[ Vox populi vox Dei ]

2010-11-30

« 1935 - O ANO DA MORTE... DE RICARDO REIS »

FERNANDO PESSOA MORREU, FAZ HOJE 75 ANOS, LEVANDO CONSIGO
OS
HETERÓNIMOS

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DEIXOU-NOS IMENSA OBRA
e a
PORTUGALIDADE

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TUDO QUE CESSA É MORTE, E A MORTE É NOSSA

SE É PARA NÓS QUE CESSA. AQUELE ARBUSTO

FENECE, E VAI COM ELE

PARTE DA MINHA VIDA.

EM TUDO QUANTO OLHEI FIQUEI EM PARTE.

COM TUDO QUANTO VI, SE PASSA, PASSO,

NEM DISTINGUE A MEMÓRIA

DO QUE VI DO QUE FUI.

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Ricardo Reis








Da Capela do Cemitério dos Prazeres - Lisboa - para jazigo de família, partiu o corpo do poeta.
Eram onze horas
do dia
30 de Novembro de 1935

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.30 de Novembro de 1935 - «Lisboa foi surpreendida pela notícia da morte brusca de FERNANDO PESSOA, um dos maiores Poetas de Portugal e uma das grandes figuras da sua geração. O prestígio do autor de "ORPHEU" e da "MENSAGEM" era imenso nos nossos meios intelectuais. Deixa uma obra notável, em grande parte inédita, e cujo nome irá crescendo à medida que o tempo for passando... representa uma perda irreparável para a inteligência nacional».

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- Comunicação da morte do Poeta, dada pelo Semanário "BANDARRA".

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{ÚLTIMA FRASE ESCRITA PELO PUNHO DO POETA NO DIA DA MORTE:

.«I know not what tomorrow will bring »}


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[.[Pensamento do dia, para 30 de Novembro de 2010]

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"É talvez o último

dia da minha vida.

Saudei o Sol, levanto

a mão direita, mas

não o saudei dizendo-lhe

adeus. Fiz sinal de

gostar de o ver ainda,

mais nada."

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Fernando Pessoa


+

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REPRODUÇÃO DA NOTÍCIA DA MORTE E ENTERRO DADA PELO “DIÁRIO DE NOTÍCIAS”
.MORREU FERNANDO PESSOA

(Grande Poeta de Portugal)

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«Fernando Pessoa, o poeta extraordinário da «Mensagem», poema de exaltação nacionalista, dos mais belos que se tem escrito, foi ontem a enterrar.

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Surpreendeu-o a morte, num leito cristão do Hospital de S. Luiz, no sábado à noite. A sua passagem pela vida foi um rastro de luz e de originalidade. Em 1915, com Luiz de Montalvor, Mário de Sá-Carneiro e Ronald de Carvalho — estes dois já mortos para a vida — lançou o «Orpheu», que tão profunda influência exerceu no nosso meio literário, e a sua personalidade foi-se depois afirmando mais e mais.

Do fundo da sua «tertúlia» a uma mesa do Martinho da Arcada, Fernando Pessoa era sempre o mais novo de todos os novos que em volta dele se sentavam. Desconcertante, profundamente original e estruturalmente verdadeiro, a sua personalidade era vária como vário o rumo da sua vida. Ele não tinha uma actividade «una», uma actividade dirigida: tinha múltiplas actividades.

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Na poesia não era só ele: Fernando Pessoa; ele era também Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis. E era-os profundamente, como só ele sabia ser. E na poesia como na vida. E na vida como na arte.

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.Tudo nele era inesperado. Desde a sua vida, até aos seus poemas, até à sua morte. Inesperadamente, como se se anunciasse um livro ou uma nova corrente literária por ele idealizada e vitalizada, correu a notícia da sua morte. Um grupo de amigos conduziu-o ontem a um jazigo banal do Cemitério dos Prazeres. Lá ficou, vizinho de outro grande poeta que ele muito admirava, junto do seu querido Cesário, desse Cesário que ele não conhecera e que, como ninguém, compreendia.

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Se Fernando Pessoa morreu, se a matéria abandonou o corpo, o seu espírito não abandonará nunca o coração e o cérebro dos que o admiravam. Entre eles fica a sua obra e a sua alma. A eles compete velar para que o nome daquele que foi grande não caia na vala comum do esquecimento.

