[ Vox populi vox Dei ]

2010-08-21

« Os E.U.A. e (...) O RABO ENTRE AS PERNAS... »

.... Um gigantesco "Vale dos Caídos" ...



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Petróleo de Sangue



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... foi de alívio... o sentimento entre os soldados americanos que deixaram o Iraque (...)


« "Ganhámos! Ganhámos! Acabou! Trouxemos democracia ao Iraque!", gritou um soldado americano ao atravessar a fronteira com o Kuwait na madrugada de ontem, segundo o site da televisão NBC. Talvez tenha sido um acto isolado: por mais que a Casa Branca, os pivôs das televisões americanas e os soldados repetissem que o momento era "histórico", o sentimento geral das últimas tropas de combate a retirar do Iraque, na noite de quarta-feira, não era de triunfo, mas de alívio. Alívio por deixarem o Iraque para trás.

Até final de Agosto deverão sair mais seis mil militares, de forma a cumprir a meta prometida pelo Presidente Barack Obama de reduzir o contingente até aos 50 mil soldados e de terminar todas as operações de combate até essa data. A partir de 1 de Setembro, a Operação Liberdade Iraquiana (Operation Iraqi Freedom) será rebaptizada Operação Nova Madrugada (Operation New Dawn) e as tropas que permanecerem no terreno terão como missão treinar e apoiar as forças militares iraquianas.

É uma transição que tem vindo a ser preparada há meses, por isso, avisava anteontem o embaixador americano no Iraque, Christopher Hill, falando em Washington, "não é como se fosse acontecer grande coisa no dia 31. Tudo vai parecer igual ao dia 30 de Agosto".

O início do fim

As imagens dos soldados a viajar para sul, em direcção à fronteira do Kuwait, nos últimos dois dias, têm sobretudo um peso simbólico: marcam o início da contagem decrescente para a retirada completa da presença militar americana, agendada para o final do próximo ano, e, portanto, o começo do fim de uma guerra que foi impopular desde o primeiro dia, custou a vida a mais de 4400 soldados e durou mais do que a II Guerra Mundial ou a guerra civil americana.

Christopher Hill, que cessou funções como embaixador, disse que o Iraque tinha agora a responsabilidade de formar um governo estável e que os Estados Unidos tinham a responsabilidade de "ver o Iraque como um país, e não como uma guerra".

A retirada deixa a Administração Obama perante um paradoxo: com eleições intercalares à porta, em que o seu partido se arrisca a perder a maioria no Congresso, e com sondagens a mostrar que os americanos estão fartos das guerras no Afeganistão e Iraque, Obama só tem a ganhar, internamente, com a retirada militar; por outro lado, não quer dar a imagem de que os Estados Unidos estão a abandonar o país.

Gerir o equilíbrio entre estas duas ambições, aparentemente contraditórias, é delicado.

Um desafio maior

Numa declaração escrita e enviada por email na quarta-feira, Obama reforçava que, nos termos do acordo bilateral, "todas as tropas" americanas "terão saído do Iraque no final do próximo ano". "Enquanto isso, continuaremos a construir uma forte parceria com o povo iraquiano, com um crescente compromisso civil e esforço diplomático", acrescentava.

No mesmo dia, o porta-voz do Departamento de Estado (o "ministério" da diplomacia americana) Philip Crowley dizia: "Não estamos a pôr fim ao nosso envolvimento no Iraque. Teremos tarefas importantes para fazer. Isto é uma transição. Não é o fim de qualquer coisa. É a transição para algo diferente. Temos um compromisso a longo prazo com o Iraque."

O ex-embaixador dos Estados Unidos no Iraque (2007-2009) Ryan Crocker notava ontem à CNN que "o Iraque ainda está no início da história da sua evolução desde 2003". E deixou um aviso: "Por muito cansados que os americanos estejam, este processo ainda só está a começar."

Crocker não foi a única voz que ontem veio destoar do tom optimista e lembrar que a retirada militar pode ser um desafio maior. O tenente-general James Dubik, que supervisionou o treino das forças de segurança iraquianas entre 2007 e 2008, está entre os que ontem defendiam à AP a necessidade de uma presença militar americana pós-2011. »


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Legenda:

Todos os 'ingredientes' do post
foram recolhidos na Net,
inclusive o texto, do
Público on line.

