Porquinho da Índia
COBAIA
Há alguns dias (10 de Dezembro p.p.), comemorou-se o "Dia Internacional dos Direitos dos Animais". Mais uma oportunidade para algumas [muitas] consciências terem o seu dia hipócrita, dedicando algum tempo à 'bicharada' e, logo a seguir, deixarem os princípios humanos adormecidos por mais um ano, continuando indiferentes aos atentados de toda a espécie, assistindo a Circos e Touradas, vestindo roupagens confeccionadas de peles naturais, beneficiando placidamente dos resultados de experiências laboratoriais efectuadas em criaturas, que não estão no palco da Natureza para serem martirizados em prol da Ciência química, seja medicamentosa, ou cosmética.
Desde o Século XIX que os porquinhos da Índia são um dos animais de laboratório de emprego mais corrente. Pouco exigentes na qualidade de alimentação e muito prolífica, a cobaia é dos animais de experimentação mais económicos. É um animal de orelhas curtas, cauda reduzida a uma pequena protuberância arredondada; molares resistentes; dedos separados, sendo três nas patas posteriores e quatro nas anteriores; pelagem geralmente irregular na cor, pois são geralmente brancos com malhas negras, amarelas ou ruivas, mais ou menos largas e desiguais, sendo extremamente bonitos. Carece de alimentação em quantidade, passando perfeitamente sem beber quando lhe abundam nos alimentos plantas suculentas.
Em repouso sustenta-se sobre as quatro patas, pousando o ventre no chão; algumas vezes, porém, apoia-se exclusivamente sobre a parte posterior do corpo e, como muitos poucos roedores, leva à boca os alimentos com as extremidades dianteiras [como os esquilos]. É muito sociável. Macho e fêmea vivem sempre juntos, manifestando um pelo outro grande ternura e, como são muito limpos, passam o seu tampo lambendo-se um ao outro. Enquanto um dorme, o outro vela pela sua segurança e quando o primeiro prolonga o sono por tempo demasiado, o outro acorda-o, lambendo-o, para, por sua vez, cair no sono.
Os indivíduos do mesmo sexo vivem em boas relações de harmonia, excepto quando se trata de apanhar o melhor quinhão de alimento ou o melhor lugar para dormir... Os machos que perseguem uma mesma fêmea batem-se violentamente e a luta só termina quando um dos contendores foge ou entrega espontaneamente a fêmea ao vencedor.
A cobaia é um animal extremamente fecundo. A fêmea tem, em geral dois partos por ano, e, em cada parto, tem três, quatro ou mesmo cinco filhos. Estes nascem já inteiramente formados e com os olhos abertos; com poucas horas de vida estão já aptos a acompanhar a mãe, que tem por eles um afecto inexcedível e que os aleita durante dez a quinze dias, embora estes possam alimentar-se de comida dos pais dois ou três dias após o nascimento. Ao fim de cinco ou seis meses estão aptos a reproduzirem-se, embora atinjam o estado adulto aos oito ou nove meses de idade. Sendo bem tratados, vivem até aos seis ou oito anos.
Foi-lhe dado aquele nome - porquinho da Índia -, embora esteja sobejamente provado que a sua origem não é a Índia, mas sim a América.
Um erro de navegação é o responsável pelo nome Porquinho da Índia. No Século XVI, quando os navegadores espanhóis buscavam um novo caminho para as índias, em busca de especiarias, por engano estavam em terras Sul-americanas, mais exactamente no actual Perú. Após provarem 'churrascos' de um certo animalzinho que os nativos conheciam por Cuí (e assim o chamam até hoje por causa dos seus gritinhos semelhantes ao som emitido pelos porcos jovens), simpatizaram com o animal e adoptaram-no como mascote.
Regressaram ao continente com vários deles nas bagagens e com um nome equivocado, "porquinho-da-Índia".
Mas as confusões não ficaram por aí! Logo após a chegada a Espanha, os porquinhos tornaram-se uma moda e ganharam a simpatia de toda a Europa e o Novo Mundo, não como alimentação, como eram e ainda são utilizados no Perú, mas como animais de estimação. Em inglês, são chamados Guinea Pigs!
Existe uma teoria de que tal nome lhes foi atribuído porque os navegantes (agora ingleses), ao retornarem da América do Sul, trazendo o «mascote predilecto da Europa», paravam na Guiné, um país da costa africana. Ao saberem dessa escala, as pessoas achavam que o bichinho vinha da Guiné... e não do Perú.
Manifestação contra experiências laboratoriais
com animais vivos
Porquinho da Índia, ou Guinea Pig
Cobaia é que não
Estas 'cobaias' de laboratório têm uma vida muito dura. Em cada ano, entre 50 e 100 milhões destes animais vertebrados são empregues em testes laboratoriais, dissecções e vivissecções (abertos vivos) promovidos por universidades, centros de pesquisa e indústrias químicas e farmacêuticas. São espetados, queimados, deixados à míngua, impedidos de dormir e submetidos a outros procedimentos indignos para um ser vivo.
É um sacrifício cruel que tem sido, ao longo dos séculos, alegadamente justificado essencial para o avanço da Ciência e da Medicina; será justo?... Pensamos que é ignóbil!
O Laboratório de Pesquisa Animal da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, um dos defensores destas práticas, argumenta numa das suas publicações que ainda não há computadores nem programas informáticos capazes de criar modelos que reproduzam a alta complexidade das interacções entre moléculas, células, outros organismos e o meio ambiente. Assim... argumenta a organização, a pesquisa com animais tem de continuar,... em resposta aos movimentos humanistas.
Mas há cada vez mais soluções tecnológicas que permitam dispensar o uso de cobaias. Segundo um artigo da última edição da revista de divulgação científica "Scientific American", a pele humana já está a ser usada para verificar se novos cosméticos e produtos de limpeza oferecem riscos de irritação da epiderme.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que define os métodos de análise da segurança química dos produtos vendidos nos seus países membros (os mais ricos do planeta), aprovou a utilização de três modelos comerciais de pele humana gerada in vitro. Em 2004, modelos similares já tinham sido aprovados para testes de corrosividade.
A tecnologia avança em conjunto com as normas internacionais de modo a reduzir, progressivamente, o sacrifício de animais de laboratório. Um dos principais avanços dos últimos tempos ocorreu no ano passado, quando a União Europeia lanço uma directiva proibindo testar cosméticos e os seus ingredientes em animais, sempre que houver métodos alternativos, salvo poucas excepções.
Fontes:
-Imagens: Net-Elementos traduzidos de revistas
técnicas avulsas.
- Informações cedidas na Soc.
Protectora dos Animais











