
.Foi no século XVIII que se localizaram os depósitos de diamantes do Brasil, tornando-se este o seu maior produtor mundial até à descoberta das jazidas sul africanas. Durante parte desse período, Portugal assumiu um papel de relevo em todo o mercado diamantífero mundial.
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No início do Séc. XVIII a produção diamantífera indiana, conjuntamente com a de Bornéu, começou a decrescer em virtude do processo de exaustão dos referidos jazigos que contavam já com, pelo menos, dois séculos de exploração para o Ocidente, primeiro liderada pelos portugueses e, a partir de meados do Séc. XVII, pelo holandeses. Todavia, ainda não tinha sido sentida esta redução nos mercados europeus, o que pode ser induzido pela estabilidade dos preços por quilate destas gemas em bruto. Nesta altura, a canalização dos diamantes da Índia, via Londres para Antuérpia era normal e algo semelhante com a que imperava nos primeiros anos de ocupação portuguesa das Índias Orientais.
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Este panorama vai ser radicalmente abalado por um acontecimento que marca o início de um novo capítulo na história do comércio de diamantes no mundo: a descoberta dos diamantes no Brasil!
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O ano de 1725 é globalmente aceite como o provável para a localização da primeira ocorrência diamantífera brasileira e o português Sebastião Leme do Prado como seu presumível descobridor. Esta descoberta, ao que parece ocasional, deu-se na sequência do garimpo de ouro no Rio dos Marinhos, no actual Estado de Minas Gerais.
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Antes de continuar, não resisto em adiantar um pouco mais, muito embora, como sempre digo, uma postagem de blog não dever ser uma tese de doutoramento. Antes daquela data, entre 1723 e 1724 [fontes da História oficial- Joel Serrão], também Bernardo da Fonseca Lobo tinha também já descoberto jazidas na mesma zona aurífera de Minas. No entanto a Fazenda Pública só teve conhecimento desta jazidas diamantíferas em 1729, através do Governador de Minas, Dom Lourenço de Almeida. A 24 de Junho de 1730, por Portaria, foi nomeado um superintendente para controlar a situação.
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Apesar disso, e depois de outras tentativas reguladoras por parte do Estado, em 1755, o Marquês de Pombal felicitava o Governador do Rio de Janeiro - Gomes Freire de Andrade - pela excelente situação em que se encontrava a lavra dos diamantes.
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No entanto, longe disso, não havia razões para contentamento porque a Fazenda não recebia os lucros desejados, posto que os intervenientes nos negócios faltavam aos compromissos!
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Apesar de tudo, conforme consta na Enciclopédia Luso-Brasileira, o Rei D. José I usava nas suas casacas, botões feitos de vistosos diamantes (...)
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Regressando aos primórdios da descoberta destas pedras [1725 - fontes da História da Joalharia], os garimpeiros haviam recolhido exemplares brilhantes e guardaram-nos como curiosidades. A identificação como diamantes deu-se depois eventualmente em Lisboa, onde havia já uma tradição diamantária de mais de dois séculos e que constituía um indústria notável que era trabalhada pelos judeus.
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Em tempo, a Casa Real portuguesa declara oficialmente a descoberta de ricos depósitos de diamantes no Brasil. Pouco depois, a Coroa decreta que os achados são sua propriedade, procedendo-se à vedação das áreas então descobertas e ao seu patrulhamento militar, salvaguardando-se assim, aquela nova jóia para o tesouro real.
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Todavia, não demorou muito até que milhares de aventureiros, após se estabelecerem na recém criada vila de Tejuco, posteriormente baptizada Diamantina, se iniciassem na procura de novos achados, o que veio a acontecer ao longo dos anos subsequentes, nomeadamente nas extensas bacias hidrográficas dos rios São Francisco e Jequitinhoonha.
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Note-se que foram descobertos diamantes em muitos mais Estados do vasto território brasileiro, designadamente na Bahia, Goyaz, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e Amazonas.
