[ Vox populi vox Dei ]

2011-02-05

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 EGITO GONÇALVES
José Egito de Oliveira Gonçalves
(1920-2001)







José EGITO de Oliveira GONÇALVES

Escritor português com uma actividade cultural desenvolvida sobretudo a partir da cidade do Porto: é editor, no domínio do livro de poesia, está ligado à direcção de revistas como A Serpente (1951), Árvore (1951-1953), Notícias do Bloqueio (1957 – 1962) ou Limiar (iniciada em 1992), publica várias traduções de romancistas e poetas estrangeiros, desenvolve actividades teatrais e ligadas ao movimento cineclubista.

Como poeta, a sua obra tende para o estabelecimento de um equilíbrio entre duas tendências que se afirmaram nas décadas de 40 e 50: o neo – realismo e o surrealismo. Da primeira destas tendências – muito marcada em Os Arquivos do Silêncio (1963) e na recolha antológica Poemas Políticos (1980) .

 Egito Gonçalves recupera um sentido de intervenção, por vezes desfocado por uma muito viva expressão irónica; da segunda, a maneira como na poesia se pode valorizar a imaginação, sem que, no entanto, a sua linguagem enverede por experiências associativas surrealizantes, pela escrita automática, etc. Quanto a este aspecto, Egito Gonçalves mostra-se sempre preocupado em construir o poema (“construo os meus poemas, com as imagens adorno-os”), dando-lhes uma configuração bem delineada ou estruturada.

Aproxima-se, assim, daqueles poetas que nos anos 50 – o seu primeiro livro, Poema para os Companheiros da Ilha, é de 1950 – começam a revelar uma especial atenção quanto ao papel que a linguagem desempenha na economia da própria criação poética, sobretudo através da utilização da metáfora e da imagem.

 Isto leva-o a estar atento a uma certa viragem que na poesia portuguesa ocorre durante a década de 60, orientando-se essa viragem para um tipo de escrita poética que reage contra a discursividade – característica esta comum a muitos textos surrealistas e neo-realistas -, contra uma figuração expansiva procurando, antes, uma linguagem o mais depurada possível, elíptica, por vezes fragmentada.(…)

In: Bibllos - Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa - 1995




 Egito Gonçalves

>o<

Notícias do Bloqueio

 

 

Aproveito a tua neutralidade,

o teu rosto oval, a tua beleza clara,

 para enviar notícias do bloqueio

 aos que no continente esperam ansiosos.

 

  Tu lhes dirás do coração o que sofremos

nos dias que embranquecem os cabelos...

 Tu lhes dirás a comoção e as palavras

 que prendemos — contrabando — aos teus cabelos.

 

 Tu lhes dirás o nosso ódio construído,

 sustentando a defesa à nossa volta

 — único acolchoado para a noite

 florescida de fome e de tristezas.

 

 Tua neutralidade passará

 por sobre a barreira alfandegária

 e a tua mala levará fotografias,

 um mapa, duas cartas, uma lágrima...

 

 Dirás como trabalhamos em silêncio,

 como comemos silêncio, bebemos

 silêncio, nadamos e morremos

 feridos do silêncio duro e violento.

 

 Vai pois e noticia com um archote

 aos que encontrares de fora das muralhas

 o mundo em que nos vemos, poesia

 massacrada e medos à ilharga.

 

 Vai pois e conta nos jornais diários

 ou escreve com ácido nas paredes

 o que viste, o que sabes, o que eu disse

 entre dois bombardeamentos já esperados.

 

 Mas diz-lhes que se mantém indevassável

 e segredo das torres que nos erguem,

 e suspensa delas uma flor em lume

 grita o seu nome incandescente e puro.

 

 Diz-lhes que se resiste na cidade

 desfigurada por feridas de granadas

 e enquanto a água e os viveres escasseiam

 aumenta a raiva

 e a esperança reproduz-se.

 




Egito Gonçalves dizia: «Sou um lírico. Os meus poemas de combate são sempre poemas de amor, porque, vendo bem, em qualquer combate o amor é sempre a chama que nos alimenta.»

2011-02-02

ICONOCLASTAS DESTROEM NO MUSEU DO CAIRO

 Vista geral do Museu do Cairo



 Máscara faraónica de Tutankhamon


 Fachada principal do Museu do Cairo




O Museu Egípcio do Cairo é um dos mais fantásticos museus no mundo inteiro. É um grande edifício onde se exibem os tesouros da História egípcia antiga, dando-nos as evidências da maravilhosa capacidade mental e da habilidade artística do Homem egípcio antigo.

