[ Vox populi vox Dei ]

2009-10-31

REPUBLICANISMO antes da queda da REALEZA






.JOÃO CHAGAS (1863 -1925) - Antigo Ministro de Portugal em Paris.
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Entra em 1883 para a Redacção de «O Primeiro de Janeiro». Condenado em 26/01/1891 por delito de opinião ao criticar o regime monárquico quanto à cedência ao "Ultimatum Inglês".
Degredado para Moçâmedes (África austral), como instigador da intentona republicana de 31 de Janeiro de 1891.
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Evade-se para Paris, onde chega a 15 de Janeiro de 1892. Regressado de mais uma pena de degredo, desta feita em S. Miguel, lança em 1897-98 o Jornal « A Marselheza », várias vezes apreendido.
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Desta curta dissertação depreende-se que a liberdade de expressão não era coisa corrente naqueles tempos !(...) mas, vamos alargar um pouco as vistas e atentar sobre resumidos aspectos do ambiente reinante, antes de dar-mos a palavra o mais possível no discurso directo, a
JOÃO CHAGAS, muito embora de forma póstuma.
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Vivia-se a ditadura de João Franco (1907-1908), e para nos situarmos no tempo, oiçamos as palavras de Hintze Ribeiro que fez chegar até nós o eco da sua voz dizendo: « Ninguém é mais monárquico do que eu, mas quero a Monarquia aliada à Liberdade e não ao Absolutismo. É assim que sou monárquico. Mais um ano deste Governo [João Franco] e Portugal será republicano.»
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Há uma certa crença de que Franco era o terrível, e D. Carlos o intelectual multifacetado e afastado de qualquer tendência tirânica. Entre a Oceanografia... aguarelas... e óleos de rara Arte executados pelo Soberano, 'escutemos' esta frase de D. Carlos para João Franco, a propósito dos constantes confrontos do povo com as forças policiais, « Seja como for e suceda o que suceder, temos que caminhar para diante, ainda que a luta seja rude e áspera (e espero-a) porque aqui mais do que nunca, parar é morrer, e eu não quero morrer assim ... nem tu! » [ !! ]
«Sem luta não há prazer em vencer, e a vitória sem combate a sério, nunca é uma vitória duradoura», ... palavras de Sua Majestade!
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O País estava pobre, e se não se podia sustentar um rico rei, muito menos podia sustentar um rei rico!
D. Carlos e a sua família, esbanjava somas muito superiores às que recebiam as famílias reinantes
de países ricos como a Noruega e a Dinamarca.
D. Carlos não se preocupava em gastos que custavam caro ao País; mudava de iate como quem muda de camisa: o Amélia I depressa se torna pequeno para dar lugar ao Amélia II que não demora a ser ultrapassado pelo Amélia III a que, logo sucede o Amélia IV!
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E... com isto tudo... o Povo, a ver ... " navios "....!
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Nesta conformidade, o Jornal «O MUNDO» de 13 de Abril de 1918, deu à estampa um Manifesto muito completo da autoria do antigo e ilustre ministro de Portugal em Paris, Sr. João Chagas, do qual vamos "republicar" apenas dois pequenos parágrafos de um Comunicado
bastante extenso e, ... sem contraditório na sua época :
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«Não há talvez exemplo na história de uma democracia tão experimentada como a democracia portuguesa!
As ideias democráticas em Portugal baseiam-se nos princípios da Revolução Francesa e já nessa época longínqua, os primeiros portugueses que se manifestaram seus partidários foram alvos de perseguições da parte dos regimes intolerantes de outrora.
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No regime liberal, os poderes públicos trataram o partido republicano como inimigo. Era particularmente servido pela imprensa, contra a qual se publicaram muitas leis de excepção. Os jornalistas republicanos eram repetidas vezes presos e esmagados com pesadíssimas penas pecuniárias.
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Durante a ditadura Franco, em 1907-1908 a situação do partido republicano tornou-se intolerável. A Imprensa republicana foi suprimida.
O Decreto de 31 de Janeiro de 1906 condenaria ao exílio os apoiantes e deportação os líderes republicanos, se a morte do rei Carlos não tivesse ocorrido e impedido que esse Decreto tivesse execução!
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Os republicanos, de que se sentia a influência crescente no seio da população, eram excluídos das funções públicas.
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A sua força eleitoral era contrariada por todos os meios ilícitos, num mundo indiscritível de fraudes e manipulação de registos de eleitores!
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E a República foi proclamada no dia 5 de Outubro de 1910 e, ao contrário do que os seus antecedentes poderiam fazer julgar, um espírito de grande ponderação presidiu aos seus actos.
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Não houve perseguições, como não houve represálias. O pessoal administrativo foi conservado. No corpo diplomático não houve mudança. Só foram substituídos os diplomatas que se recusavam a servir o novo regime.
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A República promoveu a ministros antigos secretários de legação. Nos altos postos de confiança, manteve funcionários que não encobriam simpatias pelo antigo regime. O mesmo se deu no Exército. Os numerosos amigos que a realeza contava, foram conservados ao Serviço! Os próprios Oficiais da Casa Militar do rei foram convidados a servir nas fileiras.
Mais tarde, deu-se-lhes comandos.
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A Imprensa foi completamente liberta. Nem um único processo de imprensa foi instaurado; nem um único jornalista monárquico foi preso, por ter manifestado as suas opiniões por meio da Imprensa.
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A República foi muito atacada pelos clericais de todos os países, devido à sua política religiosa.
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A Lei portuguesa da Separação não difere essencialmente da francesa. Ao clero concederam-se subsídios. O culto é livre. O púlpito é livre. Além disso, o povo português é muito tolerante em matéria religiosa.
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Apesar disso, «Quatro tentativas de restauração monárquica» se realizaram nos primeiros quatro anos de existência da República Portuguesa.
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Outubro de 1911 - Incursão armada pela fronteira norte de Portugal.
Julho de 1912 - Incursão armada pela mesma fronteira.
Outubro de 1913 - Tentativa de sublevação em Lisboa.
Outubro de 1914 - Sublevação militar em Mafra.
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A República respondeu a estas quatro tentativas de restauração,... com "quatro amnistias"!(...)
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JOÃO CHAGAS, continua o Manifesto versando sobre o extraordinário conflito desencadeado em Agosto de 1914 - PORTUGAL na GUERRA - a I Grande Guerra! Mas é assunto fora deste contexto! (...)
Recebemos um comentário "semi-anónimo", aquando a publicação de um dos nossos posts sobre a comemoração, irrefutavelmente Histórica, da Implantação da República em Portugal, no dia 5 de Outubro!
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Reproduzimos o comentário:
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«Hoje comemoram-se os ideais da República, isto é, a perseguição à Igreja Católica, a censura, a fraude eleitoral, a manipulação de cadernos eleitorais, o assassinato político, as milícias armadas, a revolução permanente, a ingovernabilidade, o regime de partido único (com apêndices) e a decadência económica (a pior década do século XX).
(Escrito a 5 de Outubro por João Miranda em "Belsafémias".»
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Não temos que gerir 'querelas' ! Recebemos o comentário e respeitámos a intenção do seu objetivo! São as realidades da história que se devem confrontar... não nós...
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Se tivéssemos a oportunidade de dialogar frente a frente ou com a assinatura de quem o escreveu, dedicaríamos mais espaço no post deste blog!
.Assim, fica o convite de analisar a informação histórica acima reproduzida de JOÃO CHAGAS , bem como as outras fontes fidedignas que mantêm opiniões factuais bem diferentes das que os monárquicos de hoje, e de sempre,... se queixam!
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Pensamos que, por lá se encontra explicado que a limitação religiosa tem por base os negócios de Estado terem de estar separados das religiões... e, sugerimos recordar que em termos de perseguição à Igreja Católica,... nunca ela teve tão grande inimiga,
como ela própria...!
através da... alegada:
« Santa Inquisição »
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Legenda:
1- Pormenor da 'luneta' do Plenário da autoria do pintor Veloso Salgado.
2- Símbolo antigo do «Partido Republicano Português».
3- Fotografia de João Chagas.
Nota final importante
- Transcrevemos nota da Redacção do Jornal O Mundo: « No mesmo dia foram assaltados os jornais 'Portugal' e 'O Mundo'. O edifício onde estavam instalados os nossos escritórios ficaram no estado que o público tem visto: tudo destruído. » (...)
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(...) Vá, lá!... hoje em dia... por cá,... longe do ano de 1918..., uns 'senhores' ditos 31 da Armada,... limitaram-se a roubar bandeiras camarárias da C.M.L.!... Poderiam ser punidos pelo lindo 31 que armaram!...
Contudo..., a República continua serena e...
não lhes deu os açoites
bem merecidos!



