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Ser Jornalista é saber persuadir, seduzir. É hipnotizar informando e informar hipnotizando. É não ter medo de nada nem de ninguém. É aventurar-se no desconhecido, sem saber que caminho irá levar.
É desafiar o destino, zombar dos paradigmas e questionar os dogmas. É confiar desconfiando, é ter um pé sempre atrás e a pulga atrás da orelha. É abrir caminho sem pedir permissão, é desbravar mares nunca antes navegados.
É nunca esmorecer diante do primeiro não. Nem do segundo, nem do terceiro… nem de nenhum. É saber a hora certa de abrir a boca, e também a hora de ficar calado. É ter o dom da palavra e o dom do silêncio. É procurar onde ninguém pensou, é pensar no que ninguém procurou. É transformar uma simples caneta em uma arma letal.
Ser jornalista não é desconhecer o perigo; é fazer dele um componente a mais para alcançar o objectivo. É estar no Quarto Poder, sabendo que ele pode ser mais importante do que todos os outros três juntos.
Ser jornalista é enfrentar reis, papas, presidentes, líderes, guerrilheiros, terroristas, e até outros jornalistas. É não baixar a cabeça para cara feia, dedo em riste, ameaça de morte. Aliás, ignorar o perigo de morte é a primeira coisa que um jornalista tem que fazer. É um risco iminente, que pode surgir em infinitas situações. É o despertar do ódio e da compaixão. É incendiar uma sociedade inteira, um planeta inteiro.
Jornalismo é profissão de perigo. É coisa de doido, de sem juízo. É olhar para a linha ténue entre o bom senso e a loucura e ultrapassar os limites sorrindo, sem pestanejar. É saber que entre um furo e outro de reportagem, haverá muitas coisas no caminho. Quanto mais chato, melhor o jornalista.
Ser jornalista é ser até meio agressivo. É fazer das tripas coração para conseguir uma mísera declaraçãozinha. É apurar, pesquisar, confrontar, cruzar dados. É perseguir as respostas implacavelmente. É lidar com pressão de todos os lados. É saber que o inimigo de hoje pode ser o aliado de amanhã. E a recíproca é verdadeira. É deixar sentimentos de lado, colocar o cérebro na frente do coração.
É matar um leão por dia, e ainda sair ileso. É ter o sexto sentido mais apurado do que os outros, e saber que é ele quem o vai tirar das confusões. Ou colocá-lo nelas!
Ser jornalista é ser meio actor, meio médico, meio advogado, meio atleta, meio tudo. É até meio jornalista, às vezes.
Mas, acima de tudo, é orgulhar-se da profissão e saber que, de uma forma ou de outra, toda a gente também gostaria de ser um pouquinho jornalista.
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Fotos: in Net
1ºTexto
in: Blog da Dani Almeida
Remake do Munho do Alfobre


11 comentários:
Jornalismo, para mim, é relatar os factos. neste momento, o jornalismo está enfeudado aos interesses. Pelo que só chega ao público aquilo que interessa aq uem detém o poder.
Bom final de semana
"Ser Jornalista é saber persuadir, seduzir. É hipnotizar informando e informar hipnotizando."- não devia ser isto o jornalismo, em geral! Mesmo em reportagem, o jornalismo devia ser um espelho da realidade e, cada leitor, tiraria as suas conclusões.
Mas os jornalistas, hoje em dia, querem ser muito mais.
As suas incursões na escrita de romances, etc está a tornar-se demasiado banal e demasiado ambiciosa.
Sempre se disse, que quando compramos um aparelho multifunções,temos de nos preparar para que alguma dessas funcionalidades não tenha um bom desempenho... rsss rsss
César RAMOS: sigo-te, há tanto tempo,afinal, que me permito estar de acordo contigo na questão das liberdades de informação!
Nunca estiveram tão ameaçadas ,depois do 25 de ABRIL!
URGE tomar posição contra os pseudo democratas que tiram cursos ao domingo...Penso que somos amigos no FACEBOOK...
BEIJO
M ELISA
Meu caro.
