[ Vox populi vox Dei ]

2010-10-23

«O "Dia de São Nunca à Tarde" do ORÇAMENTO DE ESTADO »

Palácio da Assembleia da República Portuguesa


.

O Parlamento




.
História Interminável do Orçamento de Estado/ 2011


.
Aprovem o Orçamento quanto mais não seja para ficarem com a consciência mais tranquila e sossegarem os especuladores internacionais.
.
Mas tomem bem nota disto: o Orçamento, além de, eventualmente, terrivelmente injusto, não vai resolver problema nenhum da Economia portuguesa.
.
Daqui a uns meses está tudo na mesma e retoma-se a lamúria habitual para encontrar novas soluções e alternativas.
.
Não é com pessoas desmotivadas que se seguram Empresas, nem é com um Povo revoltado que se recupera um País!
.
O mal está sentado em dois 'sofás' à espera que alguém o desinstale. Num deles senta-se o marasmo nacional, em que cada um faz o menos possível! No outro, aparentemente adormecidos, cochicham os abutres do costume, sempre prontos para meter ao bolso os prémios, alcavalas, indemnizações e outras mordomias que criam para si próprios, para os amigos e "boys" em geral!
.
Enquanto uns não produzirem mais e outros comerem menos, não há Orçamento que nos valha!


.
O velho símbolo da Economia


.
.


POEMA

«DEVIA MORRER-SE DE OUTRA MANEIRA»

..






.

Devia morrer-se de outra maneira.

Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.

Ou em nuvens.

Quando nos sentíssemos cansados,

fartos do mesmo sol, a fingir de novo todas as manhãs,

convocaríamos os amigos mais íntimos com um cartão de convite

para o ritual do Grande Desfazer:

"Fulano de tal comunica a V. Exa. que vai transformar-se

em nuvem hoje às 9 horas. Traje de passeio".

E então, solenemente, com passos de reter tempo,

fatos escuros,olhos de lua de cerimônia,

viríamos todos assistir à despedida.

Apertos de mãos quentes.

Ternura de calafrio.

"Adeus! Adeus!"

E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,

numa lassidão de arrancar raízes...

primeiro, os olhos... em seguida, os lábios...

depois os cabelos... a carne, em vez de apodrecer,

começaria a transfigurar-se em fumo...

tão leve... tão subtil... tão pólen...

como aquela nuvem além... vêem?




.
Poema de:
- José Gomes Ferreira







UM "COBRADOR"

21 comentários:

Maria disse...

Ainda me surpreendo (e bem) com os caminhos que me levam por aqui, na blogosfera.
Gostei deste blogue. Terei de voltar para o apreciar com mais tempo. Mas este post e o poema do Zé Gomes já me diz muito...
Obrigada.

Maria disse...

Manter 3 blogues é obra... mal tenho tempo para manter um...
Vivo na Cruz Quebrada há 40 anos e não sabia que Aquilino Ribeiro tinha vivido aqui. Enfim, direi que não se pode saber tiudo.
Se comento aqui o post sobre Aquilino - que aliás é fantástico - é porque não consigo comentar na caixa de comentários que tem no outro blogue (caixa abaixo do post).
Mas irei lendo...
Muito obrigada.

María Eugenia Mendoza disse...

Presupuestos que se quedan en el papel y de todas formas se quedan cortos. Indiferencia ante las necesidades y posibilidades de los pueblos y corrupción son comunes en todos los países.
El poema y el video resultan muy dolorosos. Nadie debería morir así.
Te dejo un saludo desde México.

Jorge disse...

Nada mais correcto, o que foi dito sobre o OE e o parlamento! O poema é super!!!

trepadeira disse...

Albinoni,como sopa no mel,com José Gomes Ferreira.
Também gostaria de despedir-me com este adágio.
Mas deixem-me gritar,na rua,enquanto puder.
Um abraço,
mário

prahalad disse...

Simple Copy And Paste Jobs At www.visionjobcare.com

Are you really fed up with recession and want to overcome this. If you can manage the time than SMART SOLUTION will show you the way where you can earn from HOME. For more details E-mail us at support.visionjob@gmail.com
Visit : http://www.visionjobcare.com/XXX.html

César Ramos disse...

Maria,

Deve haver alguma 'areia na engrenagem' blogosférica, para não conseguir aqui[Blog Munho do Alfobre] entrar, para comentar.

Mas, estou atento e pronto a responder em qualquer "divisão", desta "casa" de três assoalhadas: Alfobre, MUNHO e Munho do Alfobre.

É obra ter 3 blogues? Foi um vírus que há tempos deu temporariamente cabo de um [Alfobre de Letras] e, por teimosia não desisti e, em vez de 1, passei a ter 3!