2009-10-29

E' il compleano di INTERNET, fa 40 anni


29 ottobre 1969 La prima volta che un messaggio è stato inviato tra due computer distanti tra loro 500 km da una macchina presso lo Stanford Research Institute.Questo ha segnato l'avvio vero della rete,con un metodo di trasferimento dati, che prevedeva la rottura messaggi in piccoli "pacchetti" e li rimontaggio a destinazione.Trasmisero una sola parola login,ma arrivo' dopo molto tempo solo lo,le prime due lettere,ma era nato gia' tutto.
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= O blog alfobre fez questão de se juntar à festa da Internet para soprar o bolo de anos =

2009-10-25

CESÁRIO VERDE, POETA de LISBOA




[Imagens obtidas na: Net]
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CESÁRIO Verde foi o grande poeta de Lisboa, mas, fundamentalmente, um poeta da Natureza, de inspiração campesina, sedento de amplitude - porque «a dor humana busca amplos horizontes» -, de claridade exultante, embebido dos coloridos da paisagem, vibratil à sua comunicabilidade, em quem o ambiente rústico despertava a «verdadeira sensação de viver».
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«No campo; eu acho nele a musa que me anima». E bastava-lhe «fechar os olhos cansados» para «descrever das telas da memória retocadas» até os pequenos pormenores da realidade tangível ou pressentidos pela acuidade perscrutadora e trazidos do vago para o concreto, pela poderosa sugestão emotiva, visual, traduzida pelo paisagista, no seu impressionismo rutilante e sentimental, em quadros luminosos», onde se «destacam, vivas, certas cores, na vida externa cheia de alegrias».
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A cidade atraía-o, num amoroso encanto, e desalentava-o, punha-lhe a cinza do tédio na alma: «Eu passo tão calado como a morte», «Nesta velha cidade tão sombria»... «E ali começaria o meu desterro», que a escuridão da noite, «pesada e esmagadora», tornava em agónica angústia, «tão moribundo se sentia... ao acender das luzes».
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Para o «verdejante Cesário», como Jorge de Sena admiravelmente definiu o poeta, que se identificava com a Natureza e parecia transmiti-lhe a sua própria essência poética, eram - diz Silva Pinto - «os campos, a verdura dos prados e dos montes, a liberdade do homem em meio da Natureza: os seus sonhos amados, as suas realidades amadas! Quando aquele artista delicado, quando aquele poeta de primeira grandeza julgava em raros momentos sacrificar a arte aos seus gozos de lavrador e de homem prático, sucedia que as coisas do campo, da vida prática assimilavam a fecundante seiva artística do poeta; e então dos frutos exalavam-se aromas que disputavam foros de «poesia» aos aromas das flores. O mesmo sopro bondoso e potente agitava e fecundava os milharais e as violetas e os trigais e as rosas! A bondade suma está no poeta - mais visível, pelo menos, do que em Deus
Foi isso, talvez, esse amorável enlevo na risonha Natureza, o dissolvente da sua amargura íntima, que não se transformou em ostensivo padecer, na mórbida tristeza em que se afundaram outros poetas, desiludidos da vida, atormentados como ele pela neurose, minados pela doença incurável e desalentadora.
Outros sentiram também, a atracção, misto de estranha sedução, de magoada nostalgia, de torturante soturnidade, da cidade nevoenta, turbilhonante, pitoresca e impressiva - e acode-nos à memória as surpreendentes visões do magnífico e inconsolável António Nobre!
Cesário, contudo, foi o grande, verdadeiro poeta de Lisboa. Não nos parece que haja outro maior, tão sugestivo, tão lisboeta como ele... Poeta de Lisboa ... e de toda a gente - porque toda a gente o entende.
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As cidades prendem pelo seu impressionismo, pela vibracção sentimental, pelo drama humano da multidão inquieta, formigueiro de gente que sofre e luta, num redemoino devorador de paixões e egoísmo, que se perde nas encruzilhadas do destino para se despenhar no abismo , à qual os desenganos inspiram, com estranha volúpia, o «absurdo desejo de sofrer».
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E há a enternecedora poesia das coisas humildes, deslumbramentos e quimeras , singelas aspirações que se evadem das realidades brutais, do mundo, de indiferença, de hostilidade molestadora, para a «gaiola de um terceiro andar», onde poisam as estrelas , acalentando o sonho às «carícias leitosas do luar», mitigando a nostalgia da tranquilidade e jubilosa simplicidade campestre num pé de sardinheira a estalar de cor no canteiro da janela. Coisas que só a sensibilidade dos poetas descobre ...
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Ao entardecer, entra na alma do poeta, que sente a desolação desesperadora dos enfermos descrentes e saudosos da existência breve, a melancolia crepuscular que desce sobre a cidade e envolve os seus versos:
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O fim da tarde inspira-me e incomoda:
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Vaziam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras,
E n'um cardume negro, hercúleas, galhofeiras
Correndo com firmeza, assomam as varinas.
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Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras,
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.
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Toca-se as grades, nas cadeias. Som
Que mortifica e deixa umas loucuras mansas!
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A espaços iluminam-se os andares
E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos
Alastram em lençol os seus reflexos brancos,
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Triste cidade! Eu temo que me avives
Uma paixão defunta! Aos lampiões distantes,
Enlutam-me, alvejando, as tuas elegantes,
Curvadas, a sorrir, às montras dos ourives.
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E mais: as costureiras, as floristas
Descem dos «magazins», causam-me sobressaltos;
Custa-lhes a elevar os seus pescoços altos
E muitas d'elas são comparsas ou coristas
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E eu, de luneta de uma lente só,
Eu acho sempre assunto a quadros revoltados;
Entro na «brasserie»; às mesas de emigrados
Ao riso e à crua luz joga-se o dominó.
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A cidade tem alma e é a alma da cidade que estua nos versos de Cesário - o seu drama e as suas pequenas alegrias, naquilo que ela tem de ideação poética e embevecimento estético, na graça,no pitoresco das coisas simples, no ressumante sensualismo, nas esfusiantes claridades ou nas neblinas opressivas, nas esperanças que morrem e vão renascendo, naquela penetrante melancolia, saudade e desalento, renúncia e impetuosidade sentimental, qualquer coisa como só o poeta sabe exprimir, da angústia íntima do penar por todas as desditas, da nostalgia brumosa e pungindora pelas frustradas empresas, pelo desânimo da raça aventureira e desiludida.
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Para além de tudo isso, a sensibilidade do artista, do verdadeiro poeta, que tinha o segredo da naturalidade e o raro condão de descobrir um «espírito secreto» nas coisas, transportado para o objectivismo realista da poesia fulgurante, de efeitos singularmente originais no mundo das cores e das formas.
Não se furtando a «certa morbidez», a que alguns críticos exageradamente juntaram a doentia influência baudelaireana, avultam entre os méritos do poeta «observação profunda»...
«sentimento sincero»,... «ironia finíssima»,... «arte sóbria, mas colorida».
Poeta de singular talento e vincada personalidade, sempre poeta e artista, humano, consciente das desigualdades sociais, insubmisso, como rebelde aos convencionalismos da arte, Cesário Verde, um inovador com sua maneira originalíssima, de grande poder sugestivo; expressões inéditas que descobriui a «coisa nova», é dos poucos que se perpetuam entre renovadores e precursores da moderna poesia.
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Poeta de Lisboa, grande e admirável poeta de toda a gente, a cidade deve-lhe a justa homenagem - mas qualquer coisa além de uma lápide na parede do prédio onde residia e morreu, outra lápide no meio de um verdejante jardim lembrando Cesário, do nome numa rua, do busto em quatro palmos de relva - a verdadeira consagração, em plano mais elevado, de amplitude nacional, de um dos maiores Poetas portugueses.
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Por acharmos que nunca é demais evocarmos os nossos valores culturais, e seus cavaleiros empreendedores do alargamento da nossa verdadeira Pátria que é a Língua Portuguesa, vamos reproduzir um certo poema de Cesário Verde, que investigámos quanto ao seu paradeiro, como poema desaparecido, ou oculto que estava!
Há poucos meses, num Blog que seguimos com interesse pelas suas características lúdicas e culturais http://diasquevoam.blogspot.com/ -, tomámos um apontamento apressado sobre um pedido de um dos seus muitos seguidores/comentadores em que, perguntava aos outros internautas, se sabiam de um poema, da autoria de Cesário Verde, intitulado « Escândalos » .
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Decidimos tomar conta da investigação, até por interesse próprio!... não foi fácil, e tivémos que percorrer muita informação! Começámos a pensar que, não há fumo sem fogo, que ninguém iria inventar um título e que, como quem procura acha,.... procurámos.... e achámos!
Não nos lembramos do nome da comentadora/o que tinha deixado tal "apelo" (...) mas, pode ser que nos encontre aqui neste post do Alfobre, onde também predomina o Verde, tal como Cesário!
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Quase metade da "cesárica" produção literária é de 1874! Chegou-nos ao conhecimento de que o poema perdido em parte incerta, existe mesmo! ... desconhecemos ainda muitos pormenores... tão pouco o motivo porque poderá ter estado durante muitos anos "debaixo de um qualquer tapete", como' lixo' escondido à pressa! (...)
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O Poeta escreveu então quatro quintilhas, exactamente no acima referido período de 1874, fase cesárica da sua produção poética:
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« ESCÂNDALOS »
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Fallava-lhe ella assim: - "Não sei
[porque me odeia.
"Não sei porque despreza a luz dos
[meus olhares.
"Se o adoro com fervor, se não me
[julgo feia.
"E o meu olhar eguala as chammas
[singulares
"Do incendio de Pompeia!
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"Instiga-me o aguilhão do vício
[fatigante.
"E crava-me o caprocho os vigorosos
[dentes;
"Não quero o doce amor platonico do
[Dante
"E sinto vir a febre e as pulsações
[frequentes
"Ao vel-o, ó meu amante!
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"As ancias, as paixões, os fogos, os
[ardores.
"Allucinada e louca, eu vejo que
[abomina.
"E ignoro com que fim, em tempos
[anteriores,
"Enchia me de gosto a bôca
[purpurina
"E o seio de calores!"
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E elle ao vel-a excitante, hysterica,
[exaltada.
Volveu lhe glacial, britannico,
[insolente:
- "A tua exaltação decerto nãao me
[agrada.
"E, ó minha libertina! eu quero-te
[somente
"Para mecher salada!"
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Lisboa, Agosto de 1874
Cesário Verde
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De todos os poetas da chamada «escola nova» Cesário foi o único que conseguiu cortar com a retórica romântica, criando uma expressão nova, ajustada à expressão directa de um novo conteúdo.
É o único verdadeiro poeta «realista» do Sec. XIX.
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Tendo ido em busca do «poema da 'arca' perdida», encontrámos informação que não "cabe" num post de blog, considerando a sua extensão! E ficámos com uma dívida de gratidão ao blog Dias,... por nos ter 'apresentado' alguém que queria saber mais sobre este Poeta!... aprendemos mais..., e ficámos mais ricos, com esta investigação experimental....
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Foi uma bonita 'viagem' de consulta pelas seguintes "Fontes": - Silva Pinto; Jorge de Sena; António José Saraiva; Óscar Lopes; Joel Serrão; recortes pessoais de Artes &Letras e, pseudónimos (não anónimos!) em blogs brasileiros de literatura portuguesa, cujos nomes nos fugiram entre os dedos.... ao correr do teclado....
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Falta referir que tentámos ao máximo manter Cesário Verde em discurso directo no desenrolar deste post,
dando voz,....
às suas próprias expressões ....!



