[ Vox populi vox Dei ]

2010-10-15

« ADOPÇÃO... AMOR SEM FRONTEIRAS (...) »


ADOPTEM-NOS
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Não tinham conseguido ter filhos. Por isso resolveram ir a uma dessas instituições que recolhem crianças abandonadas manifestar o seu desejo de adoptarem uma criança.
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Os responsáveis da instituição, enquanto tratavam da papelada, foram avisando que se tratava de um processo moroso e nada simples. Mas, quando foi feita a pergunta sobre que preferências tinha o casal quanto à criança a adoptar, o processo descomplicou-se bastante. É claro que não se poderiam evitar umas quantas maçadas em forma de papel... mas a preferência que o casal manifestara era tão estranha, tão insólita... Talvez não fosse assim tão difícil.
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Tinham dito: «Queremos ficar com uma criança que ninguém deseje; aquela que tenha menos hipóteses de ser adoptada. Não nos importa que seja deficiente. E, se puderem ser duas, melhor»...
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Tão estranho... tão inusitado (...)
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E... no entanto... tão natural, tão lindo. Tão verdadeiramente de acordo com a nossa natureza.
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Já nos parece estranho ver uma manifestação de amor. Já nos parece estranho que alguém olhe para uma criança como um enorme poço vazio que é preciso encher gota a gota, balde a balde. Com sacrifício e dor. Sem compensações, sem exigir nada em troca - o amor não tem outra compensação que não o próprio amor.
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Lemos há muito tempo, num qualquer livro de poesia, dois versos que de vez em quando nos vêm à cabeça, a propósito de muitas coisas a que vamos assistindo. Não nos lembramos quem os escreveu, nem com que intenção foi escrito o poema de que faziam parte, o qual, de resto, esquecemos totalmente. Mas os versos falam, mesmo sem a sua moldura original:

. «Tanto de amor se disse / que não sei como dizer que amor é outra coisa ».
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Tanto de amor se tem dito, que é quase como um acto obsceno falar, ou escrever, sobre o amor.
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Os homens descobriram há muitos séculos que o amor é o mais importante de tudo; que é ele que move o Mundo; que é ele que guia os passos dos humanos; que nada mais interessa. Mas temos assistido a uma mudança subterrânea: continuaram a dar a mesma importância ao amor, mas mudaram subtilmente o conteúdo da palavra.
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Chamaram amor a outras coisas, à superfície do amor, à escória do amor. Construíram uma mentira gigantesca!
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Têm chamado amor a coisas nas quais não conseguimos descobrir senão egoísmo, equilíbrios de egoísmos, negócio!...
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Quem diz que amou só porque sentiu prazer, não entende nada de amor. Porque quer colher, enquanto o amor é uma força que leva a semear.
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Quem dá porque quer receber, ou quem dá só enquanto dar não dói, é um comerciante. Calcula. O que equivale a dizer que nunca amou! E que a pessoa amada é uma mercadoria - sujeita, como as mercadorias, a critérios de qualidade e a prazos de validade.
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Se nada interessa senão o amor, e se o amor é isto, temos aqui uma explicação para tantas coisas tristes que temos observado em nós e à nossa volta (...)

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Título do vídeo escolhido: «Adoptem-nos...»



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De mãos dadas...

13 comentários:

Luís Coelho disse...

Um texto para interiorizar porque palavra amor foi severamente adulterada.
O amor dá-se se esperar recompensa.
O amor constrói-se numa caminhada diária e continua.

trepadeira disse...

Não,não há à venda na farmácia,muito menos na "grande superfície".
Só negócio,por esses sítios.
O capitalismo confunde tudo com dinheiro,até o amor.
Não podemos deixar.
Um abraço,
mário

Swt disse...

Só o facto de pensarmos em partilhar é o amor sem fronteiras.
No entanto, conhecendo, de perto, casos não muito bem sucedidos, penso que essa partilha tem que ser conduzida com cuidado...

Luisa disse...

