[ Vox populi vox Dei ]

2012-03-21

« O DIA DA ÁRVORE É HOJE... E SEMPRE »

Jequitibá-Rosa é uma árvore do Parque Estadual de Vassununga
a 253 Kms de S. Paulo no Brasil
Tem 3 mil anos de idade, mais de 40 metros de altura e cerca de 3,60 m de diâmetro



Pequenas, grandes  e frondosas, ramalhudas, ou esguias, todas as árvores são necessárias e apreciáveis. De folha caduca, ou perene, acarinhadas por mão humana, ou aparecidas por geração espontânea, cada árvore tem uma história, a sua e a nossa, e um destino: ser parte, como ser vivo, do ecossistema em que vivemos.

O meu carvalhal na Serra do Caramulo
A Gandra


Desejadas muitas, descartáveis outras, são, ao mesmo tempo, sopro de vida e mealheiro, que se vai enriquecendo. Nobres, ou plebeias, ora se lhes pede sombra, ora se lhe colhem os frutos, ora se lhes exige que cresçam para tombarem, na roda da vida da economia, a caminho da serração, ou da oficina, onde são tratadas, em obras de arte, ou de uma forma mais tosca, por mãos de mestre, ou a serem carregadas em camiões  e comboios, barcos  e até aviões , para irem para as fábricas de pasta de papel, ou para exportação.





Associadas ao dia a dia de cada um de nós, recebem, em paga negra, toda a catrefada de tratos que as fazem sofrer e cair para sempre. Numa ingratidão que não tem qualquer explicação lógica, passamos meses a dar cabo delas, por via de uma poluição implacável. Como forma de tentar redimir esse clamoroso erro, consagramos-lhe um dia, apenas, no calendário anual. Temos de confessar que tal prática tem algo de hipócrita: sabendo que elas, que nascem por nós, numa organização da natureza que anda por si, precisam de apoio e carinho todos os dias, lá lhes damos estas 24 horas, uma miséria, com toda a franqueza. Mas somos assim em tudo: na Mãe, no Pai, na Criança, no Natal, e sabemos lá que mais!...



 Após desmatamento... os troncos seguem rio abaixo 


Num ciclo que tem na árvore  um dos seus centros, queixamo-nos da seca, que agora estamos asperamente a viver, mas não olhamos, com a atenção devida, para aárvora e para a floresta, que são fonte de rejuvenescimento da própria água, da chuva e de toda a necessária humidade. Metralhamos esses pilares da nossa vida e, depois, com a mão no peito, vamos a correr, um dia apenas, dar-lhe um abraço.

Isto é um comportamento que tem de ser travado, evitado e combatido. Não passa sequer por uma decisão nacional, é antes um imperativo global. Mas, numa política de grão a grão, cada um de nós tem  o seu papel a fazer, todos os dias, em gestos débeis e pequeninos, mas determinantes para o sucesso geral que se deseja e espera.


Lago em 'formato de coração' na floresta amazónica 
próximo de Manaus
Estado do Amazonas, Brasil


Olhar a árvore como parte de nós, eis um desafio de hoje, para amanhã, de ontem, para hoje, numa espiral de gerações, cada uma delas a não ter o direito de hipotecar os dias daquela que vem a seguir.

Pede-se-nos isto e apenas isto: sentir a árvore minuto a minuto, mas em todos os dias de nossas vidas, sabendo, aliás, que dela dependemos, como de pão para a boca.

Se assim é, e é, partamos para essa nova caminhada, agora e já.


2012-03-11

« NÃO SOMOS ... GENTE DESCARTÁVEL »



Livro de: Kevin Bales
"Gente Descartável : A Nova Escravatura na Economia Global"



"Gente Descartável"


     Na nova escravidão, a raça tem pouco significado. No passado, as diferenças étnicas e raciais eram usadas para explicar e desculpar a escravatura. Essas diferenças permitiam aos escravocratas inventar razões que tornavam a escravatura aceitável, ou até uma boa coisa para os escravos. 

