[ Vox populi vox Dei ]

2010-07-18

« POR QUÉ NO TE CALLAS...?? »

«UM PAÍS NÃO PODE CONSTRUIR-SE SOBRE O ESQUECIMENTO, A FALTA DE MEMÓRIA, SOBRE O RECONHECIMENTO DO QUE MARCOU A SUA HISTÓRIA»
Disse: Baltazar Garzón (Juiz espanhol suspenso)


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Guernica
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. JUIZ ao PRÉMIO NOBEL da PAZ



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Saramago: Fundação vai propor Prémio Nobel da Paz para Baltazar Garzón



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Madrid, 1 jul (Lusa) - Pilar del Rio, viúva de José Saramago, anunciou hoje em Lanzarote que a Fundação com o nome do escritor vai propor o Prémio Nobel da Paz para o juiz espanhol Baltazar Garzón.

Madrid, 1 jul (Lusa) - Pilar del Rio, viúva de José Saramago, anunciou hoje em Lanzarote que a Fundação com o nome do escritor vai propor o Prémio Nobel da Paz para o juiz espanhol Baltazar Garzón.

O anúncio foi feito no dia em que Baltazar Garzón apresenta a biografia de José Saramago, escrita por Fernando Gomez Aguilera, na Fundação César Manrique, em Lanzarote, numa entrevista que Pilar del Rio deu à rádio Cadena Ser, citada pela EFE.

Pilar del Rio justificou a proposta pelo facto de o juiz espanhol "estar envolvido na defesa dos direitos humanos e por nunca ter baixado a cabeça perante nenhuma obstáculo, nem nenhum poder, por ter seguido adiante e por se ter posto, em qualquer continente e em qualquer país, ao lado das vítimas".

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DUO GENOCIDA


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.11/04/2010

A Falange quer silenciar Baltasar Garzón.

Um texto de Andrei Barros Correia

Baltasar Garzón Real é juiz da Audiência Nacional de Espanha, máximo tribunal ordinário do reino. No mundo, tornou-se conhecido por ter processado, julgado e emitido um mandado internacional de captura contra Augusto Pinochet, ditador chileno, por tortura e assassinato de cidadãos espanhóis. Trabalhou a partir de muitas informações, notadamente um relatório da Comissão Chilena da Verdade.

Iniciou investigações sobre o desaparecimento de mais de 100 mil pessoas, durante a ditadura de Francisco Franco. Antes, já trabalhou com os crimes de terrorismo dos separatistas bascos e as detenções ilegais de cidadãos de diversas nacionalidades, encarcerados no campo de concentração norte-americano em Guantánamo.

Por conta da iniciativa relativamente aos desaparecidos do franquismo tornou-se alvo da Falange – ou o que dela remanesce – partido fascista espanhol que dava suporte ao regime franquista. Um notório falangista, o juiz Adolfo Prego de Oliver, do Tribunal Supremo, tomou a seu cargo a tarefa de tentar silenciar Garzón.

Adolfo Prego é patrono da associação neo-franquista Defensa de la Nación Española, firmou um manifesto contra a Lei da Memória Histórica, nunca se furtou a participar em atos públicos a favor do golpe militar de 1936 e da ditadura que lhe seguiu, por quarenta anos. Convém lembrar, também, que o lado político ardorosamente defendido por Adolfo Prego foi responsável pela deflagração da Guerra Civil Espanhola, uma vez que, não aceitando os resultados eleitorais, patrocinou o golpe e a guerra.

O juiz do Tribunal Supremo está a funcionar como magistrado e parte, o que é, no mínimo, repugnante a qualquer direito. Assustador é que isso acontece em um país rico – renda per capita de U$ 33.700,00 – com economia grande e diversificada, produzindo desde laranjas a aviões. Um país que, hoje, pretende-se conhecido por cultivar liberdades, diversidade cultural, letras, artes e ciências.

O recurso contra Garzón deve-se ao fato de estar a investigar os milhares de desaparecimentos sucedidos no longo período franquista e, segundo os ideólogos e magistrados falangistas, isso viola a lei de anistia de 1977. Garzón entende que os crimes de sequestro, por serem delitos continuados, não se sujeitam à prescrição, nem são passíveis de anistia. Entendimento, de resto, perfeitamente consoante às Convenções da ONU sobre direitos humanos. Não obstante, enfrenta processo que pode implicar na sua suspensão das funções judiciais.

Todavia, a Espanha adotou, mais recentemente, a Lei de Memória Histórica. A investigação iniciada por Garzón insere-se no espírito dessa lei. Na verdade, era extremamente improvável que o processo culminasse em punições, porque inevitavelmente seria longo e os responsáveis não poderiam responder criminalmente por uma razão trivial: estão mortos. Fica claro que seu intuito tinha muito de simbólico, e de um simbolismo importantíssimo a estimular o estudo histórico. Se não se estabelecem responsabilidades criminais, ao menos estabelecem-se as históricas.

O juiz Adolfo Prego, ao alinhar-se sem ambiguidades contra a Lei da Memória Histórica, firmar manifestos contra ela, proferir discursos contra ela e participar de associação de destaque da nostalgia franquista evidentemente compromete sua imparcialidade para julgar um tal caso. E, até onde se sabe, a imparcialidade do juiz é um princípio de direito no Reino de Espanha.

