DE CARVALHO (1921-1998) - foi alvo de um colóquio em Paris (de 4 a 6 de Novembro p.p.), assinalando os 50 anos da publicação de «Tanta gente, Mariana», numa "Revisitação da obra".]
.Tendo nascido em Lisboa (os pais viviam na Bélgica), desde os três meses de idade foi criada e educada por tias paternas, num meio austero e de extrema contenção. Aos quatro anos morreu-lhe uma das tias, aos oito a mãe, que mal conheceu, e pouco depois o meio irmão, pelo lado materno. Com dez anos, foi a vez de uma outra tia e, com quinze anos, o pai, que continuara a viver na Bélgica, foi dado como desaparecido.
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Entrara no Colégio Feminino Francês tinha catorze anos e, tendo concluído o secundário no Liceu Maria Amália, matriculou-se em Filologia Germânica. Durante este tempo, fez duas amizades duradoiras, com Natália Nunes e Fernanda Botelho. Em 1944, conheceu Urbano Tavares Rodrigues, com quem casou em 1949. O casal seguiu de imediato para Montpellier, em França, onde Urbano fora colocado como leitor de Português. Aqui viveu três anos, e outros tantos em Paris. Entretanto, veio a Lisboa, em 1950, ter a sua única filha, que deixou ao cuidado dos avós paternos.
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Quando regressou a Portugal, foi trabalhar para a revista Eva, primeiro enquanto secretária, depois como redactora e chefe de redacção. Esta revista publicara-lhe já, em 1949, o seu primeiro conto e, desde 1953, as «Crónicas de Paris», tendo continuado a colaborar nela até 1974, altura em que a revista faliu. Foi em 1968 que ingressou no Diário de Lisboa, com as funções de redactora, continuando a publicar as suas crónicas até à idade da reforma, em 1986. Em simultâneo, e a partir de 1978, O Jornal recebeu também a cooperação da escritora, sempre sob a forma de crónicas, que seriam reunidas no volume Este Tempo, de 1991, galardoado com o Prémio da Crónica A. P. E.
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Cardoso Pires, que foi director-adjunto do Diário de Lisboa, recordou-a, entre 1975-76, nestes termos: «... não participava em nada... Sentava-se ali como quem ia à repartição... Não conheci uma única pessoa com quem se desse. Só uma vez a vi alegre.» Arrastava um ar tristíssimo, como de exilada, que Natália Nunes, no entanto, explicou: «Havia nela uma exuberância vital mas completamente recalcada», e a sua austeridade quase monacal impedia-a de falar de si, manifestando uma enorme dificuldade em lidar com a vida. Quanto ao próprio Urbano, este adiantou: «Vivia como espectadora, sempre céptica e desencantada... Uma dor funda sempre a acompanhou, tendo atingido os limites do sofrimento, nos últimos anos da sua vida, devido à deformação física ocasionada pela doença.»
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Será impossível não relacionarmos todas estas informações com o mundo ficcional que a escritora nos deixou: os conteúdos das suas histórias, as características das suas personagens e os específicos objectos evocados, pois quase podemos adivinhar as sucessivas etapas que transpôs e seus particulares estados de espírito, sobretudo a nível das atitudes afectivas que exterioriza perante a deterioração que detecta nas relações humanas e a que os recursos técnicos narrativos, de que se socorre, não podem ser alheios. A descrição do presente – momento disfórico do processo da escrita – servirá, normalmente, como charneira que lhe permite ir ao encontro do passado, daqueles pedaços vividos que se reportam quase exclusivamente a três períodos: o da infância, o dos seus catorze anos e o dos dezoito aos vinte anos. Serão essas memórias que lhe facultarão a expansão da sua anterioridade-interioridade, espécie fictícia de reviver ou recompor uma mais-valia: o que subsiste da sua morada de então.
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Crónicas ou narrativas, os textos de Maria Judite de Carvalho discorrem fundamentalmente sobre casos humanos de solidão – predominantemente femininos – e sobre o desajustamento existencial que lhes é inerente no quadro do quotidiano social e num registo sentidamente amargo, ainda quando temperado pela ironia ou pela mordacidade. Foi nítida a apropriação final dos processos narrativos próprios do Novo-Romance, talvez necessariamente os mais adequados à expressão do estado de espírito geral da época, do ponto de vista político-social e, portanto, da própria autora. A sua expressão, todavia, parece continuar a reflectir-lhe o estado psíquico, ao escolher, agora, uma forma próxima da escrita do olhar – este bem diferente do modelo francês – com o natural discurso distendido, imageticamente rico, e a utilização de modalizadores tais como «na verdade», «de facto» e do «talvez», tão apropriados a um discorrer contemplativo, poético e distante, mas tão próximo das coisas, que só muito poucos souberam concretizar.
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Se grande parte da sua obra foi produzida em tempos de ditadura, revelando um espaço disfórico pontuado pela angústia e pela falta de perspectivas, a verdade é que, mesmo depois de Abril de 1974, a sua escrita nunca deixou de esmiuçar com lucidez e ironia o que de mais profundo se esconde na alma de personagens desencantadas, quase sempre mulheres da pequena burguesia humana, confrontadas com a solidão, a melancolia, a incomunicabilidade, o abandono, a perda, a morte, em suma com realidade inalterável da condição humana.
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Durante três dias , e na presença de familiares de JUDITE, dezenas de intelectuais debruçaram-se sobre o universo da sua obra literária. Um dos pontos altos do colóquio foi constituído pela leitura de textos de Maria Judite de Carvalho, numa encenação de Anne Petit, acompanhada à guitarra por Daniel Romero, com uma criação musical de Ramon Herrera.
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Os participantes deixaram expresso o desejo de verem reeditados os livros da autora que se encontram esgotados e indisponíveis [é assim tratada a Literatura Portuguesa!!], para proporcionar-se a comunhão com o estilo da autora, escrita tipificadamente «juditiana»! (...) Dignemo-nos recordar que, ainda em 1998, foi galardoada com o Prémio Vergílio Ferreira, da Universidade de Évora.
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Os organizadores do Colóquio de Paris (...) teve de ser lá fora! em Portugal o tempo faz falta para outras coisas que lá terão o seu sentido subjectivo como publicações sensacionalistas de livrecos de escandaleiras e outras vulgaridades pseudo-político sociais (...), vão-se concentrar para em breve partilharem com um público mais alargado [contrariando o silêncio injustificado], a riqueza da obra fascinante de Maria Judite de Carvalho.
.Bibliografia Activa
Tanta gente, Mariana (contos), 1955 ; 1991
As palavras poupadas (contos), 1961 ; 1988
Paisagem sem barcos (contos), 1963 ; 1990
Os armários vazios (romance), 1966 ; 1993
O seu amor por Etel (contos), 1967
Flores ao telefone (contos), 1968
Os idólatras (contos), 1969
Tempo de mercês (romance), 1973
A janela fingida (contos), 1975
Mulher, 1976
O homem no arame : textos publicados no Diário de Lisboa entre 1970 e 1975, 1979
Além do quadro (contos), 1983
Este tempo (crónicas), 1991
Seta despedida (ficção), 1995 ; 1996
A flor que havia na água parada (poesia), 1998
Havemos de rir? (teatro), 1998 ; 2002
Diários de Emília Bravo (crónicas), 2002
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Referências de: Jornal de Letras, e blog JL de que o autor do Alfobre é seguidor.
Fotos obtidas de: Internet
Foto de homem: O marido, o escritor URBANO TAVARES RODRIGUES.