[ Vox populi vox Dei ]

2011-11-18

« ESTADO FALIDO A PASSOS LARGOS, DESPREZANDO RECURSOS »




 Portugal, a passos largos, caminha para a falência sem saber aproveitar recursos. É confrangedor folhear as páginas dos jornais, ver a televisão e ouvir rádio e só encontrarmos notícias que nos mostram um Estado nas lonas, um Governo em maus lençóis para resolver o problema da crise, que é, cada vez mais e perigosamente, sistémica - isto é, abrange grande parte do mundo, com poucas exceções e toca em todos os setores - e pouco de atitudes pró-criativas nos aparecem credíveis e seguras, para além dos fatídicos e fatais cortes sobre cortes.

Para contornar um mau estar que já se apodera de todos nós e nos faça cair em depressão profunda, dedicámos algum tempo à pesquisa de hipóteses, ou pequenas soluções, que aos grandes cérebros escapa, mas ao cidadão comum apresenta-se à vista. 

Sendo coisas simples e óbvias, só pecam por tardias no seu estado de abandono e desmazelo. Curtas e cirúrgicas, ao aplicá-las, mesmo que não resultassem em grossas receitas, acabariam por dar bons sinais, pelo menos em termos de aproveitamento dos recursos que para aí andam ao desbarato.


Começamos por uma série de instalações sem préstimos, algumas delas com tantas histórias e não menos proveitos, a título de exemplar e a saber: casas de guardas-florestais, abandonadas por desleixo, incúria e más políticas, postos desativados da Polícia, G.N.R., antiga Guarda-Fiscal, Polícia Marítina, casas dos magistrados, surripiadas às Câmaras Municipais, em muitos casos ex-Governos Civis.

 Casa da Guarda-Florestal, abandonada e degradada - Região de Viseu



Posto abandonado da antiga Guarda-Fiscal (GNR atual)  - Monte Gordo

Em sede de Estradas de Portugal, dizem que a viver uma crise sem precedentes, quando foi, enquanto Junta Autónoma de Estradas, um estado dentro do estado e com ares de poder absoluto, muito há alienar: troços construídos e postos na prateleira por decisões diversas, que podem ser vendidos a proprietários confinantes, ou restituídos a seus antigos donos expropriados, em condições a acertar, casas de cantoneiros, cujo desperdício e colocação fora de serviço foi um tremendo erro, mas está feito, árvores em adiantada idade e de boa qualidade, abrigos diversos e afins.

 Caminho e mata florestal ao abandono numa região do norte do país - Alcofra

Pegando nos Caminhos de Ferro, há quilómetros de linhas que podem ser convertidas em solo rentável, uma vez que houve o desplante de as desativar, existem centenas de ricas estações que caem aos bocados, que se desmoronam ao sabor do vento, das intempéries e da velhice, que também lhes chega.

 Linha de caminho de ferro abandonada - Ramal de Estremoz

Mas há ainda as matas ao abandono, florestas tiradas aos povos com muita angústia e raiva incontidas, que bem podem e devem ser aproveitadas, sendo passíveis de concessão, de venda, arrendamento, ou utilização em direito de superfície, para além de outras eventuais soluções.

 Estação dos Caminhos de Ferro abandonada  - Vilarinho das Paranheiras - Trás-os-Montes



Nesta vertente, estranha-se que sejam pagas avultadas verbas com arrendamentos, depois de se alienarem instalações originais, numa arte de engenharia financeira e orçamental que só tapa o buraco de um ano e se repercute pelos anos fora, ao mesmo tempo que temos estes citados imóveis a desfazerem-se e ao deus-dará.

Rezam as crónicas que o Estado é muito maior do que aquilo que pensamos, mesmo que não alarguemos o conceito até ao seu limite, que o considera em tudo o que temos e somos.

O que acabámos de citar encaixa, na perfeição, nas autarquias locais, nos diversos institutos e empresas públicas e outros agentes ativos da esfera da governação.

Logo, também estas entidades têm o dever de olhar por esse património perdido e que muito poderá ajudar cofres vazios e sem esperança...


8 comentários:

Luís Coelho disse...

Um país com tantos chefes a ganharem o ordenado e sem fazerem nada...
Um pais onde todos votam ...
Um país que se afunda porque não tem políticos nem politicas com rigor, dignidade e em proveito do povo e não em proveito de uns quantos que vão mamando descaradamente.......

Maria José Meireles disse...

César, parabéns. É necessário encher os "cofres vazios" com "esperança" e o César continua a colher o meu voto.
Abraço

Luisa disse...

Dizem que, temos que empobrecer para resolver a crise. Seria de rir se o caso não fosse dramático! Devem querer que sejamos a RPC da Europa, salários baixos, pouco mais que um prato de arroz, o povo amordaçado e os senhores do poder gordos e repressivos!...
A cultura e a educação são os pilares fortes de um povo, é no que eles mais cortam é no que se tem investido menos há três décadas.

Bom fim de semana

Beijo

Irene Alves disse...

O meu amigo Luís disse tudo.
Realmente as Autarquias também
esbanjam muitos milhares de euros
para nada e não investem onde
deveriam. Não é só o Estado central.
Havia muito a fazer,sem dúvida, e
o principal nem seriam os euros mas
a vontade/a decisão.Temos uns políticos "muito esquisitos"sempre
tivemos.Um abraço/Irene

Orlando Terra Seca disse...

Corroboro tudo o que disse e ilustrou Amigo César Ramos. O país não precisaria de tanta austeridade se efectivamente fosse mais activo e deixasse de ser tão burocrático. O que se estraga ou desperdiça, dava para a população viver com mais dignidade. Vemos o que mostrou e referenciou mas há ainda o que se esconde por trás de resmas de papéis. Empresas falidas com património valiosíssimo que poderiam compensar dívidas aos trabalhadores, credores e até ao Estado, e que, a burocracia, falta de operacionalidade dos tribunais, permitem que se degradem, fiquem sem qualquer valor, e se tornem inúteis seja para o que for. O mesmo se passa com as apreensões de automóveis, barcos, navios e outros, por confisco ou qualquer outra irregularidade. Somos como diz um país falido, penso que o somos materialmente mas também moralmente, geralmente uma coisa anda de braço dado com a outra.Andamos a pairar, sem rumo e cada vez mais, sem destino.
Um abraço

O Puma disse...

Sempre fomos ricos

em desperdícios

stella disse...

Me han gustado las fotografías que dejas, ¡lástima que algunas estén abandonadas, te doy las gracias por acercarlas a nosotros y por los magnificos poemas de Pessoa
Un abrazo
Stella

Mag. disse...

Sempre ouvi dizer Portugal é Lisboa, o resto é paisagem,a confirmação veio com os políticos que têm desgovernado o país.