[ Vox populi vox Dei ]

2010-10-05

« O ANIVERSÁRIO da IMPLANTAÇÃO da REPÚBLICA »

Painel (22x5 metros) junto ao tecto do Hemiciclo
da
Assembleia da República
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(Pintura de Veloso Salgado)
R E P U B L I C A N I S M O




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Para perscrutar o sentido mais fundo do republicanismo, há que situá-lo no contexto histórico português, ou seja, nas suas relações com o liberalismo. Nesta perspectiva, afigura-se legítima a asserção de que o republicanismo português já existia, latente, na corrente esquerdista das Cortes Gerais de 1820, na ideologia setembrista e na rebelião patuleia.
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Porém, sobretudo, ele é originário, matricialmente e no contexto europeu, da tríade liberdade, igualdade e fraternidade, que a Revolução Francesa tornou estandarte das esperanças progressistas no decurso do séculoXIX.
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O republicanismo pretendia superar o compromisso institucionalizado pela monarquia constitucional, que, em seu parecer, corromperia as virtualidades - e as virtudes - liberais no estabelecimento de um regime que efectivasse, por uma vez, quer a liberdade, quer a igualdade, quer a fraternidade, nas suas mais profundas relações intrínsecas.
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Queria que o governo do Estado fosse feito pelo povo e para o povo. Com a fundação do Partido Socialista Português, dá-se a bifurcação do republicanismo nas vias divergentes do liberalismo e do socialismo e a nebulosa republicana em busca de uma ideologia viável, apresentava um leque de tendências.
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Mas o republicanismo unitário triunfou, e entendidos os homens entre si e estabelecido um campo comum ideológico, iniciou-se a obra de propaganda e da conquista da paixão popular para o republicanismo.
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Em boa verdade, a partir deste momento o republicanismo é tão-só um liberalismo que, buscando incorporar uma mística patriótica, concebe a « ideia dum ressurgir da pátria portuguesa ».



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A REPÚBLICA


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JOSÉ RELVAS
(1858-1929)


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José Relvas, a voz que proclamou a República
da varanda da
Câmara Municipal de Lisboa
na manhã de
5 de Outubro de 1910





José Mascarenhas Relvas, abastado agricultor ribatejano com espírito de político, cerrou fileiras na Ala do Radicalismo como graduado do Partido Republicano e foi eleito membro do Directório do mesmo, no Congresso de Setúbal de 1909.
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Com Magalhães Lima, foi encarregado da missão de esclarecer alguns Governos estrangeiros acerca da possível implantação da República em Portugal.
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Foi Chefe do primeiro Governo nitidamente republicano que então se formou, e até à sua morte manteve-se sempre fiel às ideias que o fizeram abraçar o Partido Republicano, não só por ideologia ou por simpatia, mas com a determinação de fazer uma Revolução.








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Verso de moeda de 20 centavos de 1913
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José Relvas fixou a orientação financeira das novas instituições
e regulamentou o novo sistema monetário a que chamou
ESCUDO

9 comentários:

Austeriana disse...

Oportuno este post. Nos dias que correm, as questões ligadas à nossa memória colectiva estão quase totalmente relegadas para segundo plano. E (como sublinha, de resto, Damásio) sem memória não há consciência da identidade.

Abraço.

São disse...

Muito interessante o post.
A História portuguesa anda pelas ruas do abandono e um povo sem memória é um povo sem futuro!
Um bom feriado.

Português disse...

Hoje, 5 de Outubro, celebra-se o 867º ano do Tratado de Zamora. Neste tratado o rei Afonso VII de Leão, e autoproclamado Imperador da Hispânia, reconhece a independência de Portugal, que tinha sido proclamada unilatera...lmente por D. Afonso Henriques em 26 de Julho de 1139. É portanto a oficialização da independência de Portugal e o dia deve ser celebrado como tal. Portugal deve ser o único país do mundo que em vez de celebrar o dia da sua independência que é um acontecimento MAIOR, celebra um golpe de estado que deita abaixo um regime para implantar outro, o que obviamento é duma importância muito menor. Mesmo os republicanos devem concordar que antes de serem republicanos são portugueses. Mas o mais estranho, é que muito poucos portugeses, e estou a falar dos da minha geração, conhecem estas datas.

Português disse...

Até à náusea...
É insuportável o bafio que exala das comemorações, com a brigada maçónico-reumática em peso, exibindo aquele ar pedante de aristocratas falidos. Tem sido insuportável ouvir a RTP nos últimos dias, tão enjoativo se torna o panegírico à República. É curioso como ninguém nota a total indiferença do país ao ...regime vigente, talvez a mesma que se verificou nas fases terminais da Monarquia, da I República e do Estado Novo.“Cheira” nitidamente a fim de regime. E ainda bem!

Silenciosamente ouvindo... disse...

Meu amigo concordo com o seu comentário. Hoje acordei a ouvir
as noticias na Antena Um onde diziam que Carvalho da Silva estava a atacar um ministro do
actual governo, que aconselhou os
patrões a não pagarem os vencimentos aos trabalhadores.
Como é possível?A que ponto se chegou? Que homens são estes?
Beijinho e boa semana para si.Irene

Mar Arável disse...

100 anos de repúblicas

A minha começou em Abril

dRAMOs disse...

Bem dita carta Clavis Regni.
Não está a ser a republica a fazer cumprir Portugal. Venha a quarta...

Palma disse...

Permita-me César que deixe aqui mais um blog onde podem ser lidos alguns belos textos sobre a Pátria que amamos e a Républica que chegou triunfante em 1910. Há hoje no meio jornalístico português práticamente todo entregue à direita e à extrema direita certas forças que pretendem a todo o custo o afundamento tanto da República como do próprio País, já que os seus fins não são o amor à Pátria mas outros amores escondidos. Que os nossos ideais Republicanos permaneçam para lá de toda esta sujeira de palavras e ideias baralhantes. Palma

Palma disse...

Esqueci de transcrever o referido Blog. Aqui fica:
http://livre-e-humano.blogspot.com/