2010-08-19

« ... ERA UMA VEZ ... na AMÉRICA !... »

Grande plano da Estátua da Liberdade
(o facho está a 96 metros do nível do mar)
Oferta da França aos E.U.A.
(1886)
Autoria de Bartholdi


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. Símbolo Eterno de Libertação
O último destes soldados
morreu há pouco tempo



.... também tive esse sonho [americano] que... ao longo dos tempos... redundou em decepção. Apenas lembro a imagem poética temporal 'positiva' que o vídeo do YouTube nos apresenta, a seguir, na grande interpretação de Neil Diamond, numa vibrante expressão vocal.
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Vale a pena recordar aquilo que foi a terra prometida, o eldorado das oportunidades e, não deixar de comparar-se com o estranho estado de coisas - assobiando para o lado -, da situação preocupante de ver um país, como os E.U.A., abandonar princípios que davam ao mundo a "Marca" da Democracia (...)

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Caríssimos amigos/as cibernautas...

Com música e letra de.... Neil Diamond!...


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AMERICA

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Written by Neil Diamond

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Far
We've been traveling far
Without a home
But not without a star
Free
Only want to be free
We huddle close
Hang on to a dream

On the boats and on the planes
They're coming to America
Never looking back again
They're coming to America

Home, don't it seem so far away
Oh, we're traveling light today
In the eye of the storm
In the eye of the storm

Home, to a new and a shiny place
Make our bed, and we'll say our grace
Freedom's light burning warm
Freedom's light burning warm

Everywhere around the world
They're coming to America
Every time that flag's unfurled
They're coming to America

Got a dream to take them there
They're coming to America
Got a dream they've come to share
They're coming to America

They're coming to America
They're coming to America
They're coming to America
They're coming to America
Today, today, today, today, today

My country 'tis of thee
Today
Sweet land of liberty
Today
Of thee I sing
Today
Of thee I sing
Today



>o<



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.Neil Leslie Diamond nasceu numa família judaica, no Brooklyn, Nova York, em 24 de janeiro de 1941.
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É um cantor e compositor, que compôs inúmeros 'hits' nos anos 60, 70 e 80, e até hoje mantém uma multidão de fãs incondicionais.
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Estudou com Barbra Streisand na Escola Secundária Abraham Lincoln e chegou a cantar com ela no coro da escola. Aprendeu a tocar viola após receber uma de presente no seu aniversário dos 16 anos.
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Diamond começou cedo a sua carreira como compositor na Brill Building. O seu primeiro sucesso foi em novembro de 1965, com a canção "Sunday and Me", seguida de "I'm a Believer", "A Little Bit You", "Look Out (Here comes Tomorrow)" e "Love to Love".
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Frequentemente Neil Diamond canta a história da sua vida, vivida essencialmente em Nova York e Los Angeles.

Para além do tema aqui oferecido, AMERICA, eis títulos de outros grandes êxitos: Sweet Caroline, Crackli, Rosie, Song Sung Blue, You D'ont Bring Me Flowers, Play Me, Be, September Morn, Love on the Rocks, Hello Again, Heartlight, entre muitos outros.
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Muitos dos seus discos ganharam certificados de ouro e de platina. Recebeu diversos Grammys ao longo da carreira.
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Actuou no Fime The Jazz Singer, com Sir Lawrence Olivier, em 1980 e, um dos mais recentes CD's intitula-se Home Before Dark.



2010-08-16

« EFEMÉRIDE do FALECIMENTO de EÇA de QUEIRÓS »


Eça de Queirós, ao morrer em Paris, a 16 de Agosto de 1900, deixava atrás de si uma obra literária de enorme interesse, onde se podem ler algumas das mais belas páginas que é possível encontrar na nossa língua.
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Das letras colheu, sim, honra e glória, e mais que tudo o direito a fixar-se de forma indelével na história da nossa cultura.