2009-10-21

TAXI DRIVER BLOGGER



Apr 14
2008
Taxitramas O blog de um taxista
Postado em (Blogosfera) por Marcel Maineri em 14-04-2008
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Bom, hoje meu primeiro post da semana vai ser a dica de um blog que eu já acompanho já faz algum tempo. O nome do blog se chama Taxitramas, e ele é escrito por Mauro Castro, taxista aqui de Porto Alegre. Todos nós já pegamos taxi em algum momento. E sabemos que os taxistas pegam tudo que é tipo de passageiro. Tem taxistas que falam um monte, outros tocam o som lá em cima, outros simplesmente fica quietos. Mauro Castro tem um diferencial, ele escreve suas corridas em um blog.
Os textos do Mauro são ótimos, com um bom conteúdo, uma boa narração e o final é sempre surpreendente. Até onde cada história é verdade nós não podemos descobrir, mas que como taxista ele é um ótimo contador de história, ah isso é verdade. Não dou algum tempo para que alguma publicação realmente descubra ele. Nem que seja a Papo de Homem. Abaixo eu vou colar dois textos deles, aproveitem a leitura!
Uma tragédia anunciadaTudo começou quando alguns colegas de trabalho resolveram despedir-se de um amigo que estava se aposentando. Decidiram comemorar em um inferninho barato, no Centro de Porto Alegre. Foi lá que meu passageiro acabou conhecendo a mulher que o levaria à loucura.Apaixonado pela garota de programa, ele voltou ao cabaré dias depois, mas não a encontrou mais. A dona do lugar não sabia dizer exatamente onde a jovem morava. Lembrava apenas que era em uma casa do Bairro Sarandi e que, no seu muro, havia a propaganda de um certo candidato a vereador.Foi assim que conheci e fiquei amigo desse meu passageiro. Passamos uma tarde inteira à procura da bendita casa com o muro pintado. Acabamos achando. A casa, aliás, não era da garota, mas do namorado dela, que, por sorte, estava fora por uns tempos… Foragido da polícia.É difícil dizer o que leva um homem maduro, casado, com situação financeira estável a se envolver em uma aventura amorosa desse tipo. O fato é que meu passageiro jogou-se de cabeça. Na esperança de afastá-la do passado, alugou um apartamento, no qual instalou sua amada. Eu o levava até lá todo o santo dia.O ex-namorado, porém, acabou descobrindo o novo endereço da garota. Invadiu o apartamento no meio da noite. Pegou-a na cama, nos braços do amante. Matou os dois.Não houve quem chorasse por ela. Apenas um caixão às moscas no centro de uma capela vazia. Em outro cemitério, no entanto, as pessoas se amontoavam para despedir-se do homem que morreu na cama da amante.Meu passageiro jamais se recuperou do golpe. Visita o túmulo da garota com freqüência. Mesmo sabendo que ela o traía com o porteiro do prédio. O desgraçado que estava na cama com ela naquela noite fatídica.
Olhos negros como a noiteMinha passageira era uma mulher bela. Mesmo com visual discreto, usando um tailleur sóbrio, era impossível não notar o corpo bem desenhado que trazia sob a aparência executiva. Logo que embarcou, inundou o táxi com um perfume suave, certamente caro como a roupa que vestia.Já era tarde, a noite avançava morna e abafada. Eu trabalhava além da conta. Como aquela corrida me levaria rumo ao meu bairro, aproveitaria a oportunidade para encerrar a jornada. Minha passageira também parecia cansada. Os cílios longos pendiam sobre seus olhos negros. Dois trabalhadores em busca do fim do dia.Tudo aconteceu muito rápido. Um ou dois minutos. Para mim e minha passageira, no entanto, foi como se tivesse durado uma eternidade.Eu havia parado o táxi. A mulher procurava na bolsa o dinheiro para pagar a corrida. Subitamente fomos surpreendidos pelo som de uma freada forte. De dentro de um carro, que parou atravessado em frente ao meu táxi, saltaram dois homens correndo.Um deles ficou apontando uma arma em minha direção, exigindo que eu lhe passasse o dinheiro. O outro abriu a porta traseira e puxou a passageira para fora. Depois de lhe tirar a bolsa, o homem passou a revistá-la em busca de mais alguma coisa.Foi quando a situação, que já parecia terrível, começou a ganhar contornos trágicos: não contente com o que havia pegado da mulher, o bandido passou a apalpar-lhe o corpo, insinuando que gostaria de levá-la consigo.Um terceiro assaltante, que ficara ao volante do carro, começou a acelerar e gritar para seus comparsas. O homem que apontava a arma para mim correu para o carro gritando para que seu companheiro fizesse o mesmo. Por fim, os três partiram sem levar a mulher.Depois do choque de violência, ficou o silêncio. A perplexidade. Os olhos da mulher me pareceram ainda mais cansados, mais negros que aquela noite abafada.
Mais uma prova que a internet une as pessoas e possibilita que o internauta veja a vida por outros olhos. Quer ler mais textos?
http
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Achámos interessante apresentar, como amostra, o texto acima reproduzido de um blogue brasileiro como proposta /sugestão, dedicada à nossa classe portuguesa de profissionais de táxi.
Se alguém da actividade tivesse a iniciativa de criar um blog sobre o que contam e ouvem nos seus veículos durante as corridas pelo asfalto, decerto iriam muito rapidamente suscitar muita empatia com o público em geral !
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A cada passo em cada corrida, encontramos nos motoristas profissionais de táxi 'estórias' dramáticas umas, felizes outras e, muitas ideias críticas sobre a sociedade em geral e, até bons
pensadores sobre política e a economia!
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"Public relations" do asfalto, alguém deveria sugerir-lhes que reduzissem a escrito toda a riqueza de conhecimento que tantos possuem, o que seria uma mais valia a acrescentar às boas conversas nos Cafés, que também ficam perdidas, nos exaustores de cheiros ou queimadas nos electrocutadores de insectos.
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Para finalizar, passamos o testemunho da riqueza humana que se pode descobrir nestes contactos, convidando os nossos amigos/as cibernautas a visitarem um dos mais prestigiados blogues nacionais de Cultura Geral : http://diasquevoam.blogspot.com/ e procurarem um dos mais recentes posts intitulado: « Uma indizível tristeza »!
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É a descrição sucinta do drama de um taxista que filosoficamente vai desabafando e partilhando os seus encontros e desencontros com a madrasta da Vida! (...)
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Este homem, se me tivesse contado aquela sua história, ficaria para mim como um dos muitos que utilizo como «etiqueta» pessoal:
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Meu 'tipo'.... inesquecível !(...)

