[ Vox populi vox Dei ]

2011-05-20

« REVER A LEI MOSAICA... QUE MANDAVA RESPIGAR »


 MOISÉS e HAMURÁBI - Fundadores de Códigos Jurídicos de filosofias comuns







As Tábuas da Lei de Moisés


A Lei Mosaica - Lei de Moisés - proibia os agricultores de colher da terra toda a sua produção, mas ficava com uma boa parte.

Os ceifeiros não deviam colher todo o cereal que havia nas beiras dos campos. Quem vindimava não devia apanhar os cachos espalhados, nem regressar  para colher os que ainda não estavam maduros da primeira vez.


E os que batiam nos ramos das oliveiras deviam deixar as azeitonas que não caíssem.


Os pobres, os orfãos, as viúvas e os forasteiros podiam então respigar - ou recolher - as sobras das colheitas.


Todos beneficiavam da Lei da Respiga. O proprietário era incentivado a ser generoso e altruísta, e a confiar nas bênçãos divinas.

Quem respigava era incentivado a ser diligente, pois a respiga envolvia trabalho árduo! A respiga garantia que os pobres não passassem fome nem se tornassem um fardo para a comunidade.










As Respigadeiras
1857
(Autor:  Millet)

 JEAN FRANÇOIS MILLET - autor do quadro em cima -, sensível observador da vida campestre, criou uma obra realista na qual o principal elemento é a ligação atávica do homem com a terra. Foi educado num meio de profunda religiosidade e respeito pela Natureza.











A Lei da Respiga preservava a dignidade das pessoas, evitando que elas tivessem de mendigar ou depender da caridade dos outros.

E hoje?... Vemos pessoas ricas que não sabem o que fazer a tanto dinheiro que acumularam. Aqui e ali... em leilões de vestidos da princesa X, noticia-se que os trapos renderam uma pipa de massa! 

Mais além, os pertences de um indivíduo que foi o estilista Y arremataram-se por uma fortuna! Enquanto outros... dão no duro, para ter pelo menos o seu sustento e o da sua família.

E se hoje, com antigamente, existisse o costume de respigar? Seria assim? Oiçam lá, ò pessoas egoístas: o mundo está a precisar de muita solidariedade!

Talvez neste século iluminado de progresso e de muitos gadgets engraçados e caros, nunca houve, talvez, uma escalada tão grande de pessoas que só pensam em si mesmas, e na revogação dos direitos que os outros já tinham alcançado!

Até quando?


5 comentários:

trepadeira disse...

Meu caro César
Nem à pancada largam o osso,se o largam,é a fingir,logo virá outro,com o mesmo apelido,roubá-lo.

Mesmo os da caridadezinha sempre,quase sempre,guardam para eles mais do que suficiente.

A respiga,também conhecida por "rebusco",ainda resiste em algumas regiões,entre os camponeses,claro.

Bom,mesmo muito bom,era o povo ir à respiga,sei lá,na banca,para começar.

Um abraço,
mário

Post scriptum:
Já tinha saudades do alfobre.

César Ramos disse...

Amigo Mário,

Obrigado... pelo excelente comentário que ultrapassou de longe a mensagem que eu aqui deixei.

De facto tenho andado lerdo em publicar postagens, pois alguns afazeres têm-me arredado deste prazer, que é o convívio através da escrita.

Um abraço amigo,
César

svasconcelos disse...

Completamente de acordo, César! É inconsolável a vaga de egoismo que faz retroceder, inclusive, a consgração de direitos conquistados tão árduamente por outros homens que nos precederam...
Importante é mudar-se as políticas que permitem a discrepância económica e social entre os seres..
:(
bjs,

Palma disse...

Para lá do artigo publicado e pouco vulgar diga-se de passagem, assinalo aqui uma data que o Cesar deve admirar certamente. Nesta data em 1881
nasceu Sacadura Cabral o tal portugês que juntamente com Gago Coutinho fariam a 1ª travessia aérea do Atlântico Sul. Um boa noite -
P a l m a

Mar Arável disse...

Um dia seremos crianças

nas proximas crianças

para que o sonho continue
a medrar
a comandar a vida