[ Vox populi vox Dei ]

2010-08-01

« UM ' POEMA ' ... FAZ HOJE 30 DIAS... SEPULTADO!... »

Um 'pôr do Sol'
diferente
dos
outros
(...)

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Entrada do Cemitério de Benfica
Lisboa

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Poema

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«Mãe... que Levei à Terra»

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Mãe que levei à terra
como me trouxeste no ventre,
que farei destas tuas artérias?
Que medula, placenta,
que lágrimas unem aos teus
estes ossos? Em que difere
a minha da tua carne?

Mãe que levei à terra
como me acompanhaste à escola,
o que herdei de ti
além de móveis, pó, detritos
da tua e outras casas extintas?
Porque guardavas
o sopro de teus avós?

Mãe que levei à terra
como me trouxeste no ventre,
vejo os teus retratos,
segura nos teus dezanove anos,
eu não existia, meu Pai já te amava.
Que fizeste do teu sangue,
como foi possível, onde estás?

António Osório,
in: 'A Ignorância da Morte'


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Vista geral da chamada «Terra da Verdade»
do
Bairro de Benfica
LISBOA

9 comentários:

César Ramos disse...

Tenho a certeza de que vou levar 'pancada', da parte de quem me quer bem!...

Mas... que posso fazer? Recebi este poema como consolo e, na verdade, ele não me sai da cabeça (...) pela sua veracidade, e sintonia com o meu sentir!

Não há nada de mórbido; apenas... uma grande sintonia
com o Poema!

César

Maga disse...

E o poema é lindo...
E Mãe (que todos nós temos, ou já tivémos)merece sempre todos os poemas, os que cantam a Vida certamente... porque não os que choram a morte?
Um abraço
Maga

César Ramos disse...

Maga,

Na verdade, o poema é lindo porque é excessivamente verdadeiro... e julgo que, a terra, pesa mais sobre nós... do que em cima delas!

Outro... Abraço!
César

Marilu disse...

Querido amigo, mãe é a benção que Deus nos deu,o anjo amigo, protetor, mas como nada é para sempre...um dia ele se vai...e é muito triste acompanhá-la até a última morada. Adorei seu poema...Beijocas

Paulo disse...

Há momentos na vida em que devemos fazer o que o coração nos pede. Mesmo que seja um grito assim. Grande abraço.

smvasconcelos disse...

Um abraço solidário!
:(

relogio.de.corda disse...

«fosse possível descobrir o primeiro e verdadeiro germe de todos os afectos elevados e de todas as acções honestas e generosas de que nos orgulhamos, encontrá-lo-íamos quase sempre no coração da nossa mãe»
Uma citação de Edmondo Amicis tão profunda quanto verdadeira.
Uma boa continuação.

Ornitorrinco disse...

"...o que herdei de ti
além de móveis, pó, detritos
da tua e outras casas extintas?..."

O que herdaste? para nós, o mais importante: TU!

Luisa disse...

O poema é lindo. O teu grito é de dor e de Amor.

Beijinhos