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Tinha 47 anos o poeta que ontem foi a enterrar. Quarenta e sete anos e um grande amor à Vida, à Arte, à Beleza. Quando novo, acasos do Destino, a que ele obedecia inteiramente — Fernando Pessoa teósofo, cristão, que conhecia todas as seitas religiosas e as negativistas, pagão como só os artistas sabem ser, Fernando Pessoa obedecia cegamente ao Destino — levaram-no para a África do Sul. E na Universidade do Cabo cursou o inglês. E de tal maneira estudou a língua que Shakespeare e Milton imortalizaram que, anos passados, apresentava aos «cercles» literários da serena Albion quatro livros de poemas – «English Poems, I, II, III, IV»; «Antinuous» e «35 Sonnets». E num concurso de língua inglesa alcançou o primeiro prémio.

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Depois, uma vez em Portugal, a sua actividade literária aumentou. É de então que data a sua colaboração na «Águia», onde o seu messianismo metafísico, num célebre e elevado estudo, anunciou o aparecimento do Super-Camões da literatura portuguesa.

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1915. «Orpheu». Movimento intenso de renovação. Entretanto, colabora no «Centauro», «Exílio», «Portugal Futurista», «Contemporânea». Começa a ser amado e compreendido.

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1924. Funda com Rui Vaz a revista «Athena». Depois, de então para cá, a sua actividade multiplica-se. Colabora em revistas modernistas, como «Presença», «Momento» e, há um mês ainda, no «Sudoeste», que Almada Negreiros fundou com notável desassombro. Traduziu Shakespeare e Edgar Poe. Estas são, em linhas muito esquemáticas a sua personalidade.

Quem o quiser compreender folheie a sua obra vasta e dispersa.

Começará a amá-lo.




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. .O ELOGIO FÚNEBRE

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O Capitão Caetano Dias, cunhado do poeta, representava a família. Em frente do jazigo que Fernando Pessoa passa a habitar, Luís de Montalvor, seu companheiro de 34 anos de vida literária, proferiu simples e emotivas palavras em nome dos sobreviventes do grupo «Orpheu».

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E disse:

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«Duas palavras sobre o trânsito mortal de Fernando Pessoa. Para ele chegam duas palavras, ou nenhumas. Preferível fora o silêncio, o silêncio que já o envolve a ele e a nós, que é da estatura do seu espírito.

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Com ele só está bem o que está perto de Deus. Mas também não deviam, nem podiam, os que foram pares com ele no convívio da sua Beleza, vê-lo descer à terra, ou antes, subir, ganhar as linhas definitivas da Eternidade, sem anunciar o protesto calmo, mas humano, da raiva que nos fica da partida.

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Não podiam os seus companheiros de “Orpheu”, antes os seus irmãos do mesmo sangue ideal da sua Beleza, não podiam, repito, deixá-lo aqui, na terra extrema, sem ao menos terem desfolhado, sobre a sua morte gentil, o lírio brando do seu silêncio e da sua dor.

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Lastimamos o homem, que a morte nos rouba, e com ele a perda do prodígio do seu convívio e da graça da sua presença humana. Somente o homem, é duro dizê-lo, pois que ao seu espírito e ao seu poder criador, a esses deu-lhes o Destino uma estranha formosura, que não morre.

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O resto é com o génio de Fernando Pessoa»








6 comentários:

Luís Coelho disse...

Bom dia amigo

Bela homenagem a Fernando Pessoa.
Lembra-lo e evocar estas datas faz parte da nossa cultura e formação.

Nada melhor do que folhear a sua obra e deixar que o silêncio nos presenteie com o seu génio criativo e genuíno.

São disse...

Muito bem fez em nos lembrar a morte de um poeta de altissima qualidade , mesmo a nível mundial.

Não ouvi referência em televisão alguma.

Assim cai a cultura em Portugal...

Um bom dia tenha.

Luisa disse...

César

Nunca é demais lembrar Fernando Pessoa, ou outros poetas e escritores.
Ontem disse, no teu post sobre Saramago, que receio o seu esquecimento. Como parece esquecido Fernando Pessoa, salvo os brasileiros que têm um carinho especial pela nossa cultura. Como a São disse, não se ouviu em nenhuma televisão evocar o dia da morte do poeta. Nem deste nem de outros como, Fernando Assis Pacheco.

Faço lembrar que, a Casa Fernando Pessoa foi revitalizada graças à sua Diretora, Inês Pedrosa.

Bjs

Luísa

trepadeira disse...

Não sou muito dado a datas.Parece que podemos esquecer tudo nos outros dias.
Prefiro sempre lembrar a vida.
Gosto de revisitar,às vezes dependendo do estado de espírito,Pessoa.
Também vou guardando as pedras do caminho.Espero poder usá-las.
Um abraço,
mário

Anónimo disse...

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