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A coroa portuguesa ao ver-se com tamanha riqueza mineral desenvolveu uma política de mercado para, por um lado, recolher para os seus cofres os dividendos, ou impostos, decorrendo da actividade mineira e, por outro, controlar a oferta de mercado, contribuindo para a estabilidade dos preços.
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Mas de boas intenções está o inferno cheio, e as coisas falharam porque a política de controlo, ou fiscal não foi eficaz, chegando ao ponto de a quantidade de pedras provenientes de contrabando ser da mesma ordem de grandeza que as "oficiais"!
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A importância a nível mundial do Brasil na actividade diamantífera passou para segundo plano na segunda metade do Séc. XIX, sendo a quase extinção dos seus muitos depósitos uma das razões apontadas para tal facto. Todavia, a razão principal encontra-se na África do Sul, mais precisamente no rio Laranja (Orange river), onde em 1867 uma criança de nome Jacobs encontrou um seixo brilhante e transparente que mais tarde foi identificado como um diamante e, 5 anos depois a produção Sul-Africana todos os números imagináveis, dando-se o primeiro passo para a era moderna do diamante.
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Há que não esquecer, porém, que os cerca de 150 anos de hegemonia brasileira foram essenciais, entre outras situações, no desenvolvimento de novas técnicas de lapidação, bem como na consciência de que uma política inteligente de controlo de mercado é fundamental para a manutenção da estabilidade em todos os níveis da actividade diamantífera.
Imagem animada mostrando um 'teatro' do negócio diamantífero em Angola, sempre falado em muitos idiomas (parece mentira... mas também vão ouvir falar português!). Os diamantes estão 'traduzidos' em todas as línguas com actualizações ortográficas permanentes! São falados na língua da ganância, da exploração humana, da violência, da fome e da miséria, lapidadas em 'brilhantes' (...) e, outras formas mais...
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Países do continente africano possuem muitas minas de diamantes e por incrível que pareça, são os países onde existem mais conflitos naquele continente. Compradores, principalmente europeus, compram diamantes, ou acertam contas trocando as pedras por armamento.
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A Empresa "De Beers" compra muito desses diamantes em África, só que eles compram também enormes quantidades no resto do mundo e, 'seguram' os diamantes para vender aos poucos pelo resto do planeta para monopolizar e para que eles atinjam elevadíssimos preços.
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O trabalho destas minas de diamante na sua grande maioria é de mão de obra escrava, muito embora a escravatura oficialmente tenha terminado por todo o lado! Se for subjectiva esta afirmação, reconheça-se no mínimo que é 'interessante' verificar que nos países africanos que possuem muitos diamantes, as pessoas vivem na miséria e, pelo que parece, os conflitos de toda a espécie, lá... nunca irão acabar.
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Os diamantes que para as pessoas em geral são uma maravilha de admirar, são preciosos, luzem mais do que as estrelas e nasceram predestinados a destinos controversos. Os enamorados utilizam-nos para 'selar' o amor, e certos Governos servem-se deles como moeda de troca. Vêm das entranhas da terra, de solos eleitos, e correm mundo sobre as mais diversas formas, entre elas, bastante desgraçadas para a humanidade.
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A título de curiosidade lembro que a estas pedras é usual chamarem-lhes "gemas"! É uma palavra derivada do latim gemma que significa, senso lato, ornamento, e que, foi utilizada [talvez] pela primeira vez na nossa língua neste contexto, por Luís de Camões, no Canto VII (57) - v. 8º - dos Lusíadas.
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Em bruto não passam de umas pedrinhas sem graça que a olhos incautos se assemelham a uns cristais grosseiros. Limpos e cortados, segundo os critérios da especialidade, as pedras ganham cor e vão luzindo à medida que a máquina corta os lados indicados pelos mestres da lapidação.
