[ Vox populi vox Dei ]

2010-06-13

« EM NOITE de SANTO ANTÓNIO de LISBOA »

SANTO ANTÓNIO
[15.08.1195 - 13.06.1231]


. Portugal, terra morena
Onde a tristeza é cantada;
Onde o amor é motivo
De quatro versos rimados;
Onde o ciúme é lamento
Numa rima que embeleza
E prende a voz do poeta
- E a própria desgraça tem
No soluçar da guitarra
A melodia do fado...
Portugal, terra morena
Das serenatas, das loas,
Das desfolhadas, das rodas
- Tudo motivo de versos
Que o povo faz e entoa...
Terra morena embalada
Nas ondas da beira-mar
Que lhe dão o ritmo certo
Das cantigas populares...
Terra morena do vira,
Da chula, do corridinho
E do fandango - do Sol
Das saudades e do vinho! ...
Esta é a terra trigueira
Que baila ao som do harmónio,
À luz que vem da fogueira,
Em noite de Santo António!

Saltar a fogueira


.
No arraial
.
.





.QUADRAS dos MANJERICOS


.=+=


.
.Há rosmaninho do monte
Ardendo pelas fogueiras!
- Vão a caminho da fonte
As raparigas solteiras...
.
Em cada peito, um desejo;
Em cada boca, um sorriso...
- Salta a canção, foge um beijo...
Que mais, que mais é preciso?
.
A noite pode ser fria;
A vida pode ser dura:
Vem da fogueira a magia
Que torna tudo ventura!
.
Rapazes e raparigas
Na tentação dum harmónio
Dançam rezando cantigas
Em honra de Santo António!
.
Que noite! pelas aldeias
Do Norte ao Sul do País
Até nas moças mais feias
Há um sorriso feliz...
.
Porque o Santo português
Da tradição popular
De entre os milagres que fez
Fez o verbo namorar...
.
Raro destino dum Santo!
- Tornar-se tão pecador
Que possa importar-se tanto
Com pecadinhos de amor!
.
Quanto pode a tradição!
Quanto pode a voz do povo!
Geração em geração
Santo António é sempre novo!
.
E cada Junho que passa
Santo António se renova
Trazendo virtude e graça
Que o povo põe numa trova...
.
Talvez que seja pagã
A tradição popular
Mas é tão casta, tão sã
Como a brancura do altar...
.
E das fogueiras acesas
Vem o cheiro natural
Dos montes e das devezas
Da terra de Portugal!
.
Pode a mirra ser mais benta,
Ser o incenso mais nobre
- Na fé que tudo sustenta
Também é rico o mais pobre...
.
Rosmaninho que é rasteiro
E que tem tão triste flor
Tem nesta noite mais cheiro,
Parece que tem mais cor...
.
Os próprios manjericões
Debruçados nas janelas
Dão calor aos corações
Saltitantes das donzelas...
.
Há quadras ao desafio
Em derredor da fogueira
Cujo tom é tão sadio
Como a voz da cantadeira:
.
«Olha a silva do valado
A presunção que ela tem!
- Viu-te passar a meu lado
E quis prender-te também...»
.
E não demora a resposta!
A voz de alguém que se esconde
Para mostrar de quem gosta
Sobe mais alto e responde:
.
«Se passaste à minha porta
Não tornes mais a passar...
A minha rua é tão torta
Que podes lá tropeçar...»
.
A fogueira continua!
Parece ter mais rubor
Ouvindo a voz que flutua
Por força e graça do amor!

Descendentes do SERMÃO de Stº ANTÓNIO aos peixes
.
...É assim que o povo reza
No rosário dum harmónio
Ao pé da fogueira acesa,
Em noite de Santo António!
JERÓNIMO BRAGANÇA
Autor deste poema
publicado no
Século Ilustrado de
11 de Junho de 1949








.
Nota:
Jerónimo Bragança foi autor de milhares de poesias
considerado [no tempo] o mais 'fiel letrista'
das músicas do compositor Nóbrega e Sousa.

2010-06-09

« DECLARAÇÃO de GUERRA às ENXAQUECAS...»

Desenho a carvão de autor desconhecido

.


