[ Vox populi vox Dei ]

2011-04-27

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GONZALO ROJAS
(1917 - 2011)

Um dos Poetas mais importantes do Chile das últimas décadas
Conhecido Autor da obra  «La Miséria del  Hombre»










El poeta maldice a su cadáver


Fuiste la libertad de salvarte o perderte.
Viste el mundo sin ver lo que era el mundo.
¿Por qué fué deformada en tus pupilas
la luz fundamental? ¿Perdiste la razón
antes de resolverse la raíz de tu origen?

Maldita sea tu naturaleza
que sopló por tu boca la hermosura
de la imaginación. Maldita sea
la belleza que hablaba por tu boca.
Maldito el yacimiento de todas tus palabras.

¿Por qué estás disfrazado bajo el vidrio,
como un libro sellado para siempre,
letra inútil, fatídica escritura?
¿Por qué tras de tus ojos ya no está el fuego eterno,
máscara del gusano?

Esta es tu boca. -¿Dónde están tus besos?
Esta es tu lengua. -¿Dónde tu palabra?
Estas, tus piernas. -¿Dónde están tus pasos?
Este tu pelo. -¿Dónde tu lujuria?
Este, tu cuerpo. ¿Dónde tu persona?
Estas, tus manos. -¿Dónde está tu fuerza?
Todo esto fuiste tú. -¿Dónde estás tú?
Dime: ¿dónde hubo un hombre?

Ya no puedes llorar como los árboles
cuando el viento trastorna sus sentidos.
Ya no eres animal, ni adivino del mundo.
Te estás secando poco a poco. Estás
quemando tus acciones, hasta ser
polvo del torbellino.






De La miseria del hombre, 1948.






















 
« Santiago (Chile), 25 abr (EFE). - O Chile chora a morte do poeta Gonzalo Rojas, morto nesta segunda-feira aos 93 anos após permanecer por mais de dois meses num delicado estado de saúde devido a um acidente vascular cerebral (AVC).

O poeta morreu às 6h15 do horário local  numa clínica de Santiago ao lado de sua família, do médico e das enfermeiras que haviam cuidado de seu caso desde 12 de Março, quando foi transferido de Chillán, a cerca de 400 quilómetros ao sul da capital, para ficar mais perto de seus parentes.

Alguns dias antes, em 22 de Fevereiro, a saúde do escritor, agraciado com o Prémio Cervantes de Literatura 2003, o Prémio Nacional de Literatura 1992 e o Prémio Reina Sofía de Poesia Ibero-Americana 1992, havia sido afetada por um derrame.

Seu filho Gonzalo Rojas-May destacou que o pai teve uma vida muito intensa e lembrou que mesmo depois da pneumonia que sofreu no ano passado, manteve-se muito ativo e tinha vários projetos.

"Foi realmente um privilégio ter tido a possibilidade de aprender a ver e a ler o mundo com ele", afirmou Rojas-May à "Rádio Cooperativa".

Nascido em 20 de Dezembro de 1917 na cidade de Lebu, de uma família de mineiros, Gonzalo Rojas é considerado no mundo literário como grande contribuidor do chamado "boom" latino-americano, graças aos seminários e encontros que organizava nos anos 1950 e 1960.

"Filho literário" de Pablo Neruda, Vicente Huidobro e Gabriela Mistral, Rojas era apontado como "um poeta do assombro" e não tinha medo da morte porque achava que ia viver muito, segundo disse em entrevista concedida à Efe há alguns anos.

Autor de poemas como "La Reniñez" e "La Miseria del Hombre", sua consagração internacional ocorreu em 1977 com "Oscuro", publicado na Venezuela durante seu período de exílio por conta da ditadura de Augusto Pinochet.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, lamentou nesta segunda-feira a morte do homem que qualificou como "um grande poeta, um grande pai, um grande amigo e um grande chileno".

"Junto com grandes poetas como Pablo Neruda, Gabriela Mistral, Vicente Huidobro e Nicanor Parra, ele fez com que o Chile fosse conhecido como o país dos poetas", disse Piñera aos jornalistas após um ato oficial em Villa Alemana, perto de Valparaíso.

Já o ministro da Cultura, Luciano Cruz-Coke, destacou o legado literário de Gonzalo Rojas.

"Foi um homem talentoso, uma grande pessoa. Seu carinho incondicional pela literatura  traduziu-se num grande trabalho como académico e o seu compromisso com as novas gerações", afirmou o ministro durante a inauguração da Feira do Livro de Santiago.

As mensagens de condolências chegaram também do universo académico, um mundo que conhecia bem e onde circulava com desenvoltura graças à sua experiência como professor em várias universidades.

O reitor da Universidade de Talca, Álvaro Rojas, referiu-se ao poeta como uma pessoa "extremamente prolixa", que  "inspirava a todos com suas reflexões poéticas".

"Morreu um poeta maior, talvez o principal poeta da língua espanhola", disse o reitor, amigo pessoal de Gonzalo Rojas, em comunicado.

Já o presidente da Câmara Chilena do Livro, Eduardo Castillo, lamentou em declarações concedidas à Efe a perda de "um homem lúcido de uma generosidade extraordinária".

Mas as demonstrações de carinho ao autor de obras como "Qué se Ama Cuando se Ama" e "Contra La Muerte" cruzaram as fronteiras do Chile.

"Acho que é um grandíssimo poeta, alguém muito original que tinha o melhor ouvido da poesia espanhola", afirmou à Efe o poeta mexicano José Emilio Pacheco.

O governo chileno decretou luto oficial na terça e quarta-feira. O corpo do poeta será velado a partir desta segunda-feira no Museu Nacional de Belas Artes, a poucas quadras do Palacio de La Moneda.

Na quarta-feira será realizada uma cerimónia no museu e posteriormente seu corpo será levado a Chillán, sua "cidade adotiva", onde será sepultado. »






3 comentários:

Taty Cascada disse...

Mi país ha perdido un grande, la poesía ha perdido un hijo noble...El cielo necesita poetas, él descansará en paz.
Un abrazo, desde Stgo. de Chile.

L. disse...

César,

Não conhecia o poeta, nem a sua poesia. Este post encheu-me de curiosidade e, deliciei-me com as palavras belas que ele, o poeta, nos deixou.

Beijinho

momo disse...

muy bella entrada sobre este maravilloso poeta.
Un abrazo