Esta questão deve ser compreendida sob a perspectiva política. Além de reação dos saudosos do franquismo, visa a turvar a compreensão e a investigação de casos de corrupção envolvendo o PP, partido de extrema direita espanhol, que flerta – meio dissimuladamente – com as saudades franquistas. O caso está na Audiência Nacional, onde ainda trabalha Garzón.

Pode parecer assunto sem importância, esse. Todavia, convém lembrar que essas coisas em Espanha não costumam terminar bem e que o país tem um peculiar histórico de divisões políticas dificilmente conciliadas. José Ortega y Gasset, castelhano, liberal, direitista, mas anti-fascista e a mente mais clara que o século passado produziu, já advertia dos riscos da ascensão das massas – grupo que não se caracteriza economicamente, nunca é demais reafirmá-lo.

Elas estão no Supremo Tribunal espanhol. Não percebem, essa a imensa cegueira, que é muito mais fácil dividir a Espanha que mantê-la unida. Ou será que somente a querem unida a custo de sangue?




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VÍDEO SOLENE de 'CHAMADA aos MORTOS', e o SOM dos TIROS ASSASSINOS!


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TIROS GERARAM DOR E IMPUNIDADE
ATÉ À ACTUALIDADE ...


16 comentários:

César Ramos disse...

ADITAMENTO ao "POST":

- O vídeo publicado "Cultura contra la impunidad", foi possível porque, cineastas, actores, músicos e escritores meteram-se na 'pele' de 15 fuzilados pelo franquismo, dando-lhes presença e voz.
FORAM ELES:
Pedro Almodovar, Maribel Verdú, Javier Bardem, Almudena Grandes, Juan Diego Botto, Maria Galiana, Carmen Machi, Juan José Millás, Aitana Sánchez-Gijón, Oaco León, Pilar Bardem,José Manuel Seda, Hugo Silva, Miguel Rios e Juan Diego.

A todos peço desculpa por serem identificados fora do texto, mas não quis ser fastidioso c/os eventuais leitores inserindo no post a listagem de todos estes voluntariosos personagens.

O Vídeo é de livre difusão (...)

Obrigado,
Cumpts.
César

smvasconcelos disse...

Obrigada pelo trabalho. Quanto a garzón: QUE NUNCA SE CALE!!!!
bjs,

César Ramos disse...

smvasconcelos:

- Exacto! Que nunca se cale!!!

Porém, lembrei-me desta 'Real' indignação de Juan Carlos, para ironizar o facto de se encontrar em silêncio!
Ou estou muito alheio ao assunto, ou então,
"Por qué no habla...?"

trepadeira disse...

Meu caro César.

Há por aí muita gente que está calada quando fala,e fala quando está calada.
Também por cá está tudo por fazer.
Enquanto os apelidos que estão no poder forem os mesmo,nada se fará.
A não ser que continuemos a gritar,cada vez mais alto.
Cordial abraço,
mário

Luisa disse...

Que não se calem, para que não se apague a memória.
O rei D. Juan, foi ali colocado por Franco, e está tudo dito.

Fiquei emocionada ao ler o teu post e ao ver o vídeo.

Beijinho

César Ramos disse...

trepadeira:

Caro Mário,
De facto, enquanto os poderes forem as famílias do costume, podemos tirar o cavalinho da chuva pois nada se fará porque tudo será boicotado c/as habituais manobras de diversão!
Abraço,
César

César Ramos disse...

Luísa,

Agora é que disseste tudo! Juan Carlos foi educado [domesticado] sob a batuta de Franco.
Por isso, assobiará para o lado e pensará: "Não me comprometam..."
Prefiro o "Rei das farturas", ou o "Rei dos Frangos"!!
Bjs,
César

José disse...

Amigo César!
Mais um excelente post,que nunca se calem as vozes do Juiz Garson, nem dessa grande mulher que é Pilar dele Rio,que esteve ao lado de um grande homem, e continua a estar para além da sua morte.

Um grande abraço,
José.

César Ramos disse...

José amigo,

Agradeço muito andar a par com o que vou escrevinhando, quando o seu blog lhe dá tanto trabalho a acompanhar os inúmeros seguidores que o comentam, e que também não os deixa sem a sua atenção.
Tenho pena de os posts não 'deverem' ser muito extensos, porque este assunto do Juiz, tem matéria que dá para alimentar um blog temático! Tais são as vergonhas encobertas que os Poderes sufocam (...)

Até sempre, com um
grande abraço.

César

São disse...

Diga-me, POR FAVOR, como posso colocar´o vídeo (ou o link) no meu blogue e assim o divulgar.

Desde já, obrigada!

Boa semana.

César Ramos disse...

São,

Boa noite!

Não está esquecido. Amanhã (hoje), vou tentar esquematizar o modus operandi!

Cumpts.
César

Maria Ribeiro disse...

Bela ideia ,a de PILAR DEL RIO! HOMEM COM LETRA GRANDE, este Juíz espanhol! SOU PERFEITAMENTE conivente com essa distinção para BALTAZAR GARZON!
ABAIXO TODAS AS DITADURAS , mesmo que disfarçadas de democratas...
ABRAÇO, CESAR de LUSIBERO

Palma disse...

Baltazar Garzon é um homem livre embora todos os dias haja quem lhe queira colocar algemas. Que nunca se cala a sua voz pelos direitos dos que não têm voz. Palma

momo disse...

amigo tengo que leer despacio esta entrada quiero darte las gracias ...estabamos mucha gente en esa manifastación pero al fginal hacen lo que quieren es tan triste lo que pasa y tan injusto....

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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