2009-10-17

NUNCA DIGAS ADEUS





A nossa alegre e acutilante Camila saiu-se hoje com uma mensagem tenebrosa que esperamos seja, apenas, fruto de alguma indisposição passageira, que não de um ataque à sua “vida física”.Neste mundo virtual conectante com o real quotidiano, há personagens de peso local e nacional, que alimentando o nosso pensar, nos fazem falta diária, nos ajudam a suportar a “tormenta” e nos alimentam a “esperança”; essas etéreas figuras abrem “buracos negros” quando de nós se apartam.O “ssebastiao”, que desde sempre acolheu a “Camila”, não acredita no “The End” e fica, ansioso, aguardando o “Olá, Voltei!”
( In Blog "seBASTIÃO" - Imagem: Quadro de Edward Coley)
Publicada por As vozes dos outros em 15:48

7 comentários:

Anónimo disse...
o Blog Quiosque da Camila faz parte da história bloguistica desta terra. Se partir mesmo, ficamos mais pobres embora o poder local fique mais aliviadinho.
16 de Outubro de 2009 15:52

Anónimo disse...
Camila mostrou aos louletanos durante muitos meses o que os jornais da terra não têm coragem de mostrar por razões que todos nós mais ou menos sabemos. Calando-se esta voz a democracia Louletana leva mais uma facadinha. Já nos vamos habituando. Infelizmente. Beto
16 de Outubro de 2009 16:03

Anónimo disse...
Bom humor, boas fotomontagens. Tudo salutarmente democratico. Mas Loulé transformou-se apesar das muitas festas e do dinheiro gasto numa terra mais nublada do que era. Maninha
16 de Outubro de 2009 16:09

Anónimo disse...
Que a Camila seja um exemplo para todos os blogs de Loulé. Vale a pena estar de olho vivo e pé ligeiro perante quem nos governou tão insatisfatóriamente. Viva o Quiosque. Mello
16 de Outubro de 2009 16:33

Anónimo disse...
A Camila é uma referência no saber prender o leitor ao blog com inteligência e muito humor. Além disso os seus textos estavam num português que não a envergonhava de forma alguma. Parabéns por tantos dias de grande imaginação, criação,riso e divulgação de algumas mediocridades que aconteceram em Loulé. E não foram poucas. Que volte de novo mesmo que seja numa manhã de nevoeiro. Um grupo de admiradores
16 de Outubro de 2009 17:59

Anónimo disse...
Só não se sabe se foi escorraçada ou se foi mesmo por vontade própria que abandonou o seu blog. Espero que tenha sido por vontade própria e porque tudo na vida tem um fim. Mas para mim acho que ainda seria cedo. Cada um é que sabe as linhas com que se alinhava. Maria
17 de Outubro de 2009 4:07

César Ramos disse...
Más notícias...!- Cheguei tarde ao Quiosque da Camila e, não sabia que o blog nasceu com o fim anunciado! É o que está lá escrito na Mensagem de Adeus!... e, diz ainda: não se aceitam mais comentários!
Bolas!... isto é pura Eutanásia! (...)Antes que a 'imagem' evapore,... gravei-a!
A História da Blogosfera não pode ter apagada a boa Memória de um blogue inteligente e útil!...
CAMILA!... detesto palavras de ADEUS... e, FIM...! Prefiro... até logo... ou, até breve...! Nunca deixei ninguém caído em combate em lado nenhum!... se... como Maria diz, foste escorraçada..., fala!
Ainda há instantes, tive o Orgulho de te ver seguidora do meu blog Alfobre!... já de saída!?... logo agora?... porquê? (...)
Não deixas raízes?... escreve!... somos poucos,... para continuar a obra que queres abandonar!
Tenho a certeza de que vais voltar às vozes... para ouvires o cantar dos apelos à Justiça... que,... por aqui se fazem ouvir!...
Tens de obedecer!... à tua consciência, é claro!... ao leres estas palavras..., dou-te meia-hora..., para abrires o Quiosque!... senão,... vou lá... e arrombo a 'porta'!
Até já!
César Ramos
[A ideologia é Alma! A escrita a nossa arma!... que ninguém se renda, depondo as suas armas]

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[« HOJE, FOI A MINHA VEZ DE TENTAR JUNTAR «AS VOZES DOS OUTROS À MINHA »]

2009-10-13

A OUTRA APARIÇÃO!

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« -A FOME!... Esta é que é a verdadeira "aparição", palpável e real!... » pensava o Zé Povinho!
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O jornal O Século, na sua expressão humorística em suplemento - O Século Cómico -, ao género dos 'cartoons' dos nossos dias, na edição de 13 de Outubro de 1917 antecipou pragmaticamente a "aparição" que também se mostrava no vazio dos estômagos, e na desertificação da comida nas mesas, a somar à separação das famílias, devido à mobilização militar dos portugueses na I Grande Guerra - a guerra europeia, como foi na época também designada.
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Foi de facto... grande a "aparição",... a da fome!... e a desaparição drástica da população com o desbaratar de vidas - nos combates - dos elementos do sexo masculino...! Um único ponto positivo - mas de elevados custos -, foi o grande passo em frente da emancipação da mulher, chamada a substituir os lugares dos homens deslocados na guerra [foi o abaixar a "marreca" do machismo, perante a evidência dos factos!... ninguém tem nada, portanto, a agradecer] !
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Talvez a verdadeira "aparição" da Senhora, tenha sido simbolicamente o 'lugar ao sol' finalmente reconhecido às mulheres - o tal milagre solar -, de passarem a desempenhar funções nos lugares vagos na indústria, nos transportes, na função pública e outros serviços, acumulando com a honrosa missão da Natureza de garantirem a continuação da espécie, como mães da Humanidade, gerando, criando e educando novos seres e, reporem o défice populacional provocado pela arrogância estúpida e assassina dos "senhores" da Guerra!
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O « MILAGRE » ,... foi a capa do suplemento do jornal, suavizando com humor irónico a situção que se vivia.
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É a triste presença da eterna miséria,... de tradução simultânea com sinónimos de Peste... e Fome, e os milagres oficiais e os oficiosos como demonstração de fé,... da que se diz que só não vê... quem não quiser ver... ou de maneira menos mística, mas realista, a baseada na conhecida estória de «O Rei vai... nú»!.., que narra o bloqueamento mental de um povo que acordou, libertado pelo crivo da inocência de uma criança, que viu o rei sem roupa nenhuma! (...)
.Transcrevemos uma carta da época, escrita pelo desconhecido cidadão senhor "Jeroldo", a qual foi dirigida à consorte com quem constituíra família... mas , por motivos alheios,... encontrava-se fora!... podia ser na Flandres, ... em França,... nas linhas do « Front» [assim chamavam às linhas de combate da frente ], ou noutro tipo de frentes, aventurando-se na guerra da vida por um lugar nas lides Teatrais, como Empresário, lutando pela vida e longe da sua consorte (...)
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« Crida isposa,
Munto me contas arrespêto du milagre da Virge Maria da O' rém!
Em vista du que dizes, çu sol dansou i se virão istrelas ó mei dia, istou convretido i nunca mais decho de ir à miça. Mas u fim di esta, é dar-te parte que fui ver u As di oiros, ó Ede, revista touda da fantasia de dois amigos cá do meco, pur iço já podes pôr na tua ideia cal ade ser a minha impracialidade.
Compõece a revista de dois cunpadresque paçam u tempo a xamarburros um ao oitro. O'os pois um deles sonha que vai ó paiz adondesus homesóspois de mortos se fazem em alimais i ós
pois é ele posto fora du ótele saindo numa tina i u pai nun jimennto. Oós pois vão ó paiz dumusegaondesas molheres tocam garrafofone. O's pois vão pró pé du guverno cevil pra oivirem uma molher dezer mal do pissarra du marido e um bebado dezer que tudo está normalisado.
Oós pois, vão ó paiz dus fedalgos cumprar tudo purque enriqueceram cum uma receita de fazer incencia de batata. Oós pois falace nu marquez de Pombal i a proposeto aparesse Lisboa antes i ós pois du terramoto. Oós pois aparecem as meninas do garrafofone a tucarem trombetofone i ós pois aparessem na sena os carpenteiros, adecencistas, ponto, conta-regra, e munta doitra gente de ambus un cexos. Oós pois acabou-ce a peça que se xama A'as de oiros purque tem um pano cum cartas pentadas ó pé dúm rebanho de carneiros que tamem podem cer porcos ó oitros caisquer alimais de pello.
Cun isto nan te infado mais i pesso-te que rezes à tal Virge Maria de O'rem pello bom çuceço da pessa, purque a impreza é munto cimpatega benzá Deus.
Bejos inormes te inbia u teu cempre fiel ispouso
Jerolmo
Empreszario do Pauliteama de Pêras-Ruiva »
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.Muitas histórias navegavam entre o povo, contando-se peripécias anedóticas por um lado, e historietas supersticiosas envolvendo aparições demoníacas, e outras intervenções mais ligadas ao pragmatismo do dia a dia , como à mesa de jogatana da sueca:
- "Não: lá que a coisa leva água no bico, isso é que não padece a menor dúvida".
Todos sabem do 'milagre' da Fátima que consistiu num bailado do sol ao meio dia , presenciado por milhares de pessoas, e no aparecimento da Virgem a uma pastorinha, com a declaração de que a guerra europeia havia terminado naquele momento:
às 12 horas de 13 de outubro de 1917.
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Também não foi assim
tão linear
e... pontual!
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Seguiu-se o suspense
dos três segredos (...)
Por ora, e na época...
a guerra foi continuando, por momentos mais,
e o pão (...) faltando
às mesas
com frequência!
Nota:
Post enviado para blog via telemóvel, após cedência
da foto publicada por uma Biblioteca Pública.

