[ Vox populi vox Dei ]

2011-09-27

« ANGOLA... DIAMANTE DELAPIDADO... ATÉ QUANDO? »






CAPA  do  LIVRO  
"DIAMANTES DE SANGUE"



Sinopse:

O trabalho de investigação de Rafael Marques é já bem conhecido, sobretudo através dos canais de comunicação on-line. 
É ele um dos principais responsáveis por denunciar e divulgar os esquemas de corrupção que envolvem as mais altas esferas do poder em Angola, bem como as empresas e entidades estrangeiras que com ele negoceiam. 
Na região do Cuango, a situação é trágica. Para benefício dos que exploram os diamantes, as populações são mantidas em condições de quase escravatura, sendo torturadas, assassinadas, roubadas e impedidas de manter quaisquer actividades de auto-subsistência. 
As autoridades e o governo ignoram os crimes, as forças armadas e policiais são não só coniventes como também protagonistas desses crimes.


Vídeo da entrevista com o autor do livro 
« Diamantes de Sangue » - Rafael Marques





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 O regime angolano está satisfeito com o governo português dirigido pelo “africanista de Massamá”,  Passos Coelho.

“Está a sair melhor do que a encomenda”, dizem fontes do partido que dirige Angola desde 1974 (o MPLA) e do presidente que está há 32 anos no poder sem ter sido eleito. Acrescentam que, afinal, para os objectivos de Luanda a estratégia de Passos Coelho é bem mais agradável do que a de José Sócrates.

José Eduardo dos Santos perdeu um velho amigo, José Sócrates, mas encontrou na dupla Passos Coelho/Paulo Portas novos amigos que continuam não só a considerá-lo um “líder carismático” como ainda abriram mais as portas que existem e as que não existem à entrada triunfal do seu clã.

De facto, tal como José Sócrates, também o actual governo português não está interessado em que o MPLA alguma vez deixe de ser dono de Angola. O processo de bajulação continua a bem, dizem, de uma diplomacia económica que – neste caso – se está nas tintas para os angolanos.

Embora já não tendo, como no tempo de Sócrates, tantos ditadores para idolatrar, o governo português continua a querer dar-se bem com os que existem, sobretudo com aqueles que têm dinheiro para ajudar a flutuar as ocidentais praias lusitanas.

É disso paradigma o actual líder do país (Angola) que preside à Comunidade de Países de Língua Portuguesa e que, como prova da democraticidade do seu regime, está no poder – repita-se - há 32 anos sem ter sido eleito.

Paulo Portas, que até foi excepcionalmente recebido pelo dono de Angola, acredita que o importante para Portugal são os poucos que têm milhões e não, claro, os milhões que têm pouco… ou nada. E tem razão.

A Portugal interessam apenas aqueles angolanos que já representam 30% do mercado de luxo português, que vestem Hugo Boss ou Ermenegildo Zegna, que compram relógios de ouro Patek Phillipe e Rolex.

Quanto aos outros, os 70% da população que vive na miséria, que é pé descalço, que tem a barriga vazia, que vive nos bairros de lata, que é gerado com fome, nasce com fome e morre pouco depois com... fome, esses que se lixem.

E se Portas diz que as relações com Angola são excelentes, é porque são mesmo. Eu diria bem mais do que excelentes... na óptica da Oferta Pública de Aquisição lançada por Angola (que não pelos angolanos) sobre Portugal.

Tão excelentes como o facto de 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos. Tão excelentes como Angola ser um dos países mais corruptos do mundo.

Tão excelentes como a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens ser o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos. Tão excelentes como o facto de 80% do Produto Interno Bruto ser produzido por estrangeiros; mais de 90% da riqueza nacional privada ser subtraída do erário público e estar concentrada em menos de 0,5% de uma população.

Tão excelentes como a certeza de que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, estar limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

Como se já não bastasse a recente bajulação socialista de Lisboa ao regime angolano, os portugueses continuam agora a assistir a novos episódios da mesma bajulação, embora com diferentes protagonistas.

Parafraseando José Sócrates, não basta ser primeiro-ministro ou ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros para saber contar até doze sem ter de se descalçar... Mas, é claro, ser do governo é suficiente para, por ajuste directo, entregar ao dono de Angola tudo o que ele quiser. Espera-se, aliás,  que queira tudo e mais alguma coisa.




Orlando Castro











Texto in:  http://altohama.blogspot.com
Imagens: Net
 

2 comentários:

Maria Lúcia disse...

Olá, César!

Vim comunicar que transferi meus blogs para a plataforma WordPress.

Blog da Maria Lúcia – Língua Portuguesa
http://professoramarialucia.wordpress.com/

Tudo que eu quiser postar – Variedades
http://tudoqueeuquiserpostar.wordpress.com/

Abraços!
Maria Lúcia Marangon

Marcos Pinho de Escobar disse...

Excelente texto. De facto, a gama completa dos abrileiros e quejandos está de parabéns. Podem limpar as patas à parede.