Dizer sempre «não» à auto medicação



Voilá... um vídeo que deu 'dores de cabeça' a seleccionar no YouTube:




.



Enxaqueca é uma doença incapacitante



As pessoas que sofrem de enxaqueca nem sempre são compreendidas pelos que as rodeiam. Em primeiro lugar porque esta é uma doença que, na maioria das vezes, não é reconhecida como tal.

No entanto, a comunidade médica não tem dúvidas que esta enfermidade pode ser tão incapacitante como qualquer outra. O sexo feminino é o mais afectado por esta doença que tem elevados custos sociais.

As dores provocadas por esta patologia podem ser tão insuportáveis que o doente só as suporta se estiver num local completamente escuro e silencioso.

À enxaqueca nem sempre é dado o devido valor. Isto porque as pessoas tendem a desvalorizar esta doença, apelidando-as de “simples dores de cabeça”. No entanto, e ao contrário das dores de cabeça, a enxaqueca não passa com um analgésico. As dores podem ser tão fortes que se tornam insuportáveis, impedindo o paciente de realizar as tarefas de um dia comum.

É a enxaqueca, uma patologia neurológica com custos sociais preocupantes e que priva os indivíduos das suas faculdades durante as crises.

A proporção da sua prevalência é de 2 mulheres para 1 homem.A enxaqueca é entendida como uma patologia incapacitante, assumindo muitas variedades.

O início das crises projecta-se, por vezes, na primeira infância. Os adolescentes são igualmente atingidos, mas com sintomas ligeiros e de curta duração, quando comparados aos adultos.

A duração das crises depende de vários factores, mas podem durar entre quatro a 72 horas, sendo que a frequência situa-se, em média, entre as duas e as seis enxaquecas por mês.

No entanto, há especialistas que afirmam que se estes limites forem ultrapassados a doença poderá ultrapassar a enxaqueca.

Os custos desta patologia são bastante elevados, pois obriga a perda de dias de trabalho e leva também à diminuição das capacidades do indivíduo em mais de 50% durante estes períodos.

Face a estes resultados é caso para dizer que este é um problema de saúde pública.

Várias formas de enxaqueca

Olhando para as formas mais comuns, temos a enxaqueca sem aura, que afecta 60% da população com enxaqueca. Por outro lado, a enxaqueca com aura atinge uma franja de 10 a 20% dos doentes com enxaqueca. Neste caso, considera-se as auras visuais, que se caracterizam pela visualização de luzes, de cores diferentes, formas em espiral, linhas em paliçada, a cor ou a preto e branco, que se alternam em flashes.

Noutras manifestações da aura, próprias da enxaqueca, podem surgir formigueiros, falta de força na totalidade ou numa metade do corpo. As perturbações da fala ou as alucinações constituem sinais mais raros.

A enxaqueca surge em indivíduos geneticamente predispostos, com uma vasta história desta doença na família. Mas também existem factores exógenos que a desencadeiam.

Factores coadjuvantes

As perturbações do sono, o stress, determinados alimentos que ingerimos, como o queijo, o chocolate e citrinos são factores exteriores ao indivíduo que conduzem a um quadro de enxaqueca.

Esta doença neurológica é crónica e tem uma expressão clínica que se revela de forma intermitente, ou seja, vai e volta. Uma das recomendações dos especialistas é que cada doente se conheça da melhor forma, pois só assim poderá evitar factores que despoletam estas crises.

Tratamentos pouco adequados

Um estudo elaborado no Porto demonstrou que 9% dos indivíduos sofre de formas de enxaqueca pura e que 12% apresenta quadros desta doença associados a cefaleias de tensão.

A enxaqueca, segundo alguns médicos, não tem sido tratada da maneira mais correcta, isto é, logo ao primeiro tratamento. Por vezes, os tratamentos demonstram uma eficácia reduzida, o que leva a um efeito perverso: os doentes não voltam ao consultório do médico.

