[ Vox populi vox Dei ]

2010-09-10

« 138 ANOS a ANDAR de "ELÉCTRICO" em LISBOA »

Aguarela de Eléctrico 'amarelo' do Transporte público
e o 'encarnado' do Turismo
(Colecção do autor do blogue)
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O «americano» transporte público de tracção animal


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A Companhia "CARRIS de Ferro de Lisboa" completa este mês de Setembro 138 anos. Para assinalar o aniversário que se comemora a 18 deste mês, estão agendadas diversas iniciativas que se juntam às Comemorações da Semana Europeia da Mobilidade.
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Esta Empresa de Transporte Público de passageiros, fundada em 18 de Setembro de 1872 no Rio de Janeiro - Brasil, foi designada "Companhia CARRIS de Ferro de Lisboa", inteiramente ligada ao desenvolvimento da cidade de Lisboa, dotando-a de uma rede de transportes colectivos utilizando na época, o chamado "sistema americano": carruagens movidas por tracção animal deslocando-se sobre carris.
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Em 23 de Janeiro daquele ano, o escritor LUCIANO CORDEIRO de Sousa e o seu irmão Francisco Cordeiro de Sousa, Diplomata, obtêm os direitos para a implantação na cidade de Lisboa de um sistema de transporte do tipo americano, denominado "Viação Carril e Urbana a Força Animal".
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A 14 de Fevereiro seguinte, a Câmara Municipal de Lisboa aprova o trespasse daquela concessão para a "Empresa Companhia Carris de Ferro de Lisboa".
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A 17 de Novembro de 1873 é inaugurada a primeira linha de «americanos» entre a Estação da linha Férrea Norte e Leste (Santa Apolónia) e o então extremo Oeste do Aterro da Boa Vista (Santos).
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O sucesso que se lhe seguiu, conjuntamente com a expansão da rede, com os aumentos verificados na frota e com o número de animais de tracção, desde logo conduziram à necessidade de obtenção de instalações permanentes, amplas e devidamente apetrechadas, já que os terrenos até então utilizados para esse efeito não preenchiam todos os requisitos necessários. Esta fase de sucesso passava-se no ano de 1874 e, após longa pesquisa foi adquirida uma propriedade que albergando o Asilo D. Luís I, fora já dos Condes da Ponte e onde foi possível a criação da Estação de Santo Amaro à qual, a breve trecho, se seguiria a do Arco Cego.
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Embora tendo iniciado a sua actividade com carros movidos por tracção animal - os "Americanos" -, desde muito cedo que a Companhia CARRIS considerou como merecedora de atenção a possibilidade da sua substituição por um qualquer outro sistema mais rentável e eficaz. Deste modo, logo em 1877, iniciou-se a recolha de informações sobre a utilizaçãao de locomotivas a vapor nos transportes públicos urbanos, a qual viria a culminar na realização de carreiras temporárias entre Cais do Sodré e Algés.
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Em rigor e por fidelidade histórica não podemos deixar de fazer referência a outra Empresa que, tal e qual os "Americanos", também estiveram no negócio e no sentido de Serviço Público dos Transportes Urbanos. Eram os «CHORAS», da Empresa Eduardo Jorge, que em concorrência com a CARRIS tentaram o seu lugar ao sol mas, algo lhes faltou para prosseguirem pelo que considerando os seus insucessos comerciais, foram ficando pelo caminho. Deveu-se o nome de "Choras" aos seus lamentos 'chorosos', por não conseguirem fazer frente à organização da "Carris".

Foto (rara) da «GERADORA»
Espécie de "Regresso ao Futuro"
dos anseios modernos
de
Energias Motoras não Poluentes


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Outros estudos e experiências foram-se acumulando com o passar dos anos (em que se incluem o cabo de tracção subterrâneo e os eléctricos com acumuladores), até que já nos finais do século, foi decidida a adopção de carros eléctricos tendo a Carris obtido o privilégio exclusivo para o perímetro que explorava, do sistema denominado "Electricidade por condutores eléctricos com motor".
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Em 1900 tiveram início os trabalhos necessários à sua implantação com assentamento de novos carris [rails], lançamento da rede aérea e construção de uma Fábrica de electricidade capaz de fornecer toda a energia necessária ao seu normal funcionamento; conhecida simplesmente por GERADORA, estendia-se por uma área de 6.102 m2 e era composta pela Casa das Caldeiras, Casa das Máquinas, Casa das Baterias e Depósito de Carvão.
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O Futuro... tinha começado! Tinha nascido o Carro Eléctrico! Os "Amarelos" dos nossos dias!!
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O 1º. «Eléctrico» que saíu à rua - sem poluir o Ambiente


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Foi na madrugada do dia 31 de Agosto de 1901 que começou a funcionar a primeira linha de carros eléctricos que se estendia do Cais do Sodré a RIBAMAR (Algés). Citando um jornal da época "a inauguração da tracção eléctrica satisfez completamente o público que, em grande número, concorreu a presenciar o importante melhoramento, a elegância luxuosa dos carros [sem qualquer exagero!], a comodidade que ofereciam aos passageiros e a rapidez da marcha".
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Por volta de 1905 já toda a rede estava electrificada, tendo os "Americanos" desaparecido das ruas de Lisboa (...)
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Prova fotográfica do "entusiasmo" popular pelo novo sistema!
Particularmente, andar "à pendura"
sem pagar!


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Nos anos subsequentes Lisboa assistiu ao aparecimento de mais carros eléctricos, adquiridos nos Estados Unidos ou construídos nas Oficinas da Empresa, ao alargamento da rede sendo de salientar a linha do Bairro da Graça dado o seu percurso por muitos considerado impraticável - mas resultou e muito bem -, e ao nascimento de mais uma Estação, a das Amoreiras, inaugurada em 1937 e destinada não só a servir a rede de eléctricos, mas também a já prevista rede de autocarros que veio a ser inaugurada em 9 de Abril de 1944.
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Foi uma pena a vocação ambientalista dos eléctricos ter começado a esfumar-se! Tinha sido a cereja em cima do bolo se, em vez de autocarros fumarentos, a Carris tivesse apostado nos «Troley-Carros»... veículos de pneus movidos a energia eléctrica (...).
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Estamos de acordo?...

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ANDAR de CARRO ELÉCTRICO pelas RUAS de LISBOA:
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Eléctrico Moderno
rápido e articulado

5 comentários:

trepadeira disse...

Claro que estamos de acordo.
Mas os senhores da poluição têm muita força capitalista.
Vou ficando deliciado com estas notas.Smpre oportunas e lúcidas.
Um abraço,
mário

Palma disse...

Vale a pena fazer uma visita ao Museu da Carris. O Electrico continua a ser um transporte que me encanta nas minhas visitas irregulares a Lisboa. Talvez por ser um provinciano... mas desde criança que gosto de ver passar os electricos mas tamb´´em os comboios..... como dizia o outro.
P a l m a

Swt disse...

Os eléctricos são práticos e muito fotogénicos.Por exemplo, a pintura, que aparece em primeiro lugar no seu post, é linda

Luisa disse...

Gosto de andar de eléctrico, e Benfica onde morava, era outra quando os tinha. A tua aguarela, é linda!

Bjs
Luisa

Rafael Santos disse...

Parabéns pelo seu blog. E sobre o post em si, dizer-lhe que fico satisfeito por ver que ainda há gente a defender este meio de transporte em Lisboa, com os quais tenho o prazer de trabalhar diariamente.

Cumprimentos,
Rafael Santos