[ Vox populi vox Dei ]

2013-05-24

« O HOMEM - UM BUSCADOR DA FELICIDADE »




O que é a felicidade? Quando olho o mundo com atenção e observo as pessoas sempre a correr e, tantas vezes, de semblante carregado, pergunto-me o porquê de tanta agitação, de tanto stress e dou muitas vezes comigo a pensar, o que é a felicidade? O que nos poderia ajudar a dar mais sentido à vida, a torná-la mais leve e a fazer do sorriso um companheiro de todos os dias?

Esta pergunta é uma interrogação de ontem, de hoje e de sempre, porque no âmago de cada ser humano está gravado o desejo de ser feliz. Se o ímpeto para a felicidade é uma vocação nossa que nos faz persegui-la e até a tornar realizável, por que é que há tanta gente infeliz, por que é que temos tantas dificuldades em construir a felicidade?






Por que é que há pessoas que aparentemente não têm nada, enfrentam dificuldades de toda a ordem - económicas, problemas de saúde, contextos sócio culturais difíceis  - sentem-se felizes e, mesmo assim, encontram sentido na vida, enquanto que há outras que aparentemente têm tudo - dinheiro, poder e mesmo  pertencendo a meios privilegiados sentem-se as pessoas mais desgraçadas do mundo?

Estas e outras perguntas têm-me feito pensar muito e a procurar dentro de mim esclarecimento para estas dúvidas.

Por agora, no meu olhar de 'peregrino do saber' que procura, sabendo que quase tudo me falta aprender, encontro na sociedade materialista, hedonista, que desenvolveu o relativismo, o facilitismo, o culto das aparências e a competição, fatores importantes que desorientaram o Homem de hoje, distraindo-o, seduzindo-o e afastando-o de ser quem é. 





Esta crise ocidental afetou a educação e a cultura.. Os meios de informação também não estiveram à altura de contribuir para o desenvolvimento pessoal e social do Homem; muitas vezes até o dificultaram, confundindo-o e não lhe permitindo discernir entre o superficial e o profundo, o imediato e o duradouro, manipulando-o muitas vezes no sentido do desejar e não do querer, ou seja, não promovendo uma educação e uma cultura assente no conhecimento, na liberdade e na responsabilidade.

Os adolescentes, que são os futuros adultos, são as principais vítimas desta crise, porque os modelos que vão recebendo apontam cada vez mais para o prazer imediato, para realizações fáceis, ou seja para o curto prazo que tem pouco a ver com a realização pessoal de cada um, mas muito a ver com a sociedade da pressa e do "fast-food"  que se vive em todos os setores da vida.

É uma moda difícil de contrariar, até pelos adultos, quanto mais pelos adolescentes. A sociedade de consumo e da competição, consome os dias  e as energias que seriam necessárias para o desenvolvimento de um projeto coletivo e pessoal autêntico, ancorado na estrutura familiar, social e histórico cultural que promoveriam o desenvolvimento humano.

Talvez por estarmos nesta crise é que se fale tanto de felicidade e se corra atrás dela e, embora tenhamos meios técnicos e científicos como nunca tivemos, talvez o homem nunca se tenha sentido tão vazio.






Talvez por isso sejam raros os sorrisos e os rostos carregados já não são só uma marca da idade avançada mas encontra-mo-los cada vez mais nos jovens!

Quem viajar todos os dias é assustador o que se observa todas as manhãs. Sente-se nos rostos e corpos das pessoas com quem nos cruzamos, que o dia que desperta é um peso e não uma dádiva... Na pressa de chegar, os encontrões  substituem os bons dias, os pais gritam com os filhos porque estão atrasados, os filhos ofendem os pais porque os consideram "cotas" e não satisfazem os seus desejos de momento e além da confusão sente-se que o vazio e a angústia enchem as pessoas que circulam. Mas há exceções, há algumas pessoas que se alheiam de tudo isto e outras que observam e se interrogam do porquê de tanta agitação e correria e outras ainda, poucas sem dúvida, devolvem uma gentileza e até um sorriso.






Então o que é que poderá fazer mudar esta situação? O que é que terá o poder de saciar o Homem dessa fome de felicidade? Onde podemos encontrar a "Pedra Filosofal" que nos fará felizes? Se recuarmos no tempo e nos debruçarmos sobre as reflexões filosóficas dos grandes pensadores da Antiguidade e também nos de hoje, talvez encontremos pistas que possam orientar o nosso caminho e nos ajudem a encontrar meios para sermos felizes, já que penso que a felicidade consiste na nossa plena realização, que quando se alcança, também transborda em dons para os outros e assim se criarão laços de fraterna amizade na busca constante duma felicidade.








2 comentários:

trepadeira disse...

Caro César

Se houvesse uma resposta fácil.
Vamos caminhando,de mão dada com a natureza,ao seu ritmo,devagar,às vezes mais depressa,a felicidade sinto-a no caminho,no acordar,no companheirismo,na mão para ajudar a levantar-me,num olhar,uma pequena carícia,sei lá,por aí fora.

Abraço,

mário

Mar Arável disse...

Na verdade relativa

a felicidade é tão só
um vagaroso instante

e já é tanto
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