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Até 1974, um dos melhores mercados era a Diamang, a famosa Empresa de Angola que explorava uma das melhores jazidas do Globo. Depois da independência da África portuguesa, as opções começaram a divergir para outras fontes. Austrália, Botzwana, Zaire ( actual República do Congo) Brasil, Venezuela e Rússia... são (foram?) as principais "alcovas" destas pedrinhas que fazem rolar muitas cabeças. Pelas causas mais díspares: desde as razões de carácter estético, à ganância dos homens nas suas eternas lutas pelo poder, que passam invariavelmente pela troca de armas para as guerras mais cruéis, ao financiamento de artefactos para aplicação no terrorismo internacional.
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Para quem entende pouco sobre o trabalho das gemas, a lapidação parece ser mais um trabalho rotineiro onde se morre de tédio, não sendo, todavia, o caso dos mestres . Neste momento, obtive informação na área da joalharia que as coisas estão muito diferentes desde há mais de uma década. Tivémos 'velhos' no ofício da lapidação de diamantes, que não se queixavam de rotina nem de cansaço. Uma profissão complexa, que tinha as suas exigências, avaliadas em testes psicotécnicos quando admitidos. Uma boa visão, habilidade manual, bons reflexos motores e um coeficiente intelectual suficiente para abarcar as necessidades do mercado, com uma produção de qualidade, factores indispensáveis! O tempo de formação considerado necessário para "fazer um bom lapidador" era de cinco anos. No entanto, 24 meses de prática já eram suficientes para se confiar num operário.
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Apesar de lidarem com um material de grande valor, a maldição dos diamantes começa nas minas e passa também pelas oficinas dos lapidadores, que acabam no brio profissional dedicando-se à arte sem obterem salários condignos! Limitavam-se a sentir de perto o "cheiro" do dinheiro alheio (...)
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Como curiosidade, diga-se que há muitas pessoas apreciadoras de jóias que ainda faz alguma confusão entre o diamante e o brilhante, desconhecendo as diferenças entre uns e outros. Conhecido há mais de 2000 anos, só no Séc. XIV é que se compreendeu a importância da lapidação no aspecto óptico.
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Em meados de 1700 surge no mercado um novo tipo de tratamento de diamantes, conhecido por "lapidação Mazarino" que, de acordo com escritos históricos, se deve à influência do Cardeal Mazarino!
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Nesse tipo de lapidação cortam-se novas facetas sobre as arestas laterais, conseguindo o tipo de mesa dupla, com 34 faces na totalidade e uma coroa central arredondada. Mas é já no Séc. XVII que Vicenzio Peruzzi, um lapidador italiano, descobre o efeito de um diamante lapidado em 58 facetas, que se aproxima já do tipo de lapidação do brilhante, tanto no brilho como na forma!
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Eu diria mesmo mais: aquele operário italiano de lapidação, para além das características individuais indispensáveis que acima tentei realçar nos técnicos desta arte, ao caprichar na execução de mais cortes de um pedaço de carbono puro, era um operário indiscutivelmente BRILHANTE!
Países do continente africano possuem muitas minas de diamantes e por incrível que pareça, são os países onde existem mais conflitos naquele continente. Compradores, principalmente europeus, compram diamantes, ou acertam contas trocando as pedras por armamento.
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A Empresa "De Beers" compra muito desses diamantes em África, só que eles compram também enormes quantidades no resto do mundo e, 'seguram' os diamantes para vender aos poucos pelo resto do planeta para monopolizar e para que eles atinjam elevadíssimos preços.
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O trabalho destas minas de diamante na sua grande maioria é de mão de obra escrava, muito embora a escravatura oficialmente tenha terminado por todo o lado! Se for subjectiva esta afirmação, reconheça-se no mínimo que é 'interessante' verificar que nos países africanos que possuem muitos diamantes, as pessoas vivem na miséria e, pelo que parece, os conflitos de toda a espécie, lá... nunca irão acabar.
