[ Vox populi vox Dei ]

2012-03-30

« MEMÓRIA DOS TEMPOS »

O homem registou a entrada no ano 1000, ia pelo meio a Idade Média, ainda num caminhar incerto marcado por grandes  medos e estranhas contradições.

Em dez séculos, o salto foi gigantesco. Na travessia do século XIX para o século XX, a humanidade exibia um grande orgulho pelo caminho percorrido e imaginava o futuro com uma confiança firme.. A ideologia do progresso era o denominador comum. Acreditava-se que a razão, a inteligência e as lutas sociais funcionavam como alavancas da humanização da vida. Generalizava-se a convicção de que a ciência estaria cada vez mais ao serviço do homem.

Entretanto, neste patamar do terceiro milénio, o panorama de crises encadeadas, cada vez mais devastadoras, leva a que a pressão exercida pelo mundo do capital sobre o mundo do pensamento seja permanente e muito forte.







O homem novo não apareceu e a religião do dinheiro defende as desigualdades e pretende  apresentá-las  como alicerce do progresso.

Os multimilionários que encabeçam a lista dos homens mais ricos do mundo possuem fortunas  que são quase metade da parcela mais pobre da humanidade. Só o volume de vendas anual da General Motors é superior ao PIB de um país rico como a Dinamarca.

A revolução tecno-eletrónica, cujos efeitos na evolução das sociedades  contemporâneas não foram ainda estudados, poderia e devia ter sido colocada ao serviço da humanidade, porém, está a ocorrer o contrário. Este, tal como outros grandes obetivos das revoluções, não se materializaram.

Nunca antes a humanidade imitou tão perigosamente como hoje os aprendizes de feiticeiro. O assalto à razão desenvolve-se em duas frentes num complexo processo de interação: a imperial e a do mercado. Forças poderosas acionam mecanismos cujo funcionamento escapa cada vez mais ao seu controlo.

Quando a sociedade é colocada ao serviço da economia e não ocorre o contrário, o funcionamento do mercado aparece como muito mais importante do que a felicidade dos seres humanos.







É nossa convicção que neste limiar do novo milénio, a humanidade está a ser empurrada para uma catástrofe de proporções planetárias... Deixa antever que se encontra muito próxima da beira do precipício.

A globalização neoliberal não promove somente o desemprego, a pobreza, a desigualdade social. Promove também a exploração do próximo e a aniquilação da natureza. É tudo aquilo que nos está atacando o corpo e envenenando a alma e nos está a deixar sem mundo...

Entramos mal no século XXI. Mas depende de nós, do homem, responsável por incontáveis e monstruosos crimes, mas também por prodigiosas conquistas,  encontrar a saída para a atual crise.

Temos de partir do que somos, do que fizemos, sem a ideia abstrusa de enterrar o passado, desconhecendo que o presente nasceu dele.





A globalização neoliberal, como projeto de futuro parece estar condenada. A agonia poderá ser lenta, mas a irracionalidade do modelo inviabiliza-o. A dificuldade começa nesta pergunta elementar: se hoje a esquerda não se encontrar sequer em condições de formular com clareza uma alternativa credível, que revolução queremos, com que revolução sonhamos?

Mas, porque não perdemos a confiança no Homem, acreditamos que acontecerá a globalização da solidariedade entre os povos.

A tarefa de tornar possível o impossível, está ao alcance da humanidade. Esse... é o grande desafio do século XXI.


7 comentários:

Maria José Meireles disse...

Lindo!...

trepadeira disse...

Claro,preciso,conciso e,muito,muito,lúcido,sempre.

Um abraço,
mário

Teté disse...

Concordo a 100%! Aliás, há por aí uma imagem a circular no FB que ilustra a frase "quando os mercados entram pela porta, a democracia sai pela janela"... É preciso dizer mais?

Curioso também que em tantos blogues linkados, tenhamos apenas dois ou três em comum... devem ser diferentes perspetivas! :)))

Bom domingo!

ps - tinha prometido a visita, não há a mínima intenção de chatear com o comentário...

Mar Arável disse...

... entretanto é preciso resistir

ao fim da História
e caminhar no rasto do sonho

São disse...

Gostei do texto, mais ainda das ilustrações. aquela Natureza Morta está muito boa.


DEsejo uma Páscoa de alegria e esperança junto à família.

POR FAVOR, retire as duas horríveis letras de verificação, que neste momento vão em seis""

irene alves disse...

Gostei muito deste seu post meu
amigo. Obrigada pelas suas
palavras no meu blogue.
Desejo também a si e sua
Família uma Feliz Páscoa.
Bj.
Irene Alves

Irene Alves disse...

Obrigada meu amigo pelas suas
sensíveis palavras sobre o
vídeo que elaborei.Não tenho
ainda muita experiência de
os executar. Desejo que esteja
bem e um beijinho.
Irene Alves