Da autoria de ALMADA NEGREIROS: Retrato de FERNANDO PESSOA
ODE A FERNANDO PESSOA
Tu que tiveste o sonho de ser a voz de Portugal
tu foste de verdade a voz de Portugal
e não foste tu!
Foste de verdade, não de feito, a voz de Portugal.
De verdade, e de feito só não foste tu.
A Portugal, a voz vem-lhe sempre depois da idade
e tu quiseste acertar-lhe a voz com a idade
e aqui erraste tu,
não a tua voz de Portugal
não a idade que já era de hoje.
Tu foste apenas o teu sonho de ser a voz de Portugal
o teu sonho de ti
o teu sonho dos portugueses
só sonhado por ti.
Tu sonhaste a continuação do sonho português
somados todos os séculos de Portugal
somados todos os vários sonhos portugueses
tu sonhaste a decifração final
do sonho de Portugal
e a vida que desperta depois do sonho
a vida que o sonho predisse.
Tu tiveste o sonho de ser a voz de Portugal
tu foste de verdade a voz de Portugal
e não foste tu!
Tu ficaste para depois
E Portugal também.
Tu levaste empunhada no teu sonho
tu foste de verdade a voz de Portugal
e não foste tu!
Foste de verdade, não de feito, a voz de Portugal.
De verdade, e de feito só não foste tu.
A Portugal, a voz vem-lhe sempre depois da idade
e tu quiseste acertar-lhe a voz com a idade
e aqui erraste tu,
não a tua voz de Portugal
não a idade que já era de hoje.
Tu foste apenas o teu sonho de ser a voz de Portugal
o teu sonho de ti
o teu sonho dos portugueses
só sonhado por ti.
Tu sonhaste a continuação do sonho português
somados todos os séculos de Portugal
somados todos os vários sonhos portugueses
tu sonhaste a decifração final
do sonho de Portugal
e a vida que desperta depois do sonho
a vida que o sonho predisse.
Tu tiveste o sonho de ser a voz de Portugal
tu foste de verdade a voz de Portugal
e não foste tu!
Tu ficaste para depois
E Portugal também.
Tu levaste empunhada no teu sonho
a bandeira de Portugal
vertical
sem pender para nenhum lado
o que não é dado pra portugueses.
Ninguém viu em ti, Fernando,
senão a pessoa que leva uma bandeira
e sem a justificação de ter havido festa.
Nesta nossa querida terra onde ninguém a ninguém admira
e todos a determinados idolatram.
Foi substituído Portugal pelo nacionalismo
que é maneira de acabar com partidos
e de ficar talvez o partido de Portugal
mas não ainda talvez Portugal!
vertical
sem pender para nenhum lado
o que não é dado pra portugueses.
Ninguém viu em ti, Fernando,
senão a pessoa que leva uma bandeira
e sem a justificação de ter havido festa.
Nesta nossa querida terra onde ninguém a ninguém admira
e todos a determinados idolatram.
Foi substituído Portugal pelo nacionalismo
que é maneira de acabar com partidos
e de ficar talvez o partido de Portugal
mas não ainda talvez Portugal!
Portugal fica para depois
e os portugueses também
como tu.
e os portugueses também
como tu.
ALMADA NEGREIROS
(1893 - 1970)
Pintor e Poeta
José de Almada Negreiros
(Escritor e pintor português)
(Escritor e pintor português)
7-4-1893, Roça Saudade, Ilha de São Tomé
15-6-1970, Lisboa
15-6-1970, Lisboa
Estudou na Escola Nacional de Belas-Artes em Lisboa e, entre 1919 e 1920, em Paris. Como escritor sobressai a colaboração nas revistas Orpheu (1915) e Portugal Futurista (1917), bem como o romance Nome de Guerra e a obra poética A Invenção do Dia Claro.
Escreveu também artigos diversos em jornais e revistas, enquanto ensaísta e crítico. É, porém, a sua actuação na pintura o que mais se destaca na sua produção artística, embora tenha igualmente executado vitrais, mosaicos e tapeçarias, entre outras artes plásticas.
Expôs pela primeira vez em 1912 e a sua obra evoluiu na segunda e na terceira décadas do século, contribuindo para a formação e para o desenvolvimento do modernismo em Portugal. Inicialmente, o desenho e a linha, elegante e estilizada, dominam por completo, tornando-se o fio condutor de seus quadros. Aos poucos, a introdução de uma luminosidade plena, vai-se juntando a cores primordiais e cria telas de grande força cromática. Este género de composição é encontrado, por exemplo, na obra que dedica à esposa e ao filho, Maternidade (1935).
Durante esta fase, de grande maturidade, além de diversos quadros a óleo, como Homenagem a Lucca Signorelli, distinguem-se os magníficos painéis dos portos marítimos de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos em Lisboa.
Nestes últimos, retrata a emigração portuguesa de forma realista e comovente, expressando-se como sempre em tons fortes e vibrantes, com predominância de amarelos e azuis.
No entanto, os painéis da Rocha do Conde de Óbidos já apresentam um geometrismo de raiz cubista, que Almada irá desenvolver ao longo dos anos e que pode ser observado nos paradigmáticos retratos de Fernando Pessoa.
Almada Negreiros, visto em Bilhete Postal
por Stuart de Carvalhais





1 comentários:
É, entre as personalidades artísticas, das que mais me fascinam!
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