[ Vox populi vox Dei ]

2010-11-25

« RÓMULO (...) GEDEÃO: O ALQUIMISTA da POESIA »


Prof. Rómulo de Carvalho
v/s
Poeta António Gedeão



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Rómulo de Carvalho [António Gedeão] foi professor, pedagogo e autor de manuais escolares, historiador da ciência e da educação, divulgador científico e poeta.

Rómulo Vasco da Gama de Carvalho nasceu em 24 de Novembro de 1906, na Rua do Arco do Limoeiro em Lisboa. Filho de José Avelino da Gama de Carvalho, natural de Tavira, e de Rosa das Dores Oliveira Gama de Carvalho, natural de Faro. Fez a instrução primária no Colégio de Santa Maria, em Lisboa. Entre 1917 e 1925 estudou no Liceu Gil Vicente.

Em 1925 matriculou-se no Curso Preparatório de Engenharia Militar da Faculdade de Ciências. Em 1928 mudou-se para o Porto, onde se matriculou no curso de Ciências Físico-Químicas, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, que concluiu em 1931.

Passados três anos realizou o Exame de Estado para o Ensino Liceal, iniciando a actividade docente no Liceu de Camões (Lisboa), continuando no Liceu D. João III (Coimbra) e, depois no Liceu Pedro Nunes (Lisboa), sendo aqui Professor Metodólogo a partir de 1958. A partir de 1946 foi um dos directores da Gazeta de Física, órgão da Sociedade Portuguesa de Física, cargo que exerceu até 1974.

"António Gedeão [Rómulo de Carvalho] só aos cinquenta anos surge como poeta, na plenitude dos seus dons, e vem inserir-se num espaço literário em que Miguel Torga, Vitorino Nemésio, José Régio, Sofia de Mello Breyner Andresen ocupam já uma posição cimeira e em que se afirmaram ou começam a afirmar-se talentos tão diversos como os de Jorge de Sena, Ruy Cinatti, Mário Cesariny, Eugénio de Andrade, José Gomes Ferreira, Carlos de Oliveira, Ramos Rosa, David Mourão-Ferreira.”



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Mãezinha



A terra de meu pai era pequena
e os transportes difíceis.
Não havia comboios, nem automóveis, nem aviões, nem mísseis.
Corria branda a noite e a vida era serena.


Segundo informação, concreta e exacta,
dos boletins oficiais,
viviam lá na terra, a essa data,
3023 mulheres, das quais
45 por cento eram de tenra idade,
chamando tenra idade
à que vai do berço até à puberdade.


28 por cento das restantes
eram senhoras, daquelas senhoras que havia dantes.
Umas, viúvas, que nunca mais (oh! nunca mais!) tinham sequer sorrido

desde o dia da morte do extremoso marido;
outras, senhoras casadas, mães de filhos...
(De resto, as senhoras casadas,
pelas suas próprias condições,
não têm que ser consideradas
nestas considerações.)
Das outras, 10 por cento,
eram meninas casadoiras, seriíssimas, discretas,
mas que por temperamento,
ou por outras razões mais ou menos secretas,
não se inclinavam para o casamento.


Além destas meninas
havia, salvo erro, 32,
que à meiga luz das horas vespertinas
se punham a bordar por detrás das cortinas
espreitando, de revés, quem passava nas ruas.


Dessas havia 9 que moravam
em prédios baixos como então havia,
um aqui, outro além, mas que todos ficavam
no troço habitual que o meu pai percorria,
tranquilamente no maior sossego,
às horas em que entrava e saía do emprego.


Dessas 9 excelentes raparigas
uma fugiu com o criado da lavoura;
5 morreram novas, de bexigas;
outra, que veio a ser grande senhora,
teve as suas fraquezas mas casou-se
e foi condessa por real mercê;
outra suicidou-se
não se sabe porquê.

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A que sobeja

chama-se Rosinha.

Foi essa que o meu pai levou à Igreja.

Foi a minha Mãezinha.