O MILAGRE DO SOL DE OUTUBRO







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Na nossa modesta opinião isenta, mas respeitadora das crenças humanas e universais, vamos recordar o tão falado milagre do Sol que, desde a época de GALILEU (Galileo GALILEI) , físico e astrónomo italiano (Pisa, 1564 - Arcetri, 1642), em que perante a chamada Santa Inquisição teve de abjurar as suas teorias científicas, incluindo que não era verdade ser a Terra a andar em movimentos de translacção à volta do Sol mas, precisamente o contrário, o Sol é que andaria a "rondar" à volta de nós,... ilustres terrenos! ... Assim, revista a matéria de facto, em Sede da Religião Católica, no dia treze de Outubro do ano de 1917... com 'data marcada', estava previsto com alguma expectativa popular, o desafio Galileo v/s Igreja - o que é que anda..., ou está parado!?
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Considerando que o Milagre do Sol é um fenómeno do nosso quotidiano, deixemos o benefício das dúvidas do fenómeno que, desde Maio, dos campos em flor, das trovoadas inesperadas, dos aguaceiros intempestivos, dos dias grandes, das noites com mil luminárias a piscar por entre núvens fugitivas, da serra-mestra engrinalda com milhares de giestas donairosas a remexer seus brincos e arrecadas de ouro refulgente ao vento brando... Os caminhos começaram a andar cheios de romeiros em direcção à Serra d' Aire, onde , num dia do princípio do outro século , alegadamente apareceu uma Senhora, «mais brilhante do que o Sol», a três pastorinhos que apascentavam ovelhas na encosta agreste. Vem gente de todas as latitudes, por terra ou por mar, ajoelhar-se junto do lugar onde antes existiu uma simples azinheira em que terá poisado aquela Senhora que se pôs a conversar, em português, com três crianças assombradas com a aparição.
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Não terá sido delírio, não foi encenação, não foi invenção da Hierárquia Católica, que foi a primeira a não acreditar, de acordo também com os agnósticos republicanos que decidiram separar os assuntos da Igreja dos do Estado.
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Regressemos então,... àquele dia 13 de Outubro de 1917 (...) , dando a voz e a palavra no mais perfeito discurso directo,... na pessoa do jornalista do jornal O Século - Avelino de Almeida - que, há 92 anos foi destacado para fazer uma reportagem, na conta peso e medida, como manda a ética jornalística, do que ocorresse; era acompanhado por um repórter fotográfico que captou, entre muitas, as fotografias que aqui publicamos.
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E ... disse:
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« O que ouvi e me levou a Fátima? Que a Virgem Maria, depois da festa da Ascensão, aparecera a três crianças que apascentavam gado, duas mocinhas e um zagalete, recomendando-lhes que orassem e prometendo-lhes aparecer por ali, sobre uma azinheira, no dia 13 de cada mês, até que em Outubro lhes daria qualquer sinal do poder de Deus e faria revelações. Espalhou-se a nova por muitas léguas em redor; voou, de terra em terra, até aos confins de Portugal, e a romagem dos crentes foi aumentando de mês para mês, a ponto de se juntarem na charneca de Fátima, em 13 de Outubro, umas cinquenta mil pessoas consoante os cálculos de indivíduos desapaixonados. Nas precedentes reuniões de fiéis, não faltou quem tivesse suposto ver singularidades astronómicas e atmosféricas que se tomaram como indício de imediata intervenção divina. Houve quem falasse de súbitos abaixamentos de temperatura, de cintilação de estrelas em pleno meio dia e de núvens lindas jamais vistas em torno do Sol. Houve quem repetisse e propalasse comovidamente que a Senhora recomendava que em 13 de Outubro manifestaria, por intermédio de uma prova sensível a todos, a infinita bondade e a omnipotência de Deus...
Foi assim que, no dia célebre e tão ansiado, afluiram de perto e de longe a Fátima, arrostando com todos os embaraços e todas as durezas das viagens, milhares e milhares de pessoas, umas que palmilharam léguas ao sol e à chuva, outras que se transportaram em variadíssimos transportes, desde os quase pré-históricos até os mais recentes modelos de automóveis, e ainda
muitíssimas que suportaram os incómodos das terceiras classes dos comboios, dentro dos quais, para percorrer hoje relactivamente pequenas distâncias, se perdem longas horas e até dias e noites! Vi ranchos de homens e de mulheres, pacientemente, como enlevados num sonho, dirigirem-se, de véspera, para o sítio famoso, cantando hinos sacros e caminhando descalços ao ritmo deles e à recitação cadenciada do terço do Rosário, sem que os importunasse, os demovesse, os desesperasse, a mudança quase repentina do tempo, quando as bátegas de água transformaram as estradas poeirentas em fundos lamaçais e às doçuras do Outono sucederam, por um dia, os aspérrimos rigores do Inverno... Vi a multidão, ora comprimida à volta da pequenina árvore do milagre e desbastando-a dos seus ramos para os guardar como relíquias, ora espraiada pela vasta charneca que a estrada de Leiria atravessa e domina e que a mais pitoresca e heterogénea concorrência de carros e pessoas atravancou naquele dia memorável, aguadar na melhor ordem as manifestações sobrenaturais, sem temer que a invernia as prejudicasse, diminuindo-lhes o esplendor e a imponência... Vi que o desalento não invadiu a almas, que a confiança se conservou viva e ardente, a despeito das inesperadas contrariedades, que a compostura da multidão em que abundavam os campónios foi perfeita e que as crianças, no seu entender privilegiadas, tiveram a acolhê-las as demonstrações do mais intenso carinho por parte daquele povo que ajoelhou, se descobriu e rezou ao seu mandado ao aproximar-se a hora do «milagre», a hora do «sinal sensível», a hora mística e suspirada do contacto entre ao Céu e a Terra...
E, quando já não imaginava que via alguma coisa mais impressionante do que essa rumorosa mas pacífica multidão animada pela mesma obcessiva ideia e movida pelo mesmo poderoso anseio, que vi eu ainda de verdadeiramente estranho na charneca de Fátima?
A chuva, à hora prenunciada, deixar de cair; a densa massa de núvens romper-se e o astro-rei - disco de prata fosca - em pleno zénite, aparecer e começar dançando num bailado violento e convulso, que grande número de pessoas imaginava ser uma dança serpentina, tão belas e rutilantes cores revestiu sucessivamente a superfície solar...
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Milagre, como gritava o povo; fenómeno natural, como dizem sábios? Não curo agora de sabê-lo, mas apenas de afirmar o que « vi »...!
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O resto,... é com a Ciência e com a Igreja... »
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O jornalista esteve lá apenas no desempenho de uma missão bem difícil, tal a de relatar imparcialmente para um jornal responsável - O Século -, os factos que se desenrolassem e tudo o que de curioso e de elucidativo a eles se prendesse.
Nada ficou por descrever, apesar da condição absolutamente agnóstica do repórter, e decerto que os seus olhos e os seus ouvidos não viram nem disseram coisas diversas, tendo de alguma maneira tido dificuldade de ficar insensível à grandeza do espectáculo, único entre nós, e de todo o ponto,... digno de meditação,... e de estudo!
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Reproduzimos material de texto e fotográfico trabalhado e produzido em cima do acontecimento e ao minuto das ocorrências; muitos milhares de pessoas afirmam ter-se produzido um milagre - a guerra e a paz! (...)
Estávamos em plena I Grande Guerra e, a 'Santa Rússia' tinha caído às mãos dos revolucionários proletários, bolchevistas e ateus por definição ideológica, dita marxista. Os tempos mudaram, aquela guerra acabou, outra também mundial aconteceu - a Segunda -, e nunca mais aconteceram guerras mundias... mas, o Mundo nunca deixou de estar em guerra permanente!
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Tivémos connosco a Lúcia, o Francisco e a Jacinta, que disseram ter falado com a Virgem Maria!
Contrariados e perseguidos pelos poderes políticos e religiosos da sua época, são hoje considerados e... beatificados!
Hoje, dia de aniversário, de certeza que a Cova da Iria vai afrontar-se contra a
fúria de quem quer desvirtuar um Milagre que, alegadamente, todos vêem...
apresentando o seu espaço de culto,.... a transbordar de gente de joelhos,
segurando velas... tremulantes e,... de «Avés»!
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Lá fora..., e pelo Mundo,
A Fome e a Guerra ...
continua o seu percurso,
sob um Sol
que nasceu e novo!
«AMEN»