É até poder...

Obrigado por me ler e comentar.

Até sempre...
Cumpts.
César

César Ramos disse...

Maria,

Como parar é morrer e o país parece-me estupidamente parado, usei o Zé Gomes e este poema, para, sem ser tétrico, falar da morte de uma maneira suave.

Obrigado pela sua visita e pelo comentário.

Cumpts.
César

César Ramos disse...

Maria Eugenia Mendonza,

Gracias por su presencia en este blog y también el comentario que dejó.

Mi saludo desde Lisboa.México está cerca de mí, porque yo vivo cerca de la Embajada!

Es un edificio muy bonito.

Saludos
César Ramos

César Ramos disse...

Jorge,

Bem vindo ao 'Alfobre' e obrigado pelo seu comentário.

Aproveito para dizer a quem ler isto, que leia o seu blog, pois é um trabalho que vale a pena visitar com assiduidade:

- É: «O POLEIRO da CIGARRA»
http://lapispressgoogle.blogspot.com

Aceite os meus cumprimentos, com um grande abraço.

César Ramos

César Ramos disse...

Amigo Mário,

Como se costuma dizer, "morrer, mas devagar"!

Primeiro, ainda há muito que fazer no sentido de treinar para a luta os que andam por aí... silenciosos, mudos e quedos!

Depois da missão cumprida, então merecemos descansar...

Um abraço,
César

Luisa disse...

César,

Porque hoje é sábado
Há um piquenique de políticos
Vinícius de Moraes

Sairá fumo branco? ou preto? Preta já a vida de muitos está.


Adorei o poema.
Gostava de me transformar numa nuvem, em traje de passeio, pelas 9 horas mas não de hoje.

Tenho um porquinho onde junto umas moedinhas.

Swt disse...

Já ontem tinha lido este post. Acontece que é o assunto muito difícil para mim. Considero que o meu país me está atraiçoar e até a dar cabo de mim aos poucos.
Julgava que ia ter uma velhice tranquila e merecida já que trabalho desde os 19 anos.
Este país não só não é para velhos como não é para novos também!
Voltamos à máxima de outros tempos: o último a sair que feche as luzes do aeroporto...

smvasconcelos disse...

Resumes bem a futurologia deste orçamento... inútil, injusto, enganador, usurpador dos pobres e engorda dos ricos.E um veículo para a recessão...
beijos,

momo disse...

Amigo...esta mañana en la que siento que el mundo es un poco más grande o que yo soy un poco más pequena ...me has echo chorar ...pero está bem..porque las lagrimas curan y son necesarias...
Un beijo con lagrimones ...

César Ramos disse...

smvasconcelos,

Obrigado pela presença assídua nos comentários.

Como sempre, fazes uma síntese que completa o que escrevi! Certíssima esta definição:
- 'o orçamento é o veículo para a recessão' e, para já, parece não haver saída!

César Ramos disse...

Luísa,

E passou o sábado sem fumo nenhum!

Como diria o Almirante Pinheiro de Azevedo, "É só fumaça!"...

Veremos se, não somos nós a sumir numa coluna de fumo! Tipo Génio da lâmpada de Aladino.

Em todos os sentidos, tive sempre pena de ver partir o porquinho (...) é o equivalente à horrível tradição da matança do original!

Bjos
César

César Ramos disse...

Swt,

A pátria, só não é ingrata para os poderosos!

Recordemos as páginas antigas da n/História e vejamos que a sina é sempre a mesma:
- especiarias da Índia, ouro e diamantes do Brasil, barras de ouro no Banco de Portugal, subsídios comunitários... e, nós, Povo, sempre de aflitos!

É verdade! Porém, hoje, o último a sair já não tem de fechar a luz do aeroporto, porque 'ferraram o cão'
à E.D.P.!

Ânimo! Vai dar tudo certo...

Cumpts.
César

César Ramos disse...

Momo,

Obrigado pela sua visita. Fiquei feliz com o seu regresso e pelo retomar da caminhada na senda da amizade, que é aquilo que o 'Poder'... não conseguirá nunca destruir-nos!

O poema e a música que coloquei, também me tocaram de maneira muito especial e, sem o saber, em sintonia com a razão que a sensibilizou a si (...)

Escreveu um dos comentários mais bonitos que, pela sinceridade exposta, alguma vez recebi!...

Um Abraço,
César

O Puma disse...

O nosso Zé Gomes

sempre

Quanto ao orçamento dos compadres
será um treino para novas recessões

relogio.de.corda disse...

É o orçamento, é o descontentamento, é...sei lá...que mais!!!
Estou a ficar sem paciência, sem inspiração, porque será?!