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Poema de: António Gedeão














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Imagens in Net




2010-11-24

« A UNIÃO FAZ A FORÇA: GREVE GERAL ! »



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A CGTP e a UGT estiveram juntas [Greve Geral] no dia 28 de Março de 1988, em protesto contra o «Pacote Laboral», iniciativa do Governo então chefiado pelo Prof. Cavaco Silva. Dessa vez, os grevistas obtiveram uma vitória relativa. Apesar de aprovado pela maioria absoluta do PSD [Partido Social Democrata] que apoiava o Executivo, em função da Greve Geral, o Diploma foi enviado pelo então Presidente da República, Dr. Mário Soares, para o Tribunal Constitucional, que "chumbou" algumas medidas consideradas inconstitucionais.
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Vinte e dois anos volvidos, nova Greve Geral junta as duas Centrais Sindicais, mobilizando os trabalhadores para uma acção eventualmente maior do que a que foi organizada em 1988, considerando os problemas de agora serem enormes, resultantes da má gestão que se tem vindo a arrastar ao longo de décadas.
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Se nos interrogarmos se esta greve geral vai mudar alguma coisa, basta lembrar que a outra, que uniu as duas centrais sindicais em 88, suscitou dúvidas a Cavaco Silva quanto à sua dimensão e eficácia, mas, confessou, mais tarde, que tinha sido um erro desvalorizá-la! O Tribunal Constitucional dera razão ao povo!
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As pessoas estão cansadas da impunidade política que tem feito regra no nosso país. Neste momento, pelos piores motivos, os olhos e os media de todo o mundo estão postos em nós, atentos a esta greve. Esta, é também uma maneira de os portugueses dizerem aos "mercados" que as medidas de contenção não podem ser aplicadas de forma desumana, sem atenção às situações de miséria que já se criaram e se podem criar ainda mais, em Portugal.
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É grande o desafio das centrais sindicais para mobilizar os trabalhadores sem vínculo. É preciso que os trabalhadores percam o medo de serem sindicalizados, pese embora as novas gerações viverem uma precarização laboral sem precedentes! Será exigível que os sindicatos se tornem menos institucionais, resolvendo-se tudo mais fora dos gabinetes: o Sindicalismo perde a força se não for para a rua ouvir os trabalhadores e amplificar-lhes a voz!
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É na rua que se demonstra o peso específico da angústia e da precaridade de vida do povo trabalhador. E quanto mais depressa se recuperar esta consciência, melhor será o clima reivindicativo, orientado e disciplinado pelos sindicatos, contornando aspectos previsíveis de grande agitação social.
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É preocupante encontrar as forças policiais a reforçarem o seu equipamento bélico pessoal e motorizado, a pretexto deste, ou... daquele evento! (...)
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Melhor seria que, a classe política decidisse dar a mão aos povos, em vez de se trancar em condomínios bunkers... e deslocar-se por todo o lado rodeada de "bodyguards" (...)
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É visível que o sacrifício exigido não é feito por todos!... o que só amplia o sentimento de revolta das populações (...)

Alguém, um dia, disse: "Numa casa onde não há pão para todos... ninguém tem direito a sobremesa!" (...) e, ou, ainda:
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« Ou há moralidade... ou comem todos!... »

2010-11-19

« CARTA ABERTA... à EUROPA FECHADA »





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Parece bastante hipócrita a tenacidade com que a Europa procura evitar a chegada de imigrantes africanos, que não são outra coisa senão o resíduo patético das suas invasões coloniais de vários séculos.
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Esperará por acaso a Europa que, depois de séculos saqueando a África, despojando-a da sua cultura, dos seus recursos materiais e humanos, de infectá-la com a sua febre perniciosa de consumo, vai poder encarar este novo milénio como uma espécie de fortaleza armada e compacta, em cujo interior, a fome e o desespero se alastram?
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No conto de Edgar Allan Poe "A Máscara da Morte Vermelha", é simbolizada a futilidade da intenção do príncipe de se fechar no seu palácio, dando festas, até que a peste passe! A morte acabou por passar (...)
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A Europa é rica graças, essencialmente, a tudo o que levou de África. Por acaso esperam que os africanos famintos fiquem padecendo da miséria resultante dos latrocínios que sofreram, enquanto as sociedades europeis desfrutam de altos níveis de qualidade de vida?
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Acreditam que é tolerável que quem os roubou, matou e violou por centenas de anos venha pontificar e dar-lhes lições sobre moral internacional e direitos humanos?