A diferença dos escravos tornava mais fácil usar a violência e a crueldade necessárias para o controlo total. Essa diferença podia ser definida quase de um modo qualquer – diferente religião, tribo, cor de pele, língua, costumes ou classe económica. Qualquer dessas diferenças podia ser e era usada para separar os escravos dos escravocratas. 

Manter essas diferenças exigia um tremendo investimento em algumas ideias muito irracionais – quanto mais louca a ideia justificativa mais veementemente se insistia nela. Os Pais Fundadores tiveram que recorrer a contorções morais, linguísticas e políticas para explicar por que razão a sua «terra dos livres» era só para pessoas brancas. 

Muitos deles sabiam que ao admitir a escravatura estavam a trair os seus mais caros ideais. Eram levados a isso porque nesse tempo a escravatura valia muito dinheiro para muita gente na América do Norte. Mas deram-se ao trabalho de urdir desculpas legais e políticas porque sentiam que tinham de justificar moralmente as suas decisões económicas.
    
 Hoje, a moralidade do dinheiro supera todas as outras considerações. A maioria dos escravocratas não sente a necessidade de explicar ou defender o método de recrutamento ou de gestão do trabalho que escolheram. A escravatura é um negócio muito lucrativo, e um bom lucro é justificação bastante. Libertos das ideias que restringem o estatuto de escravo aos outros, os escravocratas modernos usam outros critérios para escolher escravos. 

Na realidade, eles gozam de uma grande vantagem: ser capaz de escravizar pessoas do seu próprio país ajuda a manter os custos baixos. Os escravos no Sul da América no século XIX eram muito caros, em parte porque originalmente tinham de ser transportados de África por milhares de quilómetros. Quando os escravos podem ser obtidos na cidade ou na região ao lado, caem os custos de transporte. A questão não é: «Serão eles da cor certa para serem escravos?», mas «Serão eles suficientemente vulneráveis para serem escravizados?». Os critérios de escravização não se referem à cor, tribo ou religião; eles centram-se na fraqueza, na credulidade e na privação.

     É verdade que em alguns países existem diferenças étnicas ou religiosas entre os escravos e os escravocratas. No Paquistão, por exemplo, muitos tijoleiros escravizados são cristãos, enquanto os escravocratas são muçulmanos. Na índia, escravo e escravocrata podem ser de castas diferentes. 

 Na Tailândia podem ser de diferentes regiões do país e são muito mais provavelmente mulheres. Mas no Paquistão há cristãos que não são escravos, na Índia membros da mesma casta que são livres. A sua casta ou religião reflecte simplesmente a sua vulnerabilidade à escravização; não é a causa dela. 

Só num país, a Mauritânia, o racismo da antiga escravatura persiste – ali os escravos negros pertencem a escravocratas árabes, e a raça é uma divisão-chave. Na verdade, algumas culturas estão mais divididas pelas linhas raciais do que outras. A cultura japonesa distingue fortemente os japoneses como diferentes de todos os outros, e por isso as prostitutas escravizadas no Japão são provavelmente mulheres tailandesas, filipinas ou europeias – embora possam também ser japonesas. 

Mesmo ali, a diferença-chave não é racial, mas económica: as mulheres japonesas não são de modo nenhum tão vulneráveis e desesperadas como as tailandesas ou filipinas. E as tailandesas estão disponíveis para serem transportadas para o Japão, porque os tailandeses escravizam tailandeses. 

O mesmo padrão verifica-se nos Estados ricos em petróleo da Arábia Saudita e do Kuwait, onde os árabes muçulmanos escravizam promiscuamente hindus do Sri Lanka, cristãos das Filipinas e muçulmanos da Nigéria. O denominador comum é a pobreza, não a cor. Por trás de cada afirmação de diferença étnica, está a realidade da disparidade económica. 

Se todos os canhotos do mundo se tornassem amanhã necessitados, em breve haveria escravocratas a aproveitar-se deles. Os modernos escravocratas são predadores intensamente conhecedores da fraqueza; eles estão a adaptar rapidamente uma prática antiga à nova economia global.
Kevin Bales (2001). Gente Descartável: A Nova Escravatura na Economia Global.
(António Pescada, Trad.). Lisboa: Caminho. pp. 20-22.