Na verdade, antes da chegada da Campanha Francesa, liderada pelo célebre general Napoleão Bonaparte, ao Egipto, em 1798,  a  História Antiga do Egipto ficou por séculos quase desconhecida e cheia de muita confusão e ambiguidade. A Expedição Francesa trouxe mais de 165 eruditos e cientistas em todas as especialidades para estudarem todos os aspectos da vida egípcia; a geografia, zoologia, geologia, história, religião, tradições, leis etc.

Aqueles cientistas mostraram grande vontade e entusiasmo em estudar todo o Egipto, sobretudo a História e os monumentos antigos. O encanto e a grandeza de tais monumentos levaram muitos deles a percorrer quase todas as regiões do território egípcio, sobretudo no Alto-Egipto. Os monumentos egípcios antigos foram o maior campo de estudo e pesquisa para alguns desses historiadores e eruditos.

Uns anos depois, surgiu o trabalho do historiador e pintor francês Vivian Dinon, que andou encantado com as maravilhas egípcias, sobretudo no Alto-Egipto,  resumindo o seu trabalho  num livro valioso intitulado “Viagens para o Baixo e Alto-Egipto ” publicado em Paris em 1803. Também graças a outros eruditos franceses que vieram com a Expedição Francesa,  realizou-se outra grande obra, que compreende todos os aspectos da vida no Egipto,  publicada no livro famoso intitulado  “Descripcione del’ Egypte”, que contém nove volumes de investigações e onze de pinturas e ilustrações.

Uns anos mais tarde, um episódio histórico pontual, orientou  uma grande descoberta : o decifrar dos segredos da História Egipcia Antiga. O achado de uma pedra preta conhecida como “A pedra de Rosetta ” resultou, logo, no decifrar da Língua Egipcia Antiga; um acontecimento vital na História da humanidade; e assim, os escritos gravados nas paredes dos templos e  túmulos, mostraram  dados sobre a história, civilização,  religião e arte no antigo Egipto.

No século XIX iniciou-se o aparecer na Europa em geral  e na França em particular, de  uma nova ciência chamada  “Egiptologia”, o que levou a um fervor entre os estudiosos de Europa. Historiadores, arqueólogos, aventureiros  e caçadores de tesouros vieram para o Egipto encantados pela sua história e cultura e começaram a escavar em sítios diferentes do território.  

Obviamente muitos deles careciam da honestidade científica necessária, por isso havia roubos de monumentos e objectos, pelo que de imediato surgiu um grande mercado de Antiguidades Egípcias na Europa e, simultaneamente, havia, naquela altura do século XIX  uma inconsciência do valor verdadeiro dos monumentos do património, por parte dos egípcios nativos.

Nem o governo nem o povo sabiam o valor autêntico desses objectos achados e antiguidades maravilhosas. Portanto,  havia uma tolerância acompanhada por ignorância. E como não havia controlo sobre este sector cultural,  as antiguidades e os objectos egípcios eram sujeitos ao roubo, tráfico, contrabando e, desleixo descuidado durante quase 50 anos até os finais do reinado do governador Mohamad Ali ( 1805-1849), o pionero da modernização do Egipto, que mandou conservar os monumentos e objectos descobertos num edifício dentro da cidadela de Saladino no Cairo, proibindo o tráfico dos monumentos para fora do país.

Graças a Mariette Pasha (1821-1881) o percurso egiptólogo francês  estabeleceu o Serviço das Antiguidades Egípcias pela primeira vez.  Em 1857 Mariette fundou o primeiro museu verdadeiro no bairro de “Bulaq” no Cairo. Era um pequeno edifício que constava de quatro quartos em que se expuseram os objectos e antiguidades egípcias achadas. Porém, esse museu foi  afectado pelas cheias do rio Nilo, e por isso os objectos foram transferidos para um anexo de um palácio real do governador egípcio, Ismael, Paxá da cidade de Giza.

O actual Museu Egípcio do Cairo, foi  fruto de grandes esforços e de boa vontade para conservar o património egípcio antigo. Anunciou-se um concurso internacional entre as empresas europeias no final do século XIX para construir um museu, e ganhou o concurso uma empresa  belga. Por isso, o desenho da fachada do museu infelizmente não é egípcio e foi decorado segundo o estilo Greco-romano.