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Eça de Queirós foi diplomata. Se, como escritor, Eça foi um génio, como diplomata situou-se numa mediania que nem o esforço laudatório de alguns conseguiu disfarçar.
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Eça utilizou a sua carreira consular para escrever algumas das obras-primas da literatura portuguesa e, só por isso, valeu largamente a pena que o Ministério dos Negócios Estrangeiros lhe tenha pago o salário. O qual, no seu entender, não era suficiente, a crer no que escreve em "Uma Campanha Alegre":

«Os diplomatas portugueses passam por agradar no estrangeiro pela sua palidez! Mas não se sabe que a sua palidez vem, não da beleza da raça peninsular, mas da fraqueza de legação mal alimentada. Onde um embaixador português mais se demora, não é diante das instituições estrangeiras com respeito, é diante das lojas de mercearia com inveja! E se eles não podem alcançar bons tratados para o País – é porque andam ocupados em arranjar mais rosbife para o estômago. Se não fossem os jantares da corte e as ceias dos bailes, a posição do diplomata português era insustentável. E ainda veremos os jornais estrangeiros, noticiarem:

“Ontem, na Rua de… caiu inanimado de fome um indivíduo bem trajado. Conduzido para uma botica próxima o infeliz revelou toda a verdade – era o embaixador português. Deram-lhe logo bifes. O desgraçado sorria, com as lágrimas nos olhos.”

Que o país atenda a esta desgraçada situação! Que tenha um movimento generoso e franco! Dê aos seus embaixadores menos títulos e mais bifes! Embora lhes diminua as atribuições, aumente-lhes ao menos a hortaliça. Eles pedem ao seus país uma coisa bem simples: não é um palácio para viver, nem um landau para passear, nem fardas, nem comendas! É carne! Que o País no número do pessoal diplomático – diminua os adidos e aumente os bois.”»

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Na foto acima publicada - As cidades de Eça -, o escritor feito Diplomata desabafa: Havana... «Detesto-a esta cidade esverdeada e milionária, sombria e ruidosa - este depósito de tabaco, este charco de suor, este estúpido pauliteiro de palmeiras!»




Fotografia da época mostrando o Arco da Rua Augusta
enlutado
e o povo participando no funeral
de
Eça de Queirós

Outra panorâmica do funeral
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(é suposto estar a sair do Palácio das Necessidades)
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.Paris é a última etapa da sua carreira de diplomata. É colocado ali em 1888. Estabelece-se nos arredores da grande metrópole, em Neuilly, e é ali que passa, no aconchego de um lar, que tudo indica ter sido feliz, os últimos anos da sua vida breve.
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O ambiente parisiense marca também, e de forma bem vincada, a sua obra. As crónicas que dali escreveu vieram a constituir o volume dos 'Ecos de Paris'.
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Em 1889 funda a Revista de Portugal, que se publica até 1892 e onde, a par do próprio Eça, encontramos alguns dos melhores nomes da cultura portuguesa do tempo, que todos conhecem.
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Entretanto, também as dificuldades económicas bateram à porta da sua vida, o que não era de estranhar para quem essencialmente vivia dos magros honorários da função que exercia (vidé de novo um extra-texto acima escrito) e dos fracos proventos que lhe advinham das letras. Das letras, aliás, esperava ingenuamente Eça de Queiroz o remédio para os seus males de fortuna. Durante toda a vida não deixará de arquitectar planos, pouco realistas, em verdade, de sucesso económico.
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Era demasiado perfeccionista para fazer fortuna mediante a abundância da produção (lembremo-nos de que grande parte do deu espólio só conheceu publicação póstuma).
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Por outro lado, os seus escritos destinavam-se ao público leitor dum país onde grassava uma altíssima taxa de analfabetismo.
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Muito embora talvez muito a despropósito - mas não ofende -, apetece-me contar aqui que tive um camarada nas Forças Armadas que era descendente deste nosso querido escritor e Diplomata (a seguir direi porque acho que foi, ao contrário do que se pensa, um enorme Diplomata).
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Era o Eça de Queirós, bisneto do nosso 'ex-libris' da literatura portuguesa, quase dois metros de altura e loiro. Terá herdado as necessidades alimentares do bisavô ... "não é um palácio para viver... nem fardas nem comendas! É carne!..." - na verdade, o meu camarada tinha um apetite dificilmente igualado! Era o que na tropa se chamava "um lateiro"!... Gostava de tudo... e de tudo comia em excesso! O que lhe pertencia, mais os restos dos outros! Chegou a defender a sua ' ração', de faca e garfo em riste! Muito pior! Quando lhe agradava a comida, cospia na travessa para ninguém mais lhe tocar!
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Mas isso... era o que ele pensava pois, os outros não se repugnavam e até 'achavam' o petisco mais bem 'temperado' com cuspo!
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A minha dúvida foi sempre pensar como é que o elegante Eça (bisavô), descreveria literariamente tais atitudes alarves do familiar?!
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Lembro-me do célebre Conto "Civilização" e dos requintes sofisticados do Jacinto!... Será que o "aroma do caldo que era de galinha e rescendia... e a travessa de arroz com favas... etc., etc." desequilibraram os cromossomas do meu antigo 'colega'?
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Para terminar, vou deixar no ar uma discordância do que se costuma evocar quanto à fraca capacidade de exercício do Diplomata José Maria Eça de Queirós:
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Salvo raras excepções... não vejo quase mais ninguém que, como Diplomata, tenha sido melhor Embaixador de Portugal e da nossa Língua... do que...
EÇA DE QUEIROZ!
(...)
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2010-08-15