César,

Foi meu sonho adoptar duas crianças. Lutei muito para que isso acontecesse, talvez não o suficiente, porque, nunca consegui convencer a outra parte. Hoje com mais de sessenta anos, penso nisso como se tivesse quarenta. Tanta criança a precisar de amor, e eu, com tanto para dar.
Há pais que, vendem os filhos, porquê?

Beijinhos

César Ramos disse...

Boa noite, ou bom dia!

Deixem que o meu 'cesto' se gabe! Gaba-te 'cesto', porque andava deserto para usar esta expressão "...Amor sem Fronteiras" e, depois do texto, lembrei-me dela e gostei de a usar...

Uma confissão: escrever, que não tem nada de especial o que faço, ainda lá vai fluindo mais ou menos c/constantes pontapés no Português. O pior e o que me consome tempo é seleccionar fotos, ou vídeos que se adaptem às minhas escrevinhaduras!

Luís Coelho:
O seu comentário completa o meu raciocínio; amor dá-se sem esperar recompensa, e é de facto uma caminhada permanente.

Mário:
Nem... nos laboratórios! Andam para lá com provetas a querer chamar amor àquilo! A mim... cheira-me a amor ao nazismo! pois todas as experiências c/genética, parecem-me apuramentos raciais disfarçados, de pílula dourada!

Swt:
Danke! Gostei que voltasse a escrever 'fronteiras'! Pois tem razão: se é preciso cuidado na adopção de animais, o assunto é mais exigente e delicado com seres humanos! Mas, que as dificuldades não sirvam de desculpa p/nada se fazer!

Luisa:
O sonho comanda a vida, lá disse o meu Professor de Química e Física.
Há pais que vendem os filhos e outros que os matam! A vida é cruel e as pessoas, suas cúmplices na maldade! Há "bestas" que o fazem porque não têm filhos mas, "explorações pecuárias", com o sentido do negócio... um horror!

cléo iori disse...

amigo eu gostei muito desse blog
em especial desse texto
parabéns
pelo belo conteúdo
se quiser faça-me uma visita será um enorme prazer recebe-lo em meu cantinho
http://cleoiori.blogspot.com/
amiga cléo

relogio.de.corda disse...

Concordo com os comentários do Luis Coelho e do Trepadeira Mário. O amor foi adulterado, anda a ser comercializado.Tal como alguém já disse, parece que o amor como o conhecemos também se encontra em vias de extinção. E depois?!?...que venha o diabo e escolha. Eu já não estou cá para ver.

Mar Arável disse...

Com as políticas seguidas

cada vez há mais crianças para adoptar e menos estímulos à adopção
Não basta ter coração
nem só razão
urge acção contra a indiferença

smvasconcelos disse...

Lindo, lindo, o teu post!De um humanismo arrebatador.
Obrigada,
beijo,

R. disse...

Amor e generosidade são certamente indissociáveis, e o exemplo que aqui traz é bem ilustrativo disso, da mais genuína e desinteressada (talvez única) forma de amor: o amor incondicional.

A adopção em tais moldes não terá rival em exemplo.

Absolutamente sensível e pertinente.

Anónimo disse...

Não é vulgar esta situação de alguém se interessar pelos mais deserdados da sorte. Também é verdade que a maioria de nós se calhar não tem estrutura mental para aceitar uma ou duas pessoas nestas condições. Não é para qualquer um. Todos temos um certo grau de proteção emocional, pois o cérebro funciona como o corpo: diante de um corte, começa a trabalhar para cicatrizar a ferida. Felizmente, alguns desenvolvem melhor essa capacidade, outros a deixam estacionada e alguns se entregam tanto aos problemas que em qualquer situação correm perigo de se desgastar profundamente.

Palma

Wanderley Elian Lima disse...

Olá César
Obrigado pela visita ao meu blog e por estar me seguindo.
Desculpe pela demora, estava viajando e cheguei ontem
Te sigo.
Abração

São disse...

A adopção quando pensada acerca da criança é um acto de amor e há-os, graças a Deus.

A adopção quando pensada acrca de adultos ( por razões várias) é um acto de egoísmo e há-os, infelizmente.

Um abraço.