O desenho do museu foi realizado pelo arquitecto francês Marcel Dourgnon, segundo o modelo neoclássico. Em 1897 as obras de construção começaram, e terminaram em 1901 mas, apenas em 15 de Novembro de 1902,  o museu foi inaugurado oficialmente durante o reinado do governador do Egipto,  Abass Helmi (1892-1914).

O Museu Egípcio situa-se actualmente na praça do Tahrir (centro da cidade do Cairo) perto da margem oriental do rio Nilo (o corniche). É um edifício imenso de cor rosada com um pátio externo vasto. O museu tem  cafetaria e umas livrarias que vendem prendas, postais, slides, mapas, guias e livros de história e arte egípcia.


No pátio do museu, em frente do portal interno há três bandeiras: a primeira é a Bandeira Nacional, a segunda representa o Ministério de Cultura, e a terceira pertence ao Supremo Conselho das Antiguidades Egípcias. Na parte superior da fachada estão inscritas duas datas, a primeira é 1897, que se refere à data do início das obras de construção, enquanto a segunda é de 1901 e indica o fim das obras; porém (como se disse em cima), o museu foi inaugurado em 1902. Há também duas letras iniciais ao lado direito e ao lado esquerdo, do nome do governador que reinava no Egipto de 1892 a 1914 , são as letras “A” e “H” que indicam sucessivamente o nome de Abbas Helmi.


No centro da fachada encontra-se a cabeça da deusa, importantíssima segundo as crenças egípcias antigas, a deusa Hathor (Ht-Hr) que foi considerada uma das mais famosas e antigas deusas egípcias. Era a deusa que amamentou o deus Hórus quando era bebé durante a ausência da sua mãe Ísis, segundo os acontecimentos da lenda de Osíris.

Hathor era a deusa do amor, da alegria, música e maternidade. Era figurada fundamentalmente em três formas; a primeira como  vaca, a segunda numa forma híbrida com corpo de mulher e cabeça de vaca, e a terceira forma é uma mulher, mas com dois chifres de vaca em cima da cabeça e o disco solar entre eles. Na fachada, encontra-se a cabeça de Hathor: está representada com cara de mulher e dois cornos com o disco solar. Aos dois lados, à direita e à esquerda, há uma representação da deusa célebre Isis, a esposa de Osíris, e mãe de Hórus.

 Isis foi uma das divindades fundamentais que desempenhou um grande papel na Teologia Egípcia Antiga.  Foi a deusa da maternidade, fidelidade, e magia. Aqui, Isis está figurada numa forma Greco-romana e não egípcia tradicional, devido ao estilo da sua peruca e também o seu vestido com nó que é romano. Além disso, a fachada foi decorada segundo o estilo Greco-romano, devido à existência de duas colunas jónicas, pois este tipo de colunas apenas apareceu na Época Greco-romana.  Encontram-se ainda,   nomes de reis egípcios antigos, escritos dentro de medalhões.

No jardim do museu, uns monumentos estão espalhados aqui e ali, a maioria deles datados do período do Novo Reino ( 1570-1080 a. C.). A oeste extremo do pátio,  encontra-se um cenotáfio -  túmulo simbólico -, construído em homenagem à memória da figura célebre do egiptólogo francês Mariette Pasha, que nasceu em 1821 e faleceu em 1881. É um cenotáfio de mármore comemorando esta figura célebre,  porque teve a ideia da fundação do museu que abriga e exibe os objectos achados. Desejou ficar sepultado neste lugar, mas parece que  o cenotáfio é apenas simbólico.

O cenotáfio está rodeado de bustos de outros egiptólogos famosos, como: Champollion,   Mariette,  Selim Hassan,  Labibi Habashi,  Kamal Selim  etc.


No centro do pátio encontra-se uma fonte cheia de duas espécies de plantas; o Papiro e o Lótus. O papiro era o símbolo do Baixo-Egipto ( O Norte ), enquanto o lótus era o símbolo do Alto-Egipto ( O Sul ). O papiro encontra-se nos pântanos da região do Delta no norte do Egipto. É uma planta que precisa de grande quantidade de água e mede quase 2 metros de altura. No Egipto Antigo os papiros eram usados para fazer papel para escrever, sandálias,  barcas etc. Enquanto o lótus se encontrava no sul do país, e havia duas espécies; o lótus azul e o lotús branco,  durante a Época Egípcia Antiga.  Os romanos introduziram uma terceira espécie da Ásia: a flor de Lótus, que foi o símbolo da ressurreição; e, além do papiro, o Lótus deu inspiração aos arquitectos antigos, para decorar as colunas e capitéis.

