KIM PHILBY
Agente britânico dos Serviços Secretos
Espião da URSS
Harold Adrian Russell " Kim " Philby
(1912 - 1988)
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A 25 de Maio de 1951, os serviços de segurança britânicos preparavam-se para acusar Donald Maclean, um alto diplomata, de espionagem a favor dos Russos. O dia 25 era uma sexta-feira e decidiram esperar até segunda-feira seguinte para o prenderem. Nessa noite, Maclean desapareceu, assim como Guy Burgess, outro importante diplomata. Era óbvio que tinham fugido para a Rússia. Pior ainda, alguém altamente colocado nos serviços secretos britânicos os informara. Era essencial encontrar o «terceiro homem».
As suspeitas caíram sobre Harold «Kim» Philby, um dos oficiais superiores do MI 6 (serviços secretos). Philby foi interrogado durante diversos meses e, apesar de se não ter provado nada contra ele, foi obrigado a demitir-se. Em 1955, um membro do Parlamento afirmou em sessão parlamentar que Philby foi interrogado por jornalistas de todos os principais jornais britânicos. Mas quer nos julgamentos públicos, quer nos privados, Philby afirmou sempre que estava inocente.
Muitos dos seus antigos colegas do MI 6 achavam que Philby fora demasiado castigado. Alguns pensavam que o haviam derrubado por rivalidade. Em 1956 foi enviado para Beirute como jornalista do 'The Observer': e há também quem pense que para trabalhar para o MI 6. Depois de actuar cinco anos em Beirute, Philby desapareceu subitamente. Pouco tempo depois foi anunciado que fugira para a Rússia. Nas suas palavras, regressava «são e salvo». Na realidade, Philby era o «terceiro homem». Há trinta anos que era agente comunista.
Num dia de Setembro de 1961, o ano da fuga de Philby, um russo de aparência elegante passeava-se numa avenida de Moscovo e parou junto de um parque infantil onde brincavam algumas crianças. Sorriu e ofereceu a uma delas uma caixa de chocolates. Quando o homem se foi embora, a criança levou a caixa à mãe, que estava sentada num banco ali perto. A mãe era mulher de um diplomata britânico na Embaixada de Moscovo. A caixa continha quatro rolos de filme de documentos secretos dos próprios serviços secretos russos. O homem era o Coronel Oleg Penkovsky, um Oficial do G.R.U. (serviços secretos militares soviéticos).
Coronel Oleg Penkovsky
Oficial dos Serviços Secretos Soviéticos
Espião a favor do Ocidente
Penkovsky era espião pelo Ocidente. O seu principal contato era um homem de negócios inglês chamado Greville Wynne, cujo trabalho o levava frequentemente a Moscovo. Através de Wynne, os serviços secretos americanos e britânicos forneceram a Penkovsky dinheiro, uma câmara fotográfica miniatura 'Minox' e um receptor de rádio. Em dezoito meses, Penkovsky conseguiu passar 5.000 fotografias de documentos militares e secretos. Os filmes eram passados por contato directo, como foi descrito acima, e também por meio de «marcos de correio mortos» [gíria denominativa de pessoas que oficialmente não existem].
A mítica câmara fotográfica «Minox»
ferramenta de espionagem da época
Em Outubro de 1962, enquanto Penkovsky planeava escapar para o Ocidente definitivamente, foi preso em Moscovo. Wynne foi raptado na Hungria e trazido para a Rússia. Foram julgados e considerados culpados. Penkovsky foi condenado à morte e Wynne a oito anos de prisão, mas Whynne nunca chegou a cumprir a pena. Em 1964 foi trocado pelo espião russo «Gordon Lonsdale».
Muito embora o Coronel Penkovsky tenha sido condenado à morte e dado com tendo sido executado, acredita-se que o mantiveram vivo, muito embora preso algures na Rússia. Desígnios da espionagem de alta escola!
Kim Philby gozou merecidamente a sua reforma, oferecida pelo regime soviético como gratidão pelos serviços prestados. Inclusivamente foi homenageado numa emissão de selo de correio conforme em baixo se ilustra em fotografia.