Jornalismo sério está cada vez mais arredado dos jornais e das TV's. A voz dos donos sobrepõe-se à voz da consciência!
é por isso que isto chegou aonde chegou!
São,
Exactamente!
Jornalismo deve ser relatar os factos: - O quê, Quem, Onde, Quando, Porquê e Como -, era a fórmula da composição de uma Notícia completa e correcta!
Hoje em dia, está na moda imitar o célebre «Repórter X» [Reinaldo Ferreira],que inventava notícias, e punha na boca das pessoas o que elas não diziam!!
Um exemplo, foi a imaginação deste jornalista que 'pronunciou' a célebre frase alegadamente dita por Sidónio Pais: "Morro bem... cuidem da Pátria"!
Tomaria ele forças, para se queixar...
Swt,
Sempre analítica, pragmática e objectiva!
De facto, era o que faltava no meio de tanto vendedor de banha da cobra, termos de aturar jornalistas a usurpar funções de hipnotizadores... Mas olhe, que os há até bruxos e videntes!
Decididamente... também os temos feitos escritores de ficção (ou fricção?!), o que lhes dá uma "polivalência" pouco conveniente ao Zé que compra jornais para enfiar barretes!!
Apresentei o primeiro "capítulo" do post para provocar discussão, que felizmente surgiu (...)
Thank you!
Maria Ribeiro,
Obrigado por mais esta presença neste [meu] espaço tacanho.
Lindo, lindo... é o teu LUSIBERO! Onde se respira boa literatura e nem me sinto à vontade para escrevinhar umas patacoadas mal alinhavadas...
Aos poucos, vou aparecer e adquirir sensibilidade para poder estar minimamente à altura da qualidade do teu blogue!
Bom fim de semana
César Ramos
rouxinol de Bernardim:
Caríssimo,
É isso mesmo!... Compraram a Indústria dos Jornais e levaram a consciência profissional no mesmo embrulho!
É só observar um pouco e ver as 'marionettes' de alma, cérebro e coração, a fazerem habilidades para agradarem, falando e escrevendo... na voz do dono! Caso contrário... RUA!Que a crise é que paga as favas dos despedimentos arbitrários!
Sou seguidor de um blog de um JORNALISTA de Angola, que foi obrigado a "render-se" pela necessidade de se manter vivo!
Precisava de comer e teve de se calar... e mudar de "dialecto"!
O blogue dele está 'congelado'!
Como é isto possível com tantas 'parangonas' democráticas à boca cheia??
Os meus cumprimentos e parabéns pela qualidade e objectividade do seu blogue.
Bom fim de semana
César Ramos
Já fui jornalista da imprensa
regional e consegui a primeira
entrevista de Cavaco Silva a um
órgão regional e sabe o que aconteceu, o proprietário do
Jornal apropriou-se da entrevista
e assumiu-a como dele e a mim
deu-me o estatudo de "colaboração"...
Nunca ganhei um tostão e durante
anos assumi os riscos de dizer
verdades que não agradavam, sobretudo no âmbito local onde
é fácil nos conhecerem.Hoje em dia
é muito difícil ser jornalista
vertical.
Um abraço amigo.
César,
Um jornal diário que, vende cinco mil exemplares por dia. Quase, um jornal paroquial. Pertence ao Grupo Lena, com muitas ligações a Angola.
Há um semanário, cujos, incógnitos, investidores, têm contas em offshores e, curiosamente, também com ligações a Angola.
Como pode haver liberdade de imprensa?
Bjs
Luísa
Já só leio algo para o qual algum amigo chame a atenção.
Abro,pela manhã,uma espécie de resumo diário enviado via email.
Lembro-me sempre daquela frase de um conhecido escritor a quem,um candidato a aprendiz de feiticeiro,digo,jornalista,é quase a mesma coisa,enviava repetidamente um jornaleco,pedindo a douta opinião.Incomodado pela quinta ou sexta vez,apelando já à boa educação pois toda a carta deve ter resposta,o escritor respondia assim:
"Dos três que deus me deu apenas um o pode apreciar.".
Não,agora a tinta litográfica é de muito má qualidade.
Um abraço,
mário
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