Na realidade, o Museu Egípcio do Cairo, é um dos maiores museus de todo o mundo  em termos da quantidade de objectos expostos e  outros que ainda estão por classificar.  De acordo com uma estimativa, o museu possui cerca de 120.000 objectos expostos, enquanto que há mais de 100.000 objectos conservados nos armazéns.

A exibição das peças é organizada em dois andares segundo uma ordem cronológica, correspondendo com a direcção do relógio, iniciando-se a partir do Período Pré-dinástico, a Época Arcaica, passando pelo Antigo Reino, o Médio Reino, o Novo Reino, o Período Tardio e termina pelo início da Época Grega no Egipto.

O segundo andar é dedicado, fundamentalmente, para exibir a colecção de Tutankhamón, os objectos do túmulo do casal Yoya e Tuya e a Sala das Múmias.

Aos dois lados diante da entrada do museu há duas esfinges, que dão ao visitante uma impressão especial como se estivesse entrando num templo egípcio.






Busto de Nefertiti



 Vídeo denunciando a invasão, destruição e saque do 
Museu do Cairo:

.



Vídeo: YouTube
Imagens: Seleção na Net
Texto: Traduzido e adaptado pelo autor do blog
de uma revista de "The Rosicrucian's Letters".

2011-01-31

31 de JANEIRO de 1891 - A REVOLUÇÃO REPUBLICANA no PORTO

 Gravura da Revolta de 31 de Janeiro ocorrida no Porto em 1891
[Autoria de Louis Tynayre,  in A Ilustração: Revista Universal em Paris]




 ALVES  DA  VEIGA
(Dr. Augusto Manuel Alves da Veiga)
(1850-1924)
Ativista Republicano e Promotor da Revolução do 31 de Janeiro



 Alves da Veiga proclamando a República



 Protagonistas do 31 de Janeiro de 1891





Trinta e Um de Janeiro de 1891

No decorrer da segunda metade do século XIX, a Europa conhece um forte desenvolvimento económico com um correspondente aumento da produção. Esta situação exige das potências europeias, como a Inglaterra, a Alemanha ou a França, a exploração de novos mercados e de novas fontes de matérias-primas. É neste contexto que se afirma o crescente interesse destes países pelo continente africano e pelo expansionismo colonial.

Alertados para essas pretensões, sobretudo após a Conferência de Berlim (1884-85), alguns portugueses têm a pretensão de formar um vasto território na África Central, um novo Brasil, ligando os litorais de Angola e Moçambique - o chamado "Mapa cor-de-rosa". No entanto, esta pretensão chocava com os planos do expansionismo inglês. Daí que a Inglaterra responda com um ultimato ao governo português que este acaba por  acatar.

A humilhação subsequente da população portuguesa desemboca na revolta republicana ocorrida na guarnição militar do Porto, na madrugada de 31 de Janeiro de 1891. Sendo o culminar de uma onda de descontentamento que o ultimato de Janeiro de 1890 gerara em todo o país, foi a primeira revolta de cariz republicano a abanar as estruturas monárquicas.

Após o Ultimato inglês, generaliza-se um pouco por todo o país, e sobretudo entre as classes mais esclarecidas, a crença de que o sistema republicano seria a única tábua de salvação.
 
Nas cidades de Lisboa e Porto, com especial incidência nesta última, conspirava-se por todo o lado, de forma aberta e participada por vários sectores da cidade, em que se destacaram estudantes, jornalistas, juristas e sargentos. A impunidade com que os republicanos portuenses se moviam e proclamavam os seus ideais fê-los crer que a revolta teria a adesão das forças militares estacionadas no Porto. Este facto explica a precipitação e a profusão de erros estratégicos cometidos pelos revoltosos.

Assim, ao contrário do esperado pelos republicanos, a maior parte dos regimentos não saiu dos quartéis. Só o batalhão de Caçadores 9, comandado por sargentos, a que mais tarde se juntou o alferes Malheiro e alguns batalhões chefiados pelo capitão Leitão, aderiram à intentona, concentrando-se no Campo de Santo Ovídio, hoje Praça da República. Daí, dirigiram-se aos Paços do Conselho do Porto e, da varanda, por entre vivas à República, foi proclamada por Alves da Veiga a implantação da República e anunciada a constituição de um Governo Provisório.

