[ Vox populi vox Dei ]

2009-08-31

Casa Fernando Pessoa


Bairro de Campo de Ourique - LISBOA

2009-08-18

JOSÉ TAGARRO - Pintor


Num dos melhores blogs da nossa «blogosfera», li uma denúncia que me estarreceu e envergonhou, na qualidade de português que faz parte dos privilegiados que se 'orgulham' de saberem ler, escrever e contar:

José Tagarro, notável pintor e desenhista, está actualmente votado ao esquecimento e, cumpre-nos combater esta amnésia unindo esforços na luta pela reabilitação de um dos grandes, entre os melhores artístas plásticos do início do Século XX , da 2ª geração de modernistas.

Da linha artística de Almeida Negreiros, volatilizou-se nos tempos, levado pela Senhora vestida de negro que, armada de foice, ceifou-lhe a vida aos 29 anos como se já tivesse cumprido a sua missão terrena. Sem pré-aviso, a Morte desceu sobre o seu estro e raptou-o do convívio humano, insigne companheiro dotado da tanta expressão que era suposto continuar a melhorar com Arte o planeta que Deus nos legou, depois da lenda da' Génesis'.

A mesma divindade que a crença, a ingenuídade popular ou o temor exacerbado afirma bajuladamente que é entidade infalível, que escreve direito por linhas tortas, mas... quantas vezes, e esta foi uma delas, terá escrito direito, mas com péssima caligrafia ao enviar a sua tenebrosa torcionária.

Em cima está exposto o Auto-retrato do Artista, com dupla representação. A secção direita da composição é ocupada com o retrato a óleo. À esquerda é representada, em traço linear de extremo rigor, a imagem que o artista estaria a ver reflectida no espelho hipotético/observador e onde convergem os olhares de ambas as representações. Jogo anacrónico concretizado entre os doi universos, o do Desenho e o da Pintura, em que se moveu a prática do artista, com reforço evidente ao primeiro (desenho).
*Obra exposta no Museu Nacional de Soares dos reis [Medidas: altura-62 cm; largura-79 cm; data: 1929; Técnicas: Pintura a Óleo sobre tela]*
Notável pintor, nasceu em 30/03/1902 no Cartaxo, e morreu em Lisboa a 12/07/1931.
Mostrando vocação para as Artes, a família levou-o para Lisboa fazendo o antigo curso preparatório de desenho e Pintura na Escola-Oficina nº1, da capital.