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Vocês, ingleses, não se lembram dos massacres no Kenya, dos despojos na Rodésia?
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Não se lembram, franceses, o quanto roubaram em Dakar e na Costa do Marfim?
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Não se lembram, alemães, dos campos de concentração na Namíbia e dos crânios do povo guerreiro dizimado que ainda conservam no Museu de Medicina de Berlim?
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Não se lembram, belgas, das atrocidades que fizeram no Congo?
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Não se lembram, portugueses, das escavações depredadoras que fizeram em busca do ouro e dos diamantes de Angola, das caçadas de escravos também em Moçambique?
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Não foram a vossa cobiça e a vossa vaidade ridícula, europeus, que regaram com tanto sangue de crianças inocentes os diamantes da Serra Leoa?
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E agora dão-se ao luxo de repelir os desesperados, de fechar-se e de deportar os fugitivos que chegam às suas costas marítimas, porque dão mau aspecto às suas 'glamourosas' praias mediterrânicas!?
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Se a Europa fosse coerente com as suas próprias políticas de direitos humanos, teriam que acolher com os braços abertos todos os africanos e pedir-lhes perdão por todas as ofensas, oferecendo-lhes repartir aquilo que levaram das suas terras.
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E o mais curioso é que estes embandeirados pela angústia não pedem o que lhes pertence por direito!
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Apenas pedem as migalhas de uma esmola, vendem bujigangas na via pública, entregam jornais ou lavam automóveis, trabalham no duro na construção civil, nas estradas... e, mesmo assim, não os querem...!
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É um espectáculo demasiado doloroso, demasiado triste que no centro da vossa grande civilização se mostrem os rostos obscuros das vítimas que a tornaram possível. A vossa cegueira é admirável, a vossa hipocrisia é criminosa, a vossa baixeza é formidável.
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Meditem longamente sobre o que estão fazendo, europeus. Vocês, que fizeram História, seriam demasiado estúpidos se esquecessem o que alegadamente têm obrigação de ter aprendido (...)

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Todo o poder de Roma não impediu a queda do seu Império às mãos dos bárbaros famintos da Germânia e do Tártaro!
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Toda a majestade da Britânia se curvou sem atenuantes perante as massas hindús lideradas por um homenzinho de aparência insignificante [Gandhi], mas com um grande coração.
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Despertem desse vosso sonho torpe e da vossa fantasia narcótica. O mundo ruge desesperado à vossa volta. Quanto tempo mais pensam que poderão fingir não ouvir?

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A Europa deseja permanecer fechada enquanto uma África saqueada se dessangra... como a América Latina... como o Oriente de "segunda" categoria...
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Não se pode aceitar que tanta beleza nas artes tenha surgido de corações tão duros... Certamente a Europa abrirá o seu coração, as suas portas...
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Certamente algum dia... aprenderá a tratar todos os seres humanos... como iguais...



Vídeo sobre: MISÉRIA E POBREZA NA ÁFRICA...


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-Autor desconhecido.
[Extraído de power point]
-Imagens do texto e da Net

2010-11-17

« A NATO... na ' VIA ' MEDROSA... do FIM!...»





