[ Vox populi vox Dei ]

2011-02-25

« A PARÁBOLA do LOBO MILAGREIRO »

 Amo os lobos, nascidos para a solidão e para a fome (...) 
Amo os lobos, porque amo os temperamentos fortes e rectos 
que preferem a violência à manha.

R.L.Bruckberger [Monge Dominicano]





 RAYMOND  LÉOPOLD  BRUCKBERGER
(Monge Dominicano)
[10 de Abril de 1907  -  4 de Janeiro de 1998]




Vídeo Clip Documentário sobre LOBOS:






R. L. Bruckberger
Autor da Obra




«O Lobo Milagreiro»




Nascido em 1907, Raymond Léopold Bruckberger, Monge Dominicano francês, foi uma ilustre personalidade das letras e do cinema da França. Viveu nos Estados Unidos desde 1949, onde a sua actividade literária teve a maior repercussão.

Mestre da parábola moderna, dirigiu revistas, realizou filmes e foi elemento activo da Resistência Francesa, tendo sido aprisionado pela Gestapo, à qual conseguiu escapar-se para tomar parte na Libertação de Paris.

Na sua qualidade de capelão-mor das Forças Francesas do Interior, recebeu o General De Gaulle na Notre-Dame, quando da entrada solene do Chefe da Resistência na capital.

A experiência e a personalidade do Padre Bruckberger não poderiam deixar de criar a história admirável do Lobo de Gubbio, símbolo do povo humilde ou das figuras autenticamente grandes que pela Pátria se sacrificam.

«O Lobo Milagreiro» é uma história profundamente humana, baseada na mensagem de humildade e de alegria de S. Francisco de Assis (1181-1226), chamado em italiano "Povorello" (Pobrezinho), por ter renunciado a todas as riquezas materiais, para levar uma vida de pobreza, querendo pôr em prática, com autenticidade e pureza, os ensinamentos de Cristo.

A lendária história do Lobo de Gubbio (cidade de Itália), convertido à doçura e à paz por S. Francisco de Assis, é o ponto de partida da parábola do Lobo Milagreiro.

Nas Fioretti (Florinhas de S. Francisco) conta a história como S. Francisco arranjou as pazes entre um lobo e os habitantes da Cidade de Gubbio.

As Florinhas são episódios da vida do santo, em que a lenda se mistura com a história, uma espécie das fábulas, que foram reunidas e publicadas no século XV.

Diz, R. L. Bruckberger: «Eu tinha imenso desejo de saber o que fora feito do lobo de Gubbio, como vivera e morrera entre os homens. Os livros nada me diziam. Para saber, eu tinha apenas o recurso de inventar. Foi o que fiz ». 

Neste momento, ocorre-nos a iniciativa imaginativa de Reinaldo Ferreira - Repórter X - que, quando não sabia mais, ou para melhor ênfase dar a uma reportagem, inventava.

Tudo começa com o compromisso entre o Lobo e S. Francisco, que dele se aproxima, falando-lhe, amansando-o, humanizando-o. As ternas palavras do santo convertem o feroz animal à fraternidade cristã e ao imperativo do respeito pela vida - é um pacto de paz conseguido pela força do amor fraterno.

O amor à Natureza e a união com todos os seres, irmãos e irmãs para S. Francisco, é simbolicamente representado nesta história pelo elo estabelecido entre o Lobo e o Santo.

Este compreende e respeita profundamente a natureza selvagem do seu «Irmão Lobo». E apesar da sua natureza selvagem, ao longo de toda a história, o Lobo procura honrar o compromisso de amor e fidelidade celebrado com o Santo, morrendo com o seu coração desfeito em doçura e a sua boca cheia de mel.

Em 1980, S. Francisco foi nomeado Padroeiro dos Ecologistas pelo Papa João Paulo II, em virtude da sensibilidade manifestada pelo santo face a todas as criaturas, humanas e não humanas.

O livro foi escrito no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e exprime, simbolicamente, um apelo à Paz, à Verdade, à Rectidão e à Benevolência.

A título de curiosidade, aditamos que o Papa João Paulo II referiu-se à música do filme « Danças Com Lobos », como sendo uma das peças musicais suas preferidas (...)











Imagens: Google
Texto: Adaptado de uma colecção
da "Lisboa Editora", traduzido pelo
poeta Jorge de Sena


8 comentários:

Amapola disse...

Bom dia, querido amigo.

Adorei esse texto. Amo a história de São Francisco de Assis. O seu desprendimento do materialismo e a sua afinidade com os animais.

Um grande abraço.

Muito obrigada pela honra da sua visita.

Tenha um lindo dia de paz.

César Ramos disse...

Amapola,

Eu é que tenho de lhe agradecer as suas simpáticas palavras no comentário.

Diga-se de passagem, a honra é toda minha ao visitar todos os seus blogues, que representam uma formação de espírito exemplar.

Este post, foi apenas uma dica para interessar alguém a ler o livro, que é uma obra que faz parte do ensino da Língua Portuguesa em algumas Escolas Secundárias, deste país.

A minha fonte para colheita de ele mentos e feitura do post, foi através de um livro traduzido, como lá digo, por Jorge de Sena - um Engenheiro Civil, Poeta, Romancista, Contista, Ensaísta e Dramaturgo português, que viveu exilado no Brasil... antes, e depois... da ditadura portuguesa.

Foi um homem - faleceu aos 58 anos - demasiado incompreendido e mal tratado por Portugal.

Uma das muitas injustiças... que estão ainda, por aperfeiçoar...

Um grande abraço também
e,
Paz profunda.
César Ramos

momo disse...

me gustó mucho y el video d elos lobos.
hace mucho que no te leia porque estuve de gira, pero gosto de volver a leerte.
Obrigado por el comentario de mi padre..es un gran tipo.
un abrazo

Maria Lúcia Marangon disse...

César, vim agradecer pelo seu comentário em meu blog. Obrigada por suas palavras.
Quero aproveitar para pedir desculpas, pois, por motivos que desconheço, os assinantes do blog receberam o texto postado hoje com alguns problemas na configuração. O erro foi de espaçamento entre as palavras. O Blogger e seus bugs!!! rsrs
Um forte abraço
Maria Lúcia

svasconcelos disse...

Não obstante a natureza de cada um, que deve ser respeitada, a conversão à doçura só pode ser um reforço dos elos entre seres (sobretudo os inconciliáveis, diferentes, etc).
bjs,

Luisa disse...

Gostei muito do vídeo.
Mais um bom post, que serviu para ficar a conhecer este Monge Dominicano

Beijinhos
Lu

nacasadorau disse...

Olá amigo César Ramos!

Agora que estou aqui, reconheço-o e sei que estou em falta consigo.
O meu problema lá na wordpress, é que quem não aparece eu esqueço. Vou levar o seu endereço e fazer o link lá em casa, assim visitá-lo-ei com mais regularidade.

Sobre os lobos e o seu carácter, estamos bem de acordo.
Prefiro lidar com pessoas frontais, mesmo que duras, do que com a hipócritas.
Aliás, sendo eu Leão de signo, sinto-me também, um pouco, na pele do lobo. Tenho muito de felino, até a forma do rosto :))))

Gostei muito de ter lido sobre São Francisco de Assis e do amor que ele dedicou aos animais.

Agradeço a sua visita e espero que não nos percamos por essa Blogosfera.

Beijinho

Palma disse...

S. Francisco de Assis continua a ser um exemplo para milhões de seres humanos. Pena que a sua igreja esteja tão desfalcada de Franciscos desta têmpera. UM grande post. Palma