 

 Manuel António Pina
In-Jornal de Notícias de 05/3/12
publicou :

Admirável Mundo Novo


 
" Dois eticistas as universidades de Melbourne e Oxford defendem no "Journal of Medical Ethics" que matar recém-nascidos é eticamente justificável pelos mesmos motivos, incluindo motivos "sociais" e "económicos", por que se permite o aborto.

Gente respeitável como Peter Singer havia já admitido, em nome do mais radical neo-utilitarismo moral, o direito a matar recém-nascidos deficientes profundos cuja sobrevivência fosse expectavelmente origem de infelicidade para o próprio e família.

Ninguém tinha ido ao ponto (até os mais primários pós-benthamianos reconhecem, em geral, limites à mera aritmética do sofrimento-prazer e infelicidade-felicidade) de justificar a morte de bebés saudáveis com "os encargos sociais, psicológicos e económicos" que os pais suportariam com eles.

Fizeram-no agora os autores do ominoso artigo do "Journal of Medical Ethics", alegando que o bebé não é "ainda" uma pessoa no sentido de "sujeito de um direito moral à vida" pois não tem ainda "expectativas".

Fica aberta a larga porta da Ética para que velhos, doentes incuráveis e, porque não?, reformados ou desempregados sem hipótese de regresso ao mercado do trabalho, que não são "já" pessoas pois deixaram de ter "expectativas", possam ser abatidos de modo a poupar "encargos" à família e ao Estado.

Não há-de ser difícil justificá-lo, como fez a dra. Ferreira Leite com os idosos dependentes de hemodiálise e sem meios para a pagar."






«Um dos execráveis descartantes»


"O político analfabeto João Almeida volta a dar nas vistas, desta fez sem Facebook. A ideia de que o trabalho não tem direitos, tudo se nivela por baixo e um trabalhador é uma espécie de objecto descartável, assenta-lhe que nem uma luva.

É maneira de pensar como qualquer outra, e vigora em muitos países  para onde o deputado bem podia emigrar. Para a China, por exemplo."







 
Sinopse da obra - «Gente Descartável»:

A escravatura é ilegal. Mas existe e está a expandir-se rapidamente. Segundo Kevin Bales, existem mais de 27 milhões de escravos em todo o mundo. Em «Gente Descartável» descreve-se o funcionamento da nova escravatura e a sua forma de adaptação à globalização da economia em países como a Tailândia, a Mauritânia, o Brasil, o Paquistão e a Índia, e em zonas da Europa e dos EUA. Expõem-se as forças económicas e sociais que a sustentam, desde a corrupção dos governos locais até à cumplicidade das grandes organizações multinacionais. E apresentam-se os incríveis lucros que advêm desta «prática economicista». Os escravocratas actuais controlam os seus escravos pela força e pelo medo e, quando estes já não representam uma mais-valia económica, são «dispensados»: os escravos de hoje são gente descartável. Mas a escravatura não tem de ser uma nódoa permanente na história humana e neste livro são apontados caminhos para a combater, quer a nível individual quer a nível governamental, e é descrito o sucesso de acções antiescravistas de organizações locais e internacionais.


2012-02-29

« O POEMA PREMONITÓRIO DO REGICÍDIO »


REI  D. CARLOS I



Poeta Guerra Junqueiro




 
O Ultimato Inglês de 1890 foi sentido como um ultraje por toda a nação portuguesa, provocando a elevação dos círculos republicanos portugueses. Guerra Junqueiro, conhecido escritor, converteu-se numa das vozes mais agressiva da propaganda republicana, ele que até então era um frequentador dos círculos conservadores da sociedade e da política portuguesas. 

Para o efeito compôs um poema, que dedicou a Fialho de Almeida, intitulado "O caçador Simão" e que foi publicado na imprensa da época como no Globo, na Província e nos Pontos nos ii, entre outros. Recorde-se que Simão era o último dos nomes próprios do Rei D. Carlos, logo o caçador Simão pretendia designar o próprio rei, entronizado recentemente.

