[ Vox populi vox Dei ]

2010-12-01

« 1640 - A RESTAURAÇÃO da INDEPENDÊNCIA... »

Hoje é feriado - 1º. de Dezembro - e nós, portugueses, comemoramos a restauração da nossa independência, em 1640, dia que deveríamos aproveitar para reflectir sobre o futuro possível da mesma - a Independência - 370 anos passados (...)

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Aclamação de D. João IV. Tinha terminado o período de 60 anos em que o Reino de Portugal, foi governado pela Dinastia de origem austríaca, dos Habsburgos, com o fim do reinado de Filipe III (Filipe IV em Espanha).



Até meados do Século XIX, a celebração do 1º. de Dezembro resumia-se a um soleníssimo Te Deum, na Sé Catedral de Lisboa. Assistia sempre o Rei, no respeito por um ritual que vinha de 1641. A população vivia afastada da efeméride.
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Em 1861, por circunstâncias históricas conjunturais, tornou-se mais vivo, entre os portugueses, o sentimento de perigo da perda da independência. E foi neste cenário, e com o objectivo expresso de o esconjurar, que um reduzido grupo de cidadãos, mobilizado por um modesto comerciante da Baixa lisboeta, criou o que é hoje a Sociedade Histórica da Independência de Portugal [S.H.I.P.].
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Em tão boa hora o fêz, que, semanas depois, eram já milhares os aderentes, entre os quais muitas figuras cimeiras da política, da cultura e da elite social portuguesa da época. No manifesto publicado ainda nesse ano, para lançar a celebração nacional da data - e onde é claro o estilo, forte e incisivo, de Alexandre Herculano, o seu primeiro subscritor - logo aí se dizia que não se tratava dum grito contra ninguém, mas sim tornar público, e mais firme, o desejo de sermos uma nação que não abdica do seu nome, do seu passado e da sua autonomia.
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Prosseguindo tenazmente neste esforço de consciencialização dos portugueses, conseguiu-se custear a construção, por subscrição pública, de vários monumentos no país, de Guimarães a Lisboa. Foi, assim, que se criou na Praça de Lisboa, depois com o seu nome, um local evocativo dos Restauradores e onde, a partir de 1886, em cada ano, se celebra e exalta o feito glorioso de 1640.
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A SHIP - Sociedade Histórica da Independência de Portugal, porém, visava mais longe e mais fundo este culto.
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Palácio Almada, ou Palácio da Independência
no
Rossio, Lisboa


Símbolo da Sociedade Histórica [S.H.I.P.]
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Daí que, em paralelo, se tivesse empenhado para adquirir e entregar ao Estado este Palácio, tendo em vista fazer dele monumento nacional, símbolo da nossa independência e lugar privilegiado para evocar e viver. Mas agora, não como data histórica que se exalta, mas sim como um valor intemporal que se cultiva e defende, um hino à vida e ao apaixonante desafio que ela traz, tanto aos homens como às nações.
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Ou seja, aqui passaria a celebrar-se o nosso direito e desejo de existirmos como comunidade nacional livre, sem lembrar agravos nem ameaças.
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Este é o patriotismo genuíno que lapidarmente definiu Fernando Pessoa como aquele que nos incita à nossa valorização individual e colectiva para que nos possamos orgulhar de Portugal, como seus filhos porque nos criou, e também como seus pais, porque o vamos criando.
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O patriotismo forte e salutar, é a fonte onde iremos buscar a energia e a confiança para partirmos desassombradamente para a aventura do futuro, sem medo, com arrojo, na convicção firme de que fomos grandes, sempre que deixámos as questões mesquinhas e pequenas que nos dividem e diminuem.
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Os portugueses que não se voltem nostalgicamente para o seu passado, mas o cultivem como alimento e desfio a novas empresas, pois a história e o papel de Portugal não se esgotaram na epopeia das Descobertas, visto haver sempre um mundo novo a construir e que espera a nossa contribuição.
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A Restauração de 1640, e os 28 anos que se lhe seguiram foram, sem dúvida, uma hora grande para a conquista da liberdade e independência de Portugal. Mas, aquele heróico e a longa luta depois travada ficariam incompletos - e teriam sido inúteis para os vindouros - se nós, a geração de hoje, não dermos continuidade ao seu combate com igual coragem e vontade.
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Esta, a grande lição que daqui devemos levar. Este, aliás, o apelo que a celebração do dia de hoje faz a todos os portugueses.












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-Texto do autor do ALFOBRE de Letras
Sócio da S.H.I.P.
-Imagens: in Net

4 comentários:

Luís Coelho disse...

Uma lição de História.
A celebração de uma data que uma boa parte dos portugueses nem sabe porque se comemora.
Parece que hoje este espírito de independência vai esmorecendo,dadas as muitas e grandes dificuldades que atravessamos.
Penso que agora mais do que nunca devemos estar unidos e atentos a esta causa e mostrar ao mundo a nossa alma lusa independente e soberana.

Rolando disse...

Olá. Tudo blz? Estive por aqui. Interessante a historia. Gostei. Apareça por lá. Abraços.

R. disse...

Sempre didáctico, César! Parabéns pelo empenho e pela utilidade que empresta aos esclarecimentos.

Abraço!

Teresa disse...

Gostei!
Especialmente daquele escudo, no final. Será que também já aderiu à causa?
Bjs