« PORTUGAL... IMOLADO PELO FOGO... »

Um Inferno Dantesco

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Meios aéreos - escassos - no combate aos fogos

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A propósito da lusitana endemia dos incêndios, pessoas há, com maiores ou menores responsabilidades de gestão da coisa pública, ao nível da administração central e local, que se permitem dizer as maiores barbaridades sem cuidarem de verificar como tais opiniões, contra elas próprias se viram.

Por mais voltas que se dê, irrefutável se evidencia a realidade de que tudo se compromete porque nada se faz a montante, isto é, no caso dos incêndios, porque não se tomam providências ao nível da prevenção, que devem ocorrer em determinadas alturas do ano, através de desbastes sistemáticos, de desmatamento, de limpezas cíclicas e selectivas, etc.

Dando largas ao mórbido propósito de transmitir imagens mais que estafadas – cenários sempre idênticos, de gente aflita perante a iminência de uma desgraça que, na maior parte dos casos, acontece devido ao mais criminoso dos desleixos – as televisões acabam por escancarar as causas do escândalo. Basta olhar com atenção para verificar como o fogo se vai alimentando, quase até às paredes das casas, de materiais que, pura e simplesmente, deveriam ter sido removidos a tempo e horas.

De facto, tal como inicialmente escrevia, a alguns metros das labaredas, sempre com ar muito operacional, não faltam ministros e presidentes de câmara, qual coro dos incompetentes descarados, apontando o dedo à causa que mais jeito lhes dá, ou seja, a dos incendiários, na maior parte dos casos, a soldo de incógnitos mandantes…

Entende-se perfeitamente que tão ilustres membros da desqualificada classe política nacional sacudam a água do capote, desviando a atenção dos cidadãos dos seus próprios erros, omissões e incapacidade do exercício da autoridade democrática que, cada ano que passa, resultam no repetido quadro de escândalo e de vergonha nacional. O que não se entende é que não sejam politicamente responsabilizados pela situação.

Permitam que, embora noutro contexto que não o dos incêndios, mas a propósito, vos lembre o caso de Sintra. Como classificar senão como fogo latente, a perigosa situação do centro da sede do concelho, completamente armadilhado, com o trânsito totalmente parado, cada vez mais com maior frequência, para desespero de quem teve o azar de pensar em visitar esta terra que é vendida, através de campanhas de publicidade enganosa, como qualquer ordinarice do género de gato por lebre?

Nos últimos dez anos, o facto de nada ter sido feito como medida preventiva, pelo actual executivo, nomeadamente através da instalação de parques dissuasores de estacionamento na periferia, não será falha perfeitamente idêntica e coincidente com a da falta de medidas nas florestas que impediriam os fogos? Por isso, no centro de Sintra, não estaremos em presença de perigosíssimos focos de incêndio, agravados por incompreensíveis tolerâncias que desencadeiam o atropelo aos mais evidentes direitos cívicos?

Pelos vistos, o que por aí não faltam são notabilíssimos incendiários. Eles ateiam fogos tão sofisticados que, ao longo de anos e anos, nos vão cozendo em lume brando, consumindo-nos a paciência e chamuscando impiedosamente a possibilidade de um melhor futuro.


Um dia destes, agarram nas brasas, vão fazer o inferno para outro lado, não sem que, entretanto, nos tenham deixado totalmente queimados. Todavia, jamais serão acusados de não terem feito a obra que estava à altura da sua incompetência. Só é pena que não tenham e recebam a justa e correspondente retribuição…



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A Luta Titânica
do
Soldado da Paz


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(In Blog: Sintra do avesso - Imagens: Net)