O poema foi considerado uma premonição (ou mesmo um desejo) do atentado que haveria de matar o rei e o seu filho primogénito, 18 anos mais tarde.
Logo na primeira quadra, Guerra Junqueiro, hostiliza o rei, acusando-o de indiferença, perante a agonia do seu moribundo pai, o rei D. Luís I e da dor da sua mãe, a rainha D. Maria Pia. Nas restantes quadras pode observar-se o ódio e o sentimento patriótico provocados pelo Ultimato Britânico, o qual vexou uma pátria inteira.


O ódio expresso por Guerra Junqueiro leva-o a escrever a última quadra, que se viria a revelar profética, não faltando quem a interprete como um incentivo ao regicídio (Papagaio real, diz-me, quem passa? - É alguém, é alguém que foi à caça do caçador Simão!...) [Em Simão leia-se o Rei D. Carlos]. 

O regicídio viria a ocorrer no dia  1 de Fevereiro de 1908, quando as armas de  Manuel Buiça e de  Alfredo Costa matam o Rei D. Carlos I, vindo de Vila Viçosa onde praticara a caça, e o Príncipe Real D. Luís Filipe, em pleno Terreiro do Paço.
Para melhor compreensão fica o poema integral:

= O CAÇADOR  SIMÃO =

Jaz el-rei entrevado e moribundo
Na fortaleza lôbrega e silente…
Corta a mudez sinistra o mar profundo …
Chora a rainha desgrenhadamente …

Papagaio real, diz-me quem passa?
— É o príncipe Simão que vai à caça.

Os sinos dobram pelo rei finado …
Morte tremenda, pavoroso horror!...
Sai das almas atónitas um brado,
Um brado imenso d’amargura e dor …

Papagaio real, diz-me, quem passa?
— É el-rei D. Simão que vai à caça.

Cospe o estrangeiro afrontas assassinas
Sobre o rosto da pátria a agonizar …
Rugem nos corações fúrias leoninas,
Erguem-se as mãos crispadas para o ar!...

Papagaio real, diz-me quem passa?
— É el-rei D. Simão que vai à caça.

A Pátria é morta! A Liberdade é morta!
Noite negra sem astros, sem faróis!
Ri o estrangeiro odioso à nossa porta,
Guarda a Infâmia os sepulcros dos Heróis!

Papagaio real, diz-me, quem passa?
— É el-rei D. Simão que vai à caça.

Tiros ao longe numa luta acesa!
Rola indolentemente a multidão …
Tocam clarins de guerra a Marselheza …
Desaba um trono em súbita explosão!...

Papagaio real, diz-me, quem passa?
— É alguém, é alguém que foi à caça
Do caçador Simão!...


« MATARAM  O  REI  NO  TERREIRO  DO PAÇO »

Esta notícia bombástica espalhou-se por Lisboa na tarde de 1 de Fevereiro de 1908. Depois, um muro de silêncio abateu-se sobre o regicídio.




A meio da tarde de 1 de Fevereiro de 1908, sob um pálido sol de inverno, D. Carlos, penúltimo rei de Portugal, e o príncipe Luís Filipe, herdeiro do trono, foram assassinados a tiro na Praça do Comércio (vulgo Terreiro do Paço), a "sala de visitas" de Lisboa.

O eco dos tiros disparados por Manuel Buíça e Alfredo Costa, dois membros da sociedade secreta  Carbonária, abalou a vida política nacional e anunciou para breve o advento da República.

A família real regressava de Vila Viçosa, em cujo palácio e propriedades passara, em caçadas, o mês de Janeiro. Os últimos Bragança iam  para lá muito no Inverno, reservando para as férias  de Verão o Palácio da Pena, na Serra de Sintra,, , e a Cidadela de Cascais. O comboio que trazia D.Carlos, a rainha D. Amélia e o herdeiro do trono descarrilou na Casa Branca, atrasando-se uma hora e meia. Em vez de chegarem às 16 horas à Gare do Sul e Sueste, os viajantes só desembarcaram do barco do Barreiro perto das 17h30.

À espera, entre muitos políticos, estavam o filho mais novo dos reis, D. Manuel e João Franco, o primeiro-ministro que governava com o Parlamento encerrado, com o apoio do rei.

