[ Vox populi vox Dei ]

2011-09-07

« FEBRE do OURO... E os GARIMPEIROS do SÉC. XXI »



Ao sentirmos em cada esquina de nossas vilas e cidades uma febrite no comércio de ouro e jóias, somos logo levados a pensar que anda mouro na costa. Este, que por aí circula, tem cara e corpo de monstro. Com tiques de dinheiro debaixo do colchão, ou de meio de salvação em situação de aflição, eis que uma sua consequência, a do vil metal circulante, a moeda, escasseia quanto ao que é necessário: a movimentação de mercadorias e afins, essas molas reais da economia criadora.

Aforra-se mais, gasta-se menos e quem paga é o emprego, numa espiral de crise que já faz destes tempos os piores, em décadas, em sede de consumo privado.

Há sinais que falam por si. Este de termos muitas lojas de ouro e cada vez menos de roupa, de víveres, de papelaria, de alfaiataria, de barbearia, de sandes e petiscos conduz-nos, de imediato, ao reino que mais tememos, o da recessão, que, ameaçando a cada passo, ronda as nossas casas e diz-nos que são negros os tempos que aí vêm.

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Por mais otimistas que queiramos ser, estes próximos anos não auguram nada de bom.

Se, por outro lado, nos debruçarmos sobre a agenda que os deputados da Assembleia da República têm nas mãos, vemos, sem grande, ou nenhuma alegria, que é de cortes que se vai falar, discutir e, acima de toda essa dose de argumentos, aprovar sem apelo nem agravo.

Preparemo-nos para a dureza de uma vida que não será fácil, nem desejável, mas que não nos escapará, por mais dolorosa que seja. Resta-nos um caminho: encontrar o engenho e a arte para lhe resistir.


É neste quadro que se encontra Portugal e, em certa medida, muito do mundo à nossa volta. Se, pelo contrário, fossemos os únicos a passar por este mau bocado, seria quase certo que não faltaria uma qualquer mão salvadora, porque, ao sabermos fazer dos melhores sapatos do mundo, ao termos aumentado, significativamente, a produção e veículos automóveis, ao sermos detentores de um clima e de um país invejável, estamos convencidos que a vitória não nos fugiria.

O pior é que a crise é global e sistémica, não escolhendo nem alvos, nem espaços geográficos, nem setores, factos que agravam tudo isto.

Neste contexto, veja-se o que está a acontecer, por exemplo, no Luxemburgo, outrora um paraíso e agora a ser palco de um crescente desemprego, o que tanto preocupa a comunidade portuguesa lá residente. Lá e cá e noutros locais, nada ou pouco se recomenda em matéria de sossego empresarial e de posto de trabalho.

Assim sendo, é toda a frota que se está a afundar e não apenas o nosso barco, facto que torna mais difícil a busca de soluções duradouras e eficazes.

Com uma quebra acentuada na produção de cereais, por razões de mau planeamento, más políticas  europeias e fatores climatéricos adversos, não se está no bom caminho, nem perto do fim deste calvário. Ou seja: com crise no comércio, na agricultura, na indústria, nos serviços, no mercado imobiliário, na construção civil, com a descida abrupta nos investimentos públicos e privados, só se vê negrume no céu que temos acima de nós.

Por estranho que pareça, a dose de confiança que os jovens futebolistas Sub - 20 foram capazes de nos transmitir lá longe, na Colômbia, a já apregoada " Geração Coragem ", diz-nos que, afinal, temos ainda razões e esperança para não deixarmos que o desânimo nos destrua de todo.

Lamento discordar deste conceito, dito animador, que oiço pelas capelinhas por esse Portugal fora... mas não me animo com a trilogia de todos os tempos de péssima memória:  "Futebol"... "Fátima"... e "Fado".



Na falta de melhor oportunidade de levantar o moral nacional, o Presidente da República, Prof. Cavaco Silva, condecorou a Seleção Nacional,  Sub-20, de Futebol. 

Atletas, Equipa Técnica e Dirigentes, foram agraciados com vários graus de Ordens Honoríficas Portuguesas. 

Tenho uma condecoração de semelhante valor, a qual me ia custando a vida,  lutando pela Pátria. 

Estou tentado a devolvê-la (...)

Para que possamos ultrapassar os difíceis objetivos que se atravessam no caminho do futuro de Portugal e dos portugueses, uma condição também se impõe:

- Termos políticos de palavra, credíveis, em quem possamos confiar. E é isso que, esperamos, vivamente, que um dia venha a acontecer (...)

8 comentários:

trepadeira disse...

Caro César

A tal trilogia sempre me anojou,salvo raríssimas excepções,no fado claro.
É assim uma espécie de droga de má qualidade.
Aos garimpeiros,já que tanto gostam de ouro e jóias,dáva-lhas para delas se alimentarem.

É possível outro caminho.
Lutar.

Um abraço,
mário

Maria José Meireles disse...

César, em Braga a trilogia é outra, conhece?

Abraço,

Maria José Meireles

O Puma disse...

Oremos?

Cris disse...

Querido Amigo, lendo esse seu post, teno um coração metade luso, fico aqui do Brasil sonhando, torcendo e pensando nessa MINHA GENTE , NESSE MEU PAÍS que amo e que mesmo abatido daqui ou dali vai reerguer sua economia e sses políticos que vc cita no final poderão, sim, salvar a pátria. Por que, não ? Vamos acreditar !
O mundo está em uma ladeira sem freios. É verdade. Acho que estamos vivendo tempos de decisões e transformações gerais e profundas. Isso é amrgo, custa altos preços, mas é preciso. Afinal, brincamos tanto com a criação de tudo que chegou o momento de um acerto.
Portugal se reergueu de várias crises e sempre foi um país de gente trabalhadora, firme, forte...cheia de sonhos e coragem.
Será assim: vencendo cada dia e fazendo Portugal o sonho de cada cidadão.
Um forte abraço de alguém que mesmo longe, ama, vibra, sofre, torce, defende e orgulha-se dessas Terras.
Cris

Cris disse...

Querido Amigo, lendo esse seu post, teno um coração metade luso, fico aqui do Brasil sonhando, torcendo e pensando nessa MINHA GENTE , NESSE MEU PAÍS que amo e que mesmo abatido daqui ou dali vai reerguer sua economia e sses políticos que vc cita no final poderão, sim, salvar a pátria. Por que, não ? Vamos acreditar !
O mundo está em uma ladeira sem freios. É verdade. Acho que estamos vivendo tempos de decisões e transformações gerais e profundas. Isso é amrgo, custa altos preços, mas é preciso. Afinal, brincamos tanto com a criação de tudo que chegou o momento de um acerto.
Portugal se reergueu de várias crises e sempre foi um país de gente trabalhadora, firme, forte...cheia de sonhos e coragem.
Será assim: vencendo cada dia e fazendo Portugal o sonho de cada cidadão.
Um forte abraço de alguém que mesmo longe, ama, vibra, sofre, torce, defende e orgulha-se dessas Terras.

momo disse...

interesante ...muito.Siempre hay otro camino, pero hay que empezar a hacerlo.
Ahhhh que lindo el hamster...le di de comer

Ana Arend disse...

César, faz parte dos tempos em que vivemos, o futuro é consequência do presente, e esperar pelos outros, eu não espero, procuro começar a mudar as coisas em mim.....Um abraço

Palma disse...

UM bom artigo como sempre.
O dinheiro dos tolos é o patrimônio dos espertos. ~ Frase de Denis Diderot

-- Bom fim de Verão.