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Os diamantes que para as pessoas em geral são uma maravilha de admirar, são preciosos, luzem mais do que as estrelas e nasceram predestinados a destinos controversos. Os enamorados utilizam-nos para 'selar' o amor, e certos Governos servem-se deles como moeda de troca. Vêm das entranhas da terra, de solos eleitos, e correm mundo sobre as mais diversas formas, entre elas, bastante desgraçadas para a humanidade.
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A título de curiosidade lembro que a estas pedras é usual chamarem-lhes "gemas"! É uma palavra derivada do latim gemma que significa, senso lato, ornamento, e que, foi utilizada [talvez] pela primeira vez na nossa língua neste contexto, por Luís de Camões, no Canto VII (57) - v. 8º - dos Lusíadas.
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Em bruto não passam de umas pedrinhas sem graça que a olhos incautos se assemelham a uns cristais grosseiros. Limpos e cortados, segundo os critérios da especialidade, as pedras ganham cor e vão luzindo à medida que a máquina corta os lados indicados pelos mestres da lapidação.
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Até 1974, um dos melhores mercados era a Diamang, a famosa Empresa de Angola que explorava uma das melhores jazidas do Globo. Depois da independência da África portuguesa, as opções começaram a divergir para outras fontes. Austrália, Botzwana, Zaire ( actual República do Congo) Brasil, Venezuela e Rússia... são (foram?) as principais "alcovas" destas pedrinhas que fazem rolar muitas cabeças. Pelas causas mais díspares: desde as razões de carácter estético, à ganância dos homens nas suas eternas lutas pelo poder, que passam invariavelmente pela troca de armas para as guerras mais cruéis, ao financiamento de artefactos para aplicação no terrorismo internacional.
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Para quem entende pouco sobre o trabalho das gemas, a lapidação parece ser mais um trabalho rotineiro onde se morre de tédio, não sendo, todavia, o caso dos mestres . Neste momento, obtive informação na área da joalharia que as coisas estão muito diferentes desde há mais de uma década. Tivémos 'velhos' no ofício da lapidação de diamantes, que não se queixavam de rotina nem de cansaço. Uma profissão complexa, que tinha as suas exigências, avaliadas em testes psicotécnicos quando admitidos. Uma boa visão, habilidade manual, bons reflexos motores e um coeficiente intelectual suficiente para abarcar as necessidades do mercado, com uma produção de qualidade, factores indispensáveis! O tempo de formação considerado necessário para "fazer um bom lapidador" era de cinco anos. No entanto, 24 meses de prática já eram suficientes para se confiar num operário.
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Apesar de lidarem com um material de grande valor, a maldição dos diamantes começa nas minas e passa também pelas oficinas dos lapidadores, que acabam no brio profissional dedicando-se à arte sem obterem salários condignos! Limitavam-se a sentir de perto o "cheiro" do dinheiro alheio (...)
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Como curiosidade, diga-se que há muitas pessoas apreciadoras de jóias que ainda faz alguma confusão entre o diamante e o brilhante, desconhecendo as diferenças entre uns e outros. Conhecido há mais de 2000 anos, só no Séc. XIV é que se compreendeu a importância da lapidação no aspecto óptico.
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Em meados de 1700 surge no mercado um novo tipo de tratamento de diamantes, conhecido por "lapidação Mazarino" que, de acordo com escritos históricos, se deve à influência do Cardeal Mazarino!
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Nesse tipo de lapidação cortam-se novas facetas sobre as arestas laterais, conseguindo o tipo de mesa dupla, com 34 faces na totalidade e uma coroa central arredondada. Mas é já no Séc. XVII que Vicenzio Peruzzi, um lapidador italiano, descobre o efeito de um diamante lapidado em 58 facetas, que se aproxima já do tipo de lapidação do brilhante, tanto no brilho como na forma!
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Eu diria mesmo mais: aquele operário italiano de lapidação, para além das características individuais indispensáveis que acima tentei realçar nos técnicos desta arte, ao caprichar na execução de mais cortes de um pedaço de carbono puro, era um operário indiscutivelmente BRILHANTE!