Stop à dor

O tratamento é elaborado caso a caso. Todavia, de uma forma geral, eis as orientações terapêuticas para casos de enxaqueca moderada ou grave: utilização de fármacos mais potentes, como os triptanos, que apresentam um bom grau de eficácia; quando as crises são muito frequentes e severas o suficiente para causar incapacidade na pessoa, a recomendação aponta para a toma diária de comprimidos durante um período de dois a seis meses; aconselha-se o repouso, o silêncio, a escuridão e o sono, porque dormir ajuda a que a crise passe. Mas a medicação é insubstituível.

Fármacos são uma solução

A prática da prescrição de medicamentos para tratamento da enxaqueca sofreu nos últimos anos uma transformação significativa. Actualmente quase se deixou de utilizar os derivados ergotamínicos devido ao abuso medicamentoso e consequentemente ao risco de adicção.

Os triptanos vieram alterar muito e melhorar a qualidade de vida destes indivíduos. Os fármacos desta nova classe caracterizam-se por actuar de forma selectiva nos receptores neurológicos da serotonina.

Eficazes no alívio dos sintomas, os triptanos diferem no tempo de acção e no aparecimento ou não de recorrência, sendo que a escolha do medicamento é feita em função da incapacidade que os sintomas da enxaqueca dão ao doente.

Os sintomas da enxaqueca

- Dores intensas e latejantes em metade ou na totalidade da cabeça;

- Agrava-se com o esforço;

- Alivia com o repouso e o sono;

- Causa osmofobia (intolerância ao cheiro), fonofobia (intolerância ao barulho) e fotofobia (intolerância a luz);

- Náuseas e vómitos; nas crianças pequenas este é um dado que ajuda a identificar a doença, bem como as explicações que elas dão sobre o que sentem.





Legenda:
-Imagens seleccionadas na Net.
-Texto publicado por Salete Costa in:
Notícias de Vouzela em 04-04-2007








2010-06-07

« UMA PROCURAÇÃO de... AMOR de AVÓ »

Mãos que repousam... mãos de mãe duas vezes

Uma avó que espera a ... partida...


.
.
.
AMOR de AVÓ



*.
Numa prece com fervor
Peço a Jesus protecção
Se existe Anjo da Guarda
Que na vida nos conduz
Que me guie os meus netos
Por um caminho de Luz.
Que a Paz seja oração
E como a doce melodia
Lhes encha a alma de alegria
E de amor, o coração.

.

Poder voltar mais atrás
Quem me dera, netos queridos
E na vida ser capaz
De dar força à vossas vidas.

.

Ao sermos avós
Recebemos a dádiva
Importante dos nossos filhos
Pois é nos netos
Que recordamos a ternura dos pais
Quando eram da mesma idade.

.

Para os nossos filhos
É a prenda mais bela
Que jamais tinham recebido
Na sua vida
Concebida e encarnada dentro deles
Até ao momento
Desejado e sublime do nascimento.
A criança-prenda
Ou prenda-criança
Que todos adoramos
Esperamos sempre que seja
Linda e perfeita.



.

.
Mãos de fada... mãos de avó







.





.
Legenda:

Texto da "Procuração" executado pelo autor do blog
que não é avô.
Apenas foi neto, e sempre respeitou e venera a memória dos entes que já partiram.

Imagens: Seleccionadas na Net

2010-06-04

« ARCO-ÍRIS... SEM COMEÇO... NEM FIM...! »

Recuso esta imagem no fim da minha história
.

Sarah Bernhardt (1844-1923) uma das minhas paixões

.

Voar: outra paixão que me abandonou
.

Fenómeno inatingível: os arcos, as cores, o pote de ouro... nada!
Nunca agarrei nenhum arco-íris lá nos ares!
É a frustração (fantasia) dos nossos mitos.

.





.
«At The End Of a Rainbow»



.
At the end of a rainbow
You'll find a pot of gold
At the end of a story
You'll find it´s all been told
But our love has a treasure
Our hearts can always spend
And it has a story without any end.
.
At the end of a river
The water stops its flow
At the end of a highway
There's no place you can go
But just tell me you love me
And you are only mine
And our love will go on
Till the end of time
.
=bis=
(...)

*

***.
{ EARL GRANT..., cantou um dia este poema "para mim"...!
.... até hoje..., confiante... ainda espero resposta...
«till the end of time» }
(...)