[ Vox populi vox Dei ]

2010-11-29

« PENSANDO... nas PALAVRAS do NOBEL »

JOSÉ SARAMAGO



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"DEIXAR DE SER"

Quando a esquerda chega ao poder, não usa as razões pelas quais lá chegou. A esquerda deixa de sê-lo muitas vezes quando chega ao poder e isso é dramático.


In: Outros Cadernos de Saramago
Novembro 29, 2010 por Fundação José Saramago


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.«AS PALAVRAS DE SARAMAGO»
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Livro editado por Fernando Gómez Aguilera
Edição Companhia Das Letras


.2010

« Único escritor de língua portuguesa a ganhar o prémio Nobel, José Saramago (1922-2010) é um exemplo perfeito do intelectual engajado preconizado pelo autor de As palavras, Jean-Paul Sartre.

Com efeito, a intervenção na esfera pública, o comprometimento com uma visão crítica do mundo, a defesa de ideias muitas vezes polémicas, a indignação diante das injustiças e desigualdades económicas e sociais são características marcantes de alguém que jamais separou o escritor do cidadão e sempre disse com todas as palavras o que pensava.

Este livro, editado por Fernando Gómez Aguilera, biógrafo espanhol de Saramago, traz uma ampla selecção de declarações do escritor extraídas de jornais, revistas e livros de entrevistas, publicados em Portugal, no Brasil, na Espanha e em diversos outros países, da segunda metade da década de 1970 até março de 2009.

Os textos estão organizados cronologicamente no interior de núcleos temáticos que abrangem as questões mais recorrentes nas manifestações do escritor. A primeira parte, centrada na pessoa José de Sousa Saramago, reúne comentários sobre sua infância, a formação autodidata, a trajetória pessoal, os lugares onde morou, bem como reflexões sobre si mesmo - o pessimismo, a indignação, a coerência, a primazia da ética - que traçam o perfil de um escritor sempre disposto a praticar a introspecção e a compartilhar seu pensamento com a opinião pública.

A segunda parte, em que vem para o primeiro plano a figura do escritor, traz reflexões sobre o ofício literário que mostram sua plena consciência dos procedimentos romanescos, concepções pouco ortodoxas para um comunista sobre as relações entre literatura e política - “não vou utilizar a literatura para fazer política” - e o papel do escritor na sociedade: “se o escritor tem algum papel, é intranquilizar”.

Na terceira parte, quem fala é o cidadão José de Sousa Saramago, o crítico, entre outras coisas, da globalização económica, do “concubinato” dos meios de comunicação com o poder, do consumismo, do comunismo soviético, da paralisia da esquerda incapaz de inovar, do conservadorismo da Igreja católica, da postura de Israel em relação aos palestinos e do irracionalismo generalizado do mundo capitalista.

Sua voz clama pela democracia social plena - não apenas formal e eleitoral -, pelo respeito integral aos direitos humanos e pelo sagrado direito de espernear: “Ao poder, a primeira coisa que se diz é não”.

As palavras de Saramago compõe o retrato falado de um escritor que exerceu seu ofício com o profissionalismo de um operário, a pertinácia de um militante político, a consciência de um cidadão e a visão ampla de um verdadeiro intelectual.»


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Texto de: Fundação José Saramago


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4 comentários:

Luís Coelho disse...

Depois de ler este texto fiquei com uma sede de encontrar o livro e de o ler de uma ponta à outra.

Penso que foram estes pensamentos que deram força à escrita de Saramago e que ele soube aproveitar com sabedoria e muita oportunidade.

Mar Arável disse...

Saramago um militante da vida

e do PCP

muito além dos muros e das ameias

Tive o prIvilégio de o conhecer
muito antes de ser NOBEL
ESTÁ VIVO

Luisa disse...

César,

Saramago, homem generoso e solidário!
Receio que, um dia seja esquecido.

“As palavras de Saramago”, um livro a ler.

Bjs
Luísa

relogio.de.corda disse...

Gostei de ler este texto que abre de facto, o apetite para a leitura deste livro.
Tenho pena neste momento,não poder dedicar-me de corpo e alma à leitura... Vou esperar que esta fase desconcertante da vida de um prof. passe para o poder fazer um dia destes.