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« "Ganhámos! Ganhámos! Acabou! Trouxemos democracia ao Iraque!", gritou um soldado americano ao atravessar a fronteira com o Kuwait na madrugada de ontem, segundo o site da televisão NBC. Talvez tenha sido um acto isolado: por mais que a Casa Branca, os pivôs das televisões americanas e os soldados repetissem que o momento era "histórico", o sentimento geral das últimas tropas de combate a retirar do Iraque, na noite de quarta-feira, não era de triunfo, mas de alívio. Alívio por deixarem o Iraque para trás.
Até final de Agosto deverão sair mais seis mil militares, de forma a cumprir a meta prometida pelo Presidente Barack Obama de reduzir o contingente até aos 50 mil soldados e de terminar todas as operações de combate até essa data. A partir de 1 de Setembro, a Operação Liberdade Iraquiana (Operation Iraqi Freedom) será rebaptizada Operação Nova Madrugada (Operation New Dawn) e as tropas que permanecerem no terreno terão como missão treinar e apoiar as forças militares iraquianas.
É uma transição que tem vindo a ser preparada há meses, por isso, avisava anteontem o embaixador americano no Iraque, Christopher Hill, falando em Washington, "não é como se fosse acontecer grande coisa no dia 31. Tudo vai parecer igual ao dia 30 de Agosto".
O início do fim
As imagens dos soldados a viajar para sul, em direcção à fronteira do Kuwait, nos últimos dois dias, têm sobretudo um peso simbólico: marcam o início da contagem decrescente para a retirada completa da presença militar americana, agendada para o final do próximo ano, e, portanto, o começo do fim de uma guerra que foi impopular desde o primeiro dia, custou a vida a mais de 4400 soldados e durou mais do que a II Guerra Mundial ou a guerra civil americana.
Christopher Hill, que cessou funções como embaixador, disse que o Iraque tinha agora a responsabilidade de formar um governo estável e que os Estados Unidos tinham a responsabilidade de "ver o Iraque como um país, e não como uma guerra".
A retirada deixa a Administração Obama perante um paradoxo: com eleições intercalares à porta, em que o seu partido se arrisca a perder a maioria no Congresso, e com sondagens a mostrar que os americanos estão fartos das guerras no Afeganistão e Iraque, Obama só tem a ganhar, internamente, com a retirada militar; por outro lado, não quer dar a imagem de que os Estados Unidos estão a abandonar o país.
Gerir o equilíbrio entre estas duas ambições, aparentemente contraditórias, é delicado.
Um desafio maior
Numa declaração escrita e enviada por email na quarta-feira, Obama reforçava que, nos termos do acordo bilateral, "todas as tropas" americanas "terão saído do Iraque no final do próximo ano". "Enquanto isso, continuaremos a construir uma forte parceria com o povo iraquiano, com um crescente compromisso civil e esforço diplomático", acrescentava.
No mesmo dia, o porta-voz do Departamento de Estado (o "ministério" da diplomacia americana) Philip Crowley dizia: "Não estamos a pôr fim ao nosso envolvimento no Iraque. Teremos tarefas importantes para fazer. Isto é uma transição. Não é o fim de qualquer coisa. É a transição para algo diferente. Temos um compromisso a longo prazo com o Iraque."
O ex-embaixador dos Estados Unidos no Iraque (2007-2009) Ryan Crocker notava ontem à CNN que "o Iraque ainda está no início da história da sua evolução desde 2003". E deixou um aviso: "Por muito cansados que os americanos estejam, este processo ainda só está a começar."
Crocker não foi a única voz que ontem veio destoar do tom optimista e lembrar que a retirada militar pode ser um desafio maior. O tenente-general James Dubik, que supervisionou o treino das forças de segurança iraquianas entre 2007 e 2008, está entre os que ontem defendiam à AP a necessidade de uma presença militar americana pós-2011. »
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Legenda:
Todos os 'ingredientes' do post
foram recolhidos na Net,
inclusive o texto, do
Público on line.














