[ Vox populi vox Dei ]

2011-08-10

« VOILÀ... UM AMERICANO JEITOSO: - O VINHO MORANGUEIRO »





O vinho americano ou morangueiro é típico de algumas localidades  de Lafões. No concelho de Oliveira de Frades, é na freguesia de Ribeiradio que este tipo de vinho tem uma maior expressão, se bem que a sua produção tem conhecido um decréscimo.

O vinho morangueiro apareceu em Portugal na sequência da destruição dos vinhedos tradicionais causados pela filioxera.

Ganhou particular relevo no norte do país (Minho, Douro Litoral e nas Beiras), abrangendo zonas  que pela sua humidade e altitude não permitem o cultivo da vinha europeia.

Foi nessas zonas que este vinho ganhou maior adesão popular, particularmente porque as vinhas americanas produziam mais que as europeias.

A competição feita aos bons vinhos foi intensa, redundando na proibição da comercialização do morangueiro.

Na região de Lafões, a freguesia de Ribeiradio é um dos melhores exemplos de um local onde o vinho americano é expressivo.

Os produtores, sobretudo, são conhecedores deste produto que, durante anos trouxe gente a estas paragens para provar e comprar este néctar,  e vinham buscar pipos e levavam quatro a cinco mil litros de cada vez. 

Era um vinho apreciado por muitos, e ao passarem a palavra conseguia-se escoar muita produção. Agora há menos procura e menos venda.

Reconhece-se no entanto que a produção tem baixado significativamente nos últimos anos, muito graças às alterações de hábitos alimentares das gerações, mas também às  medidas  "do tempo de Salazar, que acabaram por não fomentar o seu desenvolvimento".

A preservação desta qualidade de vinho, com um paladar diferente e característico, deve ser feita em prol das raízes culturais desta região.

Especialistas acreditam que só assim se poderá fazer justiça para com este vinho, que teve uma importância fulcral no século passado, tanto como espécie autónoma, como para salvar as qualidades nacionais.

Apesar da diminuição da produção, em Ribeiradio, mas também em outras freguesias, é possível ver os cordões de vinha ao longo das terras ocupadas com outras culturas. As ramadas, especialmente nos quintais e junto às habitações, são outra das características desta espécie de vinha, que se estende ao longo de arames e esteios, numa conjugação que não tem conquistado as novas gerações.
Tudo começou no século XIX, quando chegaram dos Estados Unidos da América as videiras de vinho morangueiro ou americano como viria a ser conhecido.

O grande objectivo era neutralizar a filoxera, uma doença que estava a atacar a vinha nacional. Mas o que era para ser salvador da vinha, acabou por se transformar numa ameaça às culturas tradicionais, já que os produtores viram a extraordinária produtividade do vinho americano e também a sua grande capacidade de adaptação.

A acrescentar a estas  potencialidades, esta qualidade de vinha tem ainda a vantagem de resisitir a habitat frios e húmidos e de não pôr em causa as  outras produções agrícolas, como o milho, a batata ou mesmo as pastagens.


Uma característica desta vinha, disposta em "latadas",  proporcionando protecção solar a alguma lavoura e, ou, aos seus produtores que descansavam, ou divertiam-se sob a  sua sombra dedicando-se a múltiplas actividades.



Um cenário que agradava aos agricultores do Norte e das Beiras, que assim compunham o orçamento familiar, uma vez que o trabalho e o investimento com esta cultura também não eram significativos.

Ainda no que diz respeito a vantagens, registe-se que estas videiras, pelo porte e pela formação de ramadas, permitem a protecção de sementeiras do sol directo.

Em 1929 foi publicada legislação que obrigava a destruir a planta, já que os responsáveis políticos consideravam que esta espécie estava a prejudicar os vinhos nacionais. 

A eterna questão dos políticos, preocupados com o sucesso dos pequenos,  a favor dos grandes agrários!

A grande capacidade produtiva e o baixo preço, foram os argumentos utilizados pelo Estado para fazer cumprir a lei. A concorrência para com os vinhos nacionais sentia-se especialmente na abertura de vinhos novos, já que o vinho morangueiro tem um menor tempo de fermentação do que os restantes.
Mas os agricultores não viram com bons olhos a medida, já que esta planta lhes era útil e constituía uma forma de obter dividendos.

A juntar a estas vicissitudes, surgiu a desconfiança de que o vinho morangueiro prejudicava a saúde!!

Em 1936, saiu uma nova lei que impunha um prazo para reconversão ou destruição dos vinhedos, mas que acabou "esquecida" devida ao mau ano agrícola. Mas... o cenário de proibição foi mantido ao longo dos anos, com muita destruição pelo caminho.

Com a saída da ditadura, a proibição ficou esquecida, embora legalmente ainda seja uma realidade!

Há rumores de a União Europeia estar atenta ao assunto, podendo devolver ao vinho morangueiro a força de outrora.

Sendo conhecido também como vinho americano... esperemos que,
a Moody's...  não o considere... lixo!












6 comentários:

trepadeira disse...

Caro César

Ora aí está um belíssimo trabalho.

Por aqui tenho algumas videiras Morangueiro,que não deixei destruir nem enxertar.
Faço esse vinho separado.É uma delícia.
Tem uma maturação mais lenta e tardia,só o vindimo em finais de Outubro ou princípios de Novembro,dou-lhe mais algum tempo de fermentação,fica excelente.

Um abraço,
mário

César Ramos disse...

Amigo Mário,

Obrigado pelo comentário e gentil apreciação.

Desde garoto que entrei em contacto com esta "pomada" no Caramulo, e a simplicidade das pessoas chamavam-lhe "Verde"!

E os usos e costumes, desconheciam os copos. Bebia-se por tijelas!

Ali, por muito que se bebesse, ninguém podia ficar
com os copos!

Um abraço
César

Mar Arável disse...

Tenho uma latada de morangueiro na margem sul do Tejo que trouxe de Vale de Cambra onde nasci
porque produz uma uva aromática um vinho leve e sombra deliciosa e também porque foi perseguida pelo Salazar

Boa memória

Abraço

Anónimo disse...

Caro Mário
Quanto tempo de fermentação, exatamente, ou aproximadamente? Tenho um americano branco colhido há dias, algo ácido, e que parece fermentar mto devagar.Agora, não sei quando o trasvasar ou engarrafar em definitivo. Está a fermentar a cerca de 20-21 graus ambiente. Um palpite?
João Graça

Anónimo disse...

Caro João Graça...o vinho americano branco é um vinho com bastante teor alcolemico(em comparação com o tinto)e ao contrario do tinto é bastante agressivo e nada suave.Em relação á melhor altura para o engarrafar,é como qualquer vinho branco (feito tradicionalmente),mal esteja a borra acente e o vinho com cor límpida,deverá ser engarrafado. Nota- é um vinho que não aguenta mt tempo sem perder qualidade,por isso aconselho a beber antes de agosto para não correr o risco de se estragar.nao é um vinho que se possa engarrafar e deixar ficar na vasilha de um ano para o outro.já me aconteceu engarrafar em janeiro e em junho,para meu espanto quando abri uma garrafa fiquei surpreendido com o gas natural que o vinho tinha!tipo espumante. Desisti desse vinho porque no meu caso dava-me mts dores de cabeça e era agressivo para o estomago. a ideia que se generalizou de que o vinho americano não embebeda por ter pouco álcool é errada pq se as uvas tiverem maduras e forem de qualidade pode atigir os 10graus.
Bruno Capela

Anónimo disse...

Caro João...queira por favor citar fontes quando lhe der a preguiça e utilizar a wikipédia para as suas dissertações, pois não é justo para quem realmente produziu o texto. Isso chama-se plágio...
Obrigado e bom dia!