[ Vox populi vox Dei ]

2012-10-21

« O CONFORMISMO ... ESSE FILHO DO MEDO... »





Conformismo

Forma de influência social que resulta do facto de  uma pessoas mudar o seu comportamento ou  as  suas atitudes por afeito ou pressão do grupo.

Processos subjacentes ao comportamento conformista

1.A unanimidade do grupo – o conformismo é maior nos grupos em que há unanimidade.

2.A natureza da resposta – O conformismo aumenta quando a resposta é dada publicamente. Esta é a razão do uso do voto secreto, para assegurar o máximo de liberdade e independência na escolha.

3.A ambiguidade da situação – a pressão do grupo aumenta quando não estamos certos do que é  correcto.

4.A importância do grupo – quanto mais atractivo for o grupo para a pessoa maior é a  probabilidade de ela se conformar.

5.A auto estima – as pessoas com um nível mais elevado de auto  estima são  mais independentes do que as que têm uma auto estima mais baixa,  que são,  naturalmente,  mais  conformistas. As razões  que  levam  as pessoas a conformar-se  são as mesma que as levam  a  fazer parte de grupos: a necessidade de ser aceite e de interagir com os outros.















Penso que se julga que o conformismo é uma caracterísitca de personalidade entre outras, havendo assim pessoas mais conformistas e dispostas a conformarem-se do que outras.

Outra forma de colocar as coisas é considerar que o conformismo é um resultado, um produto, que ocorre de forma mais ou menos nítida num contexto relacional e num quadro de relações assimétricas.

Explicando melhor: todos nós, desde pequenos, somos coagidos a uma indispensável socialização. Aprendemos a falar um dada língua, a ter uma posição ereta, a comportarmo-nos de uma certa forma porque quem nos cuida assim o determina.

Somos quem somos porque aderimos, sem alternativa, primeiro a aprendizagens básicas, depois, vida fora e de forma cada vez mais sofisticada, a regras, preceitos, crenças e valores.

Somos conforme se deve ser para um dado grupo de pertença - habitualmente a família - e, durante o percurso de uma vida, vamos mudando de pessoas e grupos e adquirindo as respetivas conformidades que valorizamos ou nos fazem um qualquer sentido.

Assim sendo, e para todos nós, o conformismo dá conta de um processo de adesão, inevitavelmente humano, as normas de outras pessoas ou de grupos. Deste processo natural não damos conta, nem em nós nem nos outros, a não ser que a adesão surja como submissão.






Só quando a vontade de um outro prevalece sobre a nossa, só quando damos conta de que somos ambivalentes ou críticos em relação a comportamentos ou ideias que assumimos como nossos, é que percebemos que estamos a ser submissos.

Porque é que as pessoas se submetem, porque é que não se revoltam, é pois a questão seguinte: a resposta não é difícil, já com tantas interdependências que a maioria das pessoas nem sabe que se pode revoltar!

Enquadrados em grupos, em ideias e em convicções que partilhamos com aqueles de quem gostamos, não temos espaço individual para rejeitar formas de vida que, seguramente, partilhamos com muitos outros.

Há quem ache que se é conformista por falta de imaginação, por ignorância, medo ou passividade - por já não valer a pena!  É verdade... Mas sobretudo é-se conformista pelo receio atávico de se perder pessoas e elos significativos.

Baseado nuns textos académicos sobre psicologia, redigi este apanhado que, de alguma maneira também parece conformista com o statu quo (...)

Por amor aos meus pais e à família, jamais instalei na minha mente emigrar para um país mais ou menos distante, em busca de uma vida alegadamente melhor. Então... e as saudades? Então... e o resto? Então, de forma conformista, ingressei nas fileiras das Forças Armadas, e «emigraram-me» para a guerra das então colónias portuguesas de África! (...) Lá se foi o preconceito das saudades e do tal resto, para o brejo!!

.
 Mafalda, a conhecida "inventora" 
do 
inconformismo


Para que o mundo pule e avance, precisamos de ter a coragem de assumirmos o inconformismo. Indo mais longe, devemos até enveredar pelos caminhos da desobediência...

O inconformismo é o grande motor das descobertas tecnológicas, filosóficas, científicas etc.; é eficaz na luta contra preconceitos negativos, era bom se as pessoas que pertencem a regimes políticos ditatoriais fossem inconformistas e desobedientes!

Acho que, atualmente, é o  caso português ...





2 comentários:

trepadeira disse...

O medo,a vidinha,o egoísmo,o tal de sucesso,levam irremediavelmente ao conformismo.
Há muitos a acordarem,já sentem forte o errado que é o caminho.

O Quino e a Mafalda,sempre um gosto.

Um abraço,
mário

Anónimo disse...

Penso que tenho alguma legitimidade e autoridade para falar sobre inconformismo.Digam o que disserem, façam o que quiserem mas o inconformado é aquela pessoa que luta na lama e mesmo que consiga sair vitorioso há sempre alguém que sorrateiramente o torna a empurrar para o mesmo sítio.