Parecia que a revolta estava terminada, apesar da fraca adesão dos militares, em especial do corpo de oficiais da cidade.

No entanto, quando as tropas revoltosas subiram a rua de Santo António, hoje 31 de Janeiro, para se juntarem à Guarda Municipal, esta abriu fogo do cimo da rua sobre os revoltosos e os civis que os acompanhavam, dispersando uns e prendendo os responsáveis operacionais da revolta; sargentos e praças foram detidos e levados a Conselho de Guerra em Tribunal Militar.

Muitos revoltosos ainda se refugiam no edifício da Câmara, mas a derrota estava consumada. Entretanto, entre outros líderes republicanos, Alves da Veiga conseguiu fugir para o estrangeiro.

Mas, a 31 de Janeiro de 1908 – há que recordá-lo também -, em plena ditadura de João Franco, depois de esmagada outra reacção revolucionária republicana em 28 de Janeiro, o Rei D. Carlos I assinou um Decreto que conferia ao ditador poderes de excepção, permitindo-lhe perseguir, prender e deportar, sumariamente – sem processo judicial -, qualquer pessoa suspeita de republicanismo activo, ou de mera insubmissão ao regime e ao governo, decreto esse que terá motivado o atentado regicida levado a cabo no dia seguinte, um de Fevereiro, em que toda a família real foi vítima, sucumbindo o Rei e o príncipe herdeiro D. Luís Filipe, escapando a Rainha e, ligeiramente ferido, o infante D. Manuel, depois Rei de Portugal até 5 de Outubro de 1910, data da revolução e implantação definitiva da República Portuguesa.




Placa comemorativa na antiga Rua de Santo António

2011-01-30

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Acentuação dos Ditongos das Palavras 
Paroxítonas

Some o acento dos ditongos (quando há duas vogais na mesma sílaba) abertos éi e ói das palavras paroxítonas (as que têm a penúltima sílaba mais forte):

idéia - ideia
bóia - boia
asteróide - asteroide
Coréia - Coreia
platéia - plateia
assembléia - assembleia
heróico - heroico
estréia - estreia
paranóia - paranoia
Européia - Europeia
apóio - apoio
jibóia - jiboia
jóia - joia

ATENÇÃO! As palavras oxítonas como herói, papéis e troféu mantêm o acento.





Acento Circunflexo Em Letras Dobradas

Desaparece o acento circunflexo das palavras terminadas em êem e ôo (ou ôos):

crêem - creem
lêem - leem
dêem - deem
vêem - veem
prevêem - preveem
enjôo - enjoo
vôos - voos



Acento Agudo de Algumas Palavras Paroxítonas


Some o acento no i e no u fortes depois de ditongos (junção de duas vogais), em palavras paroxítonas:

baiúca - baiuca
bocaiúva - bocaiuva
feiúra - feiura

ATENÇÃO! Se o i e o u estiverem na última sílaba, o acento continua como em: tuiuiú ou Piauí.





Acento Diferencial


Some o acento diferencial (aquele utilizado para distinguir timbres vocálicos):

pêlo - pelo
pára - para
pólo - polo
pêra - pera
côa - coa
ATENÇÃO! Não some o acento diferencial em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente). Fôrma, para diferenciar de forma, pode receber acento circunflexo.



 


Acento Agudo No "u" Forte

Desaparece o acento agudo no u forte nos grupos gue, gui, que, qui, de verbos como averiguar, apaziguar, arguir, redarguir, enxaguar:

averigúe - averigue
apazigúe - apazigue
ele argúi - ele argui
enxagúe você - enxague você

ATENÇÃO! As demais regras de acentuação permanecem as mesmas.




ALFABETO -Inclusão de Três Letras

Passa a ter 26 letras, ao incorporar as letras “K“, “W” e “Y“.

 



HÍFEN - Eliminação do Hífen Em Alguns Casos

O hífen não será mais utilizado nos seguintes casos:

1. Quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente:

extra-escolar - extraescolar
aero-espacial - aeroespacial
auto-estrada - autoestrada

2. Quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes serem duplicadas:

anti-religioso - antirreligioso
anti-semita - antissemita
contra-regra - contrarregra
infra-som - infrassom

ATENÇÃO!   O hífen será mantido quando o prefixo terminar em  " r  "
 
Exemplos: hiper-requintado, inter-resistente, super-revista.









APREENDENDO  COM  DIVERSÃO: