[ Vox populi vox Dei ]

2011-06-06

« A GUERRA DAS LARANJAS »

 A GUERRA das LARANJAS demonstrou a posição subalterna de Portugal 
no cenário político europeu  já naquele período histórico




 D. JOÃO VI  de  PORTUGAL
(1767 - 1826)
Cognome: O Clemente





Nos fins do século XVIII, a explosão do processo revolucionário francês atingiu vigorosamente as relações políticas entre as monarquias europeias. No caso de Portugal, as lutas contra os insurgentes franceses foram inicialmente evitadas com a assinatura de um termo de neutralidade.

Entretanto, assim que a França invadiu a Espanha, a posição lusitana foi abandonada por conta de um tratado de cooperação militar anteriormente assinado com os hispânicos.

De facto, o avanço francês contra os espanhóis durou pouco tempo e fora resolvido com um novo tratado de cooperação.

A partir desse momento, os portugueses eram pressionados pela Espanha a  aliar-se também  à França. Entretanto, a Inglaterra, nação que exercia forte influência económica em Portugal, lutava contra os exércitos revolucionários franceses e exigia que o governo português manifestasse apoio  ao  direcionamento  britânico,
enquanto Bonaparte e o rei de Espanha, impunham ao príncipe regente (futuro D. João VI) que este abandonasse a aliança com a Inglaterra e abrisse os portos aos navios franceses e espanhóis.           

Portugal não aceitou essas condições, e o desconforto da situação acabou dificultando a negociação de um tratado de neutralidade que atendesse as demandas de Portugal. Sem alternativas melhores, o governo lusitano organizou diversas tropas que esperavam uma vindoura invasão franco-espanhola aos seus territórios.

Contudo, entre 1799 e 1800, algumas vitórias dos exércitos antirrevolucionários, deram a Portugal a falsa impressão de que a guerra seria evitada em pouco tempo.

Precisando encurtar os gastos militares e liberar os soldados para o trabalho agrícola, o governo português resolveu diminuir os contingentes até ali empregues para uma possível guerra. Notando o recuo, os britânicos também decidiram deslocar os contingentes militares mantidos em Portugal.

Com a saída britânica de seu território, os portugueses acreditavam que a neutralidade seria finalmente reconhecida.

Contudo, em fevereiro de 1801, a saída dos embaixadores espanhol e britânico de Lisboa reavivou o temor da guerra entre os portugueses. Poucos dias depois, os espanhóis enviaram uma declaração de guerra a Portugal. Mesmo com a confirmação oficial, os lusitanos ainda desconfiavam da eminência do combate, já que, nos três meses seguintes, nenhuma tropa hispânica avançou contra o território português.

Na verdade, a demora dos espanhóis era fruto de uma complicada negociação que os diplomatas daquele país desenvolviam com as autoridades inglesas e francesas. No fim dos diálogos, a Espanha viu que o apoio à França,  renderia a conquista de alguns territórios lusitanos de grande interesse.

Com isso, em maio de 1801, os espanhóis iniciam a «Guerra das Laranjas», vencendo facilmente as impreparadas tropas lusitanas comandadas pelo velho duque de Lafões, perdendo as praças de Olivença, Campo Maior, Arronches, Portalegre e Castelo de Vide.

" Portas de Olivença"
 Lado sul das muralhas


Os portugueses,  pelo seu lado, invadiram a Galiza e fizeram também algumas conquistas, que vieram depois a entregar quando foi assinada a paz de Badajoz, a 6 de Junho do mesmo ano. Quanto à Espanha, entregou a Portugal todas as praças alentejanas, com exceção de Olivença que ainda hoje se mantém em poder daquele país.

Durante a conquista dos territórios do Alentejo, o ministro hispânico Manuel Godoy pediu para que as tropas de seu país recolhessem alguns exemplares das finas e suculentas laranjas daquela região.



MANUEL  GODOY  
Duque de Alcudia
Retrato a óleo sobre tela da autoria de Francisco Goya 



A intenção do estadista era utilizar as iguarias como um delicado presente para a rainha Maria Luísa [no fundo, um troféu de guerra], com quem mantinha um ardente caso amoroso conhecido por toda a Espanha.

Foi por meio desse pequeno detalhe, que o conflito acabou ganhando este curioso nome.




Variedade de "laranja portuguesa" do séc. XXI
Pele diferente do fruto - coligada em enxertia política


3 comentários:

Palma disse...

Sempre aprendendo. Desconhecia esta Guerra das Laranjas pois todos conhecemos outras nos dias de hoje que não são nada dignificantes. Afinal não se aprendeu muito com o tempo passado. Palma

Luisa disse...

Desconhecia esta Guerra, mas conheço com a mesma cor.
Olivença, é nossa!

Luisa disse...

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