Os Bragança tomaram depois lugar numa carruagem descoberta, tipo landau, que, dirigindo-se ao Palácio das Necessidades, subiu o Terreiro do Paço pelo lado esquerdo. Foi perto da esquina dos Correios  que os disparos foram feitos.

D. Manuel foi ferido num braço e a rainha vergastou com um ramos de flores Alfredo Costa, que subira para o estribo da carruagem de revólver em punho. Ele e Buíça foram de imediato abatidos pela polícia.





Na altura, o regicídio foi considerado quase como algo natural pelos republicanos. E pelos lisboetas em geral. Naturalmente, ninguém se vangloriou do feito, que foi tacitamente atribuido a uma decisão isoladas dos dois regicidas.

Sabe-se agora que, como é natural, se tratou de um plano articulado. Além dos membros da Carbonária, estariam envolvidas muitas outras pessoas, algumas "bem colocadas " socialmente.

Numa reportagem no New York Times em Julho desse ano de 1908 lia-se a dada altura: «Diz-se que a rainha Amélia reconheceu num dos assassinos um proeminente líder político, mas guarda firmemente o seu segredo.»

E mais adiante: «Desde esse fatal dia 1 de Fevereiro foram presas centenas de pessoas. A rainha olhou para centenas de rostos. Disfarçada, esperando que aquele que ela crê ser o chefe se denunciasse por uma pose ou por um gesto. Tudo foi em vão.»




Sabe-se que o Buíça era apenas um pobre professor de música e ardente revolucionário, com um perfil dostoievskiano.

Mas estava aberta a porta para as dúvidas e as especulações. Tudo viria porém a ser abafado. A República vinha a caminho e, por razões políticas, ninguém abriu o processo. Nem a Ditadura Militar do 28 de Maio, nem mesmo no, alegadamente, Estado Novo salazarista.


Gravura artística reproduzindo o facto






- Pesquisas obtidas na 
SHIP-Soc. Histórica de Portugal 
onde sou sócio.
- Gravuras: Selecionadas na Internet 

2012-01-25

« A PRIMEIRA MULHER PILOTO-AVIADOR EM PORTUGAL »

Maria de Lourdes Sá Teixeira
Primeiro «brevet» português feminino




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Maria de Lourdes Sá Teixeira;


Nasceu em 1907, de mentalidade aberta e dotada de estonteante beleza,  Maria de Lourdes  Sá Teixeira, mais conhecida na época por “Milú”, foi a primeira portuguesa a obter o seu diploma de aviadora civil.


Conseguiu o seu "brevet" a 6 de Dezembro de 1928 com apenas 21 anos de idade. Foi largada a 1 de Junho desse ano, sendo seu instrutor o então capitão piloto aviador Craveiro Lopes [mais tarde, Presidente da República], na Escola Militar de Aeronáutica que funcionava na Granja do Marquês em Sintra, num avião “Caudron G3”, tendo prestado provas práticas e teóricas perante um júri exclusivamente constituído por oficiais instrutores daquele estabelecimento militar.

Fê-lo ao abrigo de uma disposição legal então em vigor, o nº4 do artigo 2 do decreto-lei nº 81.414 de 25 de Setembro de 1925.

Em 1929 o Aero Clube de Portugal entregou-lhe numa cerimónia o diploma de piloto conjuntamente com Manuel Vasques e Sousa Santos.

É a decano dos pilotos-aviadores femininos civis em Portugal.

Em sua exclusiva honra, foi composto em 1929 um “one step”, com letra de Rita Fernandes e música do engenheiro aeronáutico Pedro Fava Ribeiro de Almeida, que se intitulou “Milú”.


Foi proposto pelo seu Director de Operações de Voo a atribuição o seu nome ao Lockheed L1011 Tristar “CS-TMX” da companhia aérea “Yes Air Charter”, como justa homenagem a esta aviadora pioneira.

Infelizmente o avião nunca ostentou o seu nome.

Faleceu em 1984 com 77 anos de idade.






 Avião "Caudron G 3" onde obteve o «brevet»