Portugal, a passos largos, caminha para a falência sem saber aproveitar recursos. É confrangedor folhear as páginas dos jornais, ver a televisão e ouvir rádio e só encontrarmos notícias que nos mostram um Estado nas lonas, um Governo em maus lençóis para resolver o problema da crise, que é, cada vez mais e perigosamente, sistémica - isto é, abrange grande parte do mundo, com poucas exceções e toca em todos os setores - e pouco de atitudes pró-criativas nos aparecem credíveis e seguras, para além dos fatídicos e fatais cortes sobre cortes.
Para contornar um mau estar que já se apodera de todos nós e nos faça cair em depressão profunda, dedicámos algum tempo à pesquisa de hipóteses, ou pequenas soluções, que aos grandes cérebros escapa, mas ao cidadão comum apresenta-se à vista.
Sendo coisas simples e óbvias, só pecam por tardias no seu estado de abandono e desmazelo. Curtas e cirúrgicas, ao aplicá-las, mesmo que não resultassem em grossas receitas, acabariam por dar bons sinais, pelo menos em termos de aproveitamento dos recursos que para aí andam ao desbarato.
Começamos por uma série de instalações sem préstimos, algumas delas com tantas histórias e não menos proveitos, a título de exemplar e a saber: casas de guardas-florestais, abandonadas por desleixo, incúria e más políticas, postos desativados da Polícia, G.N.R., antiga Guarda-Fiscal, Polícia Marítina, casas dos magistrados, surripiadas às Câmaras Municipais, em muitos casos ex-Governos Civis.
Casa da Guarda-Florestal, abandonada e degradada - Região de Viseu
Posto abandonado da antiga Guarda-Fiscal (GNR atual) - Monte Gordo
Em sede de Estradas de Portugal, dizem que a viver uma crise sem precedentes, quando foi, enquanto Junta Autónoma de Estradas, um estado dentro do estado e com ares de poder absoluto, muito há alienar: troços construídos e postos na prateleira por decisões diversas, que podem ser vendidos a proprietários confinantes, ou restituídos a seus antigos donos expropriados, em condições a acertar, casas de cantoneiros, cujo desperdício e colocação fora de serviço foi um tremendo erro, mas está feito, árvores em adiantada idade e de boa qualidade, abrigos diversos e afins.
Caminho e mata florestal ao abandono numa região do norte do país - Alcofra
Pegando nos Caminhos de Ferro, há quilómetros de linhas que podem ser convertidas em solo rentável, uma vez que houve o desplante de as desativar, existem centenas de ricas estações que caem aos bocados, que se desmoronam ao sabor do vento, das intempéries e da velhice, que também lhes chega.
Linha de caminho de ferro abandonada - Ramal de Estremoz
Mas há ainda as matas ao abandono, florestas tiradas aos povos com muita angústia e raiva incontidas, que bem podem e devem ser aproveitadas, sendo passíveis de concessão, de venda, arrendamento, ou utilização em direito de superfície, para além de outras eventuais soluções.
Estação dos Caminhos de Ferro abandonada - Vilarinho das Paranheiras - Trás-os-Montes
Nesta vertente, estranha-se que sejam pagas avultadas verbas com arrendamentos, depois de se alienarem instalações originais, numa arte de engenharia financeira e orçamental que só tapa o buraco de um ano e se repercute pelos anos fora, ao mesmo tempo que temos estes citados imóveis a desfazerem-se e ao deus-dará.
Rezam as crónicas que o Estado é muito maior do que aquilo que pensamos, mesmo que não alarguemos o conceito até ao seu limite, que o considera em tudo o que temos e somos.
O que acabámos de citar encaixa, na perfeição, nas autarquias locais, nos diversos institutos e empresas públicas e outros agentes ativos da esfera da governação.
Logo, também estas entidades têm o dever de olhar por esse património perdido e que muito poderá ajudar cofres vazios e sem esperança...