2009-10-11

[E] VOCAÇÃO das GAIVOTAS


. Parcela de graffiti pintado no muro da Escola Secundária de D. João V
. Damaia - Amadora.

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(...) «Se uma gaivota viesse trazer-me o céu de Lisboa no desenho que fizesse, nesse céu onde o olhar é uma asa que não voa, esmorece e cai no mar » (...)
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Não parece, assim em jeito de prosa, mas é o arranque do lindo poema de Alexandre O'Neill (1924-1986) intitulado " Gaivota " que, de forma livre, como o poeta o foi, retirámos um extracto para emoldurar este graffiti que espanta pela beleza e leveza do seu traço artístico!
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Evoquemos um pouco mais O'Neill, lembrando o Homem que disse que era necessário 'desimportantizar as coisas'!... mas já perto do tempo do seu passamento, admitia porém, que fez do seu corpo alavanca, sem pensar no futuro...!
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Trazendo a nossa gaivota tanto mar atrás de si, lembremo-mos também de uma frase tão repetida por todos,... mas que afinal poucos saberão que foi Alexandre O'Neill o seu criador: «Há mar e mar, há ir e voltar...!»,... lembravam-se ...? Ainda bem que se lembravam ...!
E ainda sobre o poeta, apresentemos a nossa solidariedade ao emprestarmos o nosso entendimento quanto ao estado de alma a que tinha chegado nos seus últimos tempos; o grande comunicador que foi, o grande operário da poesia e fabricante de temas que encheram tantas e tantas conversas de tertúlia,... chegou ao ponto da necessidade de ir ao barbeiro da esquina, só para ter alguém com quem conversar! (...)
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Fica aqui um protesto pela hipocrisia dos muitos que pontualmente o lembram por necessidade de se afirmarem intelectuais,
mas que abandonaram à sorte do silêncio
que o Poeta odiava (...)
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Apresentamos de seguida um pequeno esboço poético, ao qual nem daremos título porque quando se evocam forças da natureza, os humildes gesticulam, e respeitam a grandeza dos que de facto foram os grandes artífices da escrita, como O' Neill..., um grande Senhor tanto das Letras... como da Luta pela Liberdade (...)
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Ó meus sonhos fiéis, gaivotas retardadas,
Sacudi ao luar vossas asas molhadas
De pura fantasia; é tempo de voltar
Ao vosso ninho doce entre as fragas de Azul.
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Vós sois no meu viver, uniforme e vulgar,
Como flor que nascesse à beira do paul;
Sois a força, o sustento, o pão da alma ferida
No rude batalhar a que chamamos vida.
Eu vou deixar a praia, as ondas rumorosas;
Dos astros pelo céu as falas silenciosas ...
Aves brancas do sonho, ó bando transviado,
É tarde; recolhei ao vosso ninho amado!
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.Abençoadas sejam as gaivotas que tal como as pombas brancas, também elas são mensageiras de novidades... como uma das mais simplórias que o povo tantas vezes repete: ' gaivotas em terra,... é sinal de tempestade...' !
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Hoje é dia de Eleições Autárquicas em Portugal!
Hoje o Povo vai de novo exercer o seu direito e dever cívico de escolher aqueles que pensa melhor o representarem nos mais diversos pelouros.
.A todos saudamos ... e, dedicamos a publicação deste post!
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Viva o Povo Português!
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Viva o nosso Portugal!

2009-10-05

REPÚBLICA - PENSAMENTO do DIA




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« Eduquemos cidadãos, não príncipes. »

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BERNARDINO MACHADO (1851-1944), Político e Filófofo.
Em 1915 foi eleito Presidente da República Portuguesa, cargo que foi forçado a abandonar, em 1917, pela revolução chefiada pelo Dr. Sidónio Pais.

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Quando em 1925, Teixeira Gomes renunciou à chefia do Estado, voltou Bernardino Machado a ser eleito Presidente da República.

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Deposto pela revolução de 28 de Maio de 1926, partiu para o exílio, donde expressou a sua contrariedade ao achar indigno inaugurar-se o Monumento da Estátua do Dr. António José de Almeida, pelos revoltosos da nova Ditadura Militar!
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De facto,... este político, por duas vezes democraticamente eleito (...) por duas vezes foi deposto por engenharias militares golpistas!... Valer-lhe-ia, para a sua auto estima, a formação de lente catedrático de Filosofia na Universidade de Coimbra! (...)
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No entanto, e à distância,... nunca abandonou a sua participação enérgica, pugnando pelos seus ideais políticos! (...)
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O documento acima publicado, é a sua mensagem indignada, emitida de Biarritz a 4 de Fevereiro de 1932 contra a forma de inauguração do Monumento ao Caudilho da República, conforme acima descrito e já narrado no post anterior, publicado nesta data.
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Casualmente, olhámos, já tarde para o jornal Correio da Manhã de hoje, que divulga o pensamento [do dia] acima mencionado de Bernardino Machado e, onde vem algum 'desvendar' de um mistério em livro a lançar brevemente, 'segredo' guardado há 99 anos numa morada onde nasceu Fernando Pessoa!
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Tem ingredientes q.b., para estimular o interesse de se saber algo que a Maçonaria 'entreaberta' permitirá que se saiba,... sobre a' sua mão' na Implantação da República!
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Esperemos que, não venham ao fim de quase um século, "revelar" a razão do verdadeiro herói militar do 5 de Outubro de 1910, Machado dos Santos, ter sido assassinado por se deixar arrastar nas teias de uma corrente filosófica sim, mas de todo sem intervenção activa do movimento revolucionário republicano! (...)
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Temos a História dos factos,... [também]! ... e é' segredo' que, não estava fora de Lisboa, como vem no jornal; mas, está em Actas, e dentro de Lisboa!... não venham com mistificações de ficção açambarcadora de méritos alheios para vender livros pretensamente históricos e sensacionais, como foi o Código da Vinci!... do mesmo autor, também se preparam para 'revelar' verdades 'emocionantes' e, ... 'discretamente'... maçónicas! (...)
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Um bom resto de 5 de Outubro (...)

