[ Vox populi vox Dei ]

2015-12-30

« A ESPERANÇA DOS HUMANOS »



Os dias correm, uns anos passam e outros chegam, novinhos em folha,  a estrear. Por isso ou por qualquer intrínseca necessidade de significarmos o tempo que passa por nós ou em nós, dedicamo-nos  a fazer balanços, a elaborar metas, a pensar em estratégias mais espertas para nos sentirmos melhor.

Nesse contexto, em que as nossas projecções sobre o que virá a seguir ganham substância, o tema da esperança volta às conversas como se tivesse de haver uma janela aberta num cenário em que as portas se fecham.

O facto é que há. Há sempre. Contra tudo o que se possa dizer, seja em que circunstâncias for, um qualquer reduto de esperança resiste em nós. Queremos acreditar que existem finais felizes, que depois da tempestade vem a bonança, que por pior que as situações se nos afigurem, haverá uma saída airosa que, a seu tempo, descobriremos. E porque queremos acreditar, acreditamos. Não por mérito de políticas promotoras de esperança, não por acção de enquadramentos económicos que facilitem a vida, não por causa de medidas sociais que garantam direitos e futuros.

Embora, mais do que simpático, seja mesmo desejável que os poderes públicos se preocupem com o bem-estar dos cidadãos, a esperança é uma qualidade de crença humana que desafia o senso comum, quando não mesmo o bom senso.

Além de ser uma das três virtudes teologais do cristianismo (juntamente com a fé e a caridade), o que já nos diz alguma coisa da sua natureza da fé, a esperança em alguma filosofia tem sido considerada como a condição de sanidade na luta contra o desespero que a nossa condição de mortais augura.

De um ponto de vista psicológico, em que existe, em rigor, uma verdadeira teoria da esperança, esta tem sido descrita como uma variável positiva num sistema dinâmico cognitivo e motavicional que pode ser conceptualizado em termos de capacidade percebida para gerar caminhos para objectivos desejados   e de se automotivar a percorrer esses caminhos.

Quer isto dizer que a esperança é uma construção pessoal e singular que tenta driblar a adversidade e descobrir trilhos mesmo em terrenos improváveis.

Porque assim é, somos capazes de começar novos anos repetindo velhos gestos e acreditando que vamos conseguir dar um jeito de fazer com que as coisas corram melhor.

Pode ser esperança. Pode ser apenas humano.


2 comentários:

Teresa Diniz disse...

Muito verdadeiro! Porque somos humanos...
Um bom ano de 2016! Se não for melhor, que não seja pior, não é?
Nós por aqui andaremos :)

Beijinhos

César Ramos disse...

Olá, boas entradas, neste 2016 que acaba de ser inaugurado.Perdi o hábito de espreitar se tenho comentários, mas, desta vez, vim aqui casualmente e vejo-me contemplado com a sua presença. Muito obrigado. Agradeço ainda, os seus votos de bom ano, e retribuo com um grande abraço.