[ Vox populi vox Dei ]

2010-12-10

« SCHRECKLICHKEIT?! - ICH BIN NICHT... BERLINER... »

 WILHELM  STIEBER
(1818-1892)

BISMARCK chamava-lhe «o meu rei dos cães de caça». Stieber iniciou a sua carreira como advogado de casos de crime e os contactos com o mundo marginal do crime foram-lhe úteis quando se tornou o primeiro cérebro da 
ESPIONAGEM ALEMÃ


 Placa comemorativa da visita de J.F.K  em Junho de 1963 a Berlim




O título deste post  [para além do repúdio da 1ª palavra - que significa 'medo'/ 'terror'] é contrário à frase proferida no discurso político de John F. Kennedy, em 26 de Junho de 1963, em Berlim Ocidental - Alemanha -, em que disse: "ICH BIN EIN BERLINER"!... Foi considerado o melhor discurso de todos os tempos (...)!!

Sabemos que era a 'Guerra Fria', as feridas da 'Guerra Quente' [ II Mundial ] continuavam por sarar, e a (boa) ideia era o bem intencionado Presidente dos E.U.A., levar à Alemanha uma atitude amistosa. Infelizmente não traduziram bem, e a expressão dada ao Presidente, para ler, foi uma "gaffe"! Assim, porque o significado do que disse tem também outro sentido, o que as pessoas poderão ter entendido foi: " Eu sou uma bola de Berlim!" - um daqueles bolos de massa de farinha frita, que se vendem nas praias, durante o Verão.


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 BISMARCK (1815-1898)  

Decidiu a todo o custo juntar os Estados e construir uma Alemanha unida. Mas primeiro tinha de derrotar os inimigos da Prússia, a Áustria e a França. 
O MILAGRE ALEMÃO. 
STIEBER e os seus espiões, foram de uma ajuda fundamental e preciosa na concretização do tal "Milagre": ganharam todas as campanhas.






Em 1848, o rei Frederico Guilherme da Prússia estava a ser insultado por uma multidão irritada de Berlim. Os ânimos estavam exaltados. De repente, um homem saiu a correr da multidão e gritou para o rei: «Morte ao tirano!». Contudo, quando chegou ao pé do monarca, em pânico, o homem baixou a voz e disse: «Não tenha medo, Majestade. Sou agente da polícia. Os meus homens encontram-se entre a multidão. Farão que nada vos aconteça.»

Depois gritou mais algumas ameaças e puxou o rei para o vão de entrada para o tirar daquela rua. Empurrou o rei e fechou a porta. Uma vez a salvo da multidão, o homem apresentou-se. Chamava-se Wilhelm Stieber.

Stieber era um jovem advogado ambicioso que também trabalhava clandestinamente como espião da Polícia. O rei ficou tão agradecido por aquela fuga que o nomeou comissário da Polícia, dois anos mais tarde. Começou assim a longa carreira de Stieber como cérebro da espionagem.

Os seus maiores feitos ocorreram na década de 1860. Nesse período ajudou o primeiro-ministro, Bismarck, a ganhar duas importantes guerras. A primeira contra a Áustria e a segunda contra a França. A tarefa de Stieber consistia em descobrir a força do inimigo e a sua preparação para a guerra. Não ficava simplesmente sentado a dar ordens. Este sombrio «cão de caça» gostava de tomar parte nas operações.

Antes da guerra contra a Áustria, por exemplo, foi fazer pessoalmente a ronda dos locais destinados às batalhas. Stieber foi disfarçado. Fazia de vendedor com um carregamento de imagens religiosas. Mas, à socapa, vendia coisas mais passíveis de conquistarem a amizade dos soldados e camponeses austríacos que encontrava: fotografias pornográficas.

Antes da guerra contra a França, Stieber voltou a fazer a ronda do território inimigo. Mas desta vez introduziu literalmente milhares de espiões que procuraram exaustivamente depósitos de armas e fortificações de defesa. Fizeram listas dos animais de centenas de quintas, para que as tropas soubessem onde podiam encontrar comida. Este «grau de penetração» era um factor novo no mundo da espionagem. Depois da vitória prussiana, Stieber estendeu os seus serviços por toda a Europa. Recrutou trabalhadores dos caminhos de ferro estrangeiros, assim como criados, operários e pessoal de hotéis. Diversos negócios alemães no estrangeiro encontravam-se a funcionar apenas com espiões. 

Os Serviços Secretos alemães tornaram-se os mais temidos na Europa! Stieber introduziu uma política de SCHRECKLICHKEIT (medo)!... Palavra pouco traduzível, mas que trazia consigo uma grande dinâmica de ...terror! Considerava que os seus espiões podiam matar espiões inimigos como soldados se matam em tempo de guerra! Também elaborou ficheiros sobre a vida das pessoas mais ricas e influentes: podiam ser úteis para casos de chantagem (...).

Wilhelm Stieber morreu em 1892 e no seu funeral estiveram presentes chefes de nações e nobres. Era voz corrente que não tinham vindo apresentar condolências!... mas sim, certificar-se de que o velho cão de caça estava bem morto!

No nosso outro blogue Munho do Alfobre, publicámos em 4.10.2010 um post intitulado «EINHEIT MACHT STARK = A UNIÃO FAZ A FORÇA». [Clique para consultar].

Escreveu-se sobre o sucesso da reunificação da Alemanha dos nossos dias, e recordou-se Otto Eduard Von BISMARCK,  o autor do «Milagre Alemão» e da fórmula usada para a sua concretização, através da aplicação prática da sua histórica máxima: « As grandes questões do nosso tempo não se solucionarão com discursos nem com soluções escolhidas pela maioria, mas com sangue e aço». 

Com Stieber a fazer tijolo, esperemos que os métodos alemães estejam mais humanizados (...)





6 comentários:

Luís Coelho disse...

Um pouco por todo o lado e em todos os tempos estas políticas mantêm-se activas e disfarçadas.

Hoje aplicam a política do medo no funcionalismo publico e ainda noutras multinacionais mas tudo tem uma estratégia.

São disse...

Quantas pessoas terão esse ataque de pânico? E é que a estória é veerdadeira...

Eu creio que nada se altera verdadeiramente no centro do Poder, que corrompe em sim mesmo.

Uma boa noite.

Swt disse...

Pois. Não sei... Mas, as bolas de berlim, com ou sem creme, são sempre deliciosas!

Carmo disse...

Na política vale tudo.

Um abraço

Bom fim de semana

Luisa disse...

César,

Pois sim, alemães! Por acaso, devemos muito da nossa crise a Merkel.

Há quem não goste de política, mas a política gosta de nós!

Bjs

Luísa

Graça Pereira disse...

Passei para te desejar um Feliz Natal e um Ano Novo muito prometedor.
Beijo
Graça