Ingressou na Escola de Belas-Artes de Lisboa a 4/10/1919. Inscreveu-se nos cursos de Pintura e Escultura mas parece ter desistido deste último pois só se encontram registos de lições que lhe foram ministradas por Columbano e Carlos Reis. Enquanto seguia a sua carreira escolar, revelava-se, para o grande público, como um desenhista cheio de vigor e personalidade, ilustrador de merecimentos invulgares e pintor forte e original. A sua extraordinária sobriedade e um trabalho probo e incansável grangearam-lhe, em breve, renome e consideração geral da crítica e entre os seus colegas que o estimavam também pelas suas excepcionais qualidades morais e de carácter.
Colaborou com relevo em Civilização, de Ferreira de Castro, Seara Nova e Ilustração, Magazine Bertrand e Voga, direcção de João de Sousa Fonseca, além de muitas outras revistas e livros do mundo da arte e das letras, ilustrando na sua expressão Modernista, e dando alma ao corpo dos textos dos outros, dizendo por imagens, as palavras ocultas dos escribas.
O famoso e lendário «Repórter X» teve a preciosa aliança do traço poderoso e moderno de José Tagarro, realçando e animando a prosa fluída do repórter, escritor e dramaturgo, considerado um 'globe-trotter' de todos os tempos dos anais do Jornalismo: Reinaldo Ferreira.
Expôs regularmente nos certames da Sociedade Nacional de Belas-Artes e realizou exposições individuais, muito elogiadas, em Lisboa e Porto, nos anos de 1928, 1929 e 1930. Também apresentou trabalhos de vulto na Exposição dos Independentes e Salão de Outono. Em 1929 viveu em Paris, onde se apefeiçoou notavelmente na Técnica e estudou com uma enorme entrega e aproveitamento os melhores mestres.
Foi principalmente um retratista vigoroso e de enormes qualidades, tendo a sua morte, ocorrida em circunstâncias muito penosas, após uma melidrosíssima operação cirúrgica no Hospital dos Capuchos, de Lisboa, causado enorme pesar nos meios artísticos, pelo que os seus colegas organizaram, em 1932, uma brilhante exposição retrospectiva da sua obra cujo catálogo foi prefaciado, num gesto de merecida justiça, pelo ilustre crítico de arte Dr. José Figueiredo, então Director do Museu de Arte Antiga [a que muitos chamam das Janelas Verdes], que era um dos seus mais sinceros admiradores.
Tanto valor em evidência numa existência tão preenchida e que se consumiu em tão pouco tempo de vida, chamou inevitavelmente as atenções das autoridades estatais da época - o Estado Novo - e, através do seu Orgão competente da chamada propaganda e apoio às inciativas artísticas e culturais - o S.N.I. - instituiu-se o « Prémio José Tagarro », um prémio anual de Desenho para o melhor trabalho apresentado.
De salientar que uma das publicações com que José Tagarro colaborava, a Seara Nova, era de ideias contrárias à Ditadura, postura que Tagarro privilegiava na Seara Nova, comungando nos mesmos ideais políticos! Apesar disso, o chamado Estado Novo honrou o trabalho e a sua memória - a de alguém que lhe era oposto intrinsecamente!(...)
Contadições dos tempos!... actualmente... é ignorado... ou... quase! De facto,... é vergonhoso!(...)
A Edilidade da sua terra natal - Cartaxo - recorda-o com o seu nome dado a uma rua, o seu nome a prestigiar uma Escola, e uma Galeria de Arte também com o seu nome e ... pouco mais...
O Museu de Arte Contemporânea expõe o busto de José Tagarro, saído do escopro do grande escultor Rui Roque Gameiro.
Poder-se-á pensar que todo este desfilar de referências é suficiente. Não o é de todo! Por cá, há a tendência de premiar compadrios na pessoa da mediocridade, ' medalhando-se' valores relativos em detrimento de valores absolutos como, José Tagarro.
Fala-se muito em Cultura e adjectivam-se discursos laudatórios que enchem enormes bolas de sabão, que logo se esfumam espalhando gotículas húmidas sobre almas artísticas muito grandes,... mas penadas,... e repletas de nada...
A zona do Cartaxo é muito bonita, terra natal de Tagarro, e é de louvar o esforço que lá se tem feito desdobrando-se em inicitativas para honrar e perpetuar um seu filho deste gabarito!
Porém, o Cartaxo é uma área geográfica diminuta para conter este Notável Artista de dimensão Universal... há que mover montanhas e fazer Justiça, pois José Tagarro não nos pertence!...
JOSÉ TAGARRO é ... "Propriedade"... do Mundo !...
É um" ícone" Universal! (...)











2009-08-05

RÉQUIEM POR UM POMBO


«Poema para um Pombo anônimo»




Esta é a foto, texto e poema da autoria de GUTO [http://lotusthesound.blogspot.com] nosso irmão brasileiro de Salvador, Bahia, Brasil:


« Uma pessoa como outra qualquer, mas que nem por isso deixa de ser única, também como as outras pessoas quais quer que estão por aí à nossa volta. Acredita no amor, na vida, na morte e na arte. »


Consultando o Blogue 'LOTUS, THE SOUND !!!', identificámo-nos com o perfil que acabo de citar, e com a obra digna de ser lida,... a literatura de Guto.


Encontrei o Lotus the Sound aleatoriamente quando, na Internet, pesquisava algo de poético que emoldurasse condignamente a mini-cerimónia que protagonizei depois de ter encontrado um pombo morto sobre o asfalto (...)


Pedi-lhe autorização para reproduzir o seu trabalho e, de pronto, respondeu-me afirmativamente!


Reitero os meus agradecimentos, e passo a transcrever a 'peça' que, para além de poesia, tem ainda carga moral e filosófica como valor acrescentado:

- «Pode, a princípio, parecer deveras piegas escrever um poema para um pombo morto. Pois bem, é com esse tipo de pensamentos que paramos de olhar nos rostos uns dos outros e esquecemos que em muitos cantos da cidade poeirenta há não só pombos mortos, mas indivíduos moralmente mortos, e é disso que esse poema fala em sua real essência. 

O pombo aqui nada mais é do que uma representação para a legião de imundos que habitam qualquer cidade grande e ajudam a criar esse enorme panorama de contrastes. 

Diferenças e indiferenças: "Nada é mais assassino do que a ignorância." »




VERSOS MORIBUNDOS
(Vozes da Sarjeta) Guto
I
As ruas não mais irradiam a serenidade
Donde o pombo tombou podre ante a noite.
Os vermes que lhe brotam do seu minúsculo ventre
Querem me oferecer suas respostas pegajosas.
Ninguém os bem quer, por isso devoram
Toda carne ao alcance da sua fúria.
II
Minha serenidade tombou com o pombo
E a sua carne senil igualmente apodreceu.
Por isso penso em minha alma que,
Com asas obscenas, como as do morto pombo,
Também não pode para os céus voar,
Para olhar para essas milhares de faces
Apáticas nesse desespero decadente
Sob o qual nos mergulhamos
Dia a dia em mediocridade e aceitação religiosa.
III
Juntos, devoramos o corpo inerte do pombo;
Em teu bico fúnebre não mais brotam cantigas quais quer.
Nada que lembre a altivez áurea do outrora embriagado.
E só vejo à sua volta o barulho estéreo se chocando
Com a estupidez da cidade indecisa.


[Publicação autorizada pelo autor: Guto. (www.lotusthesound.blogspot.com]

Em data recente postei no «Despassarados» o quanto me incomoda o desprezo dos automobilistas pelos animais que, vítimas de atropelamento, tombaram no asfalto e são 'desportivamente' cilindrados pelos pneus diligentemente apontados aos pobres 'bichos' que, não bastando terem perdido a vida, ainda servem de alvo a atingir.

Há dias, quando circulava na Avenida Dr. Mário Moutinho [zona de S.Francisco Xavier- Lisboa], deparei-me com um pombo caído no meio da via, já morto. Os carros' espezinhadores' eram mais do que muitos! Então, encostei, e dirigi-me na direcção do pombo para o tirar do meio da rua. 

Levei buzinadelas, pois estava a estorvar os donos da estrada que, ao volante, são muito mais do que isso: são "ditadores transtornados" que circulam consumindo mais adrenalina do que gasolina e debitando mais bílis do que CO2 ,... faiscando ódio [ou raiva?] pelos olhos, contra tudo o que lhes aparecer... no seu "horizonte" alcatroado ...
Decidi filmar a cena que aqui apresento:

video


Em Continentes diferentes, sem nada saber um do outro, Guto e eu, fizémos um RÉQUIEM em équipa !

Ele," tratou" da parte espiritual... os índios, acreditam que os animais também têm espírito! Pessoalmente, não sendo índio, através do muito que já estudei - embora nada saiba - sobre Teosofia, leva-me à ideia de que tudo o que é vivo... tem um lugar lá... nas "terras das grandes caçadas"!... incluíndo as plantas!!... que também têm aura!... isso mesmo... a luz do espírito... e, às cores!... mas, invisíveis à vista 'desarmada'!

Pois bem,... Guto levantou a grande "questão" que foi o Pombo!... algo metáfora... e bem denunciada!... Subscrevo tudo!

Eu... tratei da parte 'profana': que foi dar-lhe uma sepultura mais decente do que a «Cremação» no Forno do Inferno das Estradas...

Bem haja! Guto.

2009-08-01

HELLO ' FOLKS' ! ...




Thank's to all for the care!

I am well and always singing for peace and justice ! (...)

This is my "goodbye" ... my "see you soon" ...

Forever !... and, like Cohen sings,...

"If it Be Your Will "

With my love for all of you...

Joan Baez