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Passando pela Estrada da Medrosa em Oeiras, a caminho da Torre, não se imagina que ali mesmo ao lado há centenas de pessoas a trabalhar em dois pisos debaixo do chão, num "bunker" húmido, escuro e apertado, construído no tempo da Guerra Fria para resistir a qualquer ataque.
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É no famoso "bunker", longe dos olhares mais indiscretos e curiosos que trabalha a grande maioria dos 300 funcionários (sobretudo militares) de 21 nacionalidades que fazem parte do Allied Joint Force Command Lisbon.
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Ao fim de mais de 40 anos de existência (foi fundado em 1967), o Comando Operacional da Aliança Atlântica em Portugal corre agora o risco de ser fechado ou descer de nível para comando naval, em nome de uma reforma da estrutura da Organização. Diz quem já entrou no "bunker" que é uma estrutura ultrapassada onde o metro quadrado por pessoa é bem inferior às regras actuais da NATO.
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É um resquício da Guerra Fria. Hoje só continua a ser usado por falta de espaço à superfície, mas de acordo com as novas directivas da NATO já não deveria ter pessoas em permanência lá debaixo! As pessoas pensam que existem ali 'submarinos', mas são gabinetes normais debaixo do chão. Lá em baixo há geradores, meios de comunicação e sobrevivência, filtragem de água e ar para sobreviver em caso de ataque. Mas, hoje, essa 'ameaça' já não se põe (...)
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Se o Comando sobreviver à reestruturação, serão feitas obras e a maior parte das pessoas virá para a superfície. Apenas o Centro de Operações ficará no "bunker" porque é muito pesado movê-lo e por razões de segurança.
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Mas, afinal, o que faz ao certo o Comando da NATO em Oeiras? Enquanto os comandos "rivais" de Brunssum, na Holanda, e de Nápoles, em Itália, têm uma estrutura três vezes maior (cerca de mil indivíduos) e a seu cargo as operações do Afeganistão e da Bósnia, respectivamente, Portugal concentra-se mais em África. Sobretudo na Operação Ocean Shield, contra a pirataria no Corno de África, com a presença de cinco navios e um submarino, e a Operação NS2AU, de apoio à União Africana.
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Portugal é o único país hospedeiro que paga para ter um Comando da NATO no seu território!... Uma factura de cerca 600 mil euros, o equivalente a 10% dos custos anuais do Quartel-General, que no total ascendem a seis milhões.
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«Nos outros comandos, é a NATO que paga à Holanda e à Itália pela renda do local», diz o 'Chief of Staff' português - Contra-almirante Pires da Cunha -, sublinhando outras vantagens que podem pesar a favor de Oeiras: o Comando está numa capital europeia, com as Embaixadas por perto, o país é estável, seguro, tem bom clima e um baixo custo de vida!
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Ainda no presente, na dita Estrada da Medrosa, o Comando da NATO é uma estrutura bem protegida por arame farpado e câmaras de vigilância. Os visitantes são recebidos por militares armados e na recepção saltam à vista documentos presos na parede, sobretudo um que diz "Ataques Terroristas" em letras garrafais. Do outro lado do detector de metais, outros militares de escala de serviço encarregam-se da tarefa de anfitriões para uma visita guiada.
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Por trás do edifício principal, no cimo de uma pequena colina (antes palco de um Forte Militar nas guerras napoleónicas), saltam à vista várias antenas e guaritas em betão com portas de ferro. Por baixo está o intrigante "bunker system", o "coração" do Comando onde são monitorizadas as operações de 24 horas por dia e mantido contacto com todo o mundo. A entrada não é secreta, mas também não está à vista e só é acessível a pé.
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Actualmente, um grupo de trabalhadores muda as enormes letras de pedra com as iniciais do Comando; ao longo de mais de 40 anos, o Comando de Oeiras mudou de nome várias vezes, a última em 2009!... Desta feita, se descer de nível, esta obra será em vão... pois poderá receber novo «crisma»!
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Há alguma ansiedade e é inevitável que a reforma da NATO crie ruído na Cimeira de Lisboa. Se houver muitas vozes dissonantes, a cimeira poderá ser um fracasso. Parece certo que o número de Comandos vai ter de ser reduzido. São muitos e a gestão é complicada e burocrática.
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O Analista do Instituto e Estudos Estratégicos da Universidade Católica - Miguel Monjardino - diz que um país com uma fachada Atlântica como a de Portugal tem interesse [?!] em manter um Comando que permita explorar essa mais-valia. Desconhece é se ainda se vai a tempo e que apoios teremos na cimeira!
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Parece que, Portugal... tem o facto de já não ter muitos recursos militares para contribuir para a NATO!
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Pelos vistos... Portugal paga para pertencer ao Clube, e os outros 'Sócios' em "Assembleia-Geral", ainda se podem fazer 'esquisitos'!...
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Por mim... prescindo, desde sempre... desta "Honra"!

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PAZ SIM!! NATO (OTAN) NÃO!! Manif. dia 20 de Novembro p.f.



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Depois da «Cimeira»
Limpar é Preciso!












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(Adaptado do Artigo de Bárbara Silva
do Diário Económico - de 15 p.p.)
Fotos In Net