A REPÚBLICA - FOTOS INÉDITAS







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Legenda:
1 - Foto do Dr. António José d'Almeida, no terraço da sua casa em Lisboa, sita na Rua de S. Gens, nº 1.
2 - A estátua, obra do escultor Leopoldo de Almeida, aprovada pela comissão promotora da homenagem ao falecido Chefe do Estado. A gravura mostra o autor da estátua rodeado pelos membros da comissão promotora do monumento.
3 - Cerimónia da inauguração do monumento com mostra do povo, dignitários civis, militares em parada, e o Presidente Óscar Fragoso Carmona segurando ferramentas de pedreiro na execução do ritual do 'lançamento' da primeira pedra.
4 - Perpetuado em estatuária, ainda no atelier, exterioriza o semblante determinado do Homem e a Obra a que dedicou toda a sua vida.
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.ANTÓNIO JOSÉ D'ALMEIDA foi uma das figuras mais populares da República. Nasceu em Vale da Pinha, Penacova, em 1866 e faleceu em Lisboa a 31 de Outubro de 1929.
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Desde os tempos de estudante de Medicina que defendeu ideias republicanas, publicando no jornal da Academia um extenso e crítico artigo - «Bragança, o último», que o levou à prisão durante vários meses. Até 1904 e após ter concluído o curso, partiu para S.Tomé, onde exerceu a sua profissão.
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Mais uma vez ali revelou as suas raras qualidades humanas. As pessoas abastadas que com ele tinham privado em S. Tomé afirmavam todavia o seu desinteresse, a recusa de pagas avultadas além dos seus honorários; a história de um certo cheque enviado principescamente por um rico proprietário ao cabo de uma doença de que ele o salvara, e que não aceitara achando demasiada a quantia!
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Os pobres, que dia a dia partiam para a África com um sonho a consumir-lhes os cérebros e voltam ressequidos pelas febres e pelas desilusões, achavam no fundo das suas almas palavras de inolvidável gratidão para o médico que não só os tratava longe da Pátria, mas ainda encontrava nos seus recursos, a maneira de os fazer reconduzir para a metrópole, quando a desventura e a doença chegavam a desvastar-lhes os sonhos e os corpos.
Dizia-se tudo isto, e também que, ao entrar de vez na luta política, arrastaria todos os sinceros consigo...
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Adivinhava-se nele um amigo do povo, confiante numa era de batalhas para onde iria de cabeça erguida, ao lado dos mais humildes!... sentia-se nas suas menores palavras uma fé inquebrantável, surgia com a bondade de um apóstolo e com a tenacidade de um crente, conquistava as simpatias de todos como se dele irradiasse toda a sinceridade do seu coração, toda a energia da sua vontade, toda a pertinácia do seu querer. Foi assim que ele entrou na popularidade e na alma popular, e foi assim também que ele se meteu em todas as conspirações para demolir o regime monárquico, sem um abalo de maior ao chegar-se à acção, como se sentiria fadado para todos os sacrifícios.
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De todos os lados lhe chegavam adesões de humildes; vinham das casernas donde os sargentos espontâneamente iam procurá-lo, mostravam-se nas ruas os pactos dos trabalhadores nos cumprimentos entusiásticos que lhe faziam, como a dizerem que podiam contar com eles e em todos os lares pobres dos bairros de operários, o seu retrato avultava entre os dos outros homens da democracia, também queridos e respeitados, como o de um ídolo familiar. Era toda a simpatia de um povo que se lhe oferecia e a que ele sabia corresponder, com as suas acções de convicto na sua fé segura, sendo um homem de outras eras no correntio mesquinho da altura, exaltado romântico que a alma do povo, sempre romanesca, requeria e perfilhava.
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Ao saberem-no preso, a cólera do povo refervia e saíam de todos os lábios imprecações, e os braços armavam-se em fúrias de revoltas audazes!
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A grande força do caudilho democrático, a quem coube um dos principais papéis na revolução, era a sua firme crença no ideal. Durante anos, como um apaixonado, viveu numa agitação permanente; deu-lhe todas as suas horas, entregou-lhe todas as suas ambições, fez dele um grande ídolo e ofertou-lhe com a sua liberdade, e a sua vida. A República era a razão da sua existência e se ela não tivesse triunfado, vê-lo-íamos da mesma forma teimosa, com a mesma persistência a combater, como um paladino dos tempos antigos pela virtude, pela beleza, pelos impecáveis dotes da sua dama, recusando por ela a tranquilidade de um lar, a abastança, o sossego, todas as coisas que aos homens apetecem ao cabo de uma vida de labutas.
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Após a proclamação da República foi nomeado ministro do Interior do primeiro Governo Provisório, tendo reformulado a Guarda Real e criado a Guarda Nacional Republicana. Mais tarde, devido a diversos desentendimentos, funda o Partido Republicano Evolucionista e cria o jornal que lhe dá voz,... do qual é Director - «A República»!
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A 6 de Agosto de 1919, é eleito Presidente da República,... cumprindo o mandato até ao fim (o que não aconteceu com os antecessores).
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Publicou os seus discursos - «40 Anos da Vida Literária e Política».
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O Monumento inaugurado em 1937 associa a figura do orador, à figura da República, que sobressai, por trás dele.
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Junto àquela obra de escultura monumental, prestava-se homenagem aos heróis da revolução, constituíndo este local de culto, um ponto de concentração daqueles que lutavam [e lutam] pela Liberdade.
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Convidamos as pessoas de boa vontade e de sentimentos patrióticos, a reflectirem sobre o valor deste homem simples que empenhou em nome do bem comum, toda a comodidade da vida que desprezou!
Pedimos às pessoas que se aconchegam nos sofás, para não ficarem 'intelectualizadas' na conversa trabalhada e oca da resignação fatalista de que a política acabou, lá porque os seus interesses materiais e pessoais, não estão sendo contemplados!... têm de ter perspectiva nacional e não, vista privada para os umbigos,... comodistas e egoístas ! (...)
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Não são apenas os políticos que têm a obrigação de apresentarem uma atitude positiva e uma boa imagem (...) os cidadãos e as cidadãs também têm responsabilidades no exercício da vida política !(...) é preciso que não façam como a preguiça que, ... dizem...,
morreu de sede...
à beira da água.




A REPÚBLICA: REGIME NACIONAL




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. Celebramos neste dia 5 de Outubro, os 99 anos de idade da implantação da República Portuguesa. Lá a temos em cima, na imagem em efígie , representada na expressão plástica clássica da libertação de preconceitos, a figura feminina que expõe a nudez como alto desígnio da Verdade!
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Tivemos um entusiasmo quase sobrenatural na celebração desta efeméride, neste ano de 2009!
Sobrenatural e sobre-humano, considerando as dificuldades históricas que o mundo vive e pensando como esta pequena grande república, tem resistido às afrontas do estrangeiro, invejoso e complexado.
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Em nada estamos desesperados, talvez e apenas um pouco envergonhados pela ausência de uma presidência digna e à altura do nosso querido Portugal!
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Esperar-se-ia, de preferência, esta celebração do aniversário do nosso regime nacional republicano sem qualquer chefia, por resignação ao cargo; tal seria, sinal de dignidade ou autocrítica que, bem assentaria no perfil de um homem que se dirige à Nação, com a postura 'habitué' da pessoa que, nunca se engana... e raramente tem dúvidas!
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Habituámo-nos a este tipo de 'slogan', como aquele do nunca ler jornais; mas, estranhámos a recente postura de Mestre Escola à antiga, que só dava palmatoadas e pouco ensinava, muito embora admitindo várias vezes, não as contámos mas havemos de contar, a quantidade de dúvidas que assumiu, durante a descompostura que veio dar, não se sabe bem,... a quem!
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A Imprensa realiza que 99.9 % da população não ficou vencida nem convencida de coisa alguma!
Como os media não terão de ser a opinião soberana do Povo, não encontrámos porém, quem quer que fosse que, estivesse disposto a fazer o favor de dizer que sim,... que entendeu...! Provavelmente - mas não temos acesso -, nas hostes do PPD/PSD deverá haver quem ajude à interpretação de tão hermético sermão!
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E é assim que a nossa República celebra quase um século de existência! Mas, nem sempre as coisas estiveram de boa feição! Habituámo-nos desde a juventude, a ver tentativas da celebração da instauração do novo Regime, à volta da estátua de uma figura histórica da República, um antigo Presidente de mão cheia, caudilho da causa republicana e que, depois de ter sido Ministro do Interior foi eleito Chefe do Estado: o Dr. António José D' Almeida.
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Tem uma das principais estátuas representativas da República, exposta num dos melhores e mais representativos espaços da cidade de Lisboa. É num largo, que tem o mesmo nome do grande político, ali representado.
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A iniciativa da construção da estátua partiu da união de esforços de republicanos democratas que, conseguiram levar a bom porto o intento de erguer em pedra e mostrar à posteridade, um dos maiores obreiros da República Portuguesa.
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Curiosamente, a inauguração do Monumento foi efectuada pelo Chefe de Estado de então, um dos
principais autores do golpe militar que derrubou a primeira república: o General Óscar Carmona! Com pompa e circunstância, a 31 de Janeiro de 1932 , deu a ver ao mundo a digna figura que tinha derrotado ideologicamente. (...) Que significado a tirar? (...)
Há muitos!... mas é uma história para contar noutra ocasião!
Não eram assim, tão diferentes! ... tinham muito em comum! ...
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Aquele dia de inauguração aparentou, até prova em contrário, e ainda pouco ou nada foi dito, um quadro confrangedor que, a despeito dos seus promotores se celebrava a abjuração política dos puros princípios republicanos, perante uma ditadura brutal que se proclamava república, para a difamar, e envilecer com ofensivas reacionárias!
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Bernardino Machado, então exilado em Biarritz, a 4 de Fevereiro (um mês depois da inauguração), expressava em manifesto, a sua indignação dizendo que, a primeira pedra do carinhoso monumento ao grande apóstolo da República, fora manchada pelas mãos tintas de sangue do maior responsável das torturas e mortes infligidas nos presídios, no exílio e no degredo. Referia-se claramente a Óscar Carmona!
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E,... contestava a legitimidade dos direitos e da honra da Nação naquelas solenidades usurpadoras do puro republicanismo prostituído!
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Afirmava,... e o eco chegou até aos dias de hoje, para quem quiser ouvir a História:
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- «Sob o sinistro signo deste enlutado transe da nossa vida pública, não pode haver solenidades republicanas oficiais. Só a revolução reivindicadora dos direitos e da honra, consagrará à memória querida do estrénuo revolucionário a estela funeral condigna da saudade popular.»
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A importância que as coisas tinham então..., e a preocupação da Honra, da Palavra, da Atitude!
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Hoje,... limitamo-nos a «esmiuçar»,... a rir (...)
e..., ficamos (...)
Muito contentes!
A mim... não me apetece rir coisa nenhuma!
até porque..., neste dia,... há 4 décadas...
Morreu o meu Pai,... era um republicano!
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Legenda:
1 - República; quadro de Roque Gameiro, homenagem aos lutadores/as, pela causa republicana.
2 - Presidente da I República - Dr. António José d'Almeida; antepenúltimo Presidente, foi o
primeiro a cumprir o mandato até ao fim; foi o fundador da G.N.R.
3 - Estátua em homenagem a António José d'Almeida e à República de Portugal; da autoria do
escultor Leopoldo de Almeida; localizada em Lisboa, na Av. António José d' Almeida.
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N.B. : Note-se, aos pés da efígie da República e ao lado do caudilho republicano (António J. D'Almeida) a presença da insigne Ana de Castro Osório.



2009-10-03

« O VOTO das MULHERES »









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Ana de Castro Osório (1872-1935), escritora e activista republicana, pioneira em Portugal na luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, foi autora de " Às Mulheres Portuguesas", em 1905 - aos 33 anos -, o primeiro «Manifesto Feminista Português».
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No mundo e em particular Portugal, lutava-se pelo sufrágio universal [o voto das mulheres] em oposição ao sufrágio restrito, consciente na extensão do sufrágio, ou o direito do voto a todos os indivíduos acima de determinada idade, sem distinção de étnia, sexo, crença ou classe social.
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Até ao Séc. XIX, por "sufrágio universal" entendia-se o voto de homems adultos. Entretanto, no início do Séc. XX o direito ao voto foi estendido às mulheres na maioria dos países democráticos.
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Publicámos recentemente um 'post' de incentivo ao voto [ To Vote, Or Not To Vote...] que suscitou diversos comentários, quanto ao historial do direito de as mulheres votarem (...)
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Entendendo que nunca é demasiado "esmiuçar" toda e qualquer questão, eis-nos de novo incitando os caríssimos cibernautas a dizerem o que acharem por bem, sobre a luta titânica que as mulheres desenvolveram pelas suas causas,... que,... são,... afinal,... causas de toda a Humanidade!
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Por que era assim tão importante o voto? Inibidas do direito do voto, as mulheres não tinham uma palavra a dizer sobre quem governava o país nem podiam participar no governo. O poder residia todo nas mão dos homens, e estes não tinham em conta os pontos de vista das mulheres.
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Enquanto as mulheres não pudessem votar, o Parlamento não teria motivo para escutar as suas pretensões. Os deputados só passariam a prestar atenção aos desejos das mulheres quando necessitassem do seu apoio para serem eleitos.
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O facto de as mulheres não poderem votar, era bem revelador da atitude de uma sociedade que considerava as mulheres cidadãs de segunda classe. Ganhar o direito de voto, era um passo vital para a igualdade com os homens [ apenas o primeiro passo! ] !...
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Em 1893, a Nova Zelândia concedeu o direito de voto às mulheres, seguida de perto pela Austrália em 1894.
Incentivada por esta conquista, em 1897, Millicent Fawcett funda na Inglaterra a União Nacional das Sociedades pelo Sufrágio das Mulheres. Os membros da união - as sufragistas - fizeram petições ao Parlamento, escreveram panfletos e organizaram manifestações a favor do voto das mulheres. Nesta altura, as mulheres que mais combateram pelos seus direitos foram as inglesas e, em particular, as sufragistas de Londres.
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Em Portugal, em 1914 as mulheres portuguesas organizaram-se e fundaram o "Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas", batendo-se pelo direito ao voto, à educação, ao divórcio e à propriedade.
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Em 1903, a inglesa Emmeline Pankhurst decidiu que a única maneira de as mulheres conseguirem obter o voto era lutarem por ele! Com as filhas, fundou a "União Política e Social das Mulheres", a que se juntaram mulheres de todos os pontos do país.
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(...) Auto intitularam-se... sufragistas !....
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A 1ª Guerra Mundial (1914-18) representou uma viragem para as mulheres; assim, por volta de 1915, tendo os homens sido mobilizados para a guerra, as mulheres tiveram de ocupar os lugares que eles deixaram vagos, na indústria, nos transportes, bancos, função pública e outros serviços ...
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ANA DE CASTRO OSÓRIO, funda a Cruzada das Mulheres Portuguesas, para apoiar os soldados portugueses que participavam na guerra. Em 1917, foi a vez de as forças armadas precisarem de mulheres para colaborar como Secretárias, Cozinheiras e Motoristas.
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No final da guerra, os governos já não podiam continuar a ignorá-las. A 17 de Fevereiro de 1918, em Inglaterra, foi aprovada uma lei que dava o direito de voto às mulheres maiores de 30 anos, desde que, fossem, ... possuidoras de bens (...)
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Progressivamente,... foram ganhando a luta pelo direito ao voto, sem restrições de riqueza, classe ou raça.
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Em Portugal,... em 1931... reconheceu-se o direito de voto às mulheres diplomadas com Cursos Superiores ou Secundários!... enquanto que, aos homens apenas era exigido que soubessem ler e escrever! (...)
Antes disso, em 1911, a médica CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO, viúva, votou em eleições portuguesas, invocando a sua qualidade de Chefe de família,... !
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Porém, mais tarde (...), para evitar este tipo de precedente [muito embora o voto dela tenha sido considerado à revelia com base no sentido plural da expressão "cidadão português"] e anular 'seguidismos', a lei recebeu o 'retoque' para: " Chefes de família do sexo masculino"!... « por causa das moscas» !...
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Só em 1974 ... com a revolução de 25 de Abril, foram abolidas todas as restrições baseadas no sexo quanto ao direito de voto dos cidadãos.
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Então,... a vitória do voto representou o fim da Luta pelos direitos das mulheres? Nem por isso!...
Essa foi só a primeira vitória numa longa guerra, com batalhas ganhas, mas... que ainda hoje se trava, e parece ter um longo caminho a percorrer (...)
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Depois de tantos séculos de opressão, seria pouco provável as mulheres alterarem as atitudes masculinas de um dia para o outro!... Parece ser difícil vencer tal inércia!... apesar da Democracia,... tão apregoada!
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Ganhar capacidade de votar era vital, na medida em que, sem ela, as mulheres nunca conseguiriam alterar a Sociedade, ou seja, a maneira como eram tratadas e o que delas se esperava.
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Mas havia - e ainda há -, que ultrapassar muitos outros obstáculos.
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Tiveram recontros violentos com a polícia inglesa em Novembro de 1910, na «sexta-feira negra», cinquenta mulheres ficaram gravemente feridas e duas morreram, prendiam-nas quase sempre, mas, ainda assim, conseguiam continuar o protesto fazendo greve da fome!
Em 1911, o governo britânico prometeu o direito ao voto às que possuíssem bens!... mas, não cumpriu e, ... indignadas,... partiram janelas, danificaram bens, e bombardearam edifícios públicos com bombas caseiras.
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A guerra com a Alemanha em 1914, desviou a atenção das pessoas para outras penosas situações!
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Bom! (...) Pede-se uma pequena pausa,... para fazer uma reflexão.
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Provado está,... que o comportamento de homens e mulheres tem de ser julgado pelos mesmos padrões ! Então,... assim sendo,...
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Para quando (...)
o fim da chamada
Guerra dos Sexos!?