Selo de Correio russo
homenageando Kim Philby pelos serviços
prestados à URSS
Kim Philby clamou a sua inocência perante os jornalistas em 1955. Philby, Guy Burgess e Maclean, tinham andado juntos na Universidade de Cambridge, onde se tornaram comunistas. Todos os três foram recrutados como espiões comunistas pouco tempo depois, nunca se sabendo por quem.
Philby devia manter-se «adormecido» isto é, não deveria atuar até ter alcançado uma posição que pudesse ser de verdadeiro valor.
Ao longo da segunda guerra mundial, foi subindo na carreira dos serviços secretos britânicos. Incrivelmente, chegou a chefiar o departamento que tratava dos assuntos dos serviços secretos russos!
Será que os serviços secretos britânicos foram mesmo ludibriados? Ou tinham esperança de que ele se traísse, ou a outros, se fosse deixado à solta?
O agente Philby desde há muito tinha "curriculum" e consciência política. Em 1937 tinha viajado para Espanha, Sevilha, como jornalista "freelancer" e, já como agente duplo, dava informações ao MI 6 britânico, e à URSS que as transmitia ao Exército Republicano espanhol. Tendo escapado miraculosamente ( ferido na cabeça) duma operação de combate, o General Francisco Franco condecorou-o com a medalha da Cruz Vermelha de Mérito Militar, no dia 2 de março de 1938. Aquela distinção, favoreceu-o na infiltração no seio das tropas falangistas e maior acesso às informações das estratégias da guerra civil.
Condecoração espanhola
que
Kim Philby recebeu
Só muito raramente os homens da «polícia secreta» inglesa saiem da sombra. Poucas pessoas - além dos seus superiores imediatos - sabem o que eles realmente fazem. Se se metem nalgum sarilho, não podem contar com qualquer auxílio oficial. E, as próprias mulheres estão convencidas de que eles são homens iguais aos outros, apenas com um horário de trabalho um pouco estranho...
Na pequena tabacaria da aldeia aquela manhã era uma manhã igual a todas as outras, até o homem alto entrar. Mostrou um cartão à mulher que estava atrás do balcão e disse-lhe para fechar a loja. Depois de o último cliente ter saído, começou a interrogar a proprietária acerca das ideias politicas do filho, de 18 anos. Quando o interrogatório terminou, hora e meia mais tarde, a mulher soluçava.
Em alguns países este incidente seria vulgar. Porém, a cena passava-se no Surrey, Inglaterra, em 1967...
O homem em questão era um investigador local; contudo, o trabalho que executava naquela ocasião era bastante fora do comum. Na realidade trabalhava diretamente para a Divisão Especial... A Divisão Especial - a organização que, em Inglaterra, mais se aproxima de uma verdadeira polícia secreta - só muito raramente sai da sombra. De facto, a meia dúzia de homens «sem rosto» que se encontravam na parte de trás da sala do tribunal de Old Bailey, de Londres, quando o oficial da RAF (Força Aérea) Douglas Britten, foi condenado a 21 anos de prisão por espionagem, apareciam pela primeira vez em público, desde um outro caso similar 8 anos antes.
O homem em questão era um investigador local; contudo, o trabalho que executava naquela ocasião era bastante fora do comum. Na realidade trabalhava diretamente para a Divisão Especial... A Divisão Especial - a organização que, em Inglaterra, mais se aproxima de uma verdadeira polícia secreta - só muito raramente sai da sombra. De facto, a meia dúzia de homens «sem rosto» que se encontravam na parte de trás da sala do tribunal de Old Bailey, de Londres, quando o oficial da RAF (Força Aérea) Douglas Britten, foi condenado a 21 anos de prisão por espionagem, apareciam pela primeira vez em público, desde um outro caso similar 8 anos antes.
Poucas pessoas, incluindo a polícia ortodoxa, estão a par do verdadeiro papel da Divisão Especial. Na realidade esta é o braço executivo do serviço secreto britânico. É quem efectua as prisões depois dos casos terem sido resolvidos pelos serviços de contra-espionagem.
Porém, desde a reorganização total efectuada em 1961, a Divisão Especial tornou-se igualmente numa força de polícia política que mantém sob vigilância as pessoas cujas simpatias esquerdistas possam, em certas circunstâncias, representar um perigo para a segurança nacional.
Desde a fundação do Partido Comunista Britânico, em 1920, a Divisão Especial sempre prestou redobrada atenção às actividades, mas as modificações realizadas em Junho de 1961, quando da reorganização, aumentaram eficazmente a sua capacidade no combate das actividades ditas subversivas. A rede foi-se propagando através da província e cada subdivisão regional que, ao princípio dispunha apenas de dois ou três elementos no máximo, passou a mais do dobro, incluindo o inspector, dois sargentos e investigadores.
Embora a sua tarefa só muito raramente venha a público, a Divisão Especial mantêm-se em constante actividade. Por cada ameaça ou suspeita de ameaça que chega aos jornais, há dúzias delas que permanecem em segredo. Os serviços são também responsáveis pela protecção dos dignatários que visitam a Grã-Bretanha. Grande parte do trabalho deles é aborrecido e rotineiro: verificar chegadas e partidas nos aeroportos, ou entrevistar forasteiros suspeitos de actividades irregulares.
Raramente os membros da Divisão Especial são chamados a intervir na destruição e detenção de redes de espionagem. É o MI 5 que recolhe as provas e depois as entrega à Divisão Especial para realizar as prisões.
O facto de estes serviços - na prática uma polícia que ninguém conhece - poderem exercer consideráveis pressões sobre a população, poderia levar a crer que a invejável posição da Inglaterra como país livre no mundo moderno não passa de um mito.
Passam a mensagem que acontece exactamente o contrário, pois actuam unicamente contra aqueles que constituem uma ameaça para a segurança e liberdade, um valor inestimável que os cidadãos em geral tanto preservam!
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Kim Philby gozando a reforma de velhice
na
Rússia
Falta esclarecer em que ponto ficará salvaguardada a liberdade de expressão e de pensamento (...)
Apenas como apontamento académico e mera concepção histórica, lembro que a espionagem consiste em obter e passar informações secretas. É uma arte muito antiga que perdurou até aos nossos dias. Os primeiros registos humanos contêm relatos de missões de espionagem.
A China antiga, o Egipto e a Roma Imperial de Júlio César transformaram a espionagem numa actividade "requintada" e tornaram os espiões tão velhos como os segredos humanos.
Agentes duplos, redes de espiões e passadores de informações falsas são personagens dessa grande "indústria" moderna que é a espionagem.
O nosso amado Rei D. João II - o Príncipe Perfeito -, monarca hábil, justo e tolerante (apunhalou Dom Diogo, Duque de Viseu!), é considerado uma das mais gloriosas figuras da História de Portugal, até na dinâmica dos descobrimentos e não foi alheio a ter usado e aproveitado a espionagem internacional em larga escala.
"Kim" trabalhou para o NKVD e, depois da extinção desta organização, para o KGB que lhe sucedeu. Há quase dois anos que tenho a intenção de escrever um post sobre os serviços secretos soviéticos que vieram depois da polícia czarista Ochrana. Tenho evitado fazê-lo para não ferir susceptibilidades. Penso que com isenção poderei falar dos factos, sem com isso melindrar ideologias que estão acima de quaisquer atos menos correctos, que qualquer organização policial de natureza política sempre incorreu, e incorrerá.
Estou a lembrar-me de episódios recentes de espionagem passados entre nós, e que, aos poucos, vão tentando branquear até ao apagamento da proverbial memória curta dos portugueses!...
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Como este post não é propriamente uma tese de doutoramento, não adianto mais pormenores muito embora de interesse histórico, e vou terminar com um pedido de opinião: será que a Espionagem e os seus Agentes são mesmo um mal necessário?
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Como este post não é propriamente uma tese de doutoramento, não adianto mais pormenores muito embora de interesse histórico, e vou terminar com um pedido de opinião: será que a Espionagem e os